quinta-feira, 1 de abril de 2010

Serra propagandeia milagres e privatiza até poema de Vinicius


«Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E, finalmente, para florão e remate de tanto privatizar, privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. Aí se encontra a salvação do mundo... E, já agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos».
José Saramago

Professores, segurança pública, teatro e muitos outros foram vítimas do discurso de despedida

O discurso de despedida do governador José Serra está inscrito numa longa tradição da retórica, por que não dizer, universal – aquela que promete uma mulher para cada homem e um homem para cada mulher. Sempre na vanguarda, por pouco não revelou que sua operosa administração conseguiu uma mulher paulista para cada homem paulista e um homem paulista para cada mulher paulista.
Fora isso, conseguiu tudo, até que a criminalidade – em franca alta em todas as suas modalidades, segundo as estatísticas da Secretaria de Segurança – tivesse uma redução espetacular. Isso porque “repudiamos sempre a espetacularização, bravatas, a busca da notícia fácil, o protagonismo sem substância”. Por isso, revelou que “os professores e servidores estão ganhando mais”, do que se conclui que ele faz milagres – os servidores conseguem ganhar mais sem que ele tenha concedido aumento.
Porém, nada se compara a: “... não pude deixar de me lembrar de uma poesia do Vinícius de Morais, que eu, espero que acreditem, eu também fiz teatro, não é? Fui diretor de teatro na Escola Politécnica. (…) Aprendi muita poesia. Eu me lembrei de uma poesia do Vinícius que eu sabia de memória, até hoje eu sei quase toda de memória. Chamada ‘O Operário em Construção’. Ele dizia: ‘Pareceu me, então, que até aquele momento ele, o operário, desconhecia esse fato extraordinário, que o operário faz a coisa e a coisa faz o operário. Casa, cidade, nação... Tudo o que existia era ele quem o fazia, ele, um humilde operário, um operário que sabia exercer a sua profissão’. Eu me senti muito realizado, muito emocionado e pensei comigo: ‘Olha...Valeu à pena’”.

POEMA

“O Operário Em Construção” não é um poema sobre a mera criação de valor pelo trabalho. É um poema sobre a luta pela liberdade, a recusa do operário a aceitar a expropriação daquilo que é seu, daquilo que criou, e, em especial, é um poema sobre a integridade, sobre os que dizem não a se vender, sobre a eternidade dos que não traem aos outros - e, sobretudo, não traem a si mesmos -, sobre como um ser humano, se torna consciente, e recusa degradar sua própria humanidade aceitando o suborno, a traição ou rendendo-se à delação e à tortura. Daí, seu belo final: “E o operário ouviu a voz/ De todos os seus irmãos/ Os seus irmãos que morreram/ Por outros que viverão./ Uma esperança sincera/ Cresceu no seu coração/ E dentro da tarde mansa/ Agigantou-se a razão/ De um homem pobre e esquecido/ Razão porém que fizera/ Em operário construído/ O operário em construção.”
Esta é a razão porque Vinícius colocou como epígrafe do poema o trecho do Evangelho de São Lucas em que Jesus recusa o assédio de Satanás:
“E o Diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. E disse-lhe o Diabo:
“– Dar-te-ei todo este poder e a sua glória, porque a mim me foi entregue e dou-o a quem quero; portanto, se tu me adorares, tudo será teu.
“E Jesus, respondendo, disse-lhe:
“– Vai-te, Satanás; porque está escrito: adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás.”
No poema, Vinícius assim descreve a recusa do operário:
“Um dia tentou o patrão/ Dobrá-lo de modo vário./ De sorte que o foi levando/ Ao alto da construção/ E num momento de tempo/ Mostrou-lhe toda a região/ E apontando-a ao operário/ Fez-lhe esta declaração:/ – Dar-te-ei todo esse poder/ E a sua satisfação/ Porque a mim me foi entregue/ E dou-o a quem bem quiser./ Dou-te tempo de lazer/ Dou-te tempo de mulher./ Portanto, tudo o que vês/ Será teu se me adorares/ E, ainda mais, se abandonares/ O que te faz dizer não.// Disse, e fitou o operário/ Que olhava e que refletia/ Mas o que via o operário/ O patrão nunca veria./ O operário via as casas/ E dentro das estruturas/ Via coisas, objetos/ Produtos, manufaturas./ Via tudo o que fazia/ O lucro do seu patrão/ E em cada coisa que via/ Misteriosamente havia/ A marca de sua mão./ E o operário disse: Não!// Loucura! – gritou o patrão/ Não vês o que te dou eu?/ – Mentira! – disse o operário/ Não podes dar-me o que é meu.”
Serra, presidente da UNE, abandonou a luta no próprio dia do golpe de 1964 – refugiou-se na embaixada da Bolívia, deixando a UNE sem presidente, no momento em que os estudantes iriam se transformar na principal força que resistiria à ditadura nos anos subsequentes.
Depois de um período no Chile, e de um episódio pouco explicado, em que ele foi preso pelos golpistas de Pinochet, levado ao Estádio Nacional, e em seguida liberado sem problemas, Serra foi para os EUA – e, ao contrário de milhares de brasileiros que tiveram alguma participação política, os americanos permitiram que entrasse no país, e, mais: abrigaram-no em duas das universidades privadas mais caras da elite ianque, Cornell e Princeton, onde, mesmo sem graduação, Serra fez pós-graduação. Por que a casta norte-americana investiu num pobretão nascido na Mooca, que vivia fazendo discursos esquerdistas antes do golpe que ela patrocinou?
Ao voltar ao Brasil, sua associação com Fernando Henrique – e com o dinheiro da Fundação Ford (cf., “Os 40 anos da Fundação Ford no Brasil”, Fundação Ford, 2002) - é por demais conhecida, assim como o papel dessa fundação em repassar o dinheiro da CIA (cf. Frances Stonor Saunders, “Quem pagou a conta? – A CIA na Guerra Fria da Cultura”, Record, 2008).
Na mesma época, Serra tornou-se o principal editorialista da “Folha de S. Paulo” - como, aliás, ele mesmo afirma em seu baboso necrológio do dono desse jornal, conhecido por sua colaboração com a ditadura, pelo acobertamento e apoio a torturas e assassinatos, e uma das publicações mais reacionárias, antinacionais e antipopulares do país.

