segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Patriotismo: continua valendo o que já disse há anos...


Por Said Barbosa Dib*

Ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, reconheceu que errou ao pedir que as escolas filmassem as crianças cantando o Hino Nacional, sem a autorização dos pais. As críticas foram constantes. Marcelo Freixo divulgou na Internet: “Cantar hino (sic), pode. O que não pode é fazer propaganda política na escola”. É compreensivo o comentário diante do absurdo do MEC, mas Freixo foi infeliz. Aceitou a idéia de Bolsonaro de que o Hino pertence a ele e aos seus aliados. O Hino não é apropriação de ninguém. Não pertence a nenhuma facção, grupo, classe ou indivíduo. É símbolo nacional de todos os brasileiros. Não tem nada que ver com conflitos político-partidários. Condenar a ação inconstitucional do ministro do MEC em querer impor slogan da candidatura Bolsonaro às nossas escolas - e a ilegalidade flagrante em se querer filmar crianças para fins políticos - é uma coisa. Outra coisa é o Hino, que, legalmente, teria que ser obrigatório desde 1971. Mas, independentemente de ser obrigatório, é imperativo moral e motivo de orgulho para todo brasileiro.  Por que?
Porque o Hino é, como os demais símbolos nacionais, elemento que permeia toda a nacionalidade e representa síntese do patriotismo. Embora patriotismo, necessariamente, seja ideologia como outra qualquer. Embora fundamental para o “amor próprio” de uma nação é apenas idéia. Idéias não têm cor nem cheiro. E como tal, sempre há diferença entre o que se deseja do mundo e como este funciona efetivamente. As idéias, por si mesmas, não matam, não destroem, não prejudicam. E por si mesmas, também não salvam, não libertam, não agradam, não levam ninguém ao Paraíso. Mas uma idéia, em contextos diferentes e submetida a interesses conflitantes, pode se tornar coisa boa ou ruim. Como uma faca, que pode matar ou alimentar, dependendo do uso que se faz dela. Quem pode dizer que conceitos tão bonitos - e que contribuíram imensamente com a evolução da Humanidade - como cristianismo, socialismo, liberalismo político ou democracia, sejam, por si mesmos, bons ou ruins, até que sejam confrontados com a realidade? A verdade é que, ao contrário do que pensam alguns, o patriotismo é fundamental quando se fala de Estado-Nação no mundo contemporâneo em processo de globalização. Mesmo que estados totalitários tenham, historicamente, sempre se utilizado do nacionalismo exacerbado para respaldarem seus poderes, isto não significa que as pessoas, sejam de esquerda ou de direita, não tenham que ser patriotas.


Sabe-se que, em nome de boas ações, o Inferno está cheio. Em nome do cristianismo, quantos não foram queimados pela Inquisição? Em nome da “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, da Revolução Francesa, quantos não foram guilhotinados? Em nome do socialismo, quantos não foram exterminados ou exilados na Sibéria? Em nome do liberalismo, quanto caos econômico não foi gerado? Em nome da democracia, quantas nações não foram invadidas ou sofreram intervenções diretas ou indiretas pelos EUA? Mas os avanços da Civilização e os princípios do Estado Democrático de Direito dependeram muito dessas idéias e dos homens que acreditaram nelas. E é justamente por isso que, falando de patriotismo, vemos que é idéia importante e bonita que, se não for praticada nos tempos de paz e normalidade, pode se tornar alimento perigoso para as soluções “fáceis” nos momentos de crise e de ameaça. Não quer dizer que a idéia, em si, seja boa ou má. Por isso, patriotismo, por definição, deve ser sempre regra e pressuposto de uma nação soberana e democrática, nunca exceção apenas para os momentos de dificuldade, pois, desta forma, pode virar fermento certo para exageros totalitários.
Patriotismo travestido de patriotada torna-se ruim e destrutivo quando é usado apenas nas soluções para crises agudas, não como prática constante e saudável de valorização cidadã do que nos pertence e do que amamos: nós mesmos, nossos imensos recursos, nossos valores, nossos cidadãos, nossa História. O nacionalismo desesperado, engendrado em momentos de crise, se manifesta como “estado febril e tardio do patriotismo”, como dizia o padre Fernando Bastos de Ávila. Por isso mesmo, corre-se o perigo de se tornar, quando a situação apresenta-se insuportável, algo de chauvinismo e de xenofobia. A patriotada, seja de um Lula da Silva ou de um Bolsonaro da vida, pode ser ruína para todos. Patriotismo verdadeiro, ao contrário, é sempre positivo. Não visa a vantagens pessoais nem aos descaminhos da intolerância. Ao contrário, é capaz de sacrifício despojado, “inclusive o da própria vida, pelo bem comum”, como dizia Rui Barbosa. Rui Barbosa, aliás, que apresentou sua definição de Pátria por ocasião da solenidade de formatura de jovens no Liceu do Colégio Anchieta de Friburgo, em 1903, tornando-se um dos momentos mais conhecidos de sua oratória cívica. Fazendo exortação à União, mas sempre preocupado com o pluralismo democrático, ensinava:
“A pátria não é um monopólio, a Pátria são os que não conspiram, os que não sublevam. Não foram poucas as ocasiões em que se tentou fazer dela e de seus símbolos monopólio de uma classe, de uma corporação, de uma ideologia. A pátria não é ninguém: são todos; e cada qual tem no seio dela o mesmo direito à idéia, à palavra, à associação. A Pátria não é um sistema, nem uma seita, nem um monopólio, nem uma forma de governo: é o céu, o solo, o povo, a tradição, a consciência, o lar, o berço dos filhos e o túmulo dos antepassados, a comunhão da lei, da língua e da liberdade. Os que a servem são os que não invejam, os que não infamam, os que não conspiram, os que não sublevam, os que não desalentam, os que não emudecem, os que não se acobardam, mas resistem, mas ensinam, mas esforçam, mas pacificam, mas discutem, mas praticam a justiça, a admiração, o entusiasmo. Porque todos os sentimentos grandes são benignos, e residem originariamente no amor. No próprio patriotismo armado, o mais difícil da vocação, e a sua dignidade, não está no matar, mas no morrer. A guerra, legitimamente, não pode ser o extermínio, nem a ambição: é simplesmente a defesa. Além desses limites, seria um flagelo bárbaro, que o patriotismo repudia."
Esta definição de Rui sobre a Pátria encanta. Encara o patriotismo não como manifestação de ufanismo fácil, mas como robusta afirmação do alcance universal do conceito, por cima de todas as divisões. É definição profundamente ligada ao conceito de democracia, formulada numa oratória inteligente que jamais deve ser esquecida, simplesmente porque hoje, como nunca, precisamos nos redescobrir, nos repensar, nos unirmos e darmos a nós mesmos o devido valor.

Said Barbosa Dib é historiador e analista político em Brasília

terça-feira, 11 de agosto de 2020

Refutando dados de Guedes sobre o funcionalismo público

Um "estudo" vagabundo, tendencioso e metodologicamente incoerente do Instituto Millenium recebeu ontem enorme divulgação na imprensa e na TV. O Millenium tem Paulo Guedes entre seus fundadores. O "estudo" denunciava a hipertrofia do funcionalismo público e comparava bananas com maçãs.

Ora bolas, se a quadrilha de Paulo Guedes quer discutir o peso orçamentário do funcionalismo federal, não é mais HONESTO comparar dados internacionais do funcionalismo FEDERAL? O Banco Mundial já coleta tais dados, é só ir ao site WDI consultá-los.

