terça-feira, 17 de dezembro de 2019

Glenn entrevista Evo Morales

O Intercept Brasil acaba de publicar entrevista exclusiva que fiz com Evo Morales, ex-presidente da Bolívia. 

Estive com Evo na Cidade do México este mês e tivemos uma conversa extremamente rica e interessante. Falamos sobre seu exílio e o golpe que o tirou do poder, mas também sobre a política regional e global, o papel dos EUA na América Latina e outros temas importantes para o atual contexto político. 

É uma entrevista longa que você verá em vídeo no nosso canal no YouTube.



Um abraço, 



Editor Cofundador da Revista Intercept Brasil

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

Presidente da CNC, José Roberto Tadros, é Cidadão Honorário de Brasília


foto: Erivelton Viana
Iniciativa da Câmara Legislativa foi unânime 

Matéria de Said Barbosa Dib* 


O presidente da CNC - Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo -, também presidente do Conselho Deliberativo Nacional do SEBRAE, José Roberto Tadros, recebeu na terça-feira (26), em solenidade no auditório da sede da CNC na Capital Federal, o título de “Cidadão Honorário de Brasília”. A iniciativa foi do deputado distrital e presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal, deputado Rafael Prudente (MDB-DF), através do Projeto de Decreto Legislativo n°51/2019, aprovado por unanimidade pelos deputados distritais. 

Fizeram parte da mesa na sessão solene em homenagem a José Roberto Tadros, presidida pelo deputado Rafael Prudente (MDB-DF), o presidente da Fecomércio do Distrito Federal, Francisco Maia; o embaixador da Grécia, Ioannis Pediotis; o secretário de Desenvolvimento Econômico do Governo do Distrito Federal, Ruy Coutinho Nascimento, representando o governador Ibaneis Rocha; o presidente da CNA – Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil –, senhor João Martins; e o presidente do SEBRAE nacional, Carlos Melles. 


foto: Erivelton Viana

Prudente relata vida, conquistas profissionais e luta de Roberto Tadros por Brasília 

O deputado Rafael Prudente relatou a vida e a liderança empresarial do homenageado, destacando seu trabalho, particularmente, à frente do SESC e do SENAC. Sua condução à presidência da CNC, segundo o deputado, está “no caminho para construir avanços e consolidar o trabalho que vem sendo feito há anos pela entidade”. 

Ao justificar a homenagem dedicada ao presidente José Roberto Tadros, Prudente afirmou: “Esse trabalho feito com entusiasmo e os reiterados gestos de carinho com Brasília, trazendo investimentos de escolas do SESC e do SENAC, embasam a proposta de outorga do título ao presidente Tadros”. Para Prudente a homenagem representa o reconhecimento dos cidadãos do Distrito Federal aos elevados serviços prestados por José Roberto Tadros, não apenas em relação ao seu trabalho à frente da CNC, mas também “com a realização de outras atividades que orgulham, engrandecem e visam o bem comum da população, trabalhando sempre com entusiasmo e dedicação, se tornando exemplo para nossa cidade”. 

No seu pronunciamento, Prudente fez questão de citar encontros do presidente da CNC com o governador Ibaneis Rocha para tratarem de “soluções para a cidade”. O presidente da Câmara Legislativa, para destacar a dedicação de Roberto Tadros à Brasília, lembrou que há a ideia de se formar na cidade espécie de conselho informal criado pelo governador para estudar, inclusive, a participação da Federação do Comércio (Fecomércio-DF) e o SESC na reforma e administração do Teatro Nacional Cláudio Santoro. “O Sistema ´S` tem muita expertise na área cultural e na administração de teatros. É uma conversa que vamos manter, até mesmo para saber se será viável a execução da proposta”, chegou a dizer o governador Ibaneis para uma coluna do jornal Metrópoles. 

Prudente se referia ao encontro de Tadros em junho passado com o governador Ibaneis. Durante o encontro com o emedebista, o presidente da CNC, José Roberto Tadros, e o presidente da Fecomércio-DF, Francisco Maia, chegaram a anunciar o início da construção de três empreendimentos no Distrito Federal com o objetivo de formar profissionais e preparar trabalhadores para o mercado de trabalho. Segundo o governador, as entidades confirmaram a criação de um “hotel-escola” com cerca de 20 andares no Setor Hoteleiro, onde a CNC tem um terreno, além de dois “restaurantes-escola”: um localizado próximo à estação do metrô da 114 Sul e outro na L2 Sul. 

