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segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Jussara Seixas

CORINGA TUPINIQUIM ATACA O PRESIDENTE LULA

Danuza Leão, uma dondoca cansada que escreve na Folha de São Paulo, ficou idêntica ao Coringa, do Batman, após uma cirurgia plástica no rosto. Para sair do ostracismo ao qual foi relegada pelo caráter ainda pior que a aparência, resolveu atacar o presidente Lula.
Virou praxe: quem está no ostracismo, esquecido, por sua insignificância, por não ter contribuído em nada para o crescimento e sucesso do Brasil, ataca o presidente Lula, o melhor presidente do Brasil, só para conseguir espaço na mídia.
Enfim, diz ela que nenhum brasileiro gosta de ser chamado pelo presidente de "eles", como se tivessem nascido em terras inimigas. Fazendo-se de besta, a Coringa tupiniquim pergunta: "Eles" quem? "Presumo que sejam todos os que não são do PT, portanto inimigos". Dona Coringa, digo dona Danuza, "eles" são pessoas inúteis como você, burras como você, que olham sempre apenas para o próprio umbigo, e que quando estiveram no poder quase destruíram o Brasil. Gente que privatizou as riquezas do país a preço de banana – e a grana ninguém sabe e ninguém viu onde foi parar. Gente que deixou 54 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza (imagino que a dondoca não saiba o que é isso, já que vive nos aviões entre RJ e Paris e nas festas de socialites). “Eles"são os responsáveis pela maior crise de desemprego no Brasil; "eles" são os que chamaram aposentados de "vagabundos". Eles são os que fizeram uma dívida enorme com o FMI, e assim deram ao FMI o direito de mandar e desmandar na nossa economia. “Eles” promoveram a recessão, o desemprego, os juros estratosféricos, os arrochos salariais, o desinvestimento no Brasil. “Eles”, por omissão e incompetência, foram responsáveis pelo afundamento da maior plataforma de exploração de petróleo do mundo na época, a P36, causando a morte de 11 pessoas, sérios danos ambientais e um imenso prejuizo ao país. “Eles” são aqueles que mudaram as regras no meio do jogo para continuar no poder – a reeleição de FHC com compra dos votos de deputados com dinheiro público. “Eles” são quem torce contra o Brasil, quem desejou que a crise econômica mundial atingisse o Brasil em cheio, só para diminuir a popularidade do governo Lula. “Eles” torceram desesperadamente para que a Copa de 2014 e, principalmente, as Olimpíadas de 2016, não acontecessem no Brasil, pois isso aumentaria ainda mais o prestígio do presidente Lula. A “eles” não interessavam os benefícios, os lucros, a geração de empregos e renda e o prestigio que esses dois megaeventos vão proporcionar ao Brasil. "Eles", dona Coringa, digo Danuza, são você, são o PSDB/DEM, o FHC, o Serra, as elites burras e cretinas que torcem o nariz para os que antes eram os excluídos da sociedade.

Jussara Seixas, do Blog da Dilma

Said Barbosa Dib

Mídia apátrida: coincidências macabras

A sabotagem da Base de Alcântara

Toda vez que se quis privatizar/desnacionalizar – ou simplesmente destruir - empresas ou conquistas brasileiras, “crises” forjadas pela grande imprensa aparecem com o objetivo de se quebrar resistências da opinião pública e, por conseguinte, da classe política. Os exemplos são muitos. Quando FHC, o homem da CIA no Brasil, quis impor o absurdo acordo Brasil/EUA sobre a Base de Alcântara (MA), em detrimento do nosso programa espacial, não se poupou críticas caluniosas contra os técnicos brasileiros. Informações eram tratadas de forma deturpadas e irônicas contra a capacidade tecnológica do Brasil de lançar foguetes. Naquele contexto, houve a explosão da base de lançamento do VLS (Veículo Lançador de Satélites), em 2003, matando 21 excelentes técnicos brasileiros. O VLS tinha sido desenvolvido com tecnologia totalmente brasileira, excluindo a participação dos EUA. Mesmo com suspeitas consistentes de que os lançamentos teriam sido sabotados e sem uma conclusão definitiva sobre o “acidente”, o programa foi desativado, sendo substituído por acordos dependentes de pacotes tecnológicos estrangeiros. De repente, não se viu mais ironias maldosas na grande mídia amestrada sobre as quedas sucessivas do VLS brasileiro. Os tucanos venceram. O Brasil perdeu.

Petrobras, vazamentos e o acidente da P-36

A Petrobras sempre foi referência na prospecção de petróleo em águas profundas. Quase não se ouvia falar em acidentes em alto mar ou em terra, nem mesmo relatos acerca de vazamentos. Diante das resistências à privatização da empresa, durante o governo apátrida do “Silvério dos Reis tucano”, FHC (sempre ele!), logo surgiram casos de vazamento e acidentes com os petroleiros. O maior foi com a plataforma P-36, quando 11 petroleiros morreram. Junto com o caso do vazamento na Baía da Guanabara, em 2000, ampliou-se a campanha que procurava denegrir a imagem da empresa nacional, que hoje é uma referência em todo o mundo. Foi naquele contexto que surgiu Lei 9478, que estabelecia as licitações/doações (leilões) que, mesmo não se privatizando a Petrobras, permitiam que grandes multinacionais do petróleo pudessem meter a mão em nosso patrimônio. Sem investir um centavo em tecnologia e no mapeamento e prospecção do petróleo, as grandes holdings estrangeiras fizeram a festa. De repente, não se falou mais das plataformas e vazamentos da Petrobras. Será que os problemas foram todos resolvidos ou é por conta da manutenção da Lei 9478, que ainda vigora? Mas, novamente, os tucanos venceram. O Brasil, perdeu. Graças a Deus, Dilma e Lula, hoje, estão tentando reverter a situação.

