segunda-feira, 5 de abril de 2010

Congresso Nacional trabalhando...

Plenário pode votar nesta semana o projeto Ficha Limpa

Também estão na pauta propostas sobre acesso à internet banda larga nas escolas e aposentadoria especial para pessoas com deficiência.

O Plenário poderá votar na quarta-feira (7) o projeto Ficha Limpa (PLP 518/09), que prevê oito anos de inelegibilidade para pessoas condenadas por crimes graves. Os deputados vão analisar o substitutivo do deputado Indio da Costa (DEM-RJ), que estabelece a inelegibilidade dos candidatos somente após a condenação em órgão colegiado, independentemente da instância. O texto original impedia a candidatura de quem tivesse condenação em primeira instância, mas o relator alterou essa exigência com o objetivo de evitar perseguições políticas. Ao marcar a data da votação, o presidente da Câmara, Michel Temer, pediu aos líderes partidários a apresentação de sugestões de suas bancadas. Segundo Temer, poderá haver alterações no texto aprovado pelo grupo de trabalho. A proposta Ficha Limpa é uma iniciativa do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral e recebeu mais de 1 milhão de assinaturas de apoio, coletadas pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A proposta deverá ser analisada em sessão extraordinária, pois a pauta das sessões ordinárias está trancada por nove medidas provisórias.

Internet nas escolas

Já a partir desta terça-feira (6), o Plenário poderá votar em sessões extraordinárias o Projeto de Lei 1481/07, do Senado, que garante a universalização, até 2013, do acesso dos alunos das escolas públicas do ensino básico à internet de banda larga. Para concretizar esse objetivo, o projeto prevê o uso de recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (FustO Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações foi instituído pela Lei 9998/00 com o objetivo de proporcionar recursos para cobrir a parcela de custo relativa ao cumprimento das obrigações de universalização de serviços de telecomunicações que não possa ser recuperada com a exploração do serviço. Cabe ao Ministério das Comunicações formular as políticas, as diretrizes gerais e as prioridades que orientarão as aplicações do Fust e definir os programas, projetos e atividades financiados com recursos do fundo.). O texto a ser votado é o substitutivo da comissão especial que analisou a proposta, que foi relatado pelo deputado Paulo Henrique Lustosa (PMDB-CE). Outra proposta em pauta é o Projeto de Lei Complementar 277/05, do ex-deputado Leonardo Mattos, que reduz o tempo de contribuição exigido para a aposentadoria das pessoas com deficiência. Segundo o substitutivo aprovado na Comissão de Seguridade Social e Família, haverá redução do tempo em cinco anos nos casos de deficiência grave; em três anos, se a deficiência for moderada; e em dois anos, se o problema for considerado leve.

Direito à informação

A pauta inclui também os Projetos de Lei 219/03, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que garante a todo cidadão o direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral; e 5228/09, do Executivo, que assegura o acesso pleno, imediato e gratuito às informações públicas, com critérios para proteger as pessoais e/ou sigilosas. Os dois projetos tramitam em conjunto e foram analisados por comissão especial da qual foi relator o deputado Mendes Ribeiro Filho (PMDB-RS).Tem preferência para votação o substitutivo da comissão especial, que fixa em 50 anos a duração máxima do sigilo dos documentos classificados como ultrassecretos.

Continua:
Pauta das sessões ordinárias está trancada por nove MPs
Da Redação/PT

Lobão reassume mandato e deve ser relator do Fundo Social do Pré-Sal


O senador Edison Lobão (PMDB-MA) reassume hoje seu mandato, depois de um período como ministro de Minas e Energia, e deverá ser indicado para relator do projeto de lei que institui o Fundo Social do pré-sal , na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). O relator indicado inicialmente, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), conforme informou à Agência Senado, vai ceder o encargo a Lobão como uma deferência, por ter sido ele ministro durante a elaboração dos quatro projetos do Pré-Sal. Junto com Lobão, quatro outros senadores reassumem seus mandatos hoje, depois de se desincompatibilizarem de cargos executivos para disputar as eleições de 3 de outubro: Alfredo Nascimento (PR-AM), que deixou o Ministério dos Transportes e vai disputar o governo do Amazonas; Hélio Costa (PMDB-MG), que saiu do Ministério das Comunicações e disputará o governo de Minas Gerais; e Leomar Quintanilha (PMDB-TO), que deixou a Secretaria de Educação do Tocantins e disputará o Senado.Edison Lobão vai disputar uma cadeira no Senado pelo Maranhão. O Fundo Social do Pré-Sal deverá passar por outras comissões além da CAE e integra um conjunto de quatro proposições que alteram as regras de exploração do petróleo.
Cezar Motta / Agência Senado

Projetos do pré-sal recebem 80 emendas no Senado

Os quatro projetos enviados ao Congresso Nacional pelo governo para criar um marco regulatório para exploração do petróleo da camada pré-sal receberam, no Senado Federal, 80 emendas, ao todo. Foi o que informou, na quarta-feira (31), o senador Mão Santa (PSC-PI), que presidia a sessão plenária. Encerrou-se na quarta-feira (31/03) o prazo para apresentação de emendas aos projetos junto à Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), que centralizou o recebimento das propostas de alteração. O projeto que recebeu mais sugestões de modificação foi o polêmico Projeto de Lei da Câmara 16/10, que institui novas regras para distribuição dos royalties do petróleo e cria o regime de partilha para exploração dos recursos do pré-sal. A matéria é alvo de 54 emendas. O projeto tem provocado intensos debates não só no Congresso, mas em todo o país, porque o texto aprovado pela Câmara dos Deputados, acrescido da chamada "Emenda Ibsen", determina que os royalties do petróleo - inclusive de áreas já licitadas - sejam distribuídos por todas as unidades federativas de acordo com os critérios dos Fundos de Participação dos Estados (FPE) e dos Municípios (FPM). A "Emenda Ibsen" foi sentida como prejudicial por estados e municípios produtores, e gerou o que alguns parlamentares e analistas consideram uma ameaça de "crise federativa". As emendas dão uma medida da disputa pelos royalties. Das 51 já disponibilizadas no portal do Senado até o início da noite desta quarta-feira, 19 haviam sido apresentadas por parlamentares de estados produtores e 32 por representantes de estados não-produtores. Já o PLC 7/10 recebeu 12 emendas - quatro delas apresentadas pela senadora Marina Silva (PV-AC) e duas pelo senador José Nery (PSOL-PA). O projeto cria um Fundo Social, a ser formado com recursos da exploração do pré-sal, destinado ao combate à pobreza e ao desenvolvimento da educação, cultura, saúde pública, ciência e tecnologia e combate aos efeitos das mudanças climáticas. O PLC 8/10, que trata da capitalização da Petrobras para a exploração dos campos do pré-sal, por sua vez, recebeu cinco emendas. Último dos quatro projetos enviados pelo governo, o PLC 309/09 recebeu, dentro do prazo regimental (o projeto chegou ao Senado antes dos outros), nove emendas. A proposta cria a Petro-Sal, empresa responsável pela gestão dos contratos de partilha de produção e dos contratos de comercialização do petróleo do pré-sal. As emendas vão à publicação no Diário do Senado e, em seguida, os projetos serão redistribuídos às comissões temáticas, acompanhados das propostas de mudança.
Da Redação / Agência Senado

Veja também:
Jucá diz que projeto que trata dos 'royalties' do petróleo deve ser votado depois das eleições

Comissões devem realizar debate conjunto sobre os quatro projetos

Comissão ouve Jobim sobre direitos humanos e compra de caças

A Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional realiza audiência pública na quarta-feira (7) com a presença do ministro da Defesa, Nelson Jobim, para discutir o 3º Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3) e o relatório da Força Aérea Brasileira (FAB) sobre a aquisição de caças. O debate sobre os direitos humanos foi proposto pelo deputado Raul Jungmann (PPS-PE), e o debate sobre os caças, pelo deputado William Woo (PPS-SP). Jungmann lembrou que a aprovação PNDH pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no fim do ano passado, provocou desentendimentos no governo. “A imprensa noticiou que o ministro da Defesa e os comandantes das três Forças teriam entregue seus cargos ao presidente da República por considerarem o programa ofensivo à dignidade e à história das Forças Armadas”, disse Jungmann. Quantos aos caças, a imprensa informou que a Aeronáutica reavaliou sua posição inicial, que foi favorável aos suecos Gripen. Considerando a estratégia de defesa nacional, o relatório da FAB indicaria que os caças franceses Rafale representam a proposta mais consistente. "O detalhamento do relatório técnico da FAB sobre os parâmetros que estão sendo considerados na avaliação dos militares é de suma importância para a transparência no processo de compra das aeronaves", argumentou Woo.
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Projeto que isenta do IR aposentados com diabetes melito passa na CAS


O projeto de lei que isenta do Imposto de Renda os aposentados com diabetes melito foi aprovado nesta quarta-feira (31) pela Comissão de Assuntos Sociais do Senado (CAS). A medida também se estende aos militares reformados que tiverem a doença. O projeto ainda terá de ser votado na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado (CAE). Se também for aprovado nessa comissão, será então enviado à Câmara dos Deputados. Esse projeto (PLS 242/09) foi apresentado no ano passado pelo senador Roberto Cavalcanti (PRB-PB). Ele ressalta que a diabetes afeta hoje muitos brasileiros e se tornou um problema de saúde pública em âmbito internacional. O relator da matéria, senador Paulo Duque (PMDB-RJ), reiterou esses argumentos. Em seu relatório, ele afirma que no Brasil há cerca de 15 milhões de pessoas com a doença, e lembrou que a forma mais comum de diabetes no país é a do tipo 2.
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Senadores querem mais debate sobre PEC que restabelece adicional por tempo de serviço para magistrados

