quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Collor homenageia Itamar

Fernando Collor foi à tribuna na tarde desta terça-feira (5/7) para prestar homenagem ao companheiro de chapa na disputa presidencial de 1989, destacando o papel de Itamar Franco na redemocratização e na continuidade das mudanças econômicas que permitiram o Plano Real.

Em discurso da tribuna nesta terça-feira (5), o senador e ex-presidente da República, Fernando Collor de Mello (PTB-AL), ressaltou a contribuição de Itamar Franco para o processo de redemocratização do país, com destaque para sua atuação no retorno da estabilidade financeira, com a implantação do Plano Real.
Segundo Collor, Itamar Franco atuou como "autêntico opositor" ao governo militar. “A transição para o regime democrático, a bem da verdade, começou a se esboçar com o resultado das eleições legislativas de 1974. Naquele pleito a oposição, representada pelo então MDB, conseguiu a maioria das cadeiras, fato que a transformou em um verdadeiro foco de resistência ao regime militar vigente à época. Itamar foi um dos quadros de maior expressão, a partir de 1975. Ele desempenhou autêntico papel de opositor ao governo, chegando inclusive à vice-liderança do partido nos anos de 1976 e 1977”, afirmou.
Ele acrescentou que, em dois mandatos consecutivos de senador, até o início da década de 1990, Itamar atuou com espírito democrático numa época em que vigoravam regras de exceção. “A missão que lhe foi outorgada na ocasião pelo povo mineiro permitiu a ele participar, mais de perto e com grande liderança, da campanha das Diretas Já, em 1984, cujo objetivo era o de aprovar a Proposta de Emenda à Constituição ´Dante de Oliveira`, que restabeleceria as eleições diretas para Presidente da República”, recordou Collor, lembrando que, na ocasião, era deputado federal e votou favoravelmente à emenda, que, no entanto, não foi aprovada.
Collor lembrou ainda que Itamar o substituiu em 1992, após o processo de impeachment que o destituiu da Presidência da República. Em 1989, Itamar tinha sido convidado por Collor para integrar sua chapa à Presidência, nas primeiras eleições depois da redemocratização. “Entre 92 e 94, ele completou o mandato presidencial para o qual foi eleito, interrompido pelo processo de impeachment, dando prosseguimento não só ao plano de privatizações e de abertura econômica do mercado, mas principalmente à integral e definitiva consolidação democrática do país, um cenário que hoje, duas décadas depois, impõe-se com um valor ainda maior diante da constatação da plena estabilidade política e institucional de que atualmente desfrutamos”, disse.
Collor também mencionou as qualidades pessoais e políticas de Itamar Franco, com quem voltou a conviver no Senado em 2011, elogiando sua capacidade conciliadora e sua "equilibrada austeridade". “Um homem digno, coerente e, acima de tudo, na inquietude positiva de seu temperamento, um defensor intransigente dos seus ideais”, resumiu. E disse que, embora tenham ficados separados por um longo período, retomaram, no inicio deste ano, o convívio, prevalecendo a admiração, a amizade e o respeito mútuo. “Hoje, pertenço ao Partido Trabalhista Brasileiro, o PTB, primeira agremiação à qual o Presidente Itamar Franco se filiou no início de sua carreira política, ainda em 1954”, destacou.
O senador disse ainda que o requerimento apresentado por ele para a realização de sessão especial em homenagem ao senador Itamar Franco, no dia 10 de agosto, foi subscrita por mais nove senadores, entre os quais o presidente do Senado, José Sarney e o líder do PMDB, Renan Calheiros.


Veja também:


Confira trechos do discurso nos vídeos a seguir:


terça-feira, 9 de agosto de 2011

Cantora e atriz brasiliense Carol Fazu cresce na televisão nacional

Carol Fazu aparece discretamente em Insensato coração. Ela interpreta Yvone, secretária do escritório onde trabalham Carol (Camila Pitanga) e Raul (Antonio Fagundes). O papel pequeno não tira o entusiasmo da brasiliense, que tem conquistado aos pouquinhos seu espaço na teledramaturgia global. “Participei de seriados como Cilada, Lolô e Tavinho e A grande família e das novelas Escrito nas estrelas e Viver a vida. Em Insensato coração, tive a grande oportunidade de contracenar com Fagundes, Camila, Lázaro Ramos, Glória Pires…”, contabiliza a atriz, escolhida para o papel pelo produtor de elenco da novela, que a conhecia de outros trabalhos.

A carreira em frente às câmeras é algo relativamente novo na vida de Carol, mas a arte, não. Bem antes de se mudar para o Rio de Janeiro e decidir tentar a sorte no teatro e na tevê, ela já cantava em palcos de Brasília. Chegou a lançar um CD em 2005. “Meu início foi no Conservatório de Música de Brasília, estudando piano clássico, aos 6 anos de idade. Comecei a cantar mais tarde. Brasília sempre teve um forte movimento de bandas, então fui dando canjas, participando de shows de amigos, tive bandas, comecei a compor e parti para um trabalho solo. Também estudei canto na Escola de Música”, lembra.

Por isso mesmo, ela costuma dizer que teve formação musical em Brasília e em cênicas no Rio de Janeiro. Carol se mudou para a cidade em 2005, depois de lançar o CD, fez apresentações como cantora (e ainda faz, eventualmente), mas o destino foi levando-a em outra direção. “As oportunidades para a atriz e meu próprio entendimento disso vieram aqui no Rio. Hoje, fico feliz por ter aceito as oportunidades que surgiram”, diz Carol. Na verdade, a ideia dela é tirar proveito de ambos os talentos: “Ser atriz e cantora é maravilhoso, são atividades que se complementam e aumentam meu leque de possibilidades de trabalho. Esta semana mesmo fui sondada para fazer no cinema uma personagem que é uma cantora. E os musicais também estão de volta com tudo. Além disso, continuo compondo e tenho planos para um próximo disco”.

Há ainda um detalhe curioso na vida profissional de Carol Fazu. Apesar de ter se envolvido com música tão cedo, no momento em que teve de entrar para a faculdade, ela escolheu um curso que, em princípio, não tem nada a ver com quem já mostrava notória tendência para a arte: odontologia. “Fazer odontologia foi uma escolha natural para mim. Meu pai, Artur Ribeiro Jarnalo, era dentista e eu o admirava muito. Exerci essa profissão por cerca de três anos. Mas a vocação artística falou mais alto”, conta. Essa certeza se tornou ainda mais firme depois que a cantora e atriz se mudou para o Rio. “Desde que vim para cá, optei por investir na carreira artística. Sempre busquei os melhores cursos e procurei estar cercada pelos melhores profissionais. E continuo estudando para os próximos trabalhos”, conta Carol.