O “Apagão de FHC” e a privatização das distribuidoras estaduais

Outro caso foi a chamada crise do "Apagão Elétrico". O sistema hidroelétrico brasileiro (genuinamente nacional), com seus grandes reservatórios e seus sistemas eficientes de transmissão de energia, permitiu que se fizessem barbaridades durante os cinco primeiros anos do tucanato de FHC, sem que a sociedade percebesse, pois havia reservas de água acumuladas. Mas havia a decisão política de se privatizar de qualquer jeito. Diante das resistências, criou-se um sistema híbrido pelo qual as geradoras continuaram estatais e as distribuidoras passaram a ser privatizadas, apenas para se fazer caixa para manter o famigerado "superávit primário" para pagar banqueiros da plutocracia financeira internacional. A campanha contra as geradoras estaduais, mostradas sempre como ineficientes e deficitárias, foi constante. Não se explicava ao público que as estatais – todas elas - foram proibidas pela equipe econômica de FHC de investir em novas usinas hidrelétricas e em linhas de transmissão. Considerava-se "investimento" o dinheiro das privatizações, que apenas transferiram a propriedade de empresas já existentes e não aumentaram a capacidade instalada. Resultado: diante do caos elétrico, quase todas as distribuidoras dos estados foram privatizadas, encarecendo tarifas e piorando os serviços. O Brasil continuou, até o fim do governo tucano, priorizando o pagamento de juros aos banqueiros, em detrimento de investimentos em infra-estrutura elétrica. O consumidor teve que pagar tarifas extras, as termelétricas foram priorizadas (o que é erro) e as chuvas aumentaram, fato que salvou o tucanato. A grande mídia logo esqueceu de tudo e as distribuidoras estatais acabaram mesmo nas mãos privadas (com dinheiro do BNDES). Os tucanos se deram bem. O Brasil, perdeu. Somente a ministra Dilma, quando no Ministério das Minas e Energia, bem mais tarde, ousaria falar em investimentos reais novamente, fato que lhe rendeu severas críticas dos golpistas anti-nacionais de sempre. Claro!


Continue a ler...


    “Caso Renan Calheiros”, Bush e o etanol brasileiro

    Em 2007, Renan Calheiros, aliado de Lula, ficou no olho do furacão. Enquanto a corrupção no atacado – aquela das remessas de lucro dos grandes oligopólios estrangeiros – rolava solta, a imprensa amestrada pegava no pé do presidente da mais importante instituição do Legislativo brasileiro. Acusava-o de ter tido as despesas com a manutenção da amante e de sua filha pagas por um lobista de uma empreiteira. Caso semelhante ao de 1989, quando o então candidato Lula, na época visto como uma ameaça ao sistema, teve seu caso com a enfermeira Miriam Cordeiro revelado no Jornal Nacional às vésperas da eleição. Não foi, claro!, o caso de FHC, amigo complacente das transnacionais. Embora a mídia soubesse do seu filho com uma jornalista da “Globo”, o fato não só nunca foi divulgado pela grande mídia brasileira como nunca se perguntou ao político como foram sustentados a mãe e o filho no exterior. O filho de FHC e as circunstâncias em que ele e a jornalista foram "escondidos" na Espanha é, aliás, o maior caso de omissão da imprensa “nacional”. Na verdade, o pecado de Renan foi escrever o artigo "Pé atrás e olhos bem abertos", em março de 2007, quando o presidente Bush visitou o Brasil. No texto, Renan, vinculado à classe de usineiros de Alagoas e apostando no projeto de Lula para o etanol como fonte alternativa importante, advertia o presidente sobre a necessidade de que, numa eventual parceria com os EUA, dever-se-ia colocar em pauta a questão dos subsídios agrícolas daquele país e tratar a questão de forma soberana, pois o país é detentor da tecnologia e possui grande superioridade comparativa no setor. Renan dizia: "Uma parceria com os Estados Unidos (...) pode ser bastante vantajosa para o Brasil. Mas, nessa diplomacia movida a álcool, são no mínimo duvidosas as intenções do presidente Bush, ao deixar de lado as inúmeras divergências comerciais que turvam as relações entre os dois países." Acabou bombardeado pela imprensa comprada, principalmente a de São Paulo. Os tucanos ficaram felizes, como se diz em Goiás, “que nem pinto no lixo” com a saída de Renan da Presidência do Senado. O Brasil só não perdeu, porque Lula soube então criar alternativas políticas.