A proposta de emenda à Constituição (PEC) que restabelece o adicional por tempo de serviço como componente da remuneração dos magistrados e dos integrantes do Ministério Público poderá ser examinada por um grupo de senadores da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) antes de ser incluída na pauta do colegiado. A gratificação por tempo de serviço foi extinta em 1999 por medida provisória. A PEC 21/08, que tem como primeiro signatário o senador Alvaro Dias (PSDB-PR), determina que não serão computadas, para efeito do limite remuneratório constitucional, as parcelas de caráter indenizatório e o adicional por tempo de serviço, até o limite de 35% do valor do subsídio da magistratura e do Ministério Público. O senador remete para lei complementar a regulamentação desse adicional.
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CCT aprova novo fundo para telecomunicações

Os prestadores de serviços de telecomunicações e os fabricantes de equipamentos para o setor poderão receber apoio financeiro do Fundo de Investimentos em Telecomunicações (Fitel). A criação desse novo fundo está prevista no Projeto de Lei do Senado 6/10, de autoria do senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), que recebeu, nesta quarta-feira (31), parecer favorável da Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT). O projeto ainda será examinado, em decisão terminativa, pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). De acordo com o autor da proposta, que também é presidente da CCT, o objetivo do projeto é o de "redistribuir os tributos associados a fundos setoriais já existentes". Em sua opinião, a arrecadação do atual Fundo de Fiscalização das Telecomunicações (Fistel) está superdimensionada - em aproximadamente R$ 1,5 bilhão - em relação à sua finalidade.
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Senado discute formação de preços de obras públicas

Os parâmetros de preços utilizados para as obras públicas serão discutidos em duas audiências na Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA), a requerimento do senador Jefferson Praia (PDT-AM). O primeiro debate acontecerá nesta terça-feira (6), às 9h30, e o segundo na terça-feira da próxima semana (13), no mesmo horário. Nas audiências, os senadores discutirão com especialistas as principais metodologias utilizadas no âmbito de formação de preços. Entre os procedimentos mais utilizados estão o Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (Sinapi), utilizado pela Caixa Econômica Federal, e o Sistema de Custos Rodoviários (Sicro), adotado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).
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Comissão vota criação de prontuário eletrônico para pacientes do SUS

O primeiro projeto na agenda de 20 itens da Comissão de Assuntos Sociais do Senado (CAS), que se reúne quarta-feira (07), prevê o uso de prontuário eletrônico para pacientes do Sistema Único de Saúde - SUS. Esse projeto (PLS 474/08) também exige que o SUS crie um cadastro nacional com dados de usuários, profissionais do setor e unidades de saúde, sejam públicas ou privadas. Por meio desse cadastro, tanto os pacientes como os profissionais poderão usar a internet para ter acesso a uma série de informações. A proposta ressalta, porém, que o cadastramento e o acesso aos dados devem "assegurar a privacidade e a confidencialidade da informação de saúde dos cidadãos". Além disso, o texto - apresentado em 2008 pela então senadora Roseana Sarney - estende as suas medidas, "no que couber", às operadoras de planos de saúde e a seus beneficiários. A relatora da matéria é a senadora Rosalba Ciarlini (DEM-RN), presidente da CAS.
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Comissão especial da dívida ativa da União examina requerimentos

A Comissão EspecialComissão temporária criada para examinar e dar parecer sobre projetos que envolvam matéria de competência de mais de três comissões de mérito. Em vez de tramitar pelas comissões temáticas, o projeto é analisado apenas pela comissão especial. Se aprovado nessa comissão, segue para o Senado, para o Plenário ou para sanção presidencial, dependendo da tramitação do projeto. sobre a Execução Administrativa da Dívida Ativa da União se reúne na quarta-feira (7) para eleger seus vice-presidentes, definir seu roteiro dos trabalhos e votar requerimentos. A comissão foi criada para analisar quatro projetos de lei: 2412/07, do deputado Regis de Oliveira (PSC-SP), que acaba com a ação de execução fiscal; 5081/09, do Executivo, que amplia as formas extrajudiciais de pagamento de dívidas fiscais; 5080/09, também do Executivo, que regulamenta a cobrança da dívida ativa da União, dos estados, do Distrito Federal e das suas autarquias e fundações de direito público; e 5082/09, do Executivo, que cria a Lei Geral de Transação em Matéria Tributária para permitir a negociação de débitos de empresas em dificuldades. O deputado Jurandil Juarez (PMDB-AP) é o presidente da comissão. O relator é o deputado João Paulo Cunha (PT-SP). A reunião será realizada às 14 horas no Plenário 4.

Íntegra da proposta:
PL-2412/2007
PL-5080/2009
PL-5081/2009
PL-5082/2009
Da Redação/WS

Fique de olho...

DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO

Segunda-feira, 05 de abril de 2010

Destaques nacionais

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
Educação define ocupação das bolsas remanescentes do ProUni 2010

PR
Grupo técnico estuda conveniência de um observatório de alerta sobre desastres

MJ
Prorrogado o registro de propostas para financiamentos de projetos com recursos do Funpen

MS
Anvisa suspende importação, comércio e utilização de implante mamário de gel

MS
Norma fixa procedimentos para o registro de medicamentos fitoterápicos

MMA
Meio Ambiente declara estado de emergência ambiental

MC
Norma técnica estabelece padrões de emissão do sinal de televisão digital

Mais destaques


Seleções e concursos

Colégio Pedro II promove concurso para magistérios básico, técnico e tecnológico

UFABC divulga editais de concursos para variados campos do magistério

Universidade Fed. do Pará realiza seleção para carreira de docentes

Mais concursos

domingo, 4 de abril de 2010

“Contaminação” radioativa das águas de Caetité: cadê o Greenpeace?

Nilder Costa

(Alerta em Rede) – Em clara e direta nota técnica, a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEM) afirma de forma incisiva que os níveis de radiação nas águas da região de Caetité, na Bahia, não justificam o fechamento de alguns poços de abastecimento de água, como determinado pelo Instituto de Gestão de Águas da Bahia (INGA), em janeiro passado, sem levar em conta a portaria do Ministério da Saúde que, em casos de concentrações mais elevadas de urânio devem ser aplicados os valores estabelecidos pela CNEN. [1]
Os resultados das análises demonstram que as doses de radiação encontradas na região estão abaixo da Norma CNEN NN 3.01 para exposição pública, não havendo perigo para a população local.

A nota explica uma das causas da “confusão”: [2]

“O fechamento dos poços executados pelo INGA na região de Caetité foi feito com base na Portaria 518 de 25/3/2004 do Ministério da Saúde que preconiza que medidas de alfa e beta total sejam utilizadas como medidas de screening (que pode ser traduzido livremente como “primeira avaliação”) para avaliar riscos radiológicos para fins de potabilidade de água. A portaria MS 518/2004 que estabelece que:

'A água potável deve estar em conformidade com o padrão de radioatividade expresso na tabela 4 (Radioatividade alfa global: valor máximo permitido 0,1 Bq/L e Radioatividade beta total:VPM=1,0 Bq/L).Se os valores encontrados forem superiores ao VMP, deverá ser feita a identificação dos radionuclídeos presentes e a medida das concentrações respectivas. Nesses casos, deverão ser aplicados, para os radionuclídeos encontrados os valores estabelecidos pela legislação pertinente da Comissão Nacional de Energia Nuclear - CNEN, para se concluir sobre a potabilidade da água.'"

E, adiante,

“Esta Portaria foi baseada nas Recomendações para a qualidade da água potável, 2ª edição, 1993, da Organização Mundial de Saúde. A nova edição deste documento Recomendações para a qualidade da água potável, 3ª edição, 2004, reviu os valores da edição de 1993, aumentando para: Radioatividade alfa global: valor máximo permitido 0,5 Bq/L, ou seja, 5 vezes o valor anterior e superior (ou igual) à média histórica da maioria dos poços de Caetité (incluindo os poços de abastecimento fechados pelo INGA)."
Ao final, a nota da Cnen diz entender que “as medidas tomadas pela INGA tiveram como base o princípio da precaução, buscando evitar que a população viesse a se expor à radiação de forma inadvertida”, mas todas as informações e recomendações da OMS já eram de domínio público desde 2004. Em outras palavras, o INGA preferiu seguir as “recomendações” desestabilizadoras do Greenpeace e caterva (que visam atingir a exploração de urânio na região pela Indústrias Nucleares do Brasil (INB)) e não as das autoridades competentes e idôneas, submetendo assim a população local a sacrifícios desnecessários, restando-lhe agora a pergunta: cadê o Greenpeace?