TEMPO

Sobre os anos imediatamente posteriores, melhor será reproduzir o testemunho de um homem que se considerou durante muito tempo um dos maiores amigos de Serra. Disse o jurista, depois ministro e vice-presidente do Superior Tribunal Militar (STM), Flavio Bierrenbach, no programa eleitoral da campanha de 1988: “Serra entrou pobre na Secretaria de Planejamento do Governo Montoro e saiu rico. Ele usa o poder de forma cruel, corrupta e prepotente. Poucos o conhecem. Engana muita gente. Prejudicou a muitos dos seus companheiros. Uma ambição sem limite. Uma sede de poder sem nenhum freio”.
O resto, os brasileiros mais jovens sabem – sua participação como ministro do Planejamento e presidente da Comissão de Privatização de Fernando Henrique, a proliferação de epidemias quando foi ministro da Saúde, sua indústria de dossiês difamatórios contra adversários, sua afinidade eletiva pelo neoliberal-entreguismo, a sofreguidão privatizadora que levou aos desastres no Metrô, Rodoanel, Tietê, Saúde, Educação, Segurança – e mais não dizemos, leitores, porque haverá tempo para dizer e informar tudo o que precisa ser dito e informado.

CARLOS LOPES (Hora do Povo)

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“Continuar o projeto de Lula é a razão da minha candidatura”

Opinião, Notícia e Humor

MANCHETES DOS JORNALÕES
(Se você não teve tempo hoje de ler os principais jornais do País, leia-os agora a noite)

Petista se despede com 'até breve'; tucano contesta fama de sisudo. Líderes nas pesquisas sobre a disputa pela Presidência, a petista Dilma Rousseff e o tucano José Serra deixaram ontem seus cargos com criticas indiretas ao grupo político adversário. Ao discursar na cerimônia de troca de ministros, Dilma, que deixou a Casa Civil para disputar o Planalto, elogiou o governo Lula e atacou a oposição: "Aqueles que lamentam, os viúvos do Brasil que crescia pouco, (o Brasil) da estagnação, fingem ignorar que esta mudança é substancial. Têm medo." Emocionada, ela se despediu dos colegas em tom otimista e deu-lhes um "até breve". Em seu lugar, assumiu Erenice Guerra, a secretária polêmica acusada de elaborar o dossiê sobre gastos com cartão corporativo do governo FH. Serra, que fica no cargo até amanhã, fez um discurso de críticas veladas ao governo federal. Disse que os governos, como as pessoas, têm caráter. E afirmou que sua gestão não cultivou escândalos de corrupção nem roubalheiras: "Nunca incentivamos o silêncio da cumplicidade e da conivência com o malfeito." (págs. 1 e 3 a 12)