Foi o que fiz. Observem na tabela a seguir que em 2018 (ano com dados mais recentes), o Governo Federal do Brasil gastou com o funcionalismo 12% da Despesa Total, enquanto a média mundial era 22% e a média da América Latina era 29%. Situação similar já acontecia em 2010.

Os gastos federais que são escandalosos para padrões internacionais são os gastos com Juros: 24% da Despesa, quando a média mundial é 6%.

Entenderam que o funcionário público é um bode expiatório para acobertar a exploração dos rentistas? E que Paulo Guedes é um representante desavergonhado dos rentistas?

Entenderam o porquê de o Millenium não usar dados FEDERAIS? Ele não o fez porque o instituto faz lobby para os bancos e os autores do "estudo" sabem que o Gov Fed já gasta MUITO MENOS com funcionários que a média mundial.

Ah sim. Eu mato a cobra e mostro a cobra morta. Quem mata a cobra e mostra o pau é o mentiroso. Na última linha da tabela está o link para a tabela do Banco Mundial de onde tirei os dados. Quem duvidar dos meus dados pode ir até lá conferir.

Petronio Portella Filho

https://twitter.com/petronioPFilho

sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Pepe Escobar: "A infernal máquina brasileira de lavar dinheiro"

Por Pepe Escobar [*] 

Duas décadas depois de um terremoto político, um potente tremor secundário que deveria sacudir o Brasil está sendo recebido com um silêncio estrondoso.

O que agora é chamado de "vazamentos do Banestado" e "CC5gate" é algo parecido com o antigo caso WikiLeaks: uma lista publicada pela primeira vez na íntegra, dando nomes e detalhando um dos maiores casos de corrupção e lavagem de dinheiro do mundo nas últimas três décadas.

Esse escândalo pode nos proporcionar o saudável exercício daquilo que Michel Foucault reconhecera como uma "arqueologia do saber": sem entender esses vazamentos, é impossível colocar no devido contexto eventos que vão dos sofisticados ataques de Washington ao Brasil – inicialmente via NSA [National Security Agency (Agência de Segurança Nacional norte-americana)], espionando o primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff (2010-2014) – até a operação "Lava Jato", que pôs na cadeia Luís Inácio Lula da Silva e abriu o caminho para a eleição do presidente neofascista Jair Bolsonaro. 

O crédito pelo furo jornalístico desta trama de guerra híbrida orwelliana deve ser tributado, mais uma vez, à mídia independente. O pequeno site Duplo Expresso, liderado pelo jovem e ousado advogado internacional Romulus Maya, radicado em Berna, foi quem publicou a lista pela primeira vez. 


Uma épica live de cinco horas reuniu os três principais protagonistas da denúncia do escândalo, no final dos anos 90, e que agora se dispõem a confrontá-lo novamente: o então governador do Estado do Paraná, Roberto Requião, o promotor federal Celso Três e o agora superintendente aposentado da Polícia Federal, José Castilho Neto. 

Anteriormente, em outra live, Maya e o antropólogo Piero Leirner, principal analista de guerra híbrida do Brasil, informaram-me sobre as inúmeras complexidades políticas dos vazamentos, enquanto discutíamos a geopolítica no Sul Global. 

As listas do CC5 estão aqui, aqui e aqui. Vejamos o que as torna tão especiais. 


O mecanismo 

Em 1969, o Banco Central do Brasil criou o que viria a ser conhecida como a "conta CC5", para facilitar empresas e executivos estrangeiros na transferência legal de pequenos ativos para o exterior. Por muitos anos, o fluxo de caixa nessas contas não foi significativo. Então, nos anos 90, tudo mudou, com o surgimento de uma grande e complexa movida criminosa focada na lavagem de dinheiro [N. do T. preferiu-se aqui, com o termo "movida", em parte fazer uma evocação ao bem conhecido movimento boêmio-cultural espanhol, como uma onda, uma agitação, mas também evocar a polissemia que o termo guarda no castelhano latino-americano]. 

A investigação original do Banestado começou em 1997. O promotor federal Celso Três ficou surpreso ao descobrir que, de 1991 a 1996, o equivalente a nada menos que 124 bilhões de dólares havia sido transferido para o exterior. No final das contas, durante toda a existência dessa movida (de 1991 a 2002), o total escalaria para 219 bilhões de dólares – situando o Banestado no cerne de um dos maiores esquemas de lavagem de dinheiro do mundo em todos os tempos 

O relatório do promotor Celso Três deu origem a uma investigação federal, que partiu de Foz do Iguaçu – estrategicamente situada na tríplice fronteira Brasil, Argentina e Paraguai –, onde os bancos locais lavavam fundos vultosos através de suas contas CC5. 

Eis como funcionava: os doleiros do mercado negro, em conluio com funcionários dos bancos e do governo, faziam uso uma vasta rede de contas bancárias, em nome de insuspeitos laranjas [1] e de empresas fantasmas, para lavar recursos ilegais oriundos de corrupção pública, fraude tributária e crime organizado, em especial por meio do Banco do Estado do Paraná (Banestado) em Foz do Iguaçu. Daí chamar-se "caso Banestado". 

Até 2001, a investigação federal parecia não chegar a lugar algum, quando então o superintendente da Polícia Federal José Castilho constatou que a maioria das transferências estava, na verdade, caindo em contas da agência do Banestado em Nova York. Castilho foi a Nova York em janeiro de 2002 para acelerar o necessário rastreamento internacional dos fundos. 

Através de uma ordem judicial, Castilho e sua equipe revisaram 137 contas do Banestado em Nova York, acompanhando a movimentação de 14,9 bilhões de dólares. Em alguns casos, os nomes dos beneficiários eram os mesmos de políticos brasileiros que atuavam no Congresso, ministros e até ex-presidentes. 

Depois de um mês em Nova York, Castilho volta ao Brasil com um relatório de 400 páginas. Apesar das evidências esmagadoras, ele foi removido da investigação, suspensa então por, pelo menos, um ano. Quando o novo presidente Lula assume o governo no início de 2003, Castilho volta à ação. 

Em abril de 2003, Castilho identificou uma conta particularmente interessante no banco Chase Manhattan, chamada "Tucano" – alcunha do PSDB, liderado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC), no poder antes de Lula e que mantivera laços muito próximos às máquinas políticas do presidente norte-americano Bill Clinton e do primeiro-ministro britânico Tony Blair. 

Castilho foi fundamental na criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o caso Banestado. Mas, mais uma vez, essa Comissão não levou a lugar algum. Não houve sequer a votação de um relatório final. A maioria das empresas negociou acordos com a Receita Federal do Brasil e, assim, encerrou qualquer possibilidade de ação judicial no que respeita à sonegação de impostos. 


O Caso Banestado encontra a Lava Jato 

Em essência, os dois maiores partidos políticos, o PSDB neoliberal, de FHC, e o Partido dos Trabalhadores, de Lula – que jamais enfrentaram de fato as maquinações imperialistas e a classe rentista brasileira – participaram ativamente para enterrar uma investigação aprofundada do caso. 

Além disso, ao suceder a FHC, Lula, de forma consciente ou talvez na intenção de preservar a governabilidade, tomou a decisão estratégica de não investigar a corrupção tucana, embalada por uma série de privatizações desonestas. 

Os promotores de Nova York chegaram ao ponto de preparar uma lista especial do Banestado para Castilho, com o que realmente importava para o processo criminal: o circuito completo do esquema de lavagem de dinheiro, apresentando os fundos inicialmente remetidos de forma ilegal para fora do Brasil, por meio das contas CC5; sua passagem através das agências, em Nova York, dos bancos brasileiros envolvidos; até chegar nas contas e fundos fiduciários dos paraísos fiscais (por exemplo, Cayman, Jersey, Suíça); para só então retornar ao Brasil sob a forma – plenamente lavada – de "investimento estrangeiro", quando então se prestariam ao uso real e gozo dos beneficiários finais, os verdadeiros donos do dinheiro. 