No momento, ao mesmo tempo em que se despede das gravações de Insensato coração, ela se ocupa com outro projeto. Neste caso, no teatro. Ao lado de outras sete atrizes, ela encena Mulheres de Caio, peça baseada em quatro histórias do escritor Caio Fernando Abreu (O príncipe sapo, Creme de alface, Os sobreviventes e Dama da noite). “Fizemos duas temporadas no Rio e temos planos de levar a peça a Brasília ainda este ano. Dependemos de fechar apoio ou patrocínio. Vai ser muito especial para mim estar nos palcos de Brasília como atriz”, prevê.

Correio Braziliense

Operação Voucher combate desvio de recursos públicos no Ministério do Turismo

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira uma operação no Ministério do Turismo que resultou na prisão de 38 pessoas, entre elas o secretário-executivo da pasta, Frederico Silva da Costa. Apelidada de Operação Voucher, a ação foi realizada em conjunto com o Tribunal de Contas da União e o Ministério Público Federal. Os envolvidos serão indiciados por formação de quadrilha, peculato e fraudes em licitação. As penas para tais crimes podem chegar a 12 anos de reclusão. Segundo a PF, o objetivo é combater o desvio de recursos realizados por meio de emendas parlamentares.  No total, foram cumpridos 19 mandados de prisão preventiva, 19 mandados de prisão temporária e sete mandados de busca e apreensão. A PF informou, por meio de sua assessoria, que após a realização das prisões divulgará mais detalhes da investigação e o motivo das prisões.

Povo brasileiro já paga conta da crise



A Folha Online, na matéria “Dilma pede ajuda ao Congresso para enfrentar crise econômica”, mostra que a Presidente Dilma pediu ao Congresso que não aprove nenhum projeto que aumente os gastos públicos, nesta conjuntura de crise mundial. Em outras palavras: a crise global já está se traduzindo em pesados custos para o povo brasileiro, que continuará sofrendo com a manutenção de cortes de gastos sociais, e com a recusa governamental a qualquer reajuste para o funcionalismo público. Também ficam obstruídas diversas propostas legislativas como a Proposta de Emenda à Constituição nº 300 (que poderia aliviar o arrocho salarial dos bombeiros e da polícia), da regulamentação da Emenda Constitucional 29 (que poderia gerar mais recursos para a saúde), ou do aumento dos recursos da Educação para 10% do PIB. Enquanto isso, os gastos com a dívida seguem sem limite algum, conforme mostra o Dividômetro da Auditoria Cidadã da Dívida, segundo o qual já foram gastos em 2011 (até 5/8) R$ 541 bilhões em juros e amortizações das dívidas externa e interna, o que representa nada menos que 53% de todo o orçamento federal.

Em suma: apesar da Presidente Dilma e do ex-presidente Lula terem criticado a forma na qual os países ricos têm enfrentado a crise - com medidas recessivas e salvamento do setor financeiro às custas do Estado, conforme mostra o Portal G1 (“Assim como Lula em 2008, Dilma defende consumo após turbulência”) – é exatamente desta forma que a crise está sendo “combatida” no Brasil.

Na Itália, o “mercado” também é salvo pelo Estado: o Banco Central Europeu (BCE) comprou títulos da dívida italiana, em uma operação que termina tendo efeito parecido com as costumeiras intervenções do FMI, ou seja, a concessão de novos empréstimos para viabilizar o pagamento das dívidas anteriores. Tal operação, claro, é sempre condicionada à adoção de medidas nefastas, que foram enviadas pelo BCE ao primeiro ministro Silvio Berlusconi em carta secreta (“BCE exige privatizações rápidas em troca de apoio à Itália, diz jornal”), e incluem “a necessidade de privatizações rápidas, incluindo empresas municipais, e de uma reforma do mercado de trabalho”, conforme mostra a Folha Online.

Diz ainda a Folha Online:

“A carta, qualificada pelo "Corriere" como algo próximo de um "programa de governo", estabelece uma lista de ‘medidas que devem ser adotadas, o calendários para sua aplicação e até os instrumentos legislativos que devem ser utilizados’.

O "Corriere" acrescenta que o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e a chanceler alemã, Angela Merkel, também pediram à Itália a adoção das medidas anunciadas até o fim de setembro.

Já a oposição pediu explicações sobre a carta.

"O que realmente nos pedem o BCE e as instituições internacionais? Um governo impotente totalmente desacreditado e agora sob tutela deve ao menos dizer qual é a situação real", exigiu o líder do Partido Democrata (PD), Pierluigi Bersani.
Berlusconi e o ministro das Finanças, Giulio Tremonti, anunciaram na sexta-feira a aceleração de um pacote de austeridade aprovado pelo Parlamento para alcançar o equilíbrio orçamentário a partir de 2013, ao invés de 2014. O pacote, cujos detalhes não foram divulgados, prevê também uma reforma no mercado de trabalho a partir da liberalização das "profissões fechadas", para as quais é necessário formação específica.”