FOLHA DE S. PAULO
SERRA CRITICA ROUBALHEIRA, E DILMA , VIUVOS DA ESTAGNAÇÃO

Tucano e petista deixaram ontem seus cargos para disputar Presidência. Os pré-candidatos do PT e do PSDB à Presidência, Dilma Rousseff, 62, e José Serra, 68, atacaram as gestões dos adversários nos discursos em que se despediram dos seus cargos (Casa Civil federal e governo paulista). Na saída do Palácio dos Bandeirantes, Serra afirmou que em seu governo não se cultivou a "roubalheira" nem se incentivou "o silêncio da cumplicidade e da conivência com o malfeito". O tucano não mencionou nominalmente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou o escândalo do mensalão. Dilma chamou de "viúvos da estagnação" os opositores à gestão petista e disse que o povo não aceitará "migalhas". "Nós nos orgulhamos de ter participado do governo Lula. Não importa perguntar por que alguns não têm orgulho dos governos de que participaram. Devem ter seus motivos." Professores grevistas da rede estadual de São Paulo voltaram a bloquear a avenida Paulista e a atacar Serra, no que chamaram de "bota-fora" para o tucano. (págs. 1 e Brasil)

Na despedida do cargo, os principais pré-candidatos delineiam o eixo da campanha à Presidência. Os dois principais pré-candidatos à Presidência deixaram o cargo e delinearam o eixo da disputa na campanha: enquanto a ex-ministra Dilma Rousseff pregou a continuidade da obra do presidente Lula, o ex-governador José Serra disse que "o Brasil pode mais". A petista atacou o governo de FHC, chamando os tucanos e os demais partidos de oposição de "viúvos da estagnação". Para Dilma, os opositores do governo "não sabem o que oferecer ao povo, que hoje é orgulhoso, tem certeza de que sua vida mudou e não aceita mais migalhas". Segundo a ex-ministra, no governo de Lula "o povo é o centro das nossas atenções". Já o ex-governador evitou críticas a Lula e preferiu enfatizar o que diz ter feito por São Paulo, como a criação de empregos e os investimentos. Serra afirmou que seu governo é "popular" e, numa comparação indireta com a administração petista, sublinhou que fez uma gestão “ética”: “O governo tem de ter honra. Assim falo porque aqui não se cultivam escândalos, malfeitos ou roubalheiras". (págs. 1 e Nacional A4 a A8)
JORNAL DO BRASIL
CAMPANHA EM CLIMA DE DUELO

A cerimônia de posse dos novos ministros deu o tom da campanha. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva mandou um recado ao principal rival do PT, o tucano José Serra. "Quem dorme até as 10 horas e busca apoio de formadores de opinião pública terá de pôr o pé no barro para me derrotar", afirmou Lula. De São Paulo, ao sair do governo estadual, Serra reagiu: "Aqui não se cultivam escândalos, malfeitos ou roubalheiras". (págs. 1 e País A5, A6 A8 e A9)

Truculência dos motoristas se impõe sobre a faixa de pedestre em Brasília. Símbolo de civilidade no trânsito, a faixa de pedestre se apaga lentamente da consciência dos brasilienses. As estatísticas do Detran-DF apontam um crescimento preocupante no número de casos fatais nos pontos de travessia. Os dados referentes ao primeiro semestre de 2009 dão o alerta: seis mortos, quase o total de vítimas registrado em 2008. Nas ruas, exemplos de desrespeito são frequentes. Às 11h de ontem, na região central de Brasília, um carro avançou na pista enquanto uma mulher com duas crianças utilizava a faixa. A infração ocorreu a poucos metros de um policial militar. Às 12h13, graças à interferência de grupos de teatro, formou-se o cenário ideal: os carros aguardavam a passagem do grupo. A partir de maio, a fiscalização promete mais rigor. O motorista flagrado paga multa de R$ 191 e ganha sete pontos na Carteira de Habilitação. Especialistas ouvidos pelo Correio afirmam que campanhas educativas constantes e medidas de engenharia de trânsito são imprescindíveis para manter vivo o respeito à faixa. A capa da edição de 23 de janeiro de 1998, reproduzida abaixo, sinalizava a necessidade de se dar o bom exemplo nas pistas. (págs. 1, 34 e 35)