No entanto, o ministro da Justiça brasileiro, Marcio Thomaz Bastos, nomeado por Lula, bloqueou o avanço das investigações. Como nota metaforicamente o superintendente Castilho: "Isso me impediu de voltar ao Brasil com o cadáver do crime". 

Embora Castilho nunca tenha posto as mãos nesse documento crítico, pelo menos dois deputados brasileiros, dois senadores e dois promotores federais, que mais tarde ascenderiam à fama como "estrelas" da operação Lava Jato – Vladimir Aras e Carlos Fernando dos Santos Lima, – o teriam obtido. Por que e como o documento – chamemo-lo de "saco de cadáveres" – nunca foi encontrado nos processos criminais no Brasil é ainda um mistério complementar a cobrir todo o enigma. 

Enquanto isso, existiriam relatórios "não confirmados" (várias fontes se esquivam em registrar isso) de que esse documento pode ter sido usado para extorquir os envolvidos, majoritariamente bilionários, que figuram na lista. 



Moro enterrou o caso 

O condimento extra, na esfera judicial, está no fato de que o juiz estadual acusado por alguns de enterrar o caso Banestado não era outro senão Sergio Moro, a figura autoassumida como o Elliot Ness dos trópicos, que na próxima década alcançaria a condição de superestrela, como o capo di tutti capi da Lava Jato e daí, por consequência, ministro da Justiça de Bolsonaro. Moro acabou renunciando e agora já está, de fato, fazendo campanha para concorrer à presidência em 2022. 

E aqui chegamos à conexão tóxica Banestado-Lava Jato. Considerando especulações, sobre o suposto modus operandi de Moro na Lava Jato, de alterar nomes nos documentos com a finalidade de pôr Lula na cadeia, o desafio agora seria provar se Moro "vendia" não-condenações no caso Banestado. Ele dispunha de uma desculpa legal conveniente: sem o "corpo do crime" arrolado no processo criminal no Brasil, ninguém poderia ser considerado culpado. 

À medida que mergulhamos nos detalhes excruciantes, o Banestado se parece cada vez mais com o fio de Ariadne que pode desvelar o começo da destruição da soberania do Brasil. Um conto cheio de lições a serem aprendidas por todo o Sul Global. 



O rei do dólar paralelo 

Naquela live épica, Castilho fez soar um alarme quando se referiu a 17 milhões de dólares que haviam transitado pela filial do Banestado em Nova York e depois, de todos os lugares do mundo possíveis, acabou sendo enviado para o Paquistão. Ele e sua equipe descobriram isso apenas alguns meses após o 11 de setembro. Enviei-lhe algumas perguntas sobre o assunto, e ele respondeu, por meio de Romulus Maya, que seus investigadores podem desenterrar tudo novamente, pois um relatório indicaria a origem desses fundos. 

É a primeira vez que essas informações são divulgadas – e suas ramificações podem ser explosivas. Estamos falando de fundos duvidosos, possivelmente de operações com drogas e armas, saindo da tríplice fronteira, que historicamente é um dos grandes nódulos de operações clandestinas da CIA e do Mossad. 

O financiamento pode ter sido proporcionado pelo chamado rei do dólar paralelo, Dario Messer, via contas CC5. Não é segredo que os operadores do mercado paralelo na tríplice fronteira estão todos conectados ao tráfico de cocaína do Paraguai – e também a evangélicos. Essa é a base do que Romulus Maya, Piero Leirner e eu já caracterizamos como o "Evangelistão da Cocaína "

Messer é uma engrenagem indispensável na máquina de reciclagem associada ao tráfico de drogas. O dinheiro viaja para paraísos fiscais sob a proteção do imperialismo, é devidamente lavado, e ressuscita gloriosamente em Wall Street e no centro financeiro de Londres, com o bônus extra para os Estados Unidos de diminuir parte de seu déficit em conta corrente. Está aí a deixa para entender a "exuberância irracional" de Wall Street. 

O que realmente importa é a livre circulação de cocaína; escondida – por que não? – numa inusitada carga de soja – o que, de quebra, garante a saúde do agronegócio. Essa é uma imagem duplicada da rota da heroína da CIA no Afeganistão, que eu detalhei em outro lugar

Em termos políticos, Messer é, antes de mais nada, o elo perdido crucial da ligação com Moro. Até uma grande mídia como O Globo foi forçada a admitir, em novembro passado, que os negócios sombrios de Messer foram "monitorados" sem trégua por duas décadas, por diferentes agências de inteligência norte-americanas, em Assunção e em Ciudad del Este, no Paraguai. Moro, por sua vez, é um trunfo para duas diferentes agências norte-americanas – o FBI e a CIA –, além do Departamento de Justiça. 

Nessa trama complexa, Messer pode ser o coringa [2]. Mas também existe um Falcão Maltês, e, como aquele imortalizado no filme clássico de John Huston [a partir da obra literária homônima de Dashiell Hammett], existe apenas um Falcão Maltês. Ele está atualmente em um cofre na Suíça. 

Refiro-me aos documentos oficiais originais, apresentados pela gigante da construção civil Odebrecht à operação Lava Jato, que foram indiscutivelmente "manipulados", "a princípio" pela própria empresa, mas também, "talvez", em conluio com o então juiz Moro e a equipe de acusação liderada por Deltan Dallagnol. 

E isso foi feito não apenas com o objetivo de incriminar Lula e as pessoas próximas a ele, mas também, estrategicamente, para excluir qualquer menção a indivíduos que não deviam, sob hipótese alguma, ser trazidos à luz… ou aos bancos dos tribunais. E, sim, você adivinhou se pensou no rei do dólar paralelo, ao que tudo indica, acolitado pelos Estados Unidos. 

O primeiro impacto político sério que se seguiu à liberação dos vazamentos do caso Banestado é que os advogados de Lula, Cristiano e Valeska Zanin, finalmente, e de forma oficial, solicitaram às autoridades suíças a entrega dos originais

O ex-governador Roberto Requião, aliás, foi o único político brasileiro a pedir publicamente a Lula, em fevereiro, que buscasse os documentos na Suíça. Não é surpresa que Requião seja agora a primeira figura pública no Brasil a pedir a Lula que torne ostensivo todo o seu conteúdo, tão logo o ex-presidente ponha as mãos nele. 

A lista real, não adulterada, de pessoas envolvidas na corrupção da Odebrecht está repleta de grandes nomes – incluindo a elite judiciária. 

Confrontando as duas versões, os advogados de Lula podem, finalmente, ser capazes de demonstrar a fabricação de "evidências" que levaram à prisão de Lula e também, entre outros desdobramentos, ao exílio do ex-presidente do Equador Rafael Correa, à prisão de seu ex-vicepresidente Jorge Glas, a prisão do ex-presidente Ollanta Humala e sua esposa e, mais dramaticamente, ao suicídio do ex-presidente do Peru, Alan Garcia


O Patriot Act brasileiro 

A grande questão política agora não é descobrir o grande mestre manipulador que enterrou o escândalo do Banestado há duas décadas. Como detalhou o antropólogo Piero Leirner, o que importa é que a apuração das informações contidas no vazamento das contas CC5 do caso se concentre no maquinário de como a corrupta grande burguesia brasileira, em associação com políticos e agentes do Judiciário (nacionais e estrangeiros), se entronizou como classe rentista e, ainda assim, eternamente submissa e controlada pelos arquivos "secretos" do imperialismo. 