Sem comentários.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

"Plano Brasil Maior”: sem coragem para baixar juro, tiro de Dilma cai na água

Por Carlos Lopes*
Reduzir imposto na indústria retira poder do Estado e não compensa os prejuízos que o câmbio favorável aos importados provocam no setor
Aumentar a “competitividade” das empresas mantendo como está o que tira a sua competitividade - o câmbio aberrante e os juros vertiginosos – é como curar uma infecção mantendo incólume, bem nutrido e em plena atividade o micróbio que a causou. Pior quando, para manter um regime cambial e financeiro que beneficia meia dúzia de bancos e multinacionais, corta-se ou reduz-se a contribuição para a coletividade, debilitando-se o Estado, mola mestra do crescimento. Quanto ao mercado interno, as medidas têm pouco a ver com ele, até porque a política da Fazenda e do BC é restringir o mercado interno, conter - até rebaixar - os salários reais e o investimento.
Na terça-feira, a presidente Dilma Rousseff lançou o “Plano Brasil Maior”, que seria, segundo anunciado, uma política industrial. A presidente tem razão – e muita – em preocupar-se com “os riscos à indústria nacional, decorrentes de um câmbio desequilibrado”. O problema consiste em que é impossível superar os riscos de um câmbio desequilibrado sem resolver o desequilíbrio do câmbio.
O que implica, também, em resolver o problema dos juros básicos astronômicos, principal fator interno que torna o atual câmbio uma aberração econômica. Sem contar que esses juros são um atentado à produção nacional e ao mercado interno – considerado, pela presidente, com razão, a nossa maior vantagem econômica.
O ministro Fernando Pimentel disse que o Plano é “corajoso, ousado e audaz”. Infelizmente, não é. E nem precisa tanta “audácia”, “ousadia” e outras palavras altissonantes. Basta coragem para enfrentar os problemas reais, aqueles de que não se pode fugir, sob pena de agravá-los.
No entanto, o Plano quer aumentar a “competitividade” das empresas mantendo como está aquilo que tira a sua competitividade: o câmbio distorcido e os juros vertiginosos. Tal façanha equivaleria a curar uma infecção mantendo incólume, bem nutrido e em plena atividade o micróbio que a causou, mas amaciando um pouco – talvez - o travesseiro do doente.
Como se pode elaborar uma política industrial sem qualquer ação sobre os dois preços mais fundamentais da economia, sobretudo quando eles estão destrambelhados? A resposta é que não se pode.
Falou-se em “indústria nacional”. Mas, quando a medida provisória nº 540 “dispõe sobre a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) à indústria automotiva”, não é a indústria nacional que é beneficiada, e sim o cartel das filiais de multinacionais automobilísticas, que, no Brasil, tem preços extorsivos, com remessas de lucros para o exterior que são abusivas sob qualquer critério econômico que não seja o favorecimento de suas matrizes. No entanto, essa é a única redução de tributos, em todo o Plano, que vai até 2016. A maioria não passa de dezembro de 2012.
Como é óbvio, a “indústria automotiva” não tem caráter estratégico para o país – aliás, na época atual, para nenhum país do mundo. Essa redução somente servirá para aumentar sua margem de lucro e açular suas remessas para o exterior. É inteiramente perfunctória a condição de que elas deverão “observar, atendidos os requisitos estabelecidos em ato do Poder Executivo, níveis de investimento, de inovação tecnológica e de agregação de conteúdo nacional” (cf. MP nº 540, art. 5º, § 1º). Não sabemos quais serão esses requisitos, mas elas deveriam observá-los sem que, para isso, o Estado tenha que renunciar ao imposto que elas devem pagar. Já no governo Juscelino, há 50 anos, obedecer aos requisitos do governo era a condição para que explorassem nosso mercado interno.
Porém, logo em seguida, estabelece-se que a “redução [de IPI] aplica-se aos produtos de procedência estrangeira (…) no caso de saída dos produtos importados de estabelecimento importador pertencente a pessoa jurídica fabricante que atenda aos requisitos mencionados” (cf. MP nº 540, art. 6º, caput, e § único)
Em suma, a redução do IPI também vale para as importações das multinacionais automobilísticas. Talvez a presidente, em meio à algaravia polimorfa dessa MP, não tenha prestado atenção nesse trecho. Mas, como disse Gorky, o que se escreve nem o machado apaga.
Um desses cretinos da mídia oposicionista atacou o Plano por, supostamente, ser “nacionalista”. Trata-se de mera chicana.
Não vamos falar dos R$ 500 bilhões do BNDES, porque a conta não fecha, nem o BNDES assumiu esse número – e, segundo o sr. Mantega, as empresas têm que se financiar é no mercado de debêntures... Mas os R$ 2 bilhões para que a Finep invista em inovação tecnológica são importantes, ainda que bastante insuficientes para as nossas necessidades.
Quanto aos impostos – menos ainda as contribuições para a Seguridade e a Previdência -, jamais foram um obstáculo à competitividade. Mas é sobre eles que recai a compensação para não ter alguma política racional em relação ao câmbio e aos juros. Em suma, o debilitamento do Estado, há muito a mola mestra do desenvolvimento, é, na verdade, a essência dessa política que corta impostos para não mexer em nada. A contribuição para a coletividade - para a sociedade e para o Estado - é sacrificada para manter um regime cambial e financeiro que beneficia meia dúzia de bancos, sobretudo externos, e multinacionais.
Como política industrial, ela não é uma política industrial. Limita-se a um pequeno respiro, mais fantasioso que real, para alguns setores nacionais, “desonerando”, em 100% das contribuições para a Seguridade e a Previdência, as indústrias de confecções, calçados, móveis e software – ameaçadas pelas importações devido ao câmbio, aos juros, às tarifas de importação baixíssimas, e não pelos impostos.
A presidente Dilma está inteiramente certa ao declarar que “nós não acreditamos que o desenvolvimento possa abrir mão da indústria e se dedicar prioritariamente a construir uma economia de serviços. Nós queremos a nossa indústria sólida, geradora de renda e de emprego”.
Para isso, é necessário ter uma política para que a indústria nacional seja sólida, geradora de renda e de emprego. Não serão, certamente, as filiais de multinacionais que irão dar solidez ou basear o emprego no país – pela razão evidente que sua função é gerar renda para suas matrizes em outros países. Podem até ter alguma importância em nossa economia. Mas nunca poderão, se queremos crescer sustentadamente, ser o centro da nossa economia, porque, a rigor, pertencem a outras economias.
É verdade que nossa base deve ser o mercado interno. Mas o Plano pouco tem a ver com o mercado interno – até porque a política da Fazenda e do Banco Central é restringir o mercado interno, manietar o consumo, conter, até rebaixar, os salários reais, e, como observou Amir Khair, restringir o investimento. A meta de 22,4% do PIB de taxa de investimento é viável – desde que se tenha uma política para isso.
Entretanto, a ideia do Plano parece a de aumentar as exportações porque as contas externas estão em perigo, se o saldo comercial continuar do jeito que está. A presidente também foi correta ao apontar o “excesso de liquidez” (as superemissões de dólares dos EUA) como algo que nos prejudica. Portanto, foi significativa a menção “aos que pensam que (…) o mais prudente é não agir e esperar a onda passar”.
Esta foi, precisamente, a política do sr. Mantega. No dia 15 de dezembro de 2009, em entrevista ao “Valor Econômico”, ele declarou: “Vamos aumentar as importações e usar poupança externa. Teremos um déficit em transações correntes, que será coberto por poupança externa. Quando o mercado internacional voltar a crescer, voltaremos a produzir um superávit comercial maior”.
Sobre o câmbio: “Estancamos a sobrevalorização do real e a tendência é o câmbio melhorar. Estabilizamos o câmbio há 50 dias, quando o dólar estava a R$ 1,70. Hoje, está em R$ 1,77”.
Sobre as superemissões dos EUA: “Os Estados Unidos farão, inevitavelmente, alguma valorização da moeda, subindo aquela taxa de juros de 0,25% ao ano”. E quando um dos entrevistadores observou que “há quem diga que o aumento dos juros nos EUA só deverá ocorrer no fim de 2010”: “Não acredito. (…) Trabalhar com 0,25% desmoraliza o mercado. (…) Teremos um movimento de desvalorização do real, o que vai ajudar a melhorar a situação dos exportadores”.
Hoje, a cotação do dólar está em R$ 1,56. Os juros reais dos EUA estão em -3,2% (menos 3,2%).
Mantega levou dois anos para perceber que havia uma guerra cambial. Em julho do ano passado, insistia: “Quando os outros países voltarem a comprar mais do Brasil, as exportações vão crescer e equilibrar as transações correntes. Como o câmbio é flutuante, a regulação é automática. (…) em algum momento, a tendência é de desvalorização do real” (Ag. Brasil, 27/07/2010).
Infelizmente, o Plano de terça-feira é puro manteguismo. Há outras medidas, quase todas extensões ou prorrogações de políticas que já existem, incluindo o drawback (isenção para importações de empresas exportadoras), inventado pelo falecido Bulhões no governo Castello Branco, em 1966.
Carlos Lopes é editor-chefe do jornal Hora do Povo e analisa questões como independência nacional e soberania política e econômica