VALOR ECONÔMICO
EMPRESAS PAGAM MENOS DIVIDENDOS

s acionistas receberam menos dividendos em 2009, um ano de crise. Segundo dados dos balanços anuais divulgados em março, o total pago por 250 empresas abertas aos investidores, excluindo a Petrobras do cálculo, caiu de R$ 57,849 bilhões em 2008 para R$ 51,531 bilhões no ano passado, um recuo de 10,92%. Os números refletem o esforço de algumas empresas em segurar os dividendos para reforçar o caixa e enfrentar a crise, que secou as linhas de crédito durante boa parte do ano. Apesar de terem acumulado lucros ao longo de 2008, elas resolveram segurá-los. A Petrobras contrariou a regra ao distribuir R$ 15,4 bilhões, quase o triplo dos R$ 6,2 bilhões de 2008. A crise pesou no bolso dos acionistas, que receberam menos dividendos no ano passado. Segundo dados dos balanços anuais divulgados no mês passado, o total pago por 250 empresas abertas aos investidores, retirando Petrobras do cálculo, caiu de R$ 57,849 bilhões em 2008 para R$ 51,531 bilhões em 2009, um recuo de 10,92%. Os números refletem o esforço de algumas empresas em segurar os dividendos para reforçar o caixa e enfrentar a crise, que secou as linhas de crédito durante boa parte do ano. Assim, apesar de terem acumulado lucros ao longo de 2008, antes da crise, que poderiam ser distribuídos em 2009, elas resolveram segurá-los. A Petrobras contrariou a regra geral ao distribuir no ano passado R$ 15,4 bilhões, quase o triplo dos R$ 6,2 bilhões de 2008. Se incluída na mostra, ela reverteria o saldo do ano. Uma explicação é o fato de o dividendo da estatal ser importante para reforçar o caixa do governo federal em um ano de crise e redução de impostos.

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Presidente chama Renan para participar do lançamento do PAC 2 e anunciar uma boa notícia aos produtores rurais


Se depender do apoio do presidente Lula, a reeleição de Renan Calheiros está garantida no pleito deste ano. O presidente confirmou seu apoio ao líder do PMDB no Senado ao prefeito de Cajueiro, Antônio Palmery Neto (PTB), durante solenidade de entrega de 650 ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) na última quinta-feira, 25, na cidade de Tatuí/SP.

“O presidente Lula tem uma admiração enorme por Renan. Ele revelou, com muita firmeza, que a reeleição do senador é questão de honra e que sua continuidade no Senado é muito importante”, disse Palmery no relato que passou aos demais prefeitos alagoanos sobre sua presença como representante da AMA (Associação dos Municípios Alagoanos) na entrega das ambulâncias.

O prefeito de Cajueiro conversou com seus colegas sobre os acontecimentos da viagem no estande da AMA, na sexta-feira à noite, na abertura da Feira dos Municípios, um dia após ele ter participado, com todas as honras, ao lado do presidente Lula e da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), da entrega das chaves de 650 ambulâncias, sendo 43 delas destinadas a municípios alagoanos.

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Almeida e Renan levam a ministro reivindicações de recursos do PAC

Prefeito quer verba federal para obras na orla lagunar, pavimentação de várias ruas e a construção de um viaduto no Tabuleiro do Martins O prefeito de Maceió, Cícero Almeida (PP), e o senador Renan Calheiros (PMDB), reuniram-se nesta quarta-feira (24), em Brasília, para encaminhar os pleitos da capital alagoana junto ao governo federal. Após um encontro no gabinete do senador, os dois estiveram com o ministro Alexandre Padilha, das Relações Institucionais e Coordenação Política.
Os deputados Carlos Alberto Canuto (PSC) e Francisco Tenório (PMN) também participaram da reunião. O ex-governador Ronaldo Lessa (PDT) não pode comparecer em virtude de outro compromisso.. O prefeito levou uma pauta de reivindicações de obras estruturantes para Maceió e obteve o compromisso do ministro de que irá se empenhar para viabilizar os recursos dentro do governo federal. Na relação entregue ao ministro Padilha o prefeito pediu a inclusão no PAC 2 (Programa de Aceleração do Crescimento) da orla lagunar, a pavimentação de várias ruas da capital e a construção do viaduto da Polícia Rodoviária Federal, no Tabuleiro do Martins. “São obras relevantes e vitais para Maceió. Felizmente podemos contar com a sensibilidade do ministro Padilha, que se comprometeu em nos ajudar nesta tarefa. Saio muito otimista com a conversa”, comemorou o prefeito. “O governo Lula tem demonstrado muita sensibilidade com Alagoas. As palavras do ministro Padilha reforçam a atenção que o residente Lula tem tido com o estado, independentemente de partidos políticos”, disse Renan.