O vazamento inédito da lista de contas CC5 do Banestado pode permitir o reconhecimento do sentido dos lances políticos por trás do fracasso recente de Lula. Trata-se de uma guerra de espectro total ("híbrida"), onde piscar não é uma opção. E o projeto geopolítico e geoeconômico de destruir a soberania do Brasil e transformá-la em uma subcolônia imperial está vencendo, sem dúvida. 

O potencial explosivo desses vazamentos do Banestado e do CC5gate pode ser medido pela reação dos diversos limited hangouts [3] ["mediadores coarctativos" ou "entregadores limitados" ou, numa velha terminologia sindical, "pelegos"]: um silêncio estrondoso, que abrange partidos de esquerda e meios alternativos supostamente progressistas [N. do T.: a começar pelo portal Brasil247, onde o site Duplo Expresso e a pessoa do seu coordenador são sistemática e impiedosamente desqualificados pelo seu suspeito diretor, o jornalista Leonardo Attuch, a quem Paulo Henrique Amorim identificara como um prestador de serviços jornalísticos do banqueiro Daniel Dantas]. Para a grande mídia, por seu turno, para quem o ex-juiz Moro é uma vaca sagrada, um vazamento como esse é considerado, na melhor das hipóteses, uma "história antiga", "fake news" ou até mesmo não mais que uma "farsa". 

Lula está diante de uma decisão fatídica. Com acesso a nomes até agora mantidos nas sombras pela Lava Jato, ele pode ser capaz de detonar uma bomba de nêutrons e resetar todo o jogo político, expondo um furúnculo de ministros do Supremo ligados à Lava Jato, promotores federais, promotores estaduais, jornalistas e até mesmo generais que receberam fundos da Odebrecht no exterior. Sem falar de trazer para a berlinda o rei do dólar paralelo, Dario Messer, quem, de fato, controla o destino de Moro. Isso significa, em última instância, apontar um dedo diretamente para o estado profundo dos Estados Unidos. Não vai ser uma decisão fácil de tomar. 

Agora está claro que os credores do Estado brasileiro eram, originalmente, devedores. Cruzando as contas, seria possível fechar o círculo contábil do lendário "desequilíbrio fiscal" do Brasil – exatamente no momento em que essa praga é embandeirada, mais uma vez, com a intenção de dizimar os ativos do precarizado Estado brasileiro. O ministro das Finanças, Paulo Guedes, neopinochetista e líder de torcida de Milton Friedman, já avisou que vai continuar vendendo empresas estatais como se não houvesse amanhã. 

O plano B de Lula seria fechar um tipo de acordo que enterraria todo o dossiê – exatamente como a investigação original do Banestado foi enterrada há duas décadas – na tentativa de preservar a liderança do Partido dos Trabalhadores como uma oposição domesticada, sem tocar naquilo que se tornou o essencial na questão: como e por que Guedes está vendendo o Brasil. 

Essa parece ser a opção preferida de Fernando Haddad, que perdeu a eleição presidencial para Bolsonaro em 2018 e é uma espécie de versão brasileira de Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile. Ele é um neoliberal envergonhado, que sacrificaria tudo para ter mais uma oportunidade de ascender ao poder, possivelmente em 2026. 

Se o Plano B acontecer, ele pode vir a galvanizar a ira dos sindicatos e movimentos sociais – a classe trabalhadora brasileira de carne e osso, que está às portas de ser dizimada pelo neoliberalismo anabolizado e pelo conluio tóxico da versão brasileira, inspirada nos EUA, do Patriot Act, com esquemas militares que lucram com o Evangelistão da Cocaína. 

E tudo isso depois que Washington – com sucesso – quase destruiu a campeã nacional Petrobras, um dos alvos iniciais da espionagem da NSA. Zanin, advogado de Lula, também acrescenta – e talvez já seja tarde demais – que a "cooperação informal" entre Washington e a operação Lava Jato, nos termos do Decreto 3.810/02, era, na realidade, ilegal. 


O que Lula vai fazer? 

No pé em que está a apuração das informações a partir do vazamento do caso Banestado, uma primeira lista VIP do Banestado foi elaborada. Ela inclui o atual presidente do Superior Tribunal Eleitoral e ministro do Supremo, Luís Roberto Barroso, banqueiros, magnatas da mídia e industriais. O promotor da operação Lava Jato, Deltan Dallagnol, por sua vez, parece ser muito próximo da corte judiciária neoliberal instalada no STF. 

A lista VIP pode ser lida como um roteiro das práticas de lavagem de dinheiro dos brasileiros do 0,01% – estimados em aproximadamente 20 mil famílias detentoras da dívida interna brasileira de quase um trilhão de dólares. Uma grande parte desses fundos foi reciclada para voltar ao Brasil como "investimento estrangeiro" através do esquema CC5 na década de 1990. E foi exatamente assim que a dívida interna do Brasil explodiu. 

Ainda assim, ninguém sabe, em detalhes, onde a torrente de dinheiro sujo, lavada pelo Banestado, realmente acabou chegando. A "bolsa do defunto" nunca foi formalmente reconhecida como tendo sido trazida de volta de Nova York, e nunca entrou em nenhum processo criminal. No entanto, o crime de lavagem de dinheiro pode ser considerado como continuado – e, assim, sua prescrição não seria aplicável. Portanto, alguém ou alguns, poderiam ir para a cadeia. Parece que, para breve, não vai ser o caso. 

Enquanto isso, patrocinado pelo Estado Profundo dos Estados Unidos, pelas finanças transnacionais e pelos operadores das elites locais – alguns de farda, outros de toga – o golpe de guerra híbrida em câmera lenta contra o Brasil continua se espraiando, dia após dia, aproximando-se do domínio de espectro total. 

O que nos leva à questão-chave final: o que Lula vai fazer a respeito? 


NR 

[1] "Laranjas": pessoas que emprestam os seus nomes para a concretização de operações ilícitas. 

[2] Coringa: jóquer (carta do baralho). 

[3] Limited hangouts: Pode-se traduzir como "divulgação às pinguinhas". É o que faz o Intercept do jornalista Greenwald, em oposição ao método da WikiLeaks de divulgar na integra todo o manancial de documentos dando acesso aos mesmos a qualquer investigador. 



[*] Pepe Escobar é jornalista, analista de geopolítica internacional e correspondente de várias publicações internacionais. 

O original encontra-se em Asia Times e a tradução de Ricardo Cavalcanti-Schiel em Outras Palavras 

Este artigo encontra-se em https://resistir.info/ desde 25/Julho/2020.




Observação: O Blog do Said Dib é aberto à pluralidade de posições e opiniões variadas ou contraditórias entre si. Está aberto totalmente aos nomes citados no artigo de Pepe Escobar para que se manifestem a respeito. No aguardo...

quarta-feira, 24 de junho de 2020

Coluna do Limongi

SAUDOSO E CARINHOSO 

Jair Bolsonaro costumava perguntar aos filhos pelo amigo da família: “Como está o Queiroz?”. Mas desta vez foram atordoados auxiliares que informaram: “Queiroz foi preso, presidente!”. O fato remete os brasileiros àquela surreal reunião ministerial de 22 de abril, quando Bolsonaro quase tirou o fígado do então ministro da Justiça, Sergio Moro, exigindo mudanças na Polícia Federal para “proteger minha família e meus amigos”. Todavia, a Polícia Civil de São Paulo chegou primeiro e levou Fabrício Queiroz em cana. “Anjo” foi o sugestivo nome da operação, que nada tem de divinal.