Notas:
[1]CNEN: não há motivo para fechar poços em Caetité, Jornal da Energia, 25/03/2010
[2]“Nota de Esclarecimento a respeito das concentrações de urânio encontradas nas águas subterrâneas na região de Caetité/BA”, CNEN, 19/03/2010

José Sarney

A paixão segundo a infância

Para mim, a palavra felicidade está associada à infância. É quando descobrimos o mundo e a beleza explode na descoberta das cores, da luz, do céu, das nuvens que caminham, das árvores, das águas e das flores. Tudo são formas que nascem a nossos olhos e conhecemos, pela primeira vez, o sentimento de amor que pousa no carinho de nossas mães. Vem o canto dos pássaros, o voo das andorinhas, o descobrir os bichos e tudo é revelação. Depois, a infância é o tempo da estreita amizade com Deus, o menino Jesus é nosso companheiro, colega e cúmplice em nossas travessuras. Não chegaram as preocupações e dúvidas que nos darão o saibo da amargura de viver, que fica sempre com uma parte dos nossos anos, embora Aristóteles tenha afirmado que "o homem é o que de mais excelente existe no cosmo". Petrônio, no aforismo de sua duvidosa autoria, diz que "primeiro o medo criou Deus". Deus criou a minha infância. Ele era a sombra que eu sabia ter me dado a vida e me assegurava a eternidade que naqueles tempos não era o céu prometido, mas o paraíso que ele me dera para viver: a Terra. A casa do meu avô, o engenho, os campos verdes, os sons dos sinos tocando nas alegrias, até que com os anos a vida passasse a ter o cheiro azedo da garapa. Meu Jesus Cristinho morava na minha cidade de São Bento, onde despertei para a vida. Ele estava na igreja entre as colunas pintadas imitando mármore. Nos tempos da paixão, eu chorava com a revelação de que homens maus o tinham crucificado, pregado na cruz, trespassado por lança e Judas o traíra. O tempo da Quaresma era a oração e o silêncio em que os nossos jogos e sorrisos não podiam ser exuberantes porque Jesus iria morrer. A procissão do encontro, o Bom Jesus da Cana Verde, o lava-pés, o canto da Verônica e as estações da paixão. Tudo tinha um sentido misterioso onde a razão não entrava, só a emoção. A igreja governava as nossas referências, o domingo, as ladai-nhas, o rosário, as nossas súplicas e conversas com Deus. Mi-nha mãe nos ensinava tudo sobre o segredo da vida, do céu e da terra, a paixão e a morte de Jesus. Eu esperava ansioso pela ressurreição, o coro em que nós cantávamos nas aleluias: "Jesus já não morre mais/ prostrai-vos, ó mortais/ junto aos céus eternais/ celebrai o rei da glória". E os carrilhões a toda força anunciavam a ressurreição, a da expressão de são Paulo, que afirmava: "sem ressurreição, não há cristianismo". Toda Sexta-Feira Santa é para mim plena da restauração da infância. E, como diz são João, "Jesus amou os homens até o fim". Aleluia.


José Sarney foi governador, deputado e senador pelo Maranhão, presidente da República, senador do Amapá por três mandatos consecutivos, presidente do Senado Federal por três vezes. Tudo isso, sempre eleito. São 55 anos de vida pública. É também acadêmico da Academia Brasileira de Letras (desde 1981) e da Academia das Ciências de Lisboa

jose-sarney@uol.com.br<>

Operação Shaolin vai ampliar lista de suspeitos de participação no suposto esquema de corrupção

Polícia encontra indícios da existência de novos focos de desvio de verbas do Programa Segundo Tempo
Lilian Tahan - Correio Braziliense

Organizada para deter o desvio de dinheiro enviado pela União com a função de bancar no Distrito Federal o Programa Segundo Tempo do Ministério do Esporte, a Operação Shaolin, da Polícia Civil e do Ministério Público do DF, vai ampliar a lista de suspeitos de participação no suposto esquema de corrupção. Até agora cinco pessoas vinculadas a duas entidades não governamentais ligadas ao Kung Fu estão presas na Divisão Especial de Combate ao Crime Organizado (Deco). Os primeiros depoimentos prestados pelos supostos envolvidos aumentaram a desconfiança dos policiais sobre a existência de outros focos do esquema na capital.Quatro das cinco pessoas presas na manhã da última quinta-feira já foram ouvidas. A direção da Polícia Civil organizou uma força-tarefa para que elas prestassem depoimento no mesmo dia da detenção. Cinco delegados aplicaram uma espécie de questionário, com perguntas padronizadas, aos acusados. A partir das respostas, a polícia encontrou indícios de que mais entidades parceiras do governo federal possam agir de má-fé no DF. A dúvida deve motivar novos mandados de busca e apreensão nos próximos dias. E, muito provavelmente, resultar na prisão de outras pessoas.Um dos depoimentos mais importantes, no entanto, o do policial militar João Dias Ferreira de Faria, ficou marcado para a próxima segunda-feira. Ele é apontado como o líder do esquema de desvio de dinheiro. Segundo as investigações, o PM teria utilizado 49 notas frias para justificar o gasto de R$ 1,99 milhão. Os documentos emitidos pelas empresas Infinita Serviços Gerais Ltda. e JG Comércio de Alimentos Preparados e Serviços Gerais Ltda. estavam em favor das duas entidades lideradas por João Dias. Na qualidade de administrador das empresas, Miguel Santos Souza também está preso. Além dele, Demis Demétrios Dias de Abreu, Flávio Lima Carmos e Eduardo Pereira Tomaz estão encarcerados na Deco.

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Israel diz: "me segurem!"

Por Uri Avnery, Gush Shalom (Bloco da Paz), Israel
Tradução: Caia Fittipaldi

“Me segurem!” é história que todos conhecem da infância. Os meninos, quando se desentendiam com meninos maiores, sempre fingiam que tentavam conter-se para não atacar o grandão, e gritavam para a rodinha em volta: “Me segurem! Me segurem… Ou eu mato esse cara!”
Israel vive hoje situação semelhante. Israel está fingindo que atacará o Irã a qualquer momento e grita para o planeta: “Me segurem ou…” E o mundo, de fato, tem segurado Israel.
É arriscado profetizar nesses assuntos, sobretudo porque se tem de lidar com gente nem sempre inteligente e nem sempre, digamos mentalmente sã. Mesmo assim, arrisco: não há qualquer possibilidade, de nenhum tipo e por seja qual for o cálculo, de Israel mandar seus aviões atacarem o Irã.
Não vou entrar em assuntos militares. Mas… será que a Força Aérea de Israel é capaz de executar tal operação? As circunstâncias de hoje são semelhantes às de há 28 anos, quando Israel conseguiu destruir o reator iraquiano? Será que Israel conseguirá destruir o esforço nuclear iraniano, cujas instalações são dispersas num vasto território e enterradas fundo no subsolo?
Interessa-me focar outro aspecto: será que o ataque ao Irã é politicamente viável? E levará a que consequências?
Em primeiro lugar, uma regra de base, na realidade israelense: o Estado de Israel não pode iniciar nenhuma operação militar de larga escala sem que os norte-americanos concordem.
Israel depende dos EUA em praticamente todos os campos e esferas, mas em nenhum campo ou esfera depende mais do que nos campos e esferas e assuntos bélicos e militares.
Todos os aviões necessários para a missão são fornecidos pelos EUA. O funcionamento e a operação dos aviões dependem de os EUA fornecerem peças de reposição. E seria absolutamente indispensável usar os aviões-tanques dos EUA para reabastecimento.
O mesmo se pode dizer de praticamente todas as armas e materiais de guerra do exército de Israel, além do dinheiro indispensável para comprá-los: tudo vem dos EUA.