Tristeza! Imprensa cada vez mais desnacionalizada...E a Lei?

"O Dia" é vendido a grupo português que edita o Brasil Econômico
Redação Portal IMPRENSA

A Ongoing Strategy Investments, por meio do grupo português Ejesa, adquiriu o grupo editorial carioca O Dia. O negócio resultou na compra de 100% das ações da empresa. O valor da transação é estimado em R$ 75 milhões. Além do jornal O Dia, o grupo é responsável pelos veículos Meia Hora e o diário esportivo Campeão. Os três jornais registram circulação média conjunta de 340 mil exemplares por dia. Com a aquisição, o grupo Ongoing - responsável pelo jornal Brasil Econômico - passa a ter circulação diária superior a 400 mil exemplares. Na avaliação do presidente do Conselho de Administração da Ejesa, a compra é justificada pelo produtos do grupo O Dia, que "demonstram elevado potencial de expansão". Já para o presidente do Grupo Ongoing, Nuno Vasconcellos, o negócio "constitui um passo decisivo e estruturante na concretização da linha estratégica de aposta nos mercados da língua portuguesa", disse ao site Portugal Digital. Inaugurado em 1951, o grupo O Dia é considerado uma das principais empresas de comunicação da América Latina. A empresa possui, atualmente, cerca de 700 profissionais.

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Grupo responsável pelo Brasil Econômico estuda criação de jornal em Brasília

Sarney recebe alta após cirurgia para retirar cisto benigno

O presidente do Senado, José Sarney, teve alta, na manhã desta quinta-feira (01), da cirurgia a que se submeteu, no Hospital Sírio Libanês, para a retirada de um cisto benigno situado no lábio superior. Ele passa bem e sua primeira providência, ao acordar, foi ler os jornais.
Sarney ficará em São Paulo aguardando a retirada dos pontos. A cirurgia foi iniciada às 20h de terça-feira (30), durou duas horas e foi realizada pelos médicos Cristina Abdalla, dermatologista clínica e cirúrgica; Antonio Carlos Hermann de Andrade e Alberto Gattaz, cirurgiões plásticos; e Roberto Kalil Filho, cardiologista clínico.
Depois da páscoa, Sarney deve retornar a Brasília, onde participará, terça-feira (06), da campanha que o Senado lança para incentivar a adesão de empresas brasileiras à concessão da licença-maternidade de seis meses a suas empregadas parturientes. O slogan da campanha é "Licença maternidade de seis meses: agora é a vez da empresa".

Teresa Cardoso / Agência Senado

Fique de olho...

DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO

Quinta-feira, 1º de abril de 2010

Destaques nacionais

ATOS DO PODER LEGISLATIVO
Sancionada lei que altera dispositivo da lei antidrogas

MAPA
Receitas operacionais brutas da CEAGESP tiveram aumento de 3,30% em 2009

MAPA
Norma regula contratos de opção de venda de produtos agropecuários a produtores rurais

MINC
GT vai realizar estudos sobre as ocupações profissionais no segmento cultural

MS
SAS atualiza as diretrizes nacionais de diagnóstico e tratamento da endometriose

MDA
Liberados os recursos para agricultores que aderiram ao Garantia-Safra 2008/2009

MMA
ICMBio cria Reserva Particular do Patrimônio Natural em Minas Gerais

Mais destaques


Seleções e concursos

CEFET/MG promove concurso para os ensinos básico, técnico e tecnológico

UFMT promove seleção para a carreira de magistério superior

APS promove seleção para auxiliar de lavanderia para atuar na Rede Sarah

Mais concursos

Do Blog "Terra Goyazes"