Por fim, Prudente se ofereceu, em nome dos demais deputados distritais e aclamando a liderança do presidente Tadros, para “juntos, lutarmos pelo Sistema ´S` no Brasil”, momento em que foi aplaudido de pé. 


foto: Erivelton Viana

Tadros destaca talento, obstinação e capacidade de realização dos visionários que fizeram Brasília 

José Roberto Tadros, o novo cidadão honorário de Brasília, começou seu pronunciamento emocionado, mostrando a singularidade e a importância de se receber honraria de Brasília: “ser agraciado com o título de Cidadão Honorário é, para mim, uma honra em qualquer cidade desse país continental que é o Brasil. Mas, em Brasília, essa honra ganha o requinte da genialidade arquitetônica, da inovação urbanística, da perspectiva histórica”. 

Tadros destacou o talento, a obstinação e a capacidade de realização dos visionários que idealizaram e tornaram realidade a Capital do País: “É testemunho da obstinação de Juscelino Kubitschek, de engenheiros, operários, políticos, arquitetos, trabalhadores, cujo suor é parte de cada centímetro desse concreto, de cada linha dessa história. E que história!”. E continuou elogiando os candangos: “Vieram erguer seus monumentos, abandonando suas raízes em outros estados, sobretudo no Nordeste, para iniciar aqui uma nova vida que nasceu junto com as construções que ergueram”. 

Ele comparou a missão de Brasília, como capital criada para unir e desenvolver o País, com a missão da própria CNC: “Aqui estamos, solidamente instalados na nossa sede de Brasília que, junto com a sede do Rio de Janeiro e todas as federações de comércio espalhadas pelo País - junto com o SESC e o SENAC -, contribui para o desenvolvimento não apenas de Brasília, mas também do Brasil. Assim como a capital do Brasil foi criada para unir o nosso País, a CNC existe para fazer de cada negócio do comércio, do serviço e do turismo um participante imprescindível na estrutura maior da instituição, que existe para fomentar o progresso e o desenvolvimento.” 

Roberto Tadros disse que a missão dos que trabalham nos gabinetes de Brasília, para o povo brasileiro, é a mesma que norteia os princípios da Confederação que tem a honra de presidir: “lutar por um Brasil maior, em um ambiente de prosperidade, que estimule investimentos, geração de empregos qualificados e renda. O Sistema Comércio é um parceiro de Brasília e do Distrito Federal, por meio da Fecomércio aqui solidamente instalada e que vem protagonizando um trabalho de excelência. Do SESC, do SENAC e da própria CNC”. 

José Roberto Tadros concluiu o discurso dizendo que a honraria que recebia naquele momento era motivo não apenas “de satisfação e alegria, mas, sobretudo, de aumento da responsabilidade de trabalhar, cada vez mais e com mais esperança e afinco, em prol de um Brasil melhor, de uma Brasília melhor para todos. Que sejamos fiéis aos princípios democráticos que fundaram a CNC e Brasília. Que cada gota do nosso suor possa tornar mais fértil o solo dos ideais e da mais importante missão das lideranças brasileiras: criar um País próspero, diminuir as desigualdades e gerar oportunidades para todos” 



Roberto Tadros: o empreendedor, o sindicalista e o intelectual 

Tadros, além de presidente da CNC, preside também o SESC, o Conselho Nacional do SENAC e é presidente licenciado da Fecomércio/AM - Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas. 

É bacharel em direito, empresário, líder sindical, professor e escritor. É intelectual, membro da Academia Amazonense de Letras (AAL), ocupando a cadeira de nº 26, que tem como patrono Rui Barbosa; membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), ocupando a cadeira nº 8, que tem como patrono o Pe. Manoel da Nóbrega; membro efetivo da Academia de Letras, Ciências e Artes do Amazonas (ALCEAR), ocupando a cadeira nº 8, que tem como patrono o jurista Adriano Queiroz; é ainda cônsul honorário da Grécia na Amazônia. Também foi apaixonado professor de Filosofia, Sociologia e História. 

É autor dos livros: “Da Razão e das Palavras”, “Marco para Novas Gerações”, “Ideias Confessadas”, “O Grande Amazonas em Marcha”. E coautor do livro “Incentivos Fiscais para o Progresso do Amazonas”; e organizador e idealizador do livro “Memorial do Comércio: Histórias das Famílias que Desbravaram o Amazonas” e prefaciador dos livros “Coisas da Tiz” e “Moysés Israel”. 