AMEAÇAS E INSINUAÇÕES 

Nessa linha, fica ainda mais tenso o clima político com a prisão de Queiroz diante do pacote de quarta-feira, recheado com novas ameaças e insinuações de Jair Bolsonaro, definidas pelo presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, como “habituais declarações dúbias” do chefe da Nação. Antes da prisão do assessor e amigo do filho senador, Bolsonaro não se fazia de rogado. Distribuiu lamúrias, em defesa de seus dóceis aliados: “Estão abusando”, “direitos são violados”, “ideias perseguidas” e “liberdade do povo”. Resta saber em qual capítulo o enrolado Fabrício Queiroz se enquadra. Nesse sentido, prossegue o surreal arraial noticioso da famosa companhia de comédia liderada pelo diretor e astro Bolsonaro. 

PRISÃO DOMICILIAR 

O notável doutor Cappa Preta queria prisão domiciliar para o churrasqueiro Queiroz, alegando que o cervejeiro tem câncer. Mas as imagens contam outra história, mostrando um fagueiro hóspede pronto para assar peixe e tomar uma gelada. Com direito a receber amiguinhas levadas por um irmãozinho do peito. Depois, jogar “peladas” no campinho da mansão. Porque Queiroz não é de ferro e tinha direito a uma vida supimpa, pelos serviços prestados, mas agora o mundo desabou sobre sua cabeça. Enquanto isso, seu líder, patrão e amigo, senador Flávio Bolsonaro, por sua vez, cedo ou tarde estará no limbo do Conselho de Ética do Senado. Não escapará. Missão árdua e delicada para o presidente da chamada Câmara Alta, Davi Alcolumbre. 

SONHO DE ALCOLUMBRE 

O roliço senador do DEM não esconde que deseja ser reeleito para o posto. Para mudar a Constituição, precisará do empurrão da tropa de choque de Bolsonaro. Se é que ele tem uma. Tipo uma mão lava a outra e as duas… mais um capítulo do descarado cinismo e empulhação. 

ALUCINADO E GROTESCO WEINTRAUB 

Caso ainda tenha algum neurônio funcionando, Flávio Bolsonaro renunciará ao mandato. Passo a palavra ao mestre Jorge Béja. E o nefasto ex-ministro da Educação, por sua vez, é prova viva que o crime compensa. Bendita punição, diretor do Banco Mundial. Função já ocupada pelo ex-ministro Pedro Malan, como observou o atilado colunista do Globo, Bernardo Mello Franco. O alucinado e grotesco Weintraub vai ajudar a afundar, ainda mais, a desmoralizada imagem do Brasil no exterior. 

A edição extra do Diário Oficial com a exoneração do imbecil deveria ser incinerada e jogada no lixo da história. Restam, por fim, duas perguntas: porque os (as) maluquetes apoiadores de Bolsonaro colocaram a viola no saco, nas redes sociais? Será que Weintraub pagou a multa de 2 mil reais, por não usar máscara, como determina o decreto do governador de Brasília, Ibaneis Rocha? Claro que não! 

GALVÃO PISOU NA BOLA 

Na bela homenagem pelos 50 anos do tri, no programa "Bem, amigos", segunda, no Sportv, Galvão Bueno tropeçou no vernáculo, chamando o genial e eterno Gerson, o "canhotinha de ouro" da memorável conquista, de "ranzinza". Durante sua longa e vitoriosa carreira, Gerson carregou o carinhoso apelido de "papagaio". Atleta falante, perfeccionista, meia cerebral e dono de forte personalidade. Portanto, nessa linha, Gerson jamais merece ser confundido como ranzinza. Sugiro que Galvão Bueno abra o dicionário na letra "R" e leia: Ranzinza: zangado, mal-humorado, ranheta ou rabugento. Gerson não se enquadra em nenhuma dessas categorias. 

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Mais patético do que a justiça precisar decidir que Bolsonaro terá que usar máscara, em Brasília, sob pena de ser multado em 2 mil reais pelo governo do Distrito Federal, é a Advocacia-Geral da União manifestar-se contra a medida, anunciando que vai recorrer da decisão. Surreal e inacreditável. A lei é para todos. Inclusive para o chefe da nação. Se o super-homem Bolsonaro quer subestimar o covid-19, é problema dele. Mas contribuir para contaminar os outros é burrice e crime. 

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Nesta quadra penosa, sombria e preocupante de pandemia, é saudável e estimulante saber também que milhares enfrentaram e venceram, com galhardia e fé em Deus, o convid-19. É animador e emocionante imagens de homens e mulheres, idosos e jovens, deixando o hospital com sorriso aliviado e vitorioso. Sob aplausos, canções e cartazes de médicos, bombeiros, paramédicos, motoristas de ambulâncias, enfermeiros e faxineiros. Todos eles devidamente reconhecidos como anjos defensores de vidas. A corrente iluminada de amor a si mesmo e aos outros, precisa continuar atuante. Conscientizando e ganhando mais adeptos. Os números de mortos e infectados mostram que ainda requer muito trabalho e esforços para finalmente derrotar o inimigo. É urgente e necessário convencer imprudentes e irresponsáveis para os riscos eminentes do não uso da máscara e da importância do isolamento social. 

terça-feira, 17 de dezembro de 2019

Glenn entrevista Evo Morales

O Intercept Brasil acaba de publicar entrevista exclusiva que fiz com Evo Morales, ex-presidente da Bolívia. 

Estive com Evo na Cidade do México este mês e tivemos uma conversa extremamente rica e interessante. Falamos sobre seu exílio e o golpe que o tirou do poder, mas também sobre a política regional e global, o papel dos EUA na América Latina e outros temas importantes para o atual contexto político. 

É uma entrevista longa que você verá em vídeo no nosso canal no YouTube.



Um abraço, 



Editor Cofundador da Revista Intercept Brasil

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Presidente da CNC, José Roberto Tadros, é Cidadão Honorário de Brasília


foto: Erivelton Viana
Iniciativa da Câmara Legislativa foi unânime 

Matéria de Said Barbosa Dib* 


O presidente da CNC - Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo -, também presidente do Conselho Deliberativo Nacional do SEBRAE, José Roberto Tadros, recebeu na terça-feira (26), em solenidade no auditório da sede da CNC na Capital Federal, o título de “Cidadão Honorário de Brasília”. A iniciativa foi do deputado distrital e presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal, deputado Rafael Prudente (MDB-DF), através do Projeto de Decreto Legislativo n°51/2019, aprovado por unanimidade pelos deputados distritais. 

Fizeram parte da mesa na sessão solene em homenagem a José Roberto Tadros, presidida pelo deputado Rafael Prudente (MDB-DF), o presidente da Fecomércio do Distrito Federal, Francisco Maia; o embaixador da Grécia, Ioannis Pediotis; o secretário de Desenvolvimento Econômico do Governo do Distrito Federal, Ruy Coutinho Nascimento, representando o governador Ibaneis Rocha; o presidente da CNA – Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil –, senhor João Martins; e o presidente do SEBRAE nacional, Carlos Melles. 


foto: Erivelton Viana

Prudente relata vida, conquistas profissionais e luta de Roberto Tadros por Brasília 

O deputado Rafael Prudente relatou a vida e a liderança empresarial do homenageado, destacando seu trabalho, particularmente, à frente do SESC e do SENAC. Sua condução à presidência da CNC, segundo o deputado, está “no caminho para construir avanços e consolidar o trabalho que vem sendo feito há anos pela entidade”. 