A IDADE DAS TREVAS


CAPÍTULO II


O MITO DA EFICIÊNCIA DA INICIATIVA PRIVADA


Paralelo à precarização e ao desmonte do Estado, o tucanato, ao assumir o poder em 94, levou a cabo um processo goebbelliano sem precedentes no campo político‑midiático brasileiro. Batiam na tecla de que, ao mesmo tempo que o Estado era ineficiente, gastador e inepto, a iniciativa privada era o éden da competência! Não satisfeitos com a terceirização capenga feita por Collor (alguém se lembra das demissões de servidores públicos vigilantes feitas por Collor, para, em seguida, contratar empresas de vigilância de amigos da Casa da Dinda, a um preço dez vezes maior?), os tucanos avançavam sobre o patrimônio público com um apetite feroz! E justicavam a autofagia com o argumento simplório de que o gigantismo do Estado não dera certo em lugar nenhum do mundo! Portanto, nada mais justo do que desmontar os últimos resquícios da Era Vargas! Só a iniciativa privada resolveria o problema crônico do Brasil! Eram os arautos do Estado mínimo. Temos que acabar com Estado paternalista, bradavam, numa parábola invertida do "ou o Brasil acaba com a saúva ou a saúva acaba com o Brasil"!

E aí então assistimos ao espetáculo da maior rapinagem do patrimônio público que se tem notícia! Quais Prometeus públicos devorando o próprio rabo, os tucanos partiram para o ataque. Ancorados no dogma da eficiência da iniciativa privada, levou‑se o patrimônio da Viúva à bancarrota! Desnecessário enumerar as empresas "vendidas" nesse período! Enquanto Ricardo "No Limite da Irresponsabilidade" Sérgio andava no fio da navalha entre o esbulho e o crime, o tucano‑mor FHC afirmava, pode fazer, vamos fazer!

Hoje porém, passados tantos anos, restou a pergunta: que poderoso argumento ideológico usou o tucanato? Que palavra mágica proferiam em seus oráculos? Será que, realmente, a iniciativa privada era mesmo o Santo Graal que traria prosperidade e bonança para todos? Ancorados em apenas um exemplo, o da Vale do Rio Doce, podemos, no mínimo, questionar o tucanato: vendida, há pouco mais de uma década, a "impressionantes" US $3,5 bilhões, hoje vale a bagatela de US$ 120 bilhões. Impressionante, não é? Fora as imensas reservas minerais, de resto, imensuráveis!

Sobre a competência da atividade privada, vale rememorar breve histórico no Brasil. Desde a década de 50, temos uma seqüência interessante de algumas empresas públicas: são capitalizadas pelo Estado para, logo em seguida, serem "vendidas" a precinhos camaradas a "competentes" administradores privados! Após um período mais ou menos longo de gestões privadas "competentíssimas", tais empresas, quase todas quebradas, são "reestatizadas" pelo Estado perdulário e inepto, que as capitaliza com dinheiro público e, novamente, as "vende" para os ultra‑competentes gestores privados, num círculo danoso que se repete num mau‑caratismo de assombrar! Ah, tenham dó!

Com os tucanos no poder, esse ciclo foi levado às raias do insuportável! Coroando todo esse processo, criou‑se as jóias da Coroa: as agências reguladoras, encraves privados no seio do Estado, imunes à decisões do próprio Estado! Por esse modelo infame, o próprio presidente da República seria um mero despachante do Mercado! Era a rendição total, a esterilização da vontade popular frente à sanha financista dos dândis do mercado! Hoje, passados os anos daquela voragem mercadista, podemos dizer que a pá de cal na baboseira ideológica do Estado mínimo foi a última crise econômico-financeira. Depois que os EUA, a pátria-mãe do capitalismo, estatizou bancos, montadoras e empresas de seguros, a desolação se abateu sobre o tucanato. Tucanos de alta plumagem queimam os neurônios para descobrir um discurso alternativo crível para se apresentarem na eleição de 2010, já que seu discurso desde sempre foi: reformas (nessas reformas, tem sempre um dinheiro público deslizando para os bolsos dos maganões), Estado mínimo, privatização, terceirização, liberdade total aos mercados! O mesmo discurso, a mesma receita que levou a economia mundial à bancarrota em 2008/2009!

Retornando à mitologia da eficiência da iniciativa privada: estranhos critérios de eficiência, esses! Lembram muito aquele ditado surrado: aos amigos do Rei, tudo; aos inimigos, os rigores da Lei! Que não nos esqueçamos nunca desses detalhes, submersos na voragem daqueles tempos de ira, mas também de muita safadeza e dinheiro fácil, subtraído do espólio da Viúva! Que a efeméride tucana sirva de marcador para a construção de um país novo! País esse em que, eficiência, competência e rapinagem sejam conceitos distintos como água e óleo! E que a mão peluda do tucanato jamais volte a misturá‑los!


Alberto Bilac de Freitas

Igor Romanov

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Carol Fazu