Dívidas: instrumento de dominação global


Tais agências possuem um poder absurdo, tendo a prerrogativa de ameaçar qualquer governo, dizendo que se eles não cortarem gastos sociais, os emprestadores fugirão do país, causando crises financeiras e a suspensão dos novos empréstimos, necessários para o pagamento das dívidas anteriores. Esta chantagem, feita graças ao instrumento do endividamento, é executada por qualquer grupo político subserviente ao setor financeiro, tal como na recente decisão do Congresso dos EUA, que condicionou a elevação do endividamento (ou seja, a tomada de novos empréstimos para o pagamento das dívidas anteriores) a um pesado corte de gastos sociais e à não-tributação dos mais ricos.
Neste final de semana, governos de todo o mundo estão reunidos em caráter emergencial, para decidir o que fazer diante do anúncio da agência de classificação de risco “Standard & Poor's”, de rebaixamento da classificação da dívida dos EUA. “Decidir o que fazer” significa, em bom português, definir quantos trilhões de dólares em gastos sociais serão cortados nos diversos países, e quantos trilhões de dólares serão liberados imediatamente para beneficiar os "mercados".
Se nos anos 40 a 80, a existência de um bloco antagônico ao capitalismo no leste europeu fazia com que o capitalismo fizesse algumas concessões à classe trabalhadora (por meio do chamado “Estado de Bem-estar”), agora a ofensiva do capital é total. Como sempre, esta ofensiva neoliberal se utiliza do mecanismo do endividamento para impor medidas nefastas, sempre aplicadas nos países do Sul, e agora nos países do Norte, tais como a demissão sumária de servidores públicos, corte de aposentadorias, 13º salário, privatizações generalizadas e cortes de todo tipo de gastos sociais.
Nunca o endividamento foi tão largamente utilizado para dominar os povos de todo o Planeta, e nunca foi tão necessária uma alternativa a esta situação. Nunca foi tão necessário desmascarar este processo, demonstrando que os rentistas e suas “agências de risco”, que se colocam como arautos da “responsabilidade fiscal”, são, na realidade, os verdadeiros causadores desta crise. A auditoria da dívida é um meio de demonstrar isso, com provas documentais e dados oficiais.

domingo, 7 de agosto de 2011

A destruição da Literatura Brasileira

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Em minhas reflexões ao longo da vida, há uma série de fatos que exigem uma interpretação mais cuidadosa e para os quais nem sempre encontro uma resposta convincente. Amante das letras, depois de publicar uma série de livros abordando os mais diversos temas, vejo-me agora no dever de interpretar o processo de destruição de nossa literatura, comandada por grupos estrangeiros, sob a liderança dos Estados Unidos da América. Antes de insurgir-se contra os autores brasileiros, os americanos exportaram para o Brasil a chamada música pop, agredindo os nossos ouvidos com a estridência de suas guitarras, em que é evidente a ausência de melodia e a absoluta falta de imaginação nas letras que apenas servem para a alienação de jovens drogados. Lamentavelmente a nossa imprensa (ressalvem-se algumas exceções) dera apoio a esse processo, seduzida pelo dinheiro ilícito, o famoso JABÁ, tal como é conhecido entre os jornalistas. O jabá é pago a emissoras de rádio e televisão, com o único objetivo de não colocar em sua programação músicas de autores brasileiros, sobretudo aquelas melodias clássicas e populares, que embalaram tantas gerações. Destruiu-se o belo e sobre essa destruição buscou-se construir a falta de imaginação da mediocridade.
Agora, esses mesmos grupos investem contra a literatura brasileira. As nossas editoras e inúmeras livrarias sabotam a edição e a venda das obras de autores brasileiros, enquanto exibem em seus stands a subliteratura estrangeira. Os críticos literários das principais revistas editadas no Brasil omitem o que há de melhor em nossa literatura, onde não há dúvidas de que figuram verdadeiras obras-primas, totalmente ignoradas pelo público leitor. Algumas livrarias chegam ao absurdo de recusar a comercialização desses livros, mesmo quando os recebe sem investir um centavo. São livrarias e editoras mercenárias, engajadas em um processo que deve ser examinado pelas nossas autoridades. As empresas privadas não têm o direito de destruir ou sabotar a literatura de um país, sob o pretexto de que se trata de um simples ato de interesse comercial. Trata-se, na verdade, de um crime, em que o nosso silêncio passa a ser uma omissão criminosa. Jamais condenei a venda e a divulgação de livros de autores estrangeiros, muitos dos quais estão inseridos em minha leitura e em minha admiração. Mas não posso concordar em que se faça com a literatura brasileira o que esses iconoclastas apátridas já fizeram com a nossa música. Não vamos permitir que aumente, a cada dia que passa, a legião de brasileiros ignorantes, seja na simplicidade de quantos não tiveram oportunidade de estudar, seja entre os doutores, que tão somente aprendem teorias de certas especialidades, ignorando as virtudes de uma cultura universal.  