Formado em Direito pela Universidade Federal do Amazonas, José Roberto Tadros, juntamente com seus três irmãos, deu continuidade ao trabalho empresarial iniciado pelo seu bisavô no Brasil. A família de imigrantes, de origem grega, participou do primeiro estágio de desenvolvimento econômico da Amazônia, durante o Ciclo da Borracha, com atividades de importação e exportação, navegação e aviamento na década de 1870, mesma época em que foi inaugurada a mais antiga empresa do Amazonas, a José Tadros & Cia (1874), onde, aos dezoito anos, José Roberto Tadros iniciou a sua trajetória empresarial. 

A atuação como sindicalista teve início na diretoria do SindHotel-AM - Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Manaus -, do qual se tornou presidente. Sua gestão foi caracterizada pela perseverante defesa dos interesses dos empresários do setor que representava. Em 1986 foi eleito presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Amazonas, do Centro do Comércio do Estado do Amazonas e dos conselhos regionais do SESC e do SENAC. À frente do Sistema FECOMÉRCIO ampliou a atuação do SESC/SENAC, aumentando a capacidade de atendimento desses importantes braços sociais, com unidades terrestres e fluviais. Além disso, modernizou as instalações existentes e iniciou serviços importantes 

O advogado manauara foi, por três décadas, presidente da Fecomércio Amazonas. É profundo conhecedor das dificuldades e das oportunidades da Amazônia e do Brasil. É considerado grande incentivador da cultura e do conhecimento. O empresário amazonense ainda é proprietário do famoso Lord Hotel, de Manaus. 


Depoimentos 

A seguir, alguns depoimentos sobre a vida, a profissão, a personalidade e as realizações do manauara José Roberto Tadros, hoje “Cidadão Honorário de Brasília. Os depoimentos foram coletados durante a bela e calorosa confraternização que se seguiu à sessão em homenagem a Roberto Tadros, na sede da Confederação Nacional do Comércio, em Brasília: 


Leandro Domingos Teixeira Pinto 


Leandro Domingos Teixeira Pinto, formado em Economia e Direito, atual presidente da Fecomércio-AC - Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Acre -, das administrações regionais do SESC e do SENAC e do Conselho de Representantes da Fecomércio naquele estado. Foi eleito com a atual Diretoria da CNC - Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo-, e nomeado para a vice-Presidência Financeira da entidade. Ele deu depoimento sobre José Roberto Tadros. Mostrou a felicidade de ter relação de amizade muito íntima com Roberto Tadros e destacou o amor ao trabalho e ao Brasil do homenageado da noite: “o presidente Tadros, antes de tudo, antes de homem público admirável, é meu amigo. É pessoa extremamente amiga e generosa. Tem muito respeito e carinho pelas pessoas e pelo Brasil. E trabalha, no mínimo, dez horas por dia, sempre querendo ajudar o País a ser grande, menos desigual e mais justo. Este é o Tadros que eu conheço. Tem coração que não cabe dentro do corpo dele. Brasília fez bem com a homenagem”. 

Leandro Domingos disse que conviveu e convive com Tadros, na Confederação Nacional do Comércio, há mais de vinte e cinco anos. E deu mais detalhes sobre o homenageado: “Aprendemos a nos conhecer e, eu, a admirá-lo. É um homem de sensibilidade imensa. Se identifica muito com a Amazônia e com o Brasil. Eu sou do Acre e o Roberto é uma pessoa que conhece o Acre mais do que boa parte dos acreanos. Isto fez com que eu angariasse simpatia muito grande por ele. E uma amizade muito grande. Hoje, inclusive, ele é meu compadre. Dei uma filha para ser apadrinhada por ele, pelo respeito e pela consideração que tenho por ele. Poucas pessoas conheço com a seriedade, a dedicação, a idoneidade do Tadros. É homem que não tem ambições pessoais em detrimento do coletivo. Sempre se preocupando com as pessoas. E eu tenho muito orgulho de tê-lo como meu compadre, como meu amigo e como meu colega de trabalho na CNC. Tive o privilégio de ser escolhido por ele para ser primeiro vice-Presidente Financeiro da Confederação, um dos cargos mais importantes. E eu só aceitei esta responsabilidade por ser Tadros o presidente. Porque ele confiou em mim”. 