Ao justificar a homenagem dedicada ao presidente José Roberto Tadros, Prudente afirmou: “Esse trabalho feito com entusiasmo e os reiterados gestos de carinho com Brasília, trazendo investimentos de escolas do SESC e do SENAC, embasam a proposta de outorga do título ao presidente Tadros”. Para Prudente a homenagem representa o reconhecimento dos cidadãos do Distrito Federal aos elevados serviços prestados por José Roberto Tadros, não apenas em relação ao seu trabalho à frente da CNC, mas também “com a realização de outras atividades que orgulham, engrandecem e visam o bem comum da população, trabalhando sempre com entusiasmo e dedicação, se tornando exemplo para nossa cidade”. 

No seu pronunciamento, Prudente fez questão de citar encontros do presidente da CNC com o governador Ibaneis Rocha para tratarem de “soluções para a cidade”. O presidente da Câmara Legislativa, para destacar a dedicação de Roberto Tadros à Brasília, lembrou que há a ideia de se formar na cidade espécie de conselho informal criado pelo governador para estudar, inclusive, a participação da Federação do Comércio (Fecomércio-DF) e o SESC na reforma e administração do Teatro Nacional Cláudio Santoro. “O Sistema ´S` tem muita expertise na área cultural e na administração de teatros. É uma conversa que vamos manter, até mesmo para saber se será viável a execução da proposta”, chegou a dizer o governador Ibaneis para uma coluna do jornal Metrópoles. 

Prudente se referia ao encontro de Tadros em junho passado com o governador Ibaneis. Durante o encontro com o emedebista, o presidente da CNC, José Roberto Tadros, e o presidente da Fecomércio-DF, Francisco Maia, chegaram a anunciar o início da construção de três empreendimentos no Distrito Federal com o objetivo de formar profissionais e preparar trabalhadores para o mercado de trabalho. Segundo o governador, as entidades confirmaram a criação de um “hotel-escola” com cerca de 20 andares no Setor Hoteleiro, onde a CNC tem um terreno, além de dois “restaurantes-escola”: um localizado próximo à estação do metrô da 114 Sul e outro na L2 Sul. 

Por fim, Prudente se ofereceu, em nome dos demais deputados distritais e aclamando a liderança do presidente Tadros, para “juntos, lutarmos pelo Sistema ´S` no Brasil”, momento em que foi aplaudido de pé. 


foto: Erivelton Viana

Tadros destaca talento, obstinação e capacidade de realização dos visionários que fizeram Brasília 

José Roberto Tadros, o novo cidadão honorário de Brasília, começou seu pronunciamento emocionado, mostrando a singularidade e a importância de se receber honraria de Brasília: “ser agraciado com o título de Cidadão Honorário é, para mim, uma honra em qualquer cidade desse país continental que é o Brasil. Mas, em Brasília, essa honra ganha o requinte da genialidade arquitetônica, da inovação urbanística, da perspectiva histórica”. 

Tadros destacou o talento, a obstinação e a capacidade de realização dos visionários que idealizaram e tornaram realidade a Capital do País: “É testemunho da obstinação de Juscelino Kubitschek, de engenheiros, operários, políticos, arquitetos, trabalhadores, cujo suor é parte de cada centímetro desse concreto, de cada linha dessa história. E que história!”. E continuou elogiando os candangos: “Vieram erguer seus monumentos, abandonando suas raízes em outros estados, sobretudo no Nordeste, para iniciar aqui uma nova vida que nasceu junto com as construções que ergueram”. 

Ele comparou a missão de Brasília, como capital criada para unir e desenvolver o País, com a missão da própria CNC: “Aqui estamos, solidamente instalados na nossa sede de Brasília que, junto com a sede do Rio de Janeiro e todas as federações de comércio espalhadas pelo País - junto com o SESC e o SENAC -, contribui para o desenvolvimento não apenas de Brasília, mas também do Brasil. Assim como a capital do Brasil foi criada para unir o nosso País, a CNC existe para fazer de cada negócio do comércio, do serviço e do turismo um participante imprescindível na estrutura maior da instituição, que existe para fomentar o progresso e o desenvolvimento.” 

Roberto Tadros disse que a missão dos que trabalham nos gabinetes de Brasília, para o povo brasileiro, é a mesma que norteia os princípios da Confederação que tem a honra de presidir: “lutar por um Brasil maior, em um ambiente de prosperidade, que estimule investimentos, geração de empregos qualificados e renda. O Sistema Comércio é um parceiro de Brasília e do Distrito Federal, por meio da Fecomércio aqui solidamente instalada e que vem protagonizando um trabalho de excelência. Do SESC, do SENAC e da própria CNC”. 

José Roberto Tadros concluiu o discurso dizendo que a honraria que recebia naquele momento era motivo não apenas “de satisfação e alegria, mas, sobretudo, de aumento da responsabilidade de trabalhar, cada vez mais e com mais esperança e afinco, em prol de um Brasil melhor, de uma Brasília melhor para todos. Que sejamos fiéis aos princípios democráticos que fundaram a CNC e Brasília. Que cada gota do nosso suor possa tornar mais fértil o solo dos ideais e da mais importante missão das lideranças brasileiras: criar um País próspero, diminuir as desigualdades e gerar oportunidades para todos” 



Roberto Tadros: o empreendedor, o sindicalista e o intelectual 

Tadros, além de presidente da CNC, preside também o SESC, o Conselho Nacional do SENAC e é presidente licenciado da Fecomércio/AM - Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas. 

É bacharel em direito, empresário, líder sindical, professor e escritor. É intelectual, membro da Academia Amazonense de Letras (AAL), ocupando a cadeira de nº 26, que tem como patrono Rui Barbosa; membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), ocupando a cadeira nº 8, que tem como patrono o Pe. Manoel da Nóbrega; membro efetivo da Academia de Letras, Ciências e Artes do Amazonas (ALCEAR), ocupando a cadeira nº 8, que tem como patrono o jurista Adriano Queiroz; é ainda cônsul honorário da Grécia na Amazônia. Também foi apaixonado professor de Filosofia, Sociologia e História. 

É autor dos livros: “Da Razão e das Palavras”, “Marco para Novas Gerações”, “Ideias Confessadas”, “O Grande Amazonas em Marcha”. E coautor do livro “Incentivos Fiscais para o Progresso do Amazonas”; e organizador e idealizador do livro “Memorial do Comércio: Histórias das Famílias que Desbravaram o Amazonas” e prefaciador dos livros “Coisas da Tiz” e “Moysés Israel”. 



Formado em Direito pela Universidade Federal do Amazonas, José Roberto Tadros, juntamente com seus três irmãos, deu continuidade ao trabalho empresarial iniciado pelo seu bisavô no Brasil. A família de imigrantes, de origem grega, participou do primeiro estágio de desenvolvimento econômico da Amazônia, durante o Ciclo da Borracha, com atividades de importação e exportação, navegação e aviamento na década de 1870, mesma época em que foi inaugurada a mais antiga empresa do Amazonas, a José Tadros & Cia (1874), onde, aos dezoito anos, José Roberto Tadros iniciou a sua trajetória empresarial. 

A atuação como sindicalista teve início na diretoria do SindHotel-AM - Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Manaus -, do qual se tornou presidente. Sua gestão foi caracterizada pela perseverante defesa dos interesses dos empresários do setor que representava. Em 1986 foi eleito presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas, do Centro do Comércio do Estado do Amazonas e dos conselhos regionais do SESC e do SENAC. À frente do Sistema FECOMÉRCIO ampliou a atuação do SESC/SENAC, aumentando a capacidade de atendimento desses importantes braços sociais, com unidades terrestres e fluviais. Além disso, modernizou as instalações existentes e iniciou serviços importantes 

O advogado manauara foi, por três décadas, presidente da Fecomércio Amazonas. É profundo conhecedor das dificuldades e das oportunidades da Amazônia e do Brasil. É considerado grande incentivador da cultura e do conhecimento. O empresário amazonense ainda é proprietário do famoso Lord Hotel, de Manaus. 