Dilson Ribeiro é jornalista, escritor e advogado, pertencendo a várias instituições culturais, no Brasil e no Exterior.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

A história de um crime de 20 trilhões de dólares


Documentário que será lançado em fevereiro no Brasil mostra o comportamento criminoso de agentes políticos e econômicos que conduziu à crise mundial de 2008. Essa conduta criminosa provocou a perda do emprego e da moradia para milhões de pessoas. "Inside Job" (que ganhou o título de "Trabalho interno" em português) conta um pouco da história que Wall Street e seus agentes pelo mundo querem que seja esquecida o mais rápido possível. Documentário resultou de uma extensa pesquisa e de uma série de entrevistas com políticos e jornalistas, revelando relações corrosivas e promíscuas entre autoridades, agentes reguladores e a Academia.
Marco Aurélio Weissheimer – Carta Maior
Como causar uma quebradeira de 20 trilhões de dólares, por meio de uma farra de negócios especulativos, e cobrar a conta de milhões de pobres mortais que não participaram da festa? O documentário Inside Job (“Trabalho interno”, em português) responde essa pergunta mostrando o comportamento criminoso de agentes políticos e econômicos que conduziu à crise econômica mundial de 2008. Essa conduta criminosa provocou a perda do emprego e da moradia para milhões de pessoas. Dirigido por Charles Ferguson (mesmo diretor de No End in Sight) e narrado por Matt Damon, o documentário conta um pouco da história que Wall Street e seus agentes pelo mundo querem que seja esquecida o mais rápido possível. Para repeti-la, provavelmente. O documentário resultou de uma extensa pesquisa e de uma série de entrevistas com políticos e jornalistas, revelando relações corrosivas e promíscuas entre autoridades, agentes reguladores e a Academia. Em No End in Sight, Ferguson faz uma análise sobre o governo de George W, Bush e sua conduta em relação à Guerra do Iraque e a ocupação do país, questionando as mentiras utilizadas pelas autoridades norte-americanas para sustentar a ocupação. Agora, em Inside Job, mais uma vez o diretor expõe uma teia de mentiras e condutas criminosas que prejudicaram seriamente (e seguem prejudicando) a vida de milhões de pessoas. Agende-se: a estreia do documentário no Brasil está prevista para o dia 18 de fevereiro. “Se você não ficar revoltado ao final do filme, você não estava prestando atenção” – diz uma das frases promocionais do documentário. Uma revolta necessária, pois, neste exato momento, muitos dos agentes causadores da crise (do roubo, seria melhor dizer) voltaram a dar “conselhos” para governos e sociedades. Algumas das mais novas vítimas são gregos, irlandeses, espanhóis, portugueses e outros povos europeus que estão sendo “convidados” a “aceitar a ajuda do FMI”. Os arautos das privatizações e da desregulamentação seguem soltos como se nada tivesse ocorrido. Inside Job mostra as entranhas deste mundo de cobiça, cinismo e mentira. São estes criminosos, no frigir dos ovos, que seguem dando as cartas no planeta. Preparem o estômago, abram os olhos e ouvidos e não deixem de ver esse filme.

Como a Petrobrás se prepara para o pré-sal

Por Luis Nassif
E-mail: luisnassif@advivo.com.br

O anúncio do plano de investimentos da Petrobrás ajudou a esclarecer alguns pontos que intrigavam o mercado.A empresa tornou-se a grande operadora do pré-sal e caminha para ser uma das maiores do mundo. De um lado, necessitará captar investimentos volumosos - e eles dependem em grande parte do valor das suas ações (função da sua capacidade de gerar lucros).Como monopolista do pré-sal, há inúmeras vantagens. Em contrapartida, foram definidos vários objetivos nacionais que ela terá que cumprir: como adquirir parte dos equipamentos com conteúdo nacional.
Com o câmbio nos níveis atuais, o produto nacional é pouco competitivo. Além disso, haverá desafios grandiosos na própria cadeia internacional de suprimentos, para atender às necessidades do pré-sal.Para responder a essas questões, o presidente da Petrobras José Sérgio Gabriellli, participou de uma mesa redonda com analistas de mercado no meu blog (www.luisnassif.com.br).
Segundo ele, foi a descoberta dos campos de Campos que permitiu à Petrobras sair de uma produção de 187 mil barris por dia em 1980 para os atuais 2 milhões de barris - crescimento de 10% ao ano - desenvolvendo os fornecedores nacionais. Agora, enquanto os poços de Campos envelhecem, surge o pré-sal, abrindo perspectivas maiores ainda.
Hoje em dia a Petrobras é, disparadamente, a maior empresa na produção de petróleo em águas profundas do mundo, maior que a soma das três empresas seguintes.Isso vai exigir uma notável expansão da cadeia de fornecedores e, em termos estratégicos, é melhor que seja feita em território nacional. Portanto, a produção nacional é parte integrante da estratégia da Petrobrás, explica Gabrielli, e não apenas uma imposição de Estado.A atual revisão foi a oitava do plano de negócios. A empresa tem 688 projetos acima de 25 milhões de dólares e 3 mil projetos abaixo de 25 milhões de dólares. Quando se faz revisão do plano, se vai ao projeto, sempre que ocorrem alterações nas premissas de preços dos projetos, as perspectivas de hierarquização desses projetos. (...)

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Consultora política entrevista autora do livro "Sarney, a Biografia"