Em 1956, Israel entrou em guerra sem o consentimento dos EUA. Ben-Gurion imaginou que bastaria acertar-se com o Reino Unido e a França. Errou imensamente. Cem horas depois de anunciar que “O Terceiro Reino de Israel” estava nascendo, anunciou com voz alquebrada que se retiraria de todos os territórios que acabava de ‘conquistar’. O presidente Dwight Eisenhower e seu colega soviético obrigaram Ben-Gurion a recuar, e foi o fim daquela aventura.
Desde então, Israel nunca mais iniciou guerra alguma sem, antes, obter autorização de Washington. Na véspera da Guerra dos Seis Dias, Israel enviou emissário especial aos EUA, para não haver qualquer dúvida quanto à autorização dos norte-americanos. O emissário recebeu luz verde dos norte-americanos e o ataque foi iniciado.
Às vésperas da Primeira Guerra do Líbano, Ariel Sharon, ministro da Defesa, correu a Washington para pedir autorização para atacar. Encontrou-se com o secretário de Estado Alexander Haig, que concordou com o ataque, mas exigiu que Israel só atacasse se fosse claramente provocado. Alguns dias depois, por coincidência, houve um atentado contra a vida do embaixador de Israel em Londres. E a guerra começou.
Os ataques do exército de Israel ao Hizbollah (“Segunda Guerra do Líbano”, como é chamada) e ao Hamás (a operação “Chumbo Derretido”) só foram possíveis porque foram operações incluídas na campanha dos EUA contra o “Islã Radical”. À primeira vista, o mesmo argumento aplicar-se-ia a um ataque ao Irã, mas… Não. Não. Não, porque um ataque de Israel ao Irã seria desastre militar, econômico e político para os EUA.
Dado que os iranianos também sabem muito bem que Israel não pode atacar sem que os EUA autorizem, os iranianos estão também jogando o seu jogo e reagirão de acordo com as circunstâncias.
Já escrevi aqui, que basta um rápido exame do mapa, para ver qual seria a reação imediata, se o Irã fosse atacado. O pequeno Estreito de Hormuz, à entrada do Golfo Persa (ou Árabe), pelo qual passa quantidade imensa do petróleo do mundo, seria fechado em questão de minutos. O resultado abalaria a economia mundial, dos EUA e Europa à China e Japão. Os preços chegariam às alturas. Países que hoje, a duras penas, começam a recuperar-se da última crise econômica mundial, afundariam na miséria, no desemprego, nos tumultos de rua e na bancarrota.
O Estreito só poderia ser reaberto por ataque por terra. Os EUA simplesmente não têm soldados para desperdiçar nesse tipo de operação – ainda que a opinião pública norte-americana aceitasse outra guerra, e guerra muito mais difícil do que no Iraque ou no Afeganistão, o que é improvável. Duvido até que os EUA se dispusessem a ajudar Israel a defender-se do inevitável contra-ataque por mísseis iranianos.
Qualquer ataque israelense a país islâmico central uniria o mundo islâmico, inclusive todo o mundo árabe. Os EUA passaram os últimos anos labutando muito para formar uma coalizão de países árabes “moderados” (quer dizer, de países árabes governados por ditadores sustentados pelos EUA), contra os Estados ditos “radicais”. Todo esse trabalho iria imediatamente pelo ralo. Nenhum líder árabe conseguiria manter-se neutro, se as massas fossem para as ruas exigindo ação.
Tudo isso é perfeitamente evidente para qualquer pessoa bem informada, e é super evidente para os líderes civis e militares norte-americanos. Secretários, generais e almirantes já foram enviados a Israel para explicar tudo isso aos líderes de Israel, em língua de jardim de infância: Não! No! Nyet!
Assim sendo, por que a opção militar ainda não foi excluída da mesa de discussões? Porque EUA e Israel gostam de tê-la ali, à vista, sobre a mesa.
Os EUA gostam de aparecer como a única força capaz de conter os ferozes Rottweilers israelenses. Assim, todas as demais potências são pressionadas a impor sanções ao Irã. Se alguém não concordar, ali estão os furiosos cães israelenses, sempre a um passo de escapar da coleira. Imaginem o que acontecerá!
E que sanções? Já há algum tempo, não há palavra mais aterrorizante do que essa – “sanções” – no palco das discussões internacionais. Mas se pensarmos um pouco, logo se verá que há mais fumaça que fogo.
Alguns comandantes da Guarda Revolucionária talvez sejam feridos, a economia iraniana talvez sofra algum dano colateral. Mas já ninguém cogita de aplicar “sanções que paralisarão o Irã”, porque não há qualquer chance de Rússia e China concordarem. São dois parceiros do Irã, e “sanções que paralisem o Irã” atingiriam também russos e chineses.
Além disso, a possibilidade de essas sanções interromperem a construção de alguma bomba é mínima; sequer conseguirão retardar o processo. Do ponto de vista dos aiatolás, o esforço nuclear é imperativo de segurança nacional – país sem bomba atômica não tem como defender-se da ameaça norte-americana. Dado que os EUA jamais desistiram de tentar derrubar o regime dos aiatolás, nenhum governo iraniano pensaria diferente. Sobretudo durante o último século, norte-americanos e britânicos jamais agiram de outro modo. As negativas do Irã são perfunctórias. Segundo todos os relatos, até os mais extremistas opositores de Mahmoud Ahmadinejad apóiam o projeto da bomba atômica iraniana e o defenderão se for atacado.
Nesse ponto, a liderança israelense tem razão: nada impedirá o Irã de construir sua bomba, exceto o emprego massivo de força militar. “Sanções” são brincadeiras de criança. O governo dos EUA fala delas em termos tão empolgados, apenas para encobrir a evidência de que nem todo o exército dos EUA pode impedir os iranianos de ter sua bomba.
Quando Netanyahu & Co. criticam a falta de habilidade dos EUA para enfrentar o Irã, os norte-americanos lhe respondem na mesma toada: vocês também não merecem confiança.
De fato, que confiança mereceriam os políticos e militares israelenses? Eles mesmos convenceram a opinião pública em Israel de que o Irã seria questão de vida ou morte para Israel. Que o Irã seria governado por um neo-Hitler, antissemita doente, obcecado negador do Holocausto. Se esse demônio construir uma bomba atômica, não hesitará em lançá-la sobre Telavive e Dimona. Com essa espada sobre as cabeças israelenses, não há tempo a perder, nenhum outro assunto merece atenção – por exemplo, a questão palestina e a ocupação da Palestina.
Assim, quem quer que, hoje, insista em discutir a questão palestina no governo de Netanyahu, é imediatamente interrompido: “Que Palestina? Esqueçam isso! Nosso problema é a bomba atômica iraniana!”

Até agora, Obama e sua equipe têm conseguido inverter a argumentação de Netanyahu: se há alguma ameaça existencial contra Israel, dizem eles, basta raciocinar. Se a questão das construções ameaça a própria existência de Israel, é simples: entreguem as colônias da Cisjordânia… E salvem a existência de Israel. Aceitem a proposta da Liga Árabe, façam a paz com os palestinos, e o mais rapidamente possível. Esse movimento de Israel fará melhorar a posição dos EUA no Iraque e no Afeganistão e liberará nossos soldados. O Irã ficará com um motivo a menos para fazer guerra contra Israel! As massas no mundo árabe terão um motivo a menos para apoiar o Irã!
E os EUA concluem: Se um novo quarteirão exclusivo para judeus em Jerusalém Leste é mais importante para Israel do que a bomba iraniana… A bomba iraniana, evidentemente, é realmente muito menos preocupante, para Israel, do que Netanyahu vive dizendo! Cá entre nós, modestamente, eu também acho: a bomba iraniana, de fato, não é problema.
Há dois dias, a jornalista correspondente do Channel 2, muito popular em Israel, telefonou-me e perguntou, com voz chocada: “É verdade que você deu uma entrevista a uma agência iraniana de notícias?!”
“É verdade”, respondi. A agência mandou-me algumas perguntas por e-mail, sobre a situação política; e respondi por e-mail. “Por que você respondeu?!” – ela perguntou-acusou. “E por que não responderia?!”, disse eu. E a conversa acabou ali.
De fato, por que não? Sim, Ahmadinejad é líder repulsivo. Espero que os iranianos livrem-se dele e deve-se esperar que aconteça logo. Mas as relações entre Israel e o Irã não dependem de Ahmadinejad, seja quem for.
Israel e Irã sempre foram nações amigas, do tempo de Ciro ao tempo de Khomeini (a quem Israel forneceu armas, na guerra contra o Iraque).
Na Israel de hoje, o Irã está sendo apresentado como caricatura; como país primitivo, louco, sem outra coisa na cabeça além da obsessão de destruir o Estado sionista. Mas basta ler alguns bons livros sobre o Irã (recomendaria “Understanding Iran”, William Roe Polk, Harper: EUA, 2009 [1]), para conhecer um dos países civilizados mais antigos do mundo, onde nasceram vários grandes impérios e que tem impressionante contribuição para a cultura humana, uma tradição antiga e honrada. Para muitos especialistas, a religião dos judeus foi profundamente influenciada pelos ensinamentos éticos de Zoroastro (Zaratustra).
Sejam quais forem os desmandos de Ahmadinejad, os clérigos islâmicos, que governam realmente o país, têm implantado e mantido políticas cautelosas e sóbrias, e jamais atacaram qualquer outra nação. Têm interesses, é claro, mas Israel não é assunto que interesse ao Irã. A ideia de que os iranianos sacrificariam o próprio país e seus cidadãos, para destruir Israel é, no mínimo, ridícula.
A simples verdade é que não há meios de impedir que os iranianos alcancem sua bomba atômica. Melhor, portanto, pensar com seriedade sobre o mundo com a bomba iraniana: não se alterará o ‘equilíbrio nuclear’ no campo do terrorismo, como o que sempre houve entre Índia e Paquistão; mas o Irã será elevado à categoria de potência regional; e será indispensável iniciar diálogo racional e sóbrio que inclua o Irã.
A principal conclusão, contudo, é a seguinte: é preciso fazer a paz entre Israel e os palestinos, porque assim de esvaziará o argumento iraniano, de que precisa da bomba para proteger-se contra os israelenses, algozes dos palestinos.

Este artigo foi publicado, em inglês, na página do Jornal Gush Shalom – Uri Avnery’s Column
Nota de tradução[1]:

Há interessante “Carta aberta ao presidente Obama”, de outubro de 2009, do mesmo autor e sobre o mesmo assunto, em aqui (traduzida)
Caricaturas:
http://www.estadoanarquista.org/blog/?p=4973

O original em inglês está em:
http://zope.gush-shalom.org/home/en/channels/avnery/1270319001/

Segundo Vox Populi, Dilma confirma empate com Serra, mas Band teima em disfarçar que o tucanoide se mantém... Confira como o verme do Casoy ficou...

O Vox Populi desmascarou a pesquisa-propaganda do DataFolha e confirmou o que vinha demonstrando todos os outros institutos: Dilma está em empate técnico com o enxacoco José Serra. A pesquisa foi divulgada neste sábado. Encomendada pela Rede Bandeirantes, mostra o ex-governador de São Paulo e pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, com 34% das intenções de voto contra 31% da ex-ministra da Casa Civil Dilma Rousseff, pré-candidata do PT.