Depoimentos 

A seguir, alguns depoimentos sobre a vida, a profissão, a personalidade e as realizações do manauara José Roberto Tadros, hoje “Cidadão Honorário de Brasília. Os depoimentos foram coletados durante a bela e calorosa confraternização que se seguiu à sessão em homenagem a Roberto Tadros, na sede da Confederação Nacional do Comércio, em Brasília: 


Leandro Domingos Teixeira Pinto 


Leandro Domingos Teixeira Pinto, formado em Economia e Direito, atual presidente da Fecomércio-AC - Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Acre -, das administrações regionais do SESC e do SENAC e do Conselho de Representantes da Fecomércio naquele estado. Foi eleito com a atual Diretoria da CNC - Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo-, e nomeado para a vice-Presidência Financeira da entidade. Ele deu depoimento sobre José Roberto Tadros. Mostrou a felicidade de ter relação de amizade muito íntima com Roberto Tadros e destacou o amor ao trabalho e ao Brasil do homenageado da noite: “o presidente Tadros, antes de tudo, antes de homem público admirável, é meu amigo. É pessoa extremamente amiga e generosa. Tem muito respeito e carinho pelas pessoas e pelo Brasil. E trabalha, no mínimo, dez horas por dia, sempre querendo ajudar o País a ser grande, menos desigual e mais justo. Este é o Tadros que eu conheço. Tem coração que não cabe dentro do corpo dele. Brasília fez bem com a homenagem”. 

Leandro Domingos disse que conviveu e convive com Tadros, na Confederação Nacional do Comércio, há mais de vinte e cinco anos. E deu mais detalhes sobre o homenageado: “Aprendemos a nos conhecer e, eu, a admirá-lo. É um homem de sensibilidade imensa. Se identifica muito com a Amazônia e com o Brasil. Eu sou do Acre e o Roberto é uma pessoa que conhece o Acre mais do que boa parte dos acreanos. Isto fez com que eu angariasse simpatia muito grande por ele. E uma amizade muito grande. Hoje, inclusive, ele é meu compadre. Dei uma filha para ser apadrinhada por ele, pelo respeito e pela consideração que tenho por ele. Poucas pessoas conheço com a seriedade, a dedicação, a idoneidade do Tadros. É homem que não tem ambições pessoais em detrimento do coletivo. Sempre se preocupando com as pessoas. E eu tenho muito orgulho de tê-lo como meu compadre, como meu amigo e como meu colega de trabalho na CNC. Tive o privilégio de ser escolhido por ele para ser primeiro vice-Presidente Financeiro da Confederação, um dos cargos mais importantes. E eu só aceitei esta responsabilidade por ser Tadros o presidente. Porque ele confiou em mim”. 

Sobre a homenagem que a Câmara Legislativa do DF dedicou a Tadros, Leandro comentou: “É muito merecida. O Roberto tem carinho muito grande por Brasília. Sempre procurou ajudar a cidade. Aqui é um centro de poder. Brasília concentra pessoas do Brasil inteiro. Aqui são tomadas as grandes decisões. E o Tadros vem estudando diuturnamente para ver o que pode fazer para ajudar ainda mais o Distrito Federal. Ele tem trabalhado muito próximo do nosso presidente da Federação do Comércio do DF, Chico Maia, tentando identificar quais são as dificuldades e como resolvê-las. Tem falado também com o governo local. Ele quer é ajudar. Eu tenho certeza que ele vai fazer muito mais pelo DF. E é por isso que ele teve hoje a felicidade de receber o título de ´Cidadão Brasiliense`. Eu conheço bem o Tadros e sei que ele está muito orgulhoso com este reconhecimento. Muito feliz! E, tenha certeza, vai honrar muito este título que recebeu na noite de hoje”. 



Francisco Maia 

O empresário Francisco Maia também fez questão de falar sobre a homenagem ao presidente Tadros. Formado em jornalismo pela UnB - Universidade de Brasília -, mora no DF desde 1963. Foi eleito, por unanimidade, presidente da Fecomércio do Distrito Federal, com a bandeira de promover integração com a CNC e avançar na representatividade da instituição perante os Poderes constituídos e a sociedade brasiliense. É uma das principais testemunhas dos esforços de Tadros em ajudar Brasília. Chico Maia, como é popularmente chamado, disse que era importante esta homenagem “porque ele é um homem das empresas, do comércio. E o comércio de Brasília hoje merece uma liderança nacional do nível do presidente Tadros”. E explicou a importância prática disso: “isso significa, também, que há uma presença maior da CNC aqui em Brasília”. 

No passado, segundo Chico Maia, na época da administração anterior, a CNC tinha presença muito tímida na cidade. Desde que o presidente Tadros assumiu, em novembro do ano passado, segundo ainda Maia, ele passou a estar na cidade toda semana, sempre articulando melhorias para o comércio: “A Diretoria da CNC está presente aqui. Então isso se tornou muito importante para nós, da federação. A importância política disso é que ele procura o presidente, os ministros, os senadores, os deputados, as autoridades de Brasília. Está sempre dando palpite, sempre fazendo sugestões positivas. Amanhã mesmo (quarta, dia 27/11), vão homenagear, na Câmara dos Deputados, os 74 anos da CNC. Eu acho que este título que ele recebeu nesta noite foi muito justo e reconheceu no homenageado aquilo que ele já vem fazendo por Brasília. É importante ressaltarmos isso e darmos a devida importância para esta homenagem”. 



Célio Ferreira de Paiva 

Célio Ferreira de Paiva, presidente do SIMBELEZA-DF - Sindicato dos Salões, Institutos e Centros de Beleza, Estética e Profissionais Autônomos do DF- e diretor da Fecomércio - DF, disse que o título que homenageou José Roberto Tadros foi “supermerecido”, pois considera que Roberto Tadros assumiu como presidente da CNC “com a missão clara de pacificar, de unificar, de dar integração entre as entidades do comércio no DF e a CNC”. Ele explicou que teria havido algumas diferenças nas relações entre a Fecomércio do DF e a CNC no passado, quanto ao funcionamento do SESC e do SENAC, mas que Tadros teria resolvido a situação: “A nossa federação passou por turbulências, passou por desgastes junto à CNC. Com Tadros a gente tem visto que a nossa federação se fortaleceu, foi valorizada e ouvida. Ele tem sido um conciliador, um apoiador das nossas idéias na federação. Tivemos um trabalho, em parceria, em que a CNC atuou fortemente no SENAC e no SESC do Distrito Federal, resolvendo problemas e pendências e melhorando o funcionamento dos serviços. O resultado foi fantástico para as duas instituições. E, consequentemente, para a Fecomércio – DF”. Sobre o assunto, Célio Paiva comentou ainda: “neste ponto ele está levando a sério e obtendo grande sucesso junto às federações de comércio de todo o Brasil. Eu, como diretor da Fecomércio do DF, sou testemunha do trabalho que tem sido feito de integração. Daí este título supermerecido”. 