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A baiana Daniele Barretto participou de entrevista, em rede nacional, com a jornalista Regina Echeverria, no “Tribuna Independente”, da Rede Vida de Televisão
A Rede Vida de Televisão convidou a consultora Daniele Barretto para entrevistar a biógrafa Regina Echeverria e o diretor da Editora LeYa, Paschoal Soto, e avaliar o livro ´Sarney - A Biografia', no programa “Tribuna Independente”. Ancorado por Paulo Shimizu Júnior, o programa foi ao ar no dia 09 de junho, às 22:15, com duração de 1 hora e meia, ao vivo para todo o Brasil e pela internet. A baiana, que também escreveu resenhas sobre a obra, agradeceu o convite para a primeira e mais importante entrevista em rede nacional sobre o livro acerca do parlamentar maranhense.
Daniele Barretto, advogada pós-graduada em Direito do Estado, possui mais de 11 anos de experiência na área política na Bahia, tendo ocupado cargos na Administração Pública e realizado advocacia eleitoral, bem como consultoria em marketing político para partidos políticos, coligações eleitorais e candidatos. A convidada analisou o polêmico livro recém-lançado “Sarney, a biografia”, onde é relatada a trajetória política do Senador - que se confunde com a história recente do Brasil -, considerando, inclusive, suas lembranças e avaliações.
“A obra da biógrafa Regina Echeverria preenche uma lacuna histórica! Sarney é o homem mais poderoso da história do Brasil. Esteve, ao longo das seis últimas décadas, no poder; influenciando, inclusive, as mais importantes decisões dos Presidentes da República - quando não estava, ele próprio, nesta posição”, acredita a consultora. Para Regina, além de ouvir centenas de amigos e inimigos do Presidente do Senado e colecionar no livro dezenas de documentos que comprovam as versões escritas, se dedicou também à importantes entrevistas com o parlamentar, proporcionando aos leitores obter informações sobre fatos históricos sob a ótica do maranhense. “O que é excelente: agora temos a visão do protagonista da nossa história recente acerca desta própria história”, opinou.
O âncora do programa, Paulo Junior, enfatizou que “de meados do século passado até os dias atuais, Sarney ocupa páginas importantes da caminhada política nacional, tendo assumido a Presidência num dos momentos mais dramáticos da história política brasileira”. Citou a relevância do maranhense na "parceria com Jânio Quadros, no processo de redemocratização, no árduo trabalho de consolidação da democracia, na luta pela estabilidade econômica da nação, na construção do cenário político de governabilidade do Presidente Lula". Pensamento avalizado pelo editor da LeYa, Paschoal Soto: “a decisão pela edição do livro se deu por se tratar de personagem sem o qual não se pode contar a história política deste país”.
As exigências de Sarney para autorizar a biografia e o pré-julgamento da obra por se tratar de personagem tão polêmico, foram temas abordados pela consultora Daniele Barretto, que considerou inúmeras reportagens que contestam a forma como alguns fatos foram relatados, colocando-os como mera tentativa do parlamentar de eternizar suas versões. Para Daniele, que escreveu uma resenha sobre o livro num curso na Faculdade Cásper Líbero, ao ler algumas matérias acerca da obra, percebe-se este pré-julgamento, por se tratar de "José Sarney" - personagem principal. "A sua obra é longa, Regina. Por uma imposição da própria trajetória política do biografado. Lê-la exige paciência e eu tenho a sensação, quando observo algumas análises feitas por colunistas, que alguns não leram o livro com a necessária atenção antes de elaborar suas resenhas".
A biógrafa, conceituada jornalista, também autora de “Furacão Elis” e “Cazuza, só as mães são felizes”, concordou, complementando que há a necessidade de se avaliar a vida política do ex-Presidente, sem preconceitos. “Por ser jornalista, biógrafa e memorialista acredito que as pessoas têm nuances de comportamento e que a gente pode aprender sempre com a trajetória alheia”, disse.
Tendo solicitado dos internautas que acompanham seu microblog, twitter.com/danybarretto, o envio de perguntas para realizar à entrevistada, Daniele recebeu uma indagação do vice-Presidente da Caixa Econômica Federal, Geddel Vieira Lima, que é citado no livro e já ocupou o cargo de Ministro da Integração Nacional: “qual a característica do Senador José Sarney que a biógrafa acha responsável pela longevidade dele na vida pública brasileira”. “A disposição para o diálogo e consenso”, respondeu Regina Echeverria.
Ao final do programa, a autora enfatizou um conselho que o Presidente do Senado citou durante as entrevistas: “Aprenda uma coisa nova todos os dias!”. E elogiou Sarney como "um homem cultíssimo, não há paradigna para ele no Congresso Nacional". Após, endossou a necessidade de leitura, especialmente pelos jovens, acerca da política e cultura e criticou Deputados e Senadores “inacreditavelmente mal informados e incultos”; questionando: “qual o jovem que sai da faculdade hoje e quer ser político? Cadê a juventude que não quer entrar na política?”
Daniele Barretto, que incentiva a Educação Política, concluiu indicando a leitura do livro. "Leiam e entendam quem é Sarney. Desvendar Sarney é conhecer mais sobre esse enigma chamado Brasil. ‘Estudar Sarney’ é desvendar estruturas, é avaliar o que norteia as decisões e alianças”. “Não há como entender política sem entender Sarney. Seus passos são os passos do poder”.

Para informações, roteiros para web e tv, artigos, colunas, análises e comentários políticos, palestras (inclusive resenhas sobre "Sarney, a biografia" e outros livros ligados à política):
Daniele Barretto danisbarreto@gmail.com

Mais fotos do programa:
Na página de Daniele no facebook (FB) você encontrará os links de notícias que foram veiculadas na imprensa sobre a participação da consultora no programa. Também no FB, no álbum "Clube do Livro", leia uma miniresenha sobre o livro.
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A luta de Sarney pela redemocratização começou logo no início da ditadura