    A “crise” construída do Senado, o “Estatuto das Estatais” e as Eleições 2010

    Neste ano o assunto mais importante para o futuro do Brasil é a questão do chamado “Pré-Sal”. A perspectiva de exploração realmente soberana desta potencialidade, com as necessárias modificações do modelo propostas pela ministra Dilma Rousseff (uma figura desenvolvimentista, nacionalista e extremamente competente), trouxe uma nova e violenta campanha golpista. Depois do próprio presidente Lula, o principal apoiador da candidatura de Dilma é o ex-presidente Sarney, que sempre pregou que o PMDB se mantenha no apoio ao projeto Dilma 2010. Além deste “pecado terrível” para os golpistas de sempre, o presidente do Senado, preocupado em criar um estatuto comum para empresas públicas, sociedades de economia mista e suas subsidiárias, apresentou o projeto de lei complementar (PLS - PROJETO DE LEI DO SENADO, Nº 207) que institui o “estatuto jurídico da empresa pública”, o chamado "Estatuto das estatais". Ele quer fazer cumprir a Constituição, que prevê a regulamentação dos parágrafos 1º e 3º do artigo 173. Sua proposta, ao definir o tratamento jurídico que deve ser dispensado às estatais (sejam federais, estaduais, distritais ou municipais), visa "acabar com as divergências sobre o que são e como devem ser tratadas essas empresas". O projeto cria regras claras e uniformes sobre questões importantes, como o regime e regras societárias; fiscalização e controle; licitações, obrigações e contratos; normas contábeis mais rígidas e eficazes; responsabilidades dos administradores e do controlador; regime de avaliação, individual e coletiva, do desempenho dos administradores, realizada pelo Conselho Fiscal; esclarecimento das competências dos Tribunais de Contas. A proposta também reforça a função social da empresa pública e da sociedade de economia mista, com “preocupação no desenvolvimento social brasileiro e não somente nas regras estritamente capitalistas”. Quer dizer: o projeto de Sarney incomodou muita gente poderosa que defende, no Brasil, as grandes empresas estrangeiras, pois cria as condições institucionais para que as propostas políticas e técnicas, realmente nacionalistas de Dilma, possam se concretizar. Portanto, Sarney, além do claro apoio político na base parlamentar do governo, está apoiando Lula e Dilma também sob o ponto de vista institucional e técnico. Não é por outro motivo que veio a ser o grande “boi de piranha” da mídia golpista tucanóide contra o Senado Federal nos últimos meses. Se percebermos a lógica descrita em todos os casos anteriores, verificar-se-á que os problemas que Sarney enfrentou não são resultantes de uma certa idéia fixa dos pseudo-jornalistas que cobrem o Senado, com questões pretensamente moralistas, mas o resultado das reações das forças anti-nacionais contra as ações consistentes do atual bloco de poder hegemônico, que caminha para dias mais soberanos para o País. A questão é muito mais complexa e complicada. Portanto, como disse Renan Calheiros, quando o assunto é o combate às já manjadas forças apátridas tucanóides, deve-se ficar com o “pé atrás e os olhos bem abertos”. Essa gente é perigosa...

    Said Barbosa Dib, historiador e analista político em Brasília.

    Obs.: No último dia 04, a CCJ - Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado - aprovou o parecer sobre o projeto do senador Sarney, tendo-o encaminhado à Secretaria-Geral da Mesa, para as devidas providências. Hoje encontra-se na Subsecretaria de Coordenação Legislativa do Senado. Veja os detalhes da tramitação, clicando aqui.

Opinião, Notícia e Humor

MANCHETES DOS JORNALÕES


Só haveria irregularidade se votação fosse nominal; alega ACM Neto. Os deputados gazeteiros, que às quintas-feiras batem ponto em plenário para garantir o salário e viajam em seguida, têm o respaldo oficial. O corregedor da Câmara, Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM), disse que a gazeta, mostrada ontem pelo GLOBO, não é irregular, porque nesse dia não há votação nominal e só entram em pauta projetos com acordo prévio: "Reluto a qualificação de que são gazeteiros, não é aplicável. O que importa é votar." Líderes de partidos concordaram. (págs. 1 e 3)

FOLHA DE S. PAULO
REFORMA NÃO EVITA ROMBO NA PREVIDÊNCIA PÚBLICA

Reajustes aos servidores devem elevar deficit para R$ 48 bi em 2010. Ao contrário do que prometiam as estimativas em 2003, a reforma da previdência patrocinada pelo governo Lula não vai impedir uma alta no deficit da previdência dos servidores públicos, que em 2010 deverá atingir R$ 48 bilhões. Também não deverá ser cumprido o objetivo, à época vendido como uma questão de justiça social, de reduzir a distância entre os valores das aposentadorias pagas aos servidores e os que o INSS oferece aos trabalhadores da iniciativa privada. Desde a aprovação das mudanças constitucionais, o valor médio pago a um inativo civil do Executivo federal subiu quase 90%, atingindo R$ 5.355; no mesmo período, o benefício médio do INSS elevou-se pouco acima dos 60% e atingiu R$ 707. Após a reforma, calculava-se que o deficit cairia ano a ano até 2011. As previsões só se confirmaram durante o primeiro mandato. No ano reeleitoral de 2006, reajustes generalizados para o funcionalismo levaram a nova trajetória de alta. (págs. 1 e B1)

O ESTADO S. PAULO
GASTO BÁSICO DE POBRES JÁ SUPERA O DE RICOS

Estudo mapeia consumo de alimentos e itens de higiene. Nos últimos 12 meses até setembro deste ano, as classes D e E das regiões Norte e Nordeste do País gastaram R$ 8,8 bilhões com alimentos e produtos de higiene e limpeza. Essa cifra é 5% maior que a desembolsada pelas camadas A e B do Sudeste no mesmo período com esses itens, informa estudo da empresa de pesquisa domiciliar LatinPanel. Em igual período de 2008, a situação era inversa: o gasto das camadas que compõem a base da pirâmide social no Norte e no Nordeste com bens não duráveis havia sido 5% inferior ao das classes A e B do Sudeste. Para os pesquisadores, inflação em baixa, ganhos de renda e menor exposição à crise financeira explicam o fenômeno. Desse modo, a classe C, que era a mais cortejada pela indústria e pelo comércio, começa a perder a atratividade para as camadas inferiores cujas despesas só estão facadas no básico. (págs. 1, B1 e B3)

JORNAL DO BRASIL
MINISTRA REAGE CONTRA EXPULSÃO

A expulsão de uma aluna de uma faculdade por usar uma minissaia virou assunto federal. De governo. E causou protestos em entidades. A ministra Nilcéa Freire, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, disse ontem que vai cobrar da Universidade Bandeirante (Uniban), em São Bernardo do Campo (SP), explicações sobre a decisão de expulsar Geisy Villa Nova Arruda. A ministra também quer saber como a universidade está apurando o caso dos oito estudantes suspensos por atacar verbalmente a colega. A União Nacional dos Estudantes (UNE) soltou nota de repúdio à atitude da instituição.