Como a margem de erro da pesquisa é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos, a pesquisa confirmou o empate técnico entre os dois candidatos. Ciro Gomes, do PSB, aparece em terceiro lugar, com 10% que, mais tarde, com certeza, pertencerão à Dilma. Marina Silva, candidata da oligarquia britânica, está com 5% de alienados. Não quiseram ou não souberam responder somam 13%, enquanto votos nulos e brancos contabilizam 7%. Dilma vem arrombando a festa nas últimas três pesquisas divulgadas pelo Vox Populi. Em novembro do ano passado, Serra tinha 36% das intenções de voto e Dilma 19%. Em janeiro, Serra registrou 34% e Dilma atingiu 27%.

sábado, 3 de abril de 2010

Do "Conversa Afiada", do Paulo Henrique Amorim

Folha(*) critica perguntas da pesquisa Vox Populi


O Conversa Afiada reproduz o comentário do amigo navegante Marco Antonio R Pires:Zé Alagão está em campanha com a Folha (*) da província de SP

Zé Alagão está em campanha com a Folha (*) da província de SP


Enviado em 03/04/2010 às 10:12

Agora eles já estão dando desculpa em relação a pesquisa datafolha. Encontraram defeito na pesquisa Vox Populi que não foi nem divulgada ainda.
Painel da FSP – 03/04

“Prancheta 1. Chama a atenção, no questionário de pesquisa Vox Populi sobre a sucessão presidencial com campo em 30 e 31 de março, a inclusão de pergunta relativa aos cargos que os candidatos já ocuparam, quebrando o fluxo das respostas espontânea e estimulada sobre intenção de voto. Esse tipo de procedimento é conhecido por distorcer resultados.

Prancheta 2. Para completar, as opções diante do nome de José Serra (PSDB) estão incompletas. Há apenas “governador” e “governador de São Paulo”.

Clique aqui para ler.


(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que avacalha o Presidente Lula por causa de um comercial de TV; que publica artigo sórdido de ex-militante do PT; e que é o que é, porque o dono é o que é ; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

Helio Fernandes

De dentro da TV Globo, seu editor de Economia desmonta a poderosa rede. Conta tudo o que aconteceu em 1982 e 1989, não esquece ou esconde um detalhe, explica simplesmente “É O QUE VI E OUVI”

Foi muito. E foi quase tudo. E Paulo Henrique Amorim não precisou se movimentar apressadamente, como ele mesmo afirmou, VIA E OUVIA. Naquele tempo, os espaços da TV Globo não eram tão grandes assim. Portanto, chegando simplesmente para trabalhar, já estava no meio da fogueira que os insensatos acendiam e não conseguiam apagar.
Sempre lutei (ou tentei) ser bem informado, em todos os setores ou lugares. Mas a narrativa feita por Paulo Henrique Amorim, que nos foi enviada por Marcos Vinicius, tem a vantagem de quem VÊ E OUVE de dentro da própria fortaleza, e tem a qualidade e a independência de mostrar como tudo se passou.
Mas ele não se preocupa apenas em descer Armando Nogueira do altar em que tentaram colocá-lo (leia-se; “endeusá-lo e canonizá-lo”), mas contesta a própria TV Globo, que permitiu e “construiu” todo o clima das duas datas.
A TV Globo surgiu de uma aliança ILEGÍTIMA com a Time-Life, cresceu com a “compra” da TV Paulista de quem nunca foi dono de nada, e até hoje os verdadeiros proprietários lutam da Justiça tentando reaver seus direitos sobre a emissora. A TV Globo era tão aproveitadora que lançou o Jornal Nacional nunca época que nem tinha rede, o nome surgiu por causa do Banco Nacional.
Dentro e fora da Globo o fato era ridicularizado, até hoje a organização deve royalties à família do dono do Nacional, depois governador, ministro e candidato a presidente.
Desculpem, não vou repetir o que Paulo Henrique Amorim conta com impressionantes minúcias, detalhes e conhecimento. Peço apenas que leiam, releiam e comentem o que ele revelou, denunciou, mostrou de forma irrespondível.
Se puderem, não deixem de ler o blog (ou site) do Eliakim Araújo, que trabalhou na Globo nos tempos em que estes fatos aconteceram. (Agora, ele e a mulher, há muitos anos nos EUA, fazem programa de grande sucesso). Não deixou de entrar no assunto, afinal foi personagem de muita coisa, conheceu muito bem a TV Globo e Armando Nogueira, sabe a parte que cabe a cada um nesse latifúndio.


1 – “Armando Nogueira não foi demitido em 1982, foi diminuído”.
2 – “Apesar de todas as virtudes do Armando CANTADAS AGORA EM PROSA E VERSO, não dá para esquecer que ele esteve à frente do jornalismo mais comprometido do Brasil durante os anos da ditadura militar”.
3 – “O Jornal Nacional era considerado o “PORTA-VOZ DO REGIME”. As ordens militares eram obedecidas sem questionamento. Não vi em nenhuma oportunidade, alguma tentativa de desobedecer ou driblar a censura”.
4 – “Entrei na Globo num momento em que o seu jornalismo passava por grave crise de credibilidade, carros eram ameaçados nas ruas pela própria população”.
5 – “A TV Globo não se livrava da acusação de tentar fraudar a eleição de Brizola para dar a vitória a Moreira Franco”.
6 – “Em 1984, no episódio das DIRETAS, JÁ, onde atuei como off no comício da Candelária, a TV Globo ignorava completamente os movimentos populares que cresciam em todo o país”.
7 – “Mas para a direção da TV Globo, não bastava ignorar o movimento popular, era PROIBIDO usar as DIRETAS mesmo como notícia”.
8 – “Em 1989, segundo e último debate entre Collor-Lula, eu estava representando a Manchete. Havia deixado a Globo. Era visível que Lula estava abatido, cansado”.
9 – Armando Nogueira esteve à frente do jornalismo da Globo, em todos os episódios nebulosos que contei com absoluta fidelidade”.
Era lógico, claro e mais do que evidente, que Roberto Marinho humilhava Armando Nogueira, mas este se deixava gostosamente humilhar e manipular, para gozar seus 15 minutos de fama. Infelizmente, esses 15 minutos chegaram tarde, muito tarde, e rigorosamente mentirosos, a bravura do elogio fácil e enganador.

***

PS – De 1982 a 1989, Armando Nogueira ficou na Globo, HUMILHADO E OFENDIDO, embora não soubesse quem era Dostoievski.

PS2 – Sete anos de pastor, Jacob serviu Labão, pai de Rachel, serena e bela. Mas não servia ao pai, servia a ela. (No texto bíblico, se trocarem os nomes e introduzirem Armando Nogueira e Roberto Marinho, nenhuma violência ou reticência).

PS3 – Como não há nada pessoal, Armando Nogueira não conseguiu serCANONIZADO, mas mandou para o inferno o “jornalismo” da TV Globo. Nem o título era original, pertencia a um banco.

PS4 – A TV Globo botava banca, subserviente a um banco. Isso ficará (e é mesmo) para sempre inesquecível.

Tribuna da Imprensa

Argemiro Ferreira


A Globo e a ditadura militar, segundo Walter Clark

Ainda que não tivesse sido esse o objetivo de sua autobiografia, na qual relatou há 19 anos a incrível trajetória que o transformara no todo-poderoso senhor, por mais de uma década, da quarta rede comercial de televisão do mundo, Walter Clark acabou por oferecer no livro – O Campeão de Audiência (veja a capa abaixo), que teve o jornalista Gabriel Priolli como co-autor, Editora Best Seller, 1991 – uma contribuição importante para a compreensão das relações muito especiais entre a TV Globo e o regime militar à sombra do qual floresceu. Além de rejeitar a conhecida imagem da emissora como uma espécie de porta-voz do “Brasil Grande” do ditador Médici, ele garantia nunca ter visto Roberto Marinho (foto no alto, da capa do livro promocional assinado por seu empregado Pedro Bial), “se humilhar diante de quem quer que fosse, milico ou não, presidente da República ou não. Ao contrário, é uma altivez que fica sempre no limite da arrogância.”

Clark referia-se à suposta independência do dono da Globo por “manter em torno de si homens de esquerda em cargos importantes” (citava Franklin de Oliveira, Evandro Carlos de Andrade e Henrique Caban) – inclusive depois que o SNI ampliou a pressão contra os dois últimos, com acusações contidas numa fita de vídeo que o dono da Globo fora convocado a assistir em companhia de Clark e Armando Nogueira. Explicitamente, admitia apenas que o regime “incomodava” a Globo, que enfrentou “o mesmo gosto amargo da censura, das intimidações, das impossibilidades que todo mundo sentiu: imprensa, rádio, televisão, as artes, a universidade, a cultura”. Claramente na defensiva, o autor mostrava-se ressentido com os que o culpavam – na própria Globo, e mais até do que Marinho – pela submissão ao regime militar. Mas ao passar das opiniões subjetivas aos fatos concretos, acabava por confirmar o que pretendia desmentir: a docilidade das TVs (em particular a sua), em parte resultante do caráter precário das concessões de canais pelo governo, tinha uma longa história e já o atropelara antes, na TV Rio.