Por Said Barbosa Dib*
Há hoje um péssimo comportamento de alguns jornalistas e políticos menores em atacar o senador Sarney como trampolim para se promoverem. O mais recente caso de oportunismo é o de Luiz Cláudio Cunha, jornalista com longa carreira em vários órgãos de imprensa, premiado por diversas vezes, mas que ultimamente se encontra implorando espaço em pequenos sites. Para sair do esquecimento resolveu escrever artigo publicado dia 26, no site Congresso em Foco, intitulado “Sarney e o torturador, Ustra e o presidente”. Puro parasitismo político. 
Entre sofismas, chavões e reducionismos históricos flagrantes, chegou mesmo a afirmar que Sarney não teria sido eleito para o governo do Maranhão, mas nomeado pelos militares. Uma grande bobagem que mostra o desespero em que se encontra o ex-grande jornalista e que desqualifica não apenas o artigo recente, mas toda a história de Luis Cláudio, pois é muito estranho um jornalista investigativo premiado não conferir informações tão óbvias. Sarney foi, sim, candidato da coligação da UDN com o Partido Social Progressista (PSP), apoiado pelos setores mais progressistas de então. Conquistou o governo do Maranhão em outubro de 1965, numa votação inédita: 121.062 votos, o dobro do segundo colocado. O sucesso veio porque Sarney conseguiu aglutinar adversários do “vitorinismo”. Em particular, os remanescentes das associações de lavradores, que haviam sido fechadas e seus principais líderes presos em virtude do golpe militar de 1964. A candidatura Sarney recebeu também o apoio de importantes personalidades progressistas do Brasil, como Glauber Rocha. O ícone do “Cinema Novo” fez questão, inclusive, de fazer filme promocional para Sarney.
Cláudio também errou feio ao afirmar que, apenas pelo fato de Sarney ter pertencido à ARENA, teria sido necessariamente “esteio da ditadura" e a favor da tortura. Simplismo gritante. E irresponsável. Seria o mesmo que afirmar que o próprio Luis Cláudio, por ter recebido diversos prêmios de transnacionais (ex: Prêmio Esso) e por ter sido destaque na revista Veja (que apoiou a regime militar), teria apoiado o arbítrio. Seria um absurdo. A verdade é que, pelas suas peculiaridades políticas conciliadoras, Sarney não diferia em nada de um Tancredo Neves ou de um Teotônio Vilela, quando os assuntos são a luta pela democracia e a estabilidade do País. Este último, assim como Sarney, também participou da ARENA, mas nunca deixou de ser ícone da luta democrática. O primeiro, Tancredo, em outro contexto, a do último governo Vargas, como ministro da Justiça, chefiou o DIP, instrumento de doutrinação ideológica e de repressão à liberdade de expressão. Mas este fato também não impede que se possa afirmar que Tancredo tenha sido um batalhador sincero pela democracia no Brasil. Mesmo assim, Luis Cláudio poupa Tancredo e Vilela, mas destila veneno contra Sarney. Por quê? 
A luta de Sarney pela redemocratização começou não com a formação da “Frente Liberal”, mas logo no início da ditadura. Não se pode esquecer que Sarney foi o único governador que protestou formalmente contra o AI-5, tendo também, por diversas vezes, feito pronunciamentos no Congresso defendendo “a necessidade de retorno à normalidade democrática o quanto antes” (discurso de 1972, em pleno governo Médici). Na época, Sarney desafiou o sistema mantendo relações de amizade e apoio aos perseguidos da ditadura, como Ferreira Gullar, Glauber Rocha, Renato Archer e o ex-presidente Juscelino Kubitschek. O próprio JK escreveu a Sarney agradecendo a forma como foi tratado por ele no Maranhão, após ser recebido com honras de ex-chefe de estado no dia 11 de dezembro de 1968, dois dias antes da edição do AI-5. Por isso, em 1967, o general Dilermando Gomes Monteiro já acusava Sarney de "proteger comunistas", conforme documentos da 10ª Região Militar levantados pela jornalista Regina Echeverria.
Ao longo do governo Geisel, Sarney tinha se manifestado reiteradas vezes em favor da política de distensão inaugurada pelo presidente. Em 1977, segundo a revista Veja, declarou-se um "otimista no processo de redemocratização". Pregou o fim da "hibernação política provocada pelos acontecimentos de 1968", pois "o desenvolvimento econômico é incompatível com o subdesenvolvimento político". Em setembro de 1978 foi convidado pelo presidente Geisel para convencer os arenistas sobre a importância da continuidade da distensão. Para esta tarefa, segundo o Presidente, “nada melhor do que alguém com o perfil de Sarney, conhecido por seus posicionamentos democratas”. Sarney entregou ao presidente relatório advogando mudanças nas medidas de emergência, a eliminação da suspensão automática dos mandatos parlamentares e a liberalização para a formação de partidos. Por esse motivo, achava que o MDB não poderia deixar de apoiar o projeto, pois ele consagrava todos os seus temas de campanha nos últimos anos: o fim do AI-5, a restauração do estado de direito e a superação dos atos de exceção. Na época, Sarney recebeu, dos setores mais radicais de seu próprio partido, críticas violentas. E com o respaldo do presidente Geisel, começou a fazer reuniões periódicas com membros da oposição. Já no governo Figueiredo, com a volta ao pluripartidarismo, Sarney foi reserva moral para respaldar a continuação da difícil abertura iniciada por Geisel. Foi designado pelo presidente para ampliar as negociações com as oposições e promover mudanças internas no então PDS. 
Como se vê, os esforços do político maranhense pela volta à democracia não começaram com a formação da “Frente Liberal” e as negociações com Tancredo. Pelo contrário, Tancredo e Sarney se aproximaram justamente porque tinham objetivo em comum há muito tempo: a retirada do Brasil da ditadura militar. Por isso, ataques levianos de ressentidos, como os de Luis Cláudio, não podem afetar a força de quem tem história, de quem foi governador, deputado e senador pelo Maranhão, presidente da República, senador do Amapá por três mandatos consecutivos, presidente do Senado Federal por três vezes. São 55 anos de vida pública, sempre eleito. 
* Said Barbosa Dib é historiador, analista político e, com muito orgulho, assessor de imprensa do senador Sarney


segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Seguridade Social e Dívida Pública

Maria Lucia Fattorelli[i]

Uma das mais importantes conquistas sociais alcançadas com a Constituição Federal de 1988 foi a institucionalização da Seguridade Social, organizada com base no tripé formado pelas áreas da Saúde, Previdência e Assistência Social. Esse tripé tem sido o mais relevante instrumento de distribuição de renda do país, representando também a garantia, ainda que parcial, de direitos fundamentais básicos a milhões de brasileiros que não tem como recorrer aos sistemas privados de saúde e previdência.
O sustento da Seguridade Social tem sido possível porque os constituintes não se limitaram a regulamentar o direito da população, mas cuidaram também de garantir o seu financiamento fixando as fontes de receitas provenientes de contribuições sociais pagas pelo conjunto da sociedade, pelos trabalhadores e pelas empresas. Assim, a Seguridade Social passou a ser sustentada não somente pela contribuição incidente sobre a folha de pagamento dos trabalhadores, mas também pelas contribuições sociais como a COFINS (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) e a CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), além de outras fontes detalhadas no Gráfico 1.
Quando devidamente computadas todas essas fontes de financiamento, verificamos que a Seguridade Social tem sido altamente superavitária nos últimos anos, ou seja, as receitas arrecadadas superaram o conjunto de despesas em R$22 bilhões em 2009; R$ 40 bilhões em 2008; R$ 60,9 bilhões em 2007; R$ 50,8 bilhões em 2006, R$ 62 bilhões em 2005, conforme publicado pela ANFIP:



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Apesar desses fabulosos superávits, a grande imprensa e o governo insistem em alardear um falacioso “déficit da Previdência”. Essa tática visa convencer a opinião pública da necessidade de conter reajustes de benefícios e realizar sucessivas reformas neoliberais que retiram direitos duramente conquistados, prejudicando trabalhadores e aposentados. Exemplos recentes dessa estratégia são o Projeto de Lei 549 que congela salários dos servidores públicos por 10 anos e a ameaça de veto ao reajuste de apenas 7,7% concedido aos aposentados que auferem provento superior ao salário mínimo.

Na realidade, não existe o alardeado “déficit” da previdência. Ele resulta de conta distorcida que considera apenas as contribuições sobre a folha de salários, como se esta fosse a única fonte de financiamento da Previdência, ignorando-se as demais fontes previstas na Constituição, detalhadas no Quadro 1, que demonstram o contrário.

O verdadeiro problema é que parte relevante dos recursos do sistema de Seguridade Social – cerca de 20% - são desviados, a cada ano, por meio da DRU (Desvinculação das Receitas da União), para o cumprimento da meta de superávit primário, a fim de garantir o pagamento de juros da dívida pública. Esse desvio é repudiável, especialmente devido à enorme carência por serviços de saúde e assistência social.