CORREIO BRAZILIENSE
GOVERNO SEGURA VERBAS DA OPOSIÇÃO E SOBRA PARA O DF

Dos R$ 215 milhões pedidos pelos parlamentares de Brasília, apenas R$ 24 milhões, destinados a obras na BR-020, foram pagos, revelam os repórteres Denise Rothenburg e Vicente Nunes. Infraestrutura de assentamentos e hospital de São Sebastião estão entre os projetos prejudicados pela decisão da União de represar as emendas coletivas (págs. 1 e 2)

VALOR ECONÔMICO
ESTADO PAGA O DOBRO DO SALÁRIO DO SETOR PRIVADO

A política de recuperação do valor dos salários dos servidores federais aumentou a diferença entre o salário médio destes funcionários e a remuneração dos trabalhadores no setor privado. O salário dos servidores federais estatutários, aqueles com direito aos benefícios do regime jurídico único da União, como estabilidade no emprego e aposentadoria integral, superou em 101,3% o ganho dos funcionários da iniciativa privada em 2008. Em 2002, antes do governo Lula, a diferença era de 78,9%, segundo cálculos do professor Nelson Marconi, da FGV, com base nos microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios. A política de aumento salarial veio acompanhada de intensa abertura de postos de trabalho na administração federal. Nas duas gestões de Lula, foram quase 150 mil novas vagas. Assim, centenas de concursos acirraram a disputa por uma oportunidade no setor público. Como atrativo, além do salário, estão a estabilidade e a aposentadoria integral. (págs. 1 e A3 a A5)



VEJA TAMBÉM...

Muro

Restituição do IR

Receita abre hoje (9/11) consulta ao 6º Lote Multi-exercício 2008/2009

A Receita Federal do Brasil libera às 9 horas da próxima segunda-feira (9/11), consulta ao 6º lote de restituições multi-exercício do Imposto de Renda da Pessoa Física (ano calendário 2009 e 2008). No dia 16 de novembro de 2009 serão creditadas, simultaneamente, as restituições referentes aos exercícios de 2009 e 2008 para um total de 2.138.113 contribuintes, totalizando R$ 2 bilhões de reais. Para o exercício de 2009, serão creditadas restituições para 2.125.588 contribuintes, totalizando R$ 1.967.796.186,84, acrescidos de 5,39% (Selic de maio a novembro/2009). Já para o lote residual de 2008, as restituições totalizam R$ 32.203.813,16, com correção de 17,46% (Selic de maio de 2008 a novembro de 2009). Foram contemplados 12.525 contribuintes. Para saber se terá a restituição liberada nesse lote, o contribuinte poderá acessar a página da Receita na Internet (http://www.receita.fazenda.gov.br/) ou ligar para o Receitafone 146, informando o número do CPF. Caso o valor não seja creditado, o contribuinte deverá se dirigir ou ligar para uma das agências do Banco do Brasil ou para o ‘BB responde’ 4004-0001 (capitais) ou 0800-729-0001 (demais localidades), para agendar o crédito em conta-corrente ou poupança em seu nome, em qualquer banco. A restituição ficará disponível no banco por um ano. Se o contribuinte não fizer o resgate nesse prazo, deverá requerê-la mediante Formulário Eletrônico (Pedido de Pagamento de Restituição), disponível na página da Receita Federal na Internet. A consulta ao extrato de processamento da declaração, também, poderá ser feita na Internet (http://www.receita.fazenda.gov.br/).

Argemiro Ferreira

Os EUA e a incerteza em Honduras

HONDURAS-COUP-US-ZELAYA-SHANNON

É difícil prever o que vai acontecer em Honduras depois do acordo. Na aparência, ele sequer impõe a volta do presidente constitucional Manuel Zelaya (na foto acima com o sub-secretário americano Thomas Shannon, na embaixada do Brasil), cujo mandato foi capado em mais de quatro meses. O retorno era ponto de honra não só para os partidários de Zelaya, mas para a ONU, a OEA e a comunidade internacional, até porque nenhum país reconheceu o regime do golpista Roberto Micheletti.

HN_Llorens_Hugo-02.JPGO objetivo maior da comunidade internacional era deixar claro na América Latina com seu passado marcado por golpes militares (em geral teleguiados dos EUA e quase sempre acompanhados pelo respaldo americano, com desembarque de tropas ou a ameaça de fazê-lo) que tais práticas não serão mais toleradas no continente – e que o golpismo será sistematicamente repudiado.

Para os atuais detentores do poder de fato aceitarem a fórmula, autoridades dos EUA – Thomas Shannon, sub-secretário de Estado para assuntos do hemisfério, e o embaixador Hugo Llorens – tiveram de convencer os golpistas (que antes do golpe tinham tido o cuidado de obter deles o nihil obstat de Washington) de que Zelaya só voltaria se o Congresso de Honduras aprovasse seu retorno ao poder.

Leia o Argemiro Ferreira na íntegra...

Reflexão do Dia...

"Nada faz realçar mais a autoridade do que o silêncio, esplendor dos fortes e refúgio dos fracos”

Charles de Gaulle, estadista francês

Fique de olho...


DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO
Segunda-feira, 09 de novembro de 2009

Matérias de interesse nacional

Seleções e concursos

Unesco seleciona consultor graduado em ciências exatas

domingo, 8 de novembro de 2009

Eleições 2010...

Acabei de fazer outro vídeo falando da obsessão de José Serra em se tornar presidente do Brasil a qualquer custo, utilizando de todas as armas para conseguir seus objetivos. Mais uma vídeo leve e divertido. Assista e espalhe!