Essa emissora, na qual também foi autoridade máxima (com o título nominal de “diretor comercial”), Clark submeteu-se, sem reação, ao assalto dos lacerdistas – liderados pelo empresário Abrahão Medina, fazendo valer a condição de patrocinador de programas – no episódio da tomada do Forte de Copacabana, em 1964. Posteriormente, conseguiu o prodígio de entregar-se tanto ao governo estadual como ao federal, até mesmo depois do desafio do governador Carlos Lacerda (foto à esquerda) ao presidente Castello Branco. Clark confessou ter retirado do ar programas de Carlos Heitor Cony e Roberto Campos para satisfazer o coronel Gustavo Borges, chefe de Polícia do Rio, que o chantageava com a ameaça de mudar o horário da novela O Direito de Nascer, líder de audiência.

Da promiscuidade à cumplicidade

Não por acaso, a experiência da Globo acabaria por extremar a tendência à acomodação, a ponto de Clark contratar um ex-diretor da Censura (“o Otati”) para “ler tudo que ia para o ar” e, pior ainda, uma “assessoria especial” para cortejar o poder, formada pelo general Paiva Chaves, pelo civil linha dura Edgardo Manoel Erickson (“pelego dos milicos”, conforme disse) e mais “uns cinco ou seis funcionários”. O episódio que aparentemente o convenceu a ir tão longe chegava a ser cômico: um certo coronel Lourenço, do Dentel, tinha tirado a estação do ar em 1969, convocando Clark ao ministério da Guerra, porque Ibrahim Sued, na esperança de agradar ao Planalto, divulgara uma intriga plantada pelo grupo do general Jaime Portela, então na conspiração do “governo paralelo” juntamente com d. Yolanda Costa e Silva. Ibrahim foi preso e Clark (ao lado, numa capa da Veja em 1971) aprendeu a lição depois de levar um pito do coronel Athos, “homem de Sílvio Frota”.

Além da pretensa altivez de Marinho, impressionaram Clark a “integridade”, a “honestidade” e o “patriotismo” do general Garrastazu Médici, que depois de 1974 passara a frequentar seu gabinete na Globo para ver futebol aos domingos. Muita gente apanhava e morria nos cárceres da ditadura, mas para ele isso não podia, de forma alguma, ser coisa do ditador Médici: “Tenho a impressão de que ele não se envolveu com nenhum excesso, nenhuma violência do regime”. De quem era, então, a responsabilidade? “Foi coisa dos caras da Segunda Seção do Exército, do SNI, do Cenimar, do Cisa, a turma da segurança. E era tudo na faixa de major, tenente-coronel”. Pronto a absolver os poderosos, frequentadores de seu gabinete (até mesmo o general Ednardo D’Ávila‚ chamado no livro de “figura agradável”), e a condenar apenas o guarda da esquina, obscuro, Clark comete o disparate de afirmar que “a censura e as pressões não eram feitas pelos generais”, mas por “gente como o Augusto”, beque do Vasco que virou agente do DOPS. Mas se era assim, por que submeter-se a eles?

O autor recorreu ainda a outra desculpa para justificar o adesismo e o ufanismo tão escancarados na ocasião pela rede dos Marinho: “A Globo não fazia diferente dos outros”. E mais: “Se o Estadão não conseguia enfrentar o regime, se a Veja não conseguia, como é que a Globo, sendo uma concessão do Estado, conseguiria resistir à censura, às pressões?” O problema, para os críticos de Clark dentro da própria emissora, é que ela, como ele, parecia preferir aquela filosofia de que se o estupro é inevitável só resta relaxar e aproveitar. Daí os comerciais da AERP (Clark alega que foram feitos para evitar uma “Voz do Brasil” na TV, projeto de um certo coronel Aguiar), as coberturas patrióticas de eventos militares(Olimpíadas do Exército e o resto), as baboseiras ufanistas de Amaral Neto (foto à esquerda). “Era o preço que pagávamos para fazer outras coisas”, alegou. Não se deu ao trabalho de explicar que coisas eram essas. E ele mesmo admitiu na autobiografia que o apregoado Padrão Globo de Qualidade “acabou passando por vitrine de um regime com o qual os profissionais da TV Globo jamais concordaram”?

A Globo devia ao regime, como ficou claro no relato de Clark, até mesmo a introdução da TV a cores – imposta pelo ministro das Comunicações, coronel Higino Corsetti, sabe Deus para atender a que lobby multinacional. Mas a intimidade promíscua com o regime foi mais longe, a ponto de compartilhar com o SNI os serviços clandestinos do “despachante” encarregado de liberar contrabandos na Alfândega: para a empresa, equipamentos de TV; para os militares da espionagem oficial, sofisticados aparelhos de escuta ilegal. Graças a isso, Clark podia desfrutar estranhas sessões de lazer como a conversa com um tal general Antônio Marques, pressuroso em exibir foto tirada no escuro de um cinema (com equipamento infravermelho) e identificar o personagem em cena comprometedora como Dom Ivo Lorsheiter, progressista odiado pela linha dura militar.

Para Armando, “uma questão de realismo”

O autor defendeu no livro tudo o que fez para “afagar o regime” (expressão dele) e investiu contra os que o acusavam de “puxar o saco dos militares” (também expressão dele). Para fazer autocensura, revelou, tinha importantes aliados internos, com destaque especial para o papel do diretor de jornalismo, Armando Nogueira. Por “questão de realismo”, por exemplo, Armando e ele tomavam “muito cuidado” para não trombar “com o regime e nem com Roberto Marinho”. Mas o leitor tropeça nas contradições da narrativa, entre elas a ambiguidade em relação ao ex-amigo J. B. (Boni) de Oliveira Sobrinho – acusado de fazer vista grossa quando Dias Gomes e outros enfiavam “coisas nos textos que certamente iam dar problemas”, mas também de cumplicidade com os militares para destruir o próprio Clark (“lá por 1976, Laís, a mulher do Boni, foi me denunciar para o pessoal do SNI, que ela conhecia, dizendo que eu era um toxicômano perigoso”).

Não é preciso inteligência privilegiada para perceber que o jogo de cumplicidade com o regime confundia-se com a luta interna pelo poder dentro da Globo, arbitrada por Marinho e envolvendo não apenas Clark e Boni, mas também o segundo escalão – Joe Wallach (que representou o grupo Time-Life – mais sobre ele AQUI), José Ulisses Alvarez Arce e, em especial, o diretor de jornalismo Armando Nogueira (todos eles estão na sugestiva foto acima). Esse último é pintado no livro como incompetente, preguiçoso e traiçoeiro. Em meio à guerra, as reuniões do conselho de direção nas manhãs de segunda-feira tornaram-se um inferno, em generalizado clima de intriga e discórdia, com todo mundo brigando com todo mundo. O dinheiro farto que todos ganhavam, contou Clark, “era como veneno, especialmente nas mãos das mulheres”. Munidas de talões de cheque, elas estrelavam “um festival de nouveau-richismo, pretensão e falta de educação”. Acusado de consumir drogas, Clark defendeu-se ao encarar a prática como generalizada: “a cocaína era chique nas festas intelecto-sociais, e o seu consumo, bastante disseminado”, mas “resolveram me transformar em drogado”.

Quando Marinho decidiu tomar “o brinquedo de volta” – ou seja, recuperar o controle da Globo, que “tinha emprestado para uns garotos mais moços brincarem” – uma das mãos firmemente agarradas ao tapete de Clark, segundo o livro, foi a do ministro da Justiça, Armando Falcão (na foto abaixo, ao lado do ditador Ernesto Geisel), “tipo deletério, que adorava fazer intrigas, dizer que éramos todos comunistas, drogados, os piores elementos”. No relato aparece um Roberto Marinho bem mais coerente na conspícua (e promíscua) aliança com o regime do que o autor chega a reconhecer explicitamente – tanto que o episódio no qual Clark é afinal defenestrado mistura, de forma reveladora, a disputa pelo poder no regime militar com aquela que se processava na Globo, escancarando as relações perigosas entre o governo e a rede de TV consolidada à sombra do autoritarismo.

O autor nega que o motivo de sua saída tenha sido, como se propalou na época, seu comportamento pessoal pouco ortodoxo (em razão de excessos alcoólicos) numa festinha com poderosos de Brasília. O livro atribuiu a demissão a queda de braço com o regime, que exigia o expurgo na Rede Globo da afiliada paranaense de Paulo Pimentel, político que rompera com o antigo protetor,ministro Ney Braga, e ainda era desafeto do chefe do SNI, general João Baptista Figueiredo, então a caminho da presidência (na foto à esquerda, já ditador, de braço dado com Marinho). Se assim foi, faltou a Clark reconhecer ter sido demitido na primeira vez em que de fato ousava contrariar os donos do poder. “Eu argumentava – escreveu ele – que o governo tinha o poder concedente dos canais de rádio e TV e, se quisesse atingir o Paulo (Pimentel), que cassasse a sua concessão e enfrentasse o desgaste político”. Mas Marinho, pragmático, pensava diferente – talvez sintonizado, naquele sombrio ano de 1977, com o clima incerto gerado por mais uma demonstração de força do regime, o Pacote de Abril.