Sobre a homenagem que a Câmara Legislativa do DF dedicou a Tadros, Leandro comentou: “É muito merecida. O Roberto tem carinho muito grande por Brasília. Sempre procurou ajudar a cidade. Aqui é um centro de poder. Brasília concentra pessoas do Brasil inteiro. Aqui são tomadas as grandes decisões. E o Tadros vem estudando diuturnamente para ver o que pode fazer para ajudar ainda mais o Distrito Federal. Ele tem trabalhado muito próximo do nosso presidente da Federação do Comércio do DF, Chico Maia, tentando identificar quais são as dificuldades e como resolvê-las. Tem falado também com o governo local. Ele quer é ajudar. Eu tenho certeza que ele vai fazer muito mais pelo DF. E é por isso que ele teve hoje a felicidade de receber o título de ´Cidadão Brasiliense`. Eu conheço bem o Tadros e sei que ele está muito orgulhoso com este reconhecimento. Muito feliz! E, tenha certeza, vai honrar muito este título que recebeu na noite de hoje”. 



Francisco Maia 

O empresário Francisco Maia também fez questão de falar sobre a homenagem ao presidente Tadros. Formado em jornalismo pela UnB - Universidade de Brasília -, mora no DF desde 1963. Foi eleito, por unanimidade, presidente da Fecomércio do Distrito Federal, com a bandeira de promover integração com a CNC e avançar na representatividade da instituição perante os Poderes constituídos e a sociedade brasiliense. É uma das principais testemunhas dos esforços de Tadros em ajudar Brasília. Chico Maia, como é popularmente chamado, disse que era importante esta homenagem “porque ele é um homem das empresas, do comércio. E o comércio de Brasília hoje merece uma liderança nacional do nível do presidente Tadros”. E explicou a importância prática disso: “isso significa, também, que há uma presença maior da CNC aqui em Brasília”. 

No passado, segundo Chico Maia, na época da administração anterior, a CNC tinha presença muito tímida na cidade. Desde que o presidente Tadros assumiu, em novembro do ano passado, segundo ainda Maia, ele passou a estar na cidade toda semana, sempre articulando melhorias para o comércio: “A Diretoria da CNC está presente aqui. Então isso se tornou muito importante para nós, da federação. A importância política disso é que ele procura o presidente, os ministros, os senadores, os deputados, as autoridades de Brasília. Está sempre dando palpite, sempre fazendo sugestões positivas. Amanhã mesmo (quarta, dia 27/11), vão homenagear, na Câmara dos Deputados, os 74 anos da CNC. Eu acho que este título que ele recebeu nesta noite foi muito justo e reconheceu no homenageado aquilo que ele já vem fazendo por Brasília. É importante ressaltarmos isso e darmos a devida importância para esta homenagem”. 



Célio Ferreira de Paiva 

Célio Ferreira de Paiva, presidente do SIMBELEZA-DF - Sindicato dos Salões, Institutos e Centros de Beleza, Estética e Profissionais Autônomos do DF- e diretor da Fecomércio - DF, disse que o título que homenageou José Roberto Tadros foi “supermerecido”, pois considera que Roberto Tadros assumiu como presidente da CNC “com a missão clara de pacificar, de unificar, de dar integração entre as entidades do comércio no DF e a CNC”. Ele explicou que teria havido algumas diferenças nas relações entre a Fecomércio do DF e a CNC no passado, quanto ao funcionamento do SESC e do SENAC, mas que Tadros teria resolvido a situação: “A nossa federação passou por turbulências, passou por desgastes junto à CNC. Com Tadros a gente tem visto que a nossa federação se fortaleceu, foi valorizada e ouvida. Ele tem sido um conciliador, um apoiador das nossas idéias na federação. Tivemos um trabalho, em parceria, em que a CNC atuou fortemente no SENAC e no SESC do Distrito Federal, resolvendo problemas e pendências e melhorando o funcionamento dos serviços. O resultado foi fantástico para as duas instituições. E, consequentemente, para a Fecomércio – DF”. Sobre o assunto, Célio Paiva comentou ainda: “neste ponto ele está levando a sério e obtendo grande sucesso junto às federações de comércio de todo o Brasil. Eu, como diretor da Fecomércio do DF, sou testemunha do trabalho que tem sido feito de integração. Daí este título supermerecido”. 

Sobre as constantes reuniões do presidente Tadros com lideranças e autoridades do GDF – Governo do Distrito Federal -, buscando soluções para problemas do DF, Célio comentou: “é importante tanto por fortalecer a nossa federação aqui, distrital, quanto por aproveitar esta porta aberta pela CNC junto do Governo do Distrito Federal, com resultados óbvios. Temos hoje parceria com o BrB - Banco de Brasília - que, num acordo inicial, começou com a Federação de Comércio do DF, mas que agora se estendeu para a CNC, que já fechou com o banco brasiliense para este ser elemento de fomento do Centro-Oeste. Isto é ganho imenso para o Distrito Federal e para a CNC. Isto é fantástico! E ocorreu graças ao presidente Tadros”. 