Um grande abraço,
Daniel Pearl, do Blog da Dilma


E a gripe suína?

CRIANDO PARANÓIA PARA FAZER NEGÓCIO

"O mercado da indústria farmacêutica é o nosso corpo, mas só quando estamos doentes".


Destaques das revistas...

31/10/2009

Mais R$ 4 bi para a educação

O Senado enfim aprovou a emenda que proíbe o governo de retirar dinheiro da área para fazer caixa. Mas será suficiente?

ANA ARANHA - Revista Época
Pablo de Luca
SEM VERBA, SEM AULA
O prefeito de Maribondo, Alagoas, José Márcio Tenório, no pátio da escola fechada.
Ele dispensou os alunos para protestar contra a falta de recursos

O bom desempenho do Brasil diante da crise econômica mundial é celebrado no mundo inteiro. Recentemente, o país vem sendo apontado como um dos mercados mais promissores para os próximos anos. As análises, no entanto, sempre reconhecem um problema: a falta de investimentos em educação. Na semana passada, o Senado aprovou uma medida que tenta diminuir esse problema, ao acabar com a possibilidade de o governo remanejar as verbas que a Constituição destina à área.

Os senadores aprovaram uma emenda constitucional que proíbe o uso na educação do instrumento burocrático conhecido como Desvinculação das Receitas da União, ou DRU. Desde 1994, a DRU desviou R$ 100 bilhões – o suficiente para formar todos os professores e universalizar a pré-escola – para outras áreas, sobretudo para cobrir rombos financeiros. Trata-se de um bom começo para lidar com a crônica falta de recursos do setor. Serão destinados mais R$ 4 bilhões à educação neste ano, mais R$ 8 bilhões no ano que vem e mais R$ 10 bilhões em 2011. Mas será suficiente?

Hoje, o mínimo que Estados e municípios têm de investir por aluno é R$ 1.220 – cerca de R$ 100 mensais. Os recursos adicionais poderiam elevar esse valor para R$ 1.470 anual por aluno. É uma quantia maior, sem dúvida, mas ainda distante dos R$ 1.960 anual por aluno, valor apontado como mínimo necessário por José Marcelino de Rezende, da Universidade de São Paulo (USP), em estudo considerado referência pelo Conselho Nacional de Educação(leia o quadro) . Nos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o gasto médio anual por aluno é dez vezes os R$ 1.220 do Brasil.

 Reprodução

A situação da educação ainda foi agravada recentemente pela crise econômica. Uma das vítimas da queda na arrecadação de impostos foi o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), cujo dinheiro é usado para, entre outras coisas, pagar salário aos professores e comprar material escolar. A previsão no início do ano era que o Fundeb arrecadasse R$ 80 bilhões. Devido à crise, foram apenas R$ 70 bilhões. Os R$ 4 bilhões do fim da DRU, portanto, serão insuficientes para cobrir o rombo. Um dos muitos municípios afetados foi Maribondo, em Alagoas. O prefeito, José Márcio Tenório (PSC), fechou as escolas para protestar contra a falta de verba para a rede municipal. Nas escolas estaduais, os alunos tinham de assistir às aulas sentados no chão porque faltavam cadeiras.

Além de os novos recursos para a educação serem insuficientes, não há garantia de que serão aplicados onde são mais necessários: as escolas de cidades como Maribondo. “Do ponto de vista legal, o dinheiro pode ir para o ensino superior”, diz Rezende, especialista em financiamento educacional. O resultado é pouco animador. O Brasil demorou seis anos para aprovar uma medida que, apesar de aumentar os recursos, ainda não garante o mínimo necessário para educar. Nesse ritmo, o país ainda vai demorar décadas para equiparar seu nível de educação ao dos países desenvolvidos.

Do excelente Blog "Mitos Climáticos"...

Dado o interesse do artigo – a seguir transcrito na íntegra – no panorama de uma comunicação social geralmente anêmica relativamente a esta matéria, justifica-se a sua publicação integral no Mitos Climáticos. O blogue Ecotretas já se referiu também a ele.


Os Ursos

Artigo de Fernando Gabriel, Diário Econômico de 04/11/2009

Ao longo das próximas semanas é possível que o número de ursos nos telejornais seja francamente superior à média. Serão provavelmente ursos polares, acompanhados por uma coleção de ameaças apocalípticas: extinção de espécies, desaparecimento de neve nos glaciares e nos cumes das montanhas, secas, inundações. Tudo, claro, a acontecer a um ritmo "muito mais rápido do que se supunha" e tudo por causa do aquecimento global.

Aproxima-se a cimeira de Copenhagem e o derradeiro esforço de propaganda do gigantesco ‘lobby' ambientalista está em marcha. O objetivo é forçar os governantes ocidentais a comprometerem-se com um conjunto de medidas cujos efeitos previsíveis são uma catástrofe econômica auto-infligida sem precedente histórico.

Para cooperarem com a demência ambientalista, países como a China e a Índia exigem cerca de 300 mil milhões de dólares por ano, um montante equivalente a 1% do PIB das economias mais desenvolvidas. Em cima deste suborno de proporções épicas ainda há que pagar o "preço" da cooperação africana – 267 mil milhões de dólares por ano – e das economias sul-americanas – mais umas modestas centenas de milhares de milhões.

Um estudo do instituto Open Society calculou que as políticas ambientais da UE implicariam um custo total anual de 102 mil milhões de dólares até 2020. O custo do programa americano de direitos de emissão de poluição em apreciação no Senado equivale a um imposto anual mínimo de 1600 dólares por família americana e mesmo que obtivesse a redução prevista nas emissões americanas de CO2 teria um impacte nas emissões globais inferior a 4% e portanto um efeito negligenciável.