Até veto de música no festival da canção

Clark nem sequer notou a semelhança desse episódio com tantos outros que marcaram a aliança promíscua da Globo com o poder – e nos quais ela se limitara a acatar a vontade do regime. Alguns de tais episódios, envolvendo a TV e autoridades militares, desfilaram ao longo de Campeão de Audiência: o ataque do general Muricy a um documentário da CBS (para ele, “subversivo”) sobre o Vietnã, comprado ironicamente pelo americano Wallach, do Time-Life (na foto, cochichando no ouvido de Roberto Marinho); o Jornal Nacional, no terceiro dia de sua existência, proibido por um coronel (Manoel Tavares) do gabinete do general Lira Tavares (membro da Junta que tomara o poder) de noticiar o sequestro do embaixador dos EUA e a doença de Costa e Silva, os dois principais assuntos; o aviso do general Sizeno Sarmento de que as músicas “Caminhando” e “América, América” estavam proibidas de ganhar o Festival Internacional da Canção; a ordem do general Orlando Geisel para as patriotadas de Amaral Neto serem incluídas no horário nobre; a prisão do próprio Clark pelo DOPS no dia do Ato 5, por ordem do coronel Luís França (em represália por ter ele discutido com o motorista do militar num incidente de trânsito).

Enfim, a especialidade da Globo era acomodar-se a cada situação. A acomodação prevaleceu ainda no dia da queda de Clark. Ele aceitou sem discutir o prêmio de consolação (US$ 2 milhões) oferecido por Marinho. E limitou-se a encomendar o texto da carta de demissão (“em alto estilo… literário”) ao amigo Otto Lara Resende, suficientemente versátil para também escrever em seguida a resposta na qual o dono da Globo agradeceu os serviços prestados pelo demissionário (quatro anos depois Otto aceitaria também a missão de fazer o prefácio de Campeão de Audiência).

A demissão é uma espécie de anticlímax da autobiografia, na qual o autor assumiu compulsivamente a responsabilidade pelas iniciativas bem sucedidas da Globo, declarou-se adepto de programas de qualidade (mas o salto de audiência veio com os popularescos de baixo nível, de Raul Longras, Chacrinha [foto abaixo], Dercy Gonçalves, etc, bem na linha da atual pornografia BBB) e atribuiu o mal feito a outros – como os que mantiveram elevado o faturamento e a liderança absoluta de audiência nos anos seguintes, enquanto o próprio Clark, que na Globo tinha o maior salário do mundo (compre AQUI, por US$3,95, a notícia no New York Times sobre a demissão do brasileiro com o maior salário do mundo) e frequentava presidentes e ministros, descia ao fundo do poço, de fracasso em fracasso (como diretor de duas TVs, logo demitido, e produtor de dois filmes nos quais sequer se reconheceu sua contribuição, mais um espetáculo teatral altamente deficitário).

“Em 14 anos, depois de minha saída, o que houve de realmente novo?” – perguntou o autor naquele ano de 1991, referindo-se à Globo. Pouca coisa, talvez. Hoje, com a perda crescente de audiência para os concorrentes e sem os privilégios garantidos nos 20 anos de ditadura militar, ela está condenada a conformar-se com as regras da democracia e da competição. E passa a valer para a Globo a amarga reflexão pessoal de Clark no livro: “Não se deve cultivar excessivamente o poder, pendurar-se emocionalmente nele, porque um belo dia o poder acaba, e o dia seguinte é terrível”.

Do Blog do competente Argemiro Ferreira...

sexta-feira, 2 de abril de 2010

PF: Marcos Valério terá de pagar R$ 37,6 mi ao Banco do Brasil

Um laudo da Polícia Federal enviado ao Supremo Tribunal Federal afirma que o publicitário Marcos Valério, considerado o operador do esquema do mensalão denunciado em 2005, deve restituir R$ 37,6 milhões ao Banco do Brasil, relativos a contratos do banco com a agência de publicidade DNA. A informação é do jornal Folha de S.Paulo. O documento da Polícia Federal teria mostrado como improcedente o dinheiro recebido pela DNA Propaganda creditado como bônus de volume, de acordo com a perícia do Instituto Nacional de Criminalística. Esse bônus é pago por veículos de comunicação às agências de publicidade que cumprem metas de faturamento. A Polícia Federal teria avaliado o pagamento como ilegal devido à ausência de documentos relativos aos processos de aquisição e prestação de serviços. A PF também teria encontrado notas fiscais sem correlação com os fatos. O documento também informa que o ex-diretor de marketing do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato, deveria coibir as irregularidades, pois em 2005 a apropriação indevida de recursos já deveria ter sido relatada. Pizzolato teria recebido R$ 326,7 mil das contas de Marcos Valério, em investigações no caso do mensalão.
JB online

Na Mira do Belmiro

Os judeus na Amazônia

Em busca da liberdade de culto e atraídos pelas promessas do Novo Mundo amazônico que Portugal adotou como contraponto ao embate com as tropas de Napoleão, os judeus vieram em massa para a Amazônia há 200 anos. Chegaram e se puseram a trabalhar na construção da economia e do progresso, a ponto de ser impossível compreender o desenvolvimento regional sem considerar o papel estratégico e proativo do povo hebreu. Eles fugiam da discriminação e perseguição religiosa e encontraram na floresta o sentido de uma nova razão de viver, lutar e consolidar a prosperidade e a comunhão. Aqui eles permanecem, são mais de 50 mil segundo alguns, e passam de 100 mil descendentes na região, pelaestimativa de um dos mais brilhantes referenciais deste povo que alicerçou o progresso da região: o professo r Samuel Benchimol. Por todas as capitais, um movimento cívico e de resgate da identidade cultural da Amazônia - justo e oportuno - busca resgatar esta memória e oferecer às novas gerações a descoberta de que a História da Hiléia tem muito de seus feitos a avanços consignados por algumas famílias que arregaçaram as mangas da determinação e da solidariedade: os Benchimol, Benzecry, Assayag, Sabbá, Pazuello, Levy, Rabello, Benoliel, Israel, Benarrós, para citar apenas algumas que abriram corações e mentes numa interatividade generosa, proativa e essencialmente fraterna na construção da harmonia e cumplicidade na perspectiva do progresso e da nova civilização tropical. Não há registro de discriminação e ressentimento étnico nesta trajetória de conquistas. É justo ainda lembrar os judeus portugueses, os Amaral, os Melo, e os Pinto, en tre tantos, chamados pela História de cristãos novos. Uma exposição dos Judeus na Amazônia, desde o Marrocos, passando pela Planície Ibérica, incluindo a economia do látex, os regatões e a construção de uma refinaria na floresta, foi promovida pela Universidade de Tel aviv, na década de 80. Percorreu o mundo inteiro e passou por Manaus. Hoje ela está disponível no Museu da Diáspora em Israel e bem poderia retornar à região para mostrar às novas gerações a relevância dessa presença e os referencias de lutas e acertos que o engenho e a arte do povo hebreu sinalizam entre nós. Daí o apreço e a gratidão pelos dois séculos e o pelo muito que ainda virá.

Zoom-zoom

O Ouro de Gorayeb – A Câmara de Vereadores conferiu no mês passado, ao engenheiro Américo Gorayeb a homenagem máxima daquela Casa de representação popular, a Medalha de Ouro da Cidade de Manaus, por seus 30 anos de relevantes serviços prestados à comunidade. Uma premiação de um currículo cívico dos mais robustos que temos a satisfação de anotar.

Lealdade e determinação – Sou testemunha da lealdade exemplar do cidadão Gorayeb, um sentimento e uma qualidade que se reportam à população. Isso mesmo. Ele tem cargo de confiança desde a gestão estadual e agora municipal do prefeito Amazonino mas sua lealdade e determinação primeira é devotada ao interesse público, por isso, é justa e relevante a homenagem.·

Folha de serviços – é um currículo invejável, são mais de 500 obras, muitas delas – diria quase todas - de caráter essencial ao interesse coletivo, como os hospitais, escolas, centros comunitários e de referência para atendimento de crianças e idosos. É de dar inveja em seu sentido de exaltação moral. ·

Omar, governador – Membro de uma equipe com muitos acertos, o vice-governador Omar Aziz assume a condição de titular depois de 7 anos de interinidade produtiva como poucas vezes se viu na relação entre titular e vice na História da República. Isso lhe deu maturidade e experiência que renderam frutos preciosos para a população. Votos de felicitações e fecundidade na condução do Estado.

Belmiro Vianez Filho é empresário e membro do Conselho Superior da Associação Comercial do Amazonas.
belmirofilho@belmiros.com.br

Para aposentado do Banespa, CPI pode revelar verdadeira face do Santander

Por Gabriel Brito

Na esteira do assunto CPI Santander, que visaria investigar a privatização do Banespa em favor do banco espanhol em 2000, o Correio da Cidadania entrevistou o ex-funcionário do antigo banco público João Bosco Galvão de Castro. Assim como outros cerca de 17 mil trabalhadores, ele foi um dos espoliados pela escusa operação que o Santander realizou, conseguindo em Brasília autorização para usar como quisesse os 4 bilhões de reais destinados na época a honrar os compromissos com os aposentados.
Como se sabe, o banco aplicou a quantia no mercado financeiro, de modo que, com os rendimentos obtidos, exatamente no período de euforia especulativa pré-crise, não só cobriu como lucrou com a compra do Banespa. Ao mesmo tempo, implantou uma política interna agressiva com seus trabalhadores, enxugando quadros e aumentando brutalmente a pressão sobre os remanescentes. Completando, forçou arrochos salariais que foram estendidos automaticamente a seus aposentados.
Na entrevista, João Bosco diz acreditar na possibilidade de sucesso da CPI, pois as gestões para tal já ocorriam bem antes do ano eleitoral. Além disso, denuncia a ostensiva propaganda institucional do banco, como patrocinador de grandes eventos e campanhas enaltecedoras de sua atuação social. Por fim, o banespiano dispara contra todos os governos paulistas desde Quércia, que para ele sempre atuaram em favor dos interesses de tais grupos através de suas corrosivas políticas privatistas.