Sobre as constantes reuniões do presidente Tadros com lideranças e autoridades do GDF – Governo do Distrito Federal -, buscando soluções para problemas do DF, Célio comentou: “é importante tanto por fortalecer a nossa federação aqui, distrital, quanto por aproveitar esta porta aberta pela CNC junto do Governo do Distrito Federal, com resultados óbvios. Temos hoje parceria com o BrB - Banco de Brasília - que, num acordo inicial, começou com a Federação de Comércio do DF, mas que agora se estendeu para a CNC, que já fechou com o banco brasiliense para este ser elemento de fomento do Centro-Oeste. Isto é ganho imenso para o Distrito Federal e para a CNC. Isto é fantástico! E ocorreu graças ao presidente Tadros”. 

Célio fala do acordo que a CNC e o Banco de Brasília firmaram para a oferta de crédito às entidades sindicais ligadas à CNC e empresas do comércio no Centro-Oeste, área de atuação do banco. O convênio foi assinado em 10 de outubro, na reunião mensal da Diretoria da Confederação, na sede do Rio de Janeiro, pelo presidente da entidade, José Roberto Tadros, e o presidente do banco, Paulo Henrique da Costa. Acompanharam também a assinatura o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e o secretário de Economia do DF, André Clemente. 

O acordo de cooperação prevê, por parte das empresas vinculadas aos sindicatos e federações, acesso às linhas de crédito destinadas a investimentos, produtos e serviços do BrB voltados às micro, pequenas e médias empresas. “Vislumbro um belo futuro. Abrimos importante canal de negociação”, afirmou o presidente José Roberto Tadros na ocasião ao governador Ibaneis Rocha sobre o sentido de cooperação entre o governo do Distrito Federal e as entidades do Sistema Comércio. 



Carlos de Souza Andrade 

Esteve presente à homenagem ao presidente José Roberto Tadros, com grande destaque, o empresário Carlos de Souza Andrade, farmacêutico e comerciante, que fez sua trajetória empresarial no comércio farmacêutico baiano, tendo criado a antiga rede Estrela Galdino e a farmácia de manipulação “A Fórmula” – hoje uma franquia. Fundou o Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos da Bahia. Em termos nacionais, ocupou diretorias importantes, como a da ABCFarma - Associação Brasileira do Comércio Farmacêutico - e da Abrafarma - Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias -. Em seu segundo mandato (2018/2022) como presidente da Fecomércio-BA, Andrade também ocupa assentos no Conselho Nacional de Saúde e na Câmara de Saúde Suplementar do Ministério da Saúde, ambos como representante titular da CNC. É ainda presidente do Conselho Deliberativo do SEBRAE na Bahia. 

Sobre a homenagem de Brasília ao presidente Tadros, deu depoimento apaixonado: “Esta data, para nós, é muito importante por estarmos aqui para homenagear o nosso amigo José Roberto Tadros. Brasília, como capital do nosso País, não poderia deixar de fazer esta homenagem”, destacou. 

Ele elogiou o presidente da Fecomércio – DF, Francisco Maia, que, segundo o dirigente Carlos, foi o idealizador da homenagem a Tadros: “nosso amigo Chico Maia muito sabiamente procurou o presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal, Rafael Prudente, que tomou a iniciativa e os deputados concederam este título merecido por unanimidade ao nosso presidente Tadros”. E desejou muito sucesso à Tadros e se pôs à disposição para ajudar o presidente da CNC: “nós, da Bahia, queremos somar ou, quiçá, multiplicar os votos de sucesso para que Tadros sempre continue este presidente dinâmico, competente, sério, trabalhador e que sempre valorizou – e sempre valorizará – o comércio, o serviço e o turismo em nosso País. A Bahia está aqui presente para homenagear, junto com os brasilienses e a brasileiros de todos os recantos do País, o nosso presidente”. Carlos de Souza Andrade lembrou também que considera fundamental a “necessária dobradinha de Tadros com Carlos Melles”, presidente do SEBRAE Nacional: “E tenho certeza de que ele (Tadors), também como presidente do Conselho Deliberativo Nacional do SEBRAE, junto com nosso companheiro, Carlos Melles, presidente atual do SEBRAE, fará trabalho magnífico. Esta dupla, Carlos Melles e Roberto Tadros, um mineiro e um manauara, vai marcar a história do comércio, do serviço e do turismo no nosso País. Com certeza vão plantar essas sementes que grandes, bons e muitos frutos darão. Parabéns presidente Tadros! Parabéns, Brasília!” 


Muni Lourenço Silva Júnior 

O pecuarista do município de Autazes, Muni Lourenço Silva Júnior, administrador, bacharel em direito, pós-graduado em Direto Processual Civil pela Universidade Federal do Amazonas, é membro de diversos colegiados e importante representante do segmento agropecuário do Amazonas e do Brasil. É ainda presidente do Conselho Deliberativo Estadual do SEBRAE no Amazonas. Ele também fez questão de parabenizar o conterrâneo Roberto Tadros. E traçou perfil bastante emocionante do homenageado da noite. 

Muni mostrou a importância da família de Tadros para o Amazonas, destacando a trajetória vitoriosa do homenageado para o nível político nacional: “Presidente Roberto Tadros é conterrâneo que dá orgulho, amazonense ilustre, originário de família tradicional de nosso estado, família empreendedora. Ele sempre pontificou o nosso estado pela sua liderança empresarial no segmento comercial de forma serena, competente, hábil, articulada. Liderança que se projetou para o cenário nacional até bem antes de sua eleição para a presidência da CNC. Liderança que, na verdade, se confirmou com sua chegada à presidência da CNC. Roberto Tadros tem trajetória brilhante de relevantes serviços para o desenvolvimento do Amazonas e da Amazônia”. 

E lembrou ainda o caráter corajoso e visionário de Tadros: “Sempre foi líder importante em toda a Região Norte no segmento comercial. O Amazonas e os amazonenses conhecem perfeitamente as digitais de competência, de capacidade de realização nas inúmeras estruturas físicas do Sistema Fecomércio, SESC e SENAC. Na capital, Manaus, nos municípios do interior do estado, sempre levando capacitação profissional para trabalhadores, promoção social, lazer, esporte e cultura, através desse sistema fantástico que ele, Roberto Tadros, com sua personalidade visionária, corajosa, soube usar em benefício do povo do Amazonas. Personalidade que sempre fez com que ele realizasse muita coisa que outros achavam que era impossível. Como visionário, ele transformou o setor comercial, de serviços e turismo no Amazonas e na Amazônia”. 

No SEBRAE do Amazonas, que presidiu “por alguns mandatos apenas”, segundo Muni Lourenço, “Roberto Tadros soube consolidar a atuação positiva do serviço voltada para o desenvolvimento das micro e pequenas empresas no Amazonas. Certamente, teve papel importante no delineamento dos trabalhos do SEBRAE no estado a longo prazo”. 

Assim como Tadros, Muni é de família também de empreendedores. Seu pai foi amigo de infância de Roberto Tadros. Sobre isso, disse, emocionado: “temos laços de família muito sólidos com ele. E eu vim aqui para aplaudir mais uma vez as virtudes de Tadros nesta noite maravilhosa. Sinto-me representando toda família amazonense fazendo isso”. E completou brincando: “sem ´carregar na tinta`, pois nós somos um tanto quanto suspeitos, porque somos conterrâneos, grandes amigos, tenho com muita clareza que todas as homenagens serão poucas a José Roberto Tadros por toda a sua dedicação, seu comprometimento, sua folha de serviços prestados ao Amazonas, à Amazônia e ao Brasil. E pelo que vemos, com esta linda e merecida homenagem de hoje, também à Brasília”. 

*Said Barbosa Dib é historiador, analista político, jornalista, professor e assessor de imprensa da Presidência do Conselho Deliberativo Nacional do SEBRAE