Imperturbáveis pelo abismo econômico à frente dos pés, os puritanos ecológicos seguem firmes na convicção de que o martírio é o caminho para a salvação – a reconversão "sustentável" da economia ocidental, que trará consigo mel, morangos e milhões de novos empregos.

Obama já prometeu 5 milhões de empregos "verdes", mas em matéria de delírio ambientalista, Zapatero há muito que saiu disparado das ‘boxes' e o exemplo espanhol é elucidativo: desde 2000, cada emprego subsidiado nos sectores ditos ambientais implicou a perda de 2,2 empregos nos restantes sectores da economia.

O novo livro de Christopher Booker, The Real Global Warming Disaster (Londres, 2009) faz a crônica da longa caminhada que trouxe o ocidente até este ponto de suicídio econômico. É uma história de receios apocalípticos, com origem no Clube de Roma, onde a idéia de utilização do "ambientalismo" como um instrumento para a criação de um governo mundial começou a ganhar forma.

É uma história de abastardamento e politização da ciência através de um sistema de incentivos financeiros tragicamente errado; de manipulações, mentiras, e silenciamentos em nome de um "consenso" falso e falsificado, que é e será mantido porque gerou uma enorme massa crítica de interesses financeiros, intelectuais e políticos que dele dependem. A imposição desta teleologia milenarista não é só indesejável: é imoral e necessita de ser contrariada por todos os meios.

Confira também outras postagens do Blog:

J. R. Guzzo

Fim do mundo


"Antes de ter um problema ecológico, o Brasil tem um problema sanitário; nossa verdadeira tragédia ambiental é o fato de que 50% da população não dispõe de rede de esgotos"

Estaria o mundo de hoje, e o Brasil junto com ele, se comprometendo com o que pode vir a ser a mais cara, obsessiva e mal informada ilusão científica da história? A humanidade já esteve convencida de que a Terra era plana, e que era possível prever matematicamente a extinção da vida humana por falta física de comida, já que a população cresceria sempre de forma geométrica e a produção de alimentos jamais poderia aumentar no mesmo ritmo; mais recentemente, grandes empresas, governos e ases da ciência digital acreditaram que o "bug do milênio" iria paralisar o mundo na passagem de 1999 para 2000. Não se pode dizer que a crescente convicção de que o planeta sofre hoje uma "ameaça sem precedentes" em toda a sua existência, como resultado direto da "mudança do clima", e particularmente do "aquecimento global", seja exatamente a mesma coisa. Mas às vésperas da abertura da grande conferência da ONU sobre o tema, que reunirá em Copenhague, agora em dezembro, 170 países e cerca de 8 000 cérebros, parece conveniente tentar estabelecer algum tipo de separação entre o que possam ser problemas reais e o que é uma espécie de culto psicótico ao fim do mundo. Previsivelmente, trata-se de tarefa com poucas chances de sucesso.

Há, em primeiro lugar, uma atitude cada vez mais ampla e cada vez mais agressiva estabelecendo que as pessoas têm, obrigatoriamente, de acreditar que o clima está mudando para pior e que a catástrofe é uma perspectiva não apenas indiscutível como iminente; dúvidas não são permitidas. Sair da reunião de Copenhague sem uma solução definitiva para o aquecimento global e as emissões mundiais de carbono "não é uma opção", pregam os organizadores da reunião e um chefe de estado depois do outro; é indispensável achar uma saída, e já, embora não se saiba qual. A ideia geral, em suma, é que o cidadão, ao sair de casa um dia desses, pode sofrer um ataque do efeito estufa e cair morto no meio da rua. A essa insistência em criar uma unanimidade de pensamento se acrescenta uma extensa mistura de mistificação, desinformação, pseudociência, demagogia, charlatanismo, fatos sem confirmação e números cuja veracidade não pode ser certificada. De maneira sistemática, fotos de terra rachada pela seca, que o Nordeste do Brasil conhece desde o tempo de dom Pedro II, são apresentadas como prova do aquecimento do planeta. O culpado final por tudo é o "consumo".

Políticos, governos e organizações internacionais, em vez de colocarem mais racionalidade no debate, contribuem ativamente para esse impulso crescente de autoflagelação. Um ano atrás, para ficar num exemplo só, a Inglaterra aprovou uma lei pela qual o país terá de cortar em 80% as suas emissões de carbono até o ano de 2050; ninguém faz a menor ideia de como isso vai se passar na prática. (De certo, nesse caso de combate extremado ao aquecimento global, houve o fato de que estava nevando no exato momento em que o Parlamento votava a lei - a primeira vez que nevou em Londres, num mês de outubro, nos últimos 74 anos.) Globalmente, verbas cada vez mais prodigiosas são anunciadas para salvar o planeta: 100 bilhões de dólares por ano em 2020, segundo cálculos de economistas que estarão presentes em Copenhague, ou até 1 trilhão - diferença muito reveladora da seriedade dessas contas todas. A maior parte desse dinheiro, segundo os discursos, deverá ser empregada para ajudar os países pobres a participar do combate ambiental e para que Brasil, Índia ou China sejam compensados das despesas que terão para deixar de ameaçar o mundo com o seu desenvolvimento.

A conferência de Copenhague tende a refletir, basicamente, um conjunto de neuroses, fantasias e necessidades políticas que se ligam muito mais aos países ricos do que à realidade brasileira; a agenda central é deles, com seus números, seus cientistas e até sua linguagem. O Brasil, em vez de reagir ao debate dos outros, faria melhor pensando primeiro em seus interesses. Para isso, precisaria saber o que quer. Parece bem claro que o país, antes de ter um problema ecológico, tem um problema sanitário; nossa verdadeira tragédia ambiental é o fato de que 50% da população não dispõe de rede de esgotos, ou de que dois terços dos esgotos são lançados nos rios sem tratamento nenhum. Na Amazônia, onde há o maior volume de água doce do mundo, a maioria da população não tem água decente para beber. Nas áreas pobres das cidades o lixo não é coletado - acaba em rios, represas ou na rua.