Para ler a entrevista no “Correio da Cidadania”, clique aqui

Sujou... Vem aí a Operação "Rato de Chapéu" da Polícia Federal...

Do Blog Escrivinhador de Rodrigo Vianna:

...Em outra investigação importante, feita pela Policia Federal do Brasil, o nome de destacado líder tucano aparece associado ao de um jornalista (?) que gosta de usar chapéu. Os dois, pelo que indica planilha apreendida pela PF, teriam 50 mil razões para tratar muito bem uma construtora que está sob investigação.

Cadê a liberdade de imprensa?

Vianna continua:... Talvez, tenhamos em breve mais detalhes sobre esse caso. O relatório final da PF chegou às mãos de bons repórteres em São Paulo. Receberam dos jornais ordem de não publicar nada sobre o caso - que chegaria muito perto de determinado candidato a presidente da República.
Do Blog “Os amigos do presidente Lula”...

Planejamento autoriza retorno de 56 “anistiados Collor”. E sem qualquer justificativa, continua a menosprezar solenemente os “PDVistas” vítimas de FHC

Dona Dilma, são 25 mil famílias "PDVistas", vítimas dos tucanos. O governo Lula não vai fazer nada? Terão essas pessoas (aproximadamente 100.000 votos) que apostar em Serra para ter esperanças? Fica esperto, Lula...

O Ministério do Planejamento concedeu autorização para o retorno ao serviço público de 56 pessoas demitidas durante o governo Collor e anistiadas pela lei nº 8.878/94. As autorizações foram publicadas ontem no Diário Oficial da União, Seção 1, por meio de portarias.
A portaria nº 151 defere a reintegração de 33 pessoas demitidas da extinta Datamec S.A. Sistema e Processamento de Dados, para compor quadro especial em extinção do Ministério da Fazenda, sob regime celetista.
Já as portarias nº 152 e 156 autorizam o retorno de um total de sete anistiados da extinta Companhia Auxiliar de Empresas Elétricas Brasileiras (CAEEB), para compor quadro especial em extinção do Ministério de Minas e Energia, também sob regime celetista.
A portaria nº 153 autoriza a reintegração de três anistiados ao quadro de pessoal da Indústrias Nucleares do Brasil (INB), sendo eles oriundos da Nuclemon-Minero-Química Ltda.
Cinco pessoas conseguiram, por meio da portaria nº 154, receber aval para serem reintegradas ao quadro de pessoal da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

A última portaria, de nº 155, dá a oito pessoas, oriundas da extinta Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA), o direito de serem reintegradas ao serviço público para compor quadro especial em extinção do Ministério dos Transportes, sob regime celetista.
Os interessados deverão ser notificados em até 30 dias, tendo o mesmo prazo para se apresentarem. Caso não se apresente dentro do prazo, o anistiado estará renunciando ao direito de regressar ao serviço público.
As portarias informam que, segundo o despacho nº 1.499/2009 do consultor-geral da União, nenhum órgão da administração pública tem poder de rever decisões tomadas pela Comissão Especial Interministerial (CEI) na análise dos processos de retorno dos anistiados.
O retorno dessas pessoas foi validado pela CEI, responsável pela análise de todos os processos de reintegração dos servidores anistiados demitidos durante o Governo Collor. A condição para o retorno é de que os anistiados não recebam os valores retroativos referentes ao período em que estiveram afastados do serviço público.

Salários

Para que a remuneração dos anistiados oriundos de empresas extintas seja calculada, é preciso que os convocados apresentem o último contracheque recebido no órgão em que trabalhavam. Caso o anistiado não disponha desse documento, será feita uma busca pela ficha funcional do interessado, nos arquivos da companhia extinta, e a remuneração será atualizada de acordo com os índices de correção dos benefícios do Regime Geral da Previdência Social, desde a data do desligamento até o mês anterior ao retorno ao emprego. Na hipótese de os dados não serem localizados nos arquivos do Governo Federal, o servidor será, então, automaticamente enquadrado na Tabela de Remuneração de Empregados dos Órgãos Extintos, fixada pelo decreto n.º 6.657, publicado no DOU em 21/11/2008.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Editorial da revista "CartaCapital"

Tabloides de assalto

A transparente satisfação com que a mídia nativa celebrou os últimos movimentos do governador José Serra, tomados como prova de uma candidatura de fato já encaminhada, mostra, redondamente, o lado escolhido pelos barões midiáticos. Como sempre, o lado contrário a Lula. No caso, em oposição à candidata do presidente. Não é novidade. A mídia nativa não engole um ex-operário que se torna inquilino do Palácio do Planalto, cenário quem sabe talhado em definitivo para bacharéis engravatados, quando não generais de quatro estrelas. Ódio de classe? Misturado com a inextinguível suspeita de queLula acabe por cair em tentação e reedite ideias e ideais do PT de 1980.Rota traçada desde 1989, quando foi inventado o caçador de marajás para impedir a ascensão do Sapo Barbudo. Nem se fale da euforia provocada pela descoberta de um Fernando Henrique rei dos economistas, além de príncipe dos sociólogos, prontamente apresentado como criador da estabilidade. E esta foi também a bandeira da campanha do segundo mandato, embora arreada 12 dias depois da posse. Surpresa em2002: Lula derrotou com ótima margem o ex-ministro José Serra, a despeito de sua badaladíssima gestão na pasta da Saúde, quando o mundo mais uma vez curvou-se diante do Brasil. Não bastou insistir na ideiade que Serra era preparado, a significar que o outro era irremediavelmente despreparado. A mídia não percebeu então que seu poder de fogo diminuíra bastante e perseverou na linha contrária ao governo, crivado por críticas ferozes, ataques sem conta, acusações retumbantes, até o chamado mensalão, que não foi provado nos termos apontados pelo jornalismo pátrio. Mais significativa e consistente doque a anterior, a vitória de Lula em 2006. Nem por isso, a mídia aproveitou a lição. Repito o que foi dito em outras oportunidades neste espaço: a eleição de Lula é um divisor de águas na história brasileira. Pela primeira vez, a maioria dos brasileiros apreciou votar naquele com quem se identificava, um igual, em lugar de um senhor enfatiotado, recomendado por seus pares. E, pelo caminho, a maioria convenceu-se que valeu a pena.Quem não se convenceu foi a mídia. A imprensa, de que muito poucos a leem. A eletrônica, que só vale quando transmite novela, big brothers e faustões. Nesta aposta emsi própria, não saiu da velha rota. Diariamente, basta passar os olhos pelas páginas dos jornais que alguns teimam em chamar de grande imprensa, para tropeçar em editoriais, artigos, colunas e reportagens destinados a demonizar Lula e condenar seu governo. Quarta-feira24, ao falar em Brasília no quadro do programa Territórios da Cidadania, o presidente da República disse: Fico imaginando daqui a 30anos, quando alguém quiser fazer uma pesquisa sobre a história do Brasil e sobre o governo Lula e tiver de ficar lendo determinados tabloides. Ou seja, este estudante vai estudar uma grande mentira. Haverá quem queira discutir a qualidade do texto, a forma. O conteúdo, no entanto, é claríssimo e não admite dúvidas. Se o pesquisador-estudante se contentar com a leitura dos tabloides, ou seja, dos órgãos danossa imprensa, aprenderá uma história desfigurada por erros e omissões. E mentiras. Quanto à CartaCapital, nos esforçamos para praticar o jornalismo honesto, na contramão da hipocrisia de quem afirma isenção, equidistância, independência,imparcialidade, enquanto se entrega a formas diversas, porém afinadas,de propaganda partidária. Em busca da verdade factual, criticamos Lulae seu governo ora de maneira positiva, ora negativa. Há duas semanas,entendemos como passo em falso as declarações do presidente a respeito dos presos políticos cubanos. Na semana passada, renovamos nossa reprovação a quaisquer interferências governistas para limitar a liberdade de expressão. CartaCapital orgulha-se de remar na contracorrente, mesmo quando entende que o governo em seus dois mandatos poderia ter feito muito mais no plano social, ou reputa deslize gravíssimo, a provar prepotência e ignorância, o comportamento em relação ao Caso Battisti. No mais, a entrada de Serra na liça vale para iluminar a ribalta. Não se trata de valorizar a demanda de muitos tucanos, favoráveis a uma definição rápida, mesmo porque compreendemos a estratégia do pré-candidato, baseada na tentativa de escapar ao embate plebiscitário à procura do confronto direto com a candidatura Dilma. Deste ângulo, tem de ser encarado o nítido empenho tucano em manter Fernando Henrique longe da campanha. Mas não será fácil sair do círculo traçado por Lula em torno do pleito.

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