A atual proposta de reforma tributária em andamento no Congresso Nacional – PEC 233/2008 – coloca em risco o financiamento da Seguridade Social, na medida em que extingue as contribuições sociais e as transforma em imposto, acabando com a vinculação constitucional e permitindo que uma quantidade ainda superior de recursos seja desvinculada e direcionada ao pagamento de juros da dívida.

Esse desvio de recursos de áreas sociais para o pagamento de dívida é motivo de repúdio ainda maior, tendo em vista que esta nunca foi objeto de uma auditoria, como previsto no Art. 26 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias.

A recente Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Dívida Pública na Câmara dos Deputados apurou que o principal componente dessa dívida foram os próprios juros, ou seja, trata-se de dívida meramente financeira, sem contrapartida em bens e serviços ao povo brasileiro, que está pagando muito caro, tanto por meio da elevada carga tributária como pela falta de serviços públicos adequados.

O pagamento de juros e amortizações da dívida consumiu em 2009 a fabulosa quantia de R$ 380 bilhões – mais de R$ 1 bilhão por dia – o que representa 35,57% do Orçamento da União, conforme Gráfico 2. Cabe ressaltar ainda que essa relevante cifra não considerou a chamada “rolagem”, isto é, o pagamento de amortizações por meio da emissão de novos títulos. Caso computada a rolagem, os gastos com a dívida consumiram quase a metade dos recursos orçamentários: 48,24%.
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O valor de R$ 380 bilhões gasto com a dívida em apenas um ano representa mais que 12 vezes o custo anunciado pelo governo para o fim do fator previdenciário nos próximos 5 anos. Embora páginas e páginas da grande mídia tenham alimentado a necessidade de “veto” à recente aprovação, pelo Congresso, do fim do fator previdenciário – mecanismo que adia o direito à aposentadoria e reduz o benefício do trabalhador - a mesma mídia nada divulgou sobre a necessidade de aprofundamento das investigações sobre o endividamento público, que ademais de consumir a maior parte dos recursos, pratica as taxas de juros mais elevadas do planeta. O fim do fator previdenciário acabou sendo vetado pelo presidente Lula em 15 de junho de 2010, dia da estréia do Brasil na Copa do Mundo. Ainda existe outro projeto em andamento sobre o tema - PL 3299/2008 – que não tem previsão de votação e já contou com diversas manifestações contrárias do governo.

Outro aspecto digno de nota é a velocidade do crescimento dos gastos com a dívida pública em comparação com os demais gastos federais, conforme série histórica retratada no Gráfico 3, superando os gastos com Previdência Social (mesmo incluindo todos os servidores públicos), representando mais que o dobro de todos os gastos com pessoal ativo e aposentado (R$ 165 bilhões), ou o equivalente a 12 vezes os gastos com educação e 8 vezes os gastos com saúde.

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A CPI da Dívida concluiu seus trabalhos em 11 de maio de 2010, tendo os documentos obtidos apontado diversos e graves indícios de ilegalidades: aplicação de juros sobre juros (prática considerada ilegal pelo Supremo Tribunal Federal); evidências de conflitos de interesses na definição das taxas de juros, face à influência direta de agentes do mercado financeiro; relevantes danos ao patrimônio público em sucessivas negociações da dívida externa e interna que nunca chegaram a ser auditadas; falta de transparência na publicação dos juros nominais efetivamente pagos; violação dos direitos humanos e sociais, dentre outros, tendo o Voto em Separado do Deputado Ivan Valente (PSOL/SP) e análises técnicas realizadas em apoio à CPI da Dívida Pública sido entregues ao Ministério Público para o aprofundamento das investigações.

O estrago provocado pelo endividamento de caráter meramente financeiro tem sido experimentado por países da Europa que se endividaram para socorrer a bancos privados, especialmente Grécia, Portugal, Espanha e Itália, comprometendo toda a zona do Euro. Apesar de a razão da crise ter sido o socorro ao sistema financeiro, os trabalhadores e os aposentados é que estão sendo chamados a pagar a conta, com redução de salários e aposentadorias, além de forte ajuste fiscal que sacrificará principalmente aos mais pobres.

Não podemos deixar o Brasil chegar a esse ponto, razão pela qual é preciso difundir o mecanismo da AUDITORIA DA DÍVIDA, instrumento fundamental para que o Estado possa enfrentar o problema do endividamento, pois possibilita a documentação das ilegalidades e ilegitimidades, como evidenciado na recente experiência equatoriana, permitindo a revisão de contas e aumentando significativamente a destinação de recursos para as áreas sociais e para investimentos geradores de emprego.
A auditoria também servirá para demonstrar como a política econômica atual está estruturada para privilegiar o pagamento da dívida financeira, em detrimento do atendimento das necessidades sociais. Baseada na produção de Superávit Primário (com aumento da carga tributária e cortes de gastos sociais), no Regime de Metas de Inflação (que equivocadamente elegeu as taxas de juros como único instrumento de controle da inflação) e no livre fluxo de capitais (que permite movimentos especulativos), a atual política econômica colocou o Brasil a serviço dos interesses do mercado, mantendo elevadas taxas de juros e acelerado crescimento da dívida pública, acirrando o fosso social vivente em nosso país.

É por isso que o movimento da Auditoria Cidadã da Dívida defende a realização da auditoria da dívida pública prevista na Constituição, pois a sociedade tem o direito de saber que dívida é essa que está asfixiando a sociedade, onerando as contas públicas, e ainda apresenta tendência crescente, conforme demonstrado nos Gráficos 2 e 3.

O exemplo equatoriano foi um passo histórico para a América Latina. A partir da auditoria oficial que apontou relevantes indícios de ilegalidades no processo de endividamento público, o presidente Rafael Correa suspendeu os pagamentos e, após análises jurídicas que confirmaram a consistência do relatório de auditoria, tomou a decisão soberana de reconhecer somente cerca de 30% do valor da dívida, o que foi imediatamente acatado por mais de 95% dos detentores dos títulos equatorianos.

No Brasil, a CPI da Dívida Pública recentemente concluída na Câmara dos Deputados também apontou uma série de indícios de ilegalidades tanto na dívida externa como na dívida interna, desde a sua formação. Tais indícios devem ser devidamente investigados, como no caso equatoriano, para que não continuemos destinando a maior parte dos recursos públicos para o pagamento de dívida suspeita de ilegal enquanto são desrespeitados direitos humanos fundamentais de grande parte dos brasileiros. AUDITORIA JÁ!



[i] Coordenadora da Auditoria Cidadã da Dívida – www.divida-auditoriacidada.org.br