A questão ecológica real, no Brasil, chama-se pobreza.

Revista Veja

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A farsa do caráter antropogênico das mudanças climáticas

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Agora, vacíne-se definitivamente contra as imbecilidades difundidas. Não deixe de ler ainda:
Palestra de J. C. de Almeida Azevedo: Verdades sobre o Aquecimento Global (Parte I)

Clique aqui para assistir ao vídeo 1 do filme “A grande fraude do aquecimento global" (The Great Global Warming Swindle). Depois não deixe de ver o filme completo.Seguem as demais partes:
Se não conseguir acessar clicando nas partes acima, saiba que o documentário completo está permanentemente disponível na parte final das postagens deste Blog. Confira...

A Questão Nuclear

“Baruch” Obama?

(Alerta em Rede) - Na semana passada, o Brasil pode presenciar em seu território evidências inequívocas de que o governo do presidente Barack Obama, apesar do seu discurso de mudanças, não tem qualquer proposta para a superação do impasse existencial do impulso hegemônico dos EUA, senão o recurso aos surrados jogos de poder envolvendo o estabelecimento de estruturas de “governo mundial” (vide a nota seguinte). O palco privilegiado foi o Seminário Internacional sobre Não-Proliferação Nuclear e Desarmamento: O Futuro do TNP, realizado pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI), em 29-30 de outubro, no Rio de Janeiro (RJ). Na oportunidade, foi possível experimentar diretamente uma amostra das pressões políticas contra o programa nuclear brasileiro, que tendem a se avolumar, na medida em que ele ganha massa crítica e se converte num importante vetor de capacitação científico-tecnológica e do próprio crescimento da presença do País no cenário mundial.

A mensagem foi clara: o Brasil “não precisa” ampliar o seu programa de enriquecimento de urânio e deve “dar um exemplo”, assinando os Protocolos Adicionais do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), que passará por uma revisão em 2010. Em troca, os EUA propõem o estabelecimento de um “banco internacional de urânio enriquecido” sob a responsabilidade da Agência Nacional de Energia Atômica (AIEA), que se encarregaria de todas as atividades de enriquecimento de urânio e a posterior disposição do combustível utilizado nos reatores nucleares. Na prática, sob o pretexto de evitar a não-proliferação nuclear, o esquema implicaria na consolidação definitiva de um regime de “apartheid tecnológico”, que tem um objetivo estratégico do Establishment oligárquico anglo-americano desde o final da II Guerra Mundial, quando os EUA emergiram como a única potência nuclear.

(...)

Semelhante investida gerou uma firme reação de alguns participantes brasileiros. O ex-diplomata e diretor do CEBRI Marcos de Azambuja foi efusivamente aplaudido ao afirmar:

O Brasil cumpre todas as normas da AIEA e acredito que eventualmente assinará o Protocolo Adicional, mas não fará isso diante de uma intimação e acusações que não são legítimas... O risco de proliferação nuclear não virá do Brasil. Somos obedientes ao TNP e não devemos satisfações. Somos o elemento de paz e segurança no continente. O Brasil acha que faz mais do que devia e que a bola agora está do outro lado do campo. Embora seja a favor de que o Brasil assine o protocolo, não tenho certeza se devemos fazê-lo agora ou usar nossa posição como uma estratégia para forçar a quem tem armas a se desarmar (Jornal do Brasil, 31/10/2009).

O presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), Odair Dias Gonçalves, ironizou: “O Brasil é um novo jogador que entra no esquema. E um jogador muito forte, porque somos um dos três países do mundo que têm urânio e capacidade de enriquecimento... O que é econômico? Deixar outras pessoas virem ao país, explorarem o nosso urânio e o levarem?”

Leia o artigo completo...

    Em 1946, os EUA apresentaram na Organização das Nações Unidas (ONU) uma proposta de criação de uma Autoridade para o Desenvolvimento Atômico (ADA), entidade que deveria deter um virtual controle sobre todas as jazidas de minérios nucleares (urânio e tório) e todas as instalações nucleares do mundo. Apresentada pelo financista Bernard Baruch, amigo particular e financiador de campanha do presidente Harry Truman, a proposta ficou conhecida como Plano Baruch e as suas inconsistências, entre as quais o atropelo das soberanias nacionais dos seus eventuais Estados membros, causaram a sua rejeição pelo plenário da ONU, com a URSS liderando a oposição ao plano.

    É relevante observar que um dos principais opositores do Plano Baruch foi o almirante Álvaro Alberto da Mota e Silva, o grande pioneiro do estabelecimento de uma estrutura de pesquisas nucleares no Brasil. Eleito para presidir a Comissão de Energia Atômica da ONU (embrião da AIEA), o brasileiro desmantelou o plano ao lograr que a Comissão aprovasse uma emenda especificando que a propriedade internacional das minas e minérios radiativos não seria um item obrigatório. Tamanha ousadia e os seus esforços posteriores para dotar o Brasil de uma capacitação científico-tecnológica na área nuclear lhe valeria, nos anos seguintes, um feroz antagonismo por parte dos EUA e seus agentes de influência no País.

    No seminário do CEBRI, o recado de Washington foi transmitido, inicialmente, pela embaixadora Susan Burk, representante especial da Casa Branca para assuntos de não-proliferação nuclear, que também esteve em Brasília para uma reunião com as suas contrapartes brasileiras. Segundo a Folha de S. Paulo (29/10/2009), o Itamaraty ter-lhe-ia informado que tanto a criação do banco de urânio como a adesão aos Protocolos Adicionais são vistos como ingerência na soberania nacional. Em entrevista a O Globo de 2 de novembro, ela foi diplomática, dizendo apenas que o banco seria uma oportunidade para que países que tenham reatores nucleares não precisem investir em dispendiosas instalações de enriquecimento de urânio e de disposição dos resíduos nucleares.

    Menos diplomático, o presidente do Ploughshares Fund, Joseph Cirincione, questionou abertamente as intenções nucleares brasileiras. O Ploughshares Fund é um dos numerosos think-tanks estadunidenses que atua como linha auxiliar do governo na promoção de certas diretrizes políticas de interesse do Establishment, e Cirincione é um veterano representante oficioso de tais posições. Portanto, suas palavras representam os poderes estabelecidos e não as de um acadêmico instalado em uma organização não-governamental falando em caráter particular. E ele foi direto: “Não há justificativa econômica para o Brasil prosseguir o enriquecimento de urânio. Há muita disponibilidade de combustível para reatores (Folha de S. Paulo, 30/10/2009).”

    Cirincione disse com todas as letras que vê riscos de que o Brasil pretenda construir artefatos nucleares a partir dos programas de enriquecimento de urânio e de construção de submarinos nucleares. Ademais, afirmou que a recusa a aderir aos Protocolos Adicionais “cria um modelo negativo, por exemplo, para Egito e Arábia Saudita, que estão pensando em ter seus programas”.

    Na mesma linha, foi o belga Pierre Goldschmidt, ex-diretor de Salvaguardas da AIEA e atual pesquisador da Fundação Carnegie na Bélgica. Com a arrogância típica dos altos serviçais do Establishment, Goldschmidt chegou a questionar a proibição constitucional de desenvolvimento de armas nucleares pelo Brasil: “Afirmar que o Brasil proíbe em sua Constituição o desenvolvimento de armas atômicas não é mais suficiente (Folha de S. Paulo, 31/10/2009).”

    Semelhante investida gerou uma firme reação de alguns participantes brasileiros. O ex-diplomata e diretor do CEBRI Marcos de Azambuja foi efusivamente aplaudido ao afirmar:

    O Brasil cumpre todas as normas da AIEA e acredito que eventualmente assinará o Protocolo Adicional, mas não fará isso diante de uma intimação e acusações que não são legítimas... O risco de proliferação nuclear não virá do Brasil. Somos obedientes ao TNP e não devemos satisfações. Somos o elemento de paz e segurança no continente. O Brasil acha que faz mais do que devia e que a bola agora está do outro lado do campo. Embora seja a favor de que o Brasil assine o protocolo, não tenho certeza se devemos fazê-lo agora ou usar nossa posição como uma estratégia para forçar a quem tem armas a se desarmar (Jornal do Brasil, 31/10/2009).

    O presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), Odair Dias Gonçalves, ironizou: “O Brasil é um novo jogador que entra no esquema. E um jogador muito forte, porque somos um dos três países do mundo que têm urânio e capacidade de enriquecimento... O que é econômico? Deixar outras pessoas virem ao país, explorarem o nosso urânio e o levarem?”

    Ademais, Gonçalves disparou uma farpa contra os representantes do poder hegemônico: “Temos um controle muito rígido. É impossível a hipótese de enriquecer sem que a AIEA fique sabendo. Todas as nossas instalações nucleares estão sob salvaguardas da AIEA, inclusive as militares, um dos poucos casos no mundo.”

    Outro ponto de realidade no seminário veio do presidente do Centro Russo para Estudos de Políticas e consultor do Ministério da Defesa da Federação Russa, Vladimir Orlov, que disse sem meias palavras que os arsenais nucleares de Israel e do Paquistão (ambos não-signatários do TNP) constituem problemas mais graves do que o controvertido programa de enriquecimento de urânio do Irã. “Temos que mudar a lista de prioridades. O Irã está lá, mas não é o número um. Israel, sim, pode explodir a conferência [referindo-se à próxima revisão do TNP], e o Paquistão é um Estado falido com armas nucleares”, disse ele (Folha de S. Paulo, 30/10/2009).

    Assim como já havia ocorrido com a celeuma criada pela AEIA em torno da publicação do livro A Física dos explosivos nucleares, do físico Dalton Ellery Girão Barroso (Resenha Estratégica, 9/09/2009), a arrogância e a agressividade dos representantes do Establishment hegemônico no seminário do CEBRI são exemplares das pressões rapidamente crescentes que as lideranças brasileiras terão que contra-arrestar no futuro imediato. Felizmente, as reações decididas de alguns dos debatedores nacionais sugere uma conscientização também crescente de que o País pode e deve estabelecer o seu caminho de forma plenamente soberana, deixando definitivamente para os livros de história a velha tendência de suas elites domésticas ao atrelamento semiautomático às potências hegemônicas de plantão.

    Com respeito aos EUA, o mundo certamente agradeceria se, em vez de tentar reviver o fantasma do Plano Baruch, o presidente Barack Obama orientasse a ainda enorme capacidade científico-tecnológica de seu país para um esforço de desenvolvimento pacífico da energia nuclear em todas as suas formas (a maneira mais segura de evitar a não-proliferação) e eletrificação em escala mundial. Entretanto, se insistir em iniciativas precocemente condenadas como a do seu homófono, corre o risco de aprofundar ainda mais o desgaste de uma presidência que começou sob o signo e as esperanças universais de mudança.

sábado, 7 de novembro de 2009

Cristina Machete