Célio fala do acordo que a CNC e o Banco de Brasília firmaram para a oferta de crédito às entidades sindicais ligadas à CNC e empresas do comércio no Centro-Oeste, área de atuação do banco. O convênio foi assinado em 10 de outubro, na reunião mensal da Diretoria da Confederação, na sede do Rio de Janeiro, pelo presidente da entidade, José Roberto Tadros, e o presidente do banco, Paulo Henrique da Costa. Acompanharam também a assinatura o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e o secretário de Economia do DF, André Clemente. 

O acordo de cooperação prevê, por parte das empresas vinculadas aos sindicatos e federações, acesso às linhas de crédito destinadas a investimentos, produtos e serviços do BrB voltados às micro, pequenas e médias empresas. “Vislumbro um belo futuro. Abrimos importante canal de negociação”, afirmou o presidente José Roberto Tadros na ocasião ao governador Ibaneis Rocha sobre o sentido de cooperação entre o governo do Distrito Federal e as entidades do Sistema Comércio. 



Carlos de Souza Andrade 

Esteve presente à homenagem ao presidente José Roberto Tadros, com grande destaque, o empresário Carlos de Souza Andrade, farmacêutico e comerciante, que fez sua trajetória empresarial no comércio farmacêutico baiano, tendo criado a antiga rede Estrela Galdino e a farmácia de manipulação “A Fórmula” – hoje uma franquia. Fundou o Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos da Bahia. Em termos nacionais, ocupou diretorias importantes, como a da ABCFarma - Associação Brasileira do Comércio Farmacêutico - e da Abrafarma - Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias -. Em seu segundo mandato (2018/2022) como presidente da Fecomércio-BA, Andrade também ocupa assentos no Conselho Nacional de Saúde e na Câmara de Saúde Suplementar do Ministério da Saúde, ambos como representante titular da CNC. É ainda presidente do Conselho Deliberativo do SEBRAE na Bahia. 

Sobre a homenagem de Brasília ao presidente Tadros, deu depoimento apaixonado: “Esta data, para nós, é muito importante por estarmos aqui para homenagear o nosso amigo José Roberto Tadros. Brasília, como capital do nosso País, não poderia deixar de fazer esta homenagem”, destacou. 

Ele elogiou o presidente da Fecomércio – DF, Francisco Maia, que, segundo o dirigente Carlos, foi o idealizador da homenagem a Tadros: “nosso amigo Chico Maia muito sabiamente procurou o presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal, Rafael Prudente, que tomou a iniciativa e os deputados concederam este título merecido por unanimidade ao nosso presidente Tadros”. E desejou muito sucesso à Tadros e se pôs à disposição para ajudar o presidente da CNC: “nós, da Bahia, queremos somar ou, quiçá, multiplicar os votos de sucesso para que Tadros sempre continue este presidente dinâmico, competente, sério, trabalhador e que sempre valorizou – e sempre valorizará – o comércio, o serviço e o turismo em nosso País. A Bahia está aqui presente para homenagear, junto com os brasilienses e a brasileiros de todos os recantos do País, o nosso presidente”. Carlos de Souza Andrade lembrou também que considera fundamental a “necessária dobradinha de Tadros com Carlos Melles”, presidente do SEBRAE Nacional: “E tenho certeza de que ele (Tadors), também como presidente do Conselho Deliberativo Nacional do SEBRAE, junto com nosso companheiro, Carlos Melles, presidente atual do SEBRAE, fará trabalho magnífico. Esta dupla, Carlos Melles e Roberto Tadros, um mineiro e um manauara, vai marcar a história do comércio, do serviço e do turismo no nosso País. Com certeza vão plantar essas sementes que grandes, bons e muitos frutos darão. Parabéns presidente Tadros! Parabéns, Brasília!” 


Muni Lourenço Silva Júnior 

O pecuarista do município de Autazes, Muni Lourenço Silva Júnior, administrador, bacharel em direito, pós-graduado em Direto Processual Civil pela Universidade Federal do Amazonas, é membro de diversos colegiados e importante representante do segmento agropecuário do Amazonas e do Brasil. É ainda presidente do Conselho Deliberativo Estadual do SEBRAE no Amazonas. Ele também fez questão de parabenizar o conterrâneo Roberto Tadros. E traçou perfil bastante emocionante do homenageado da noite. 

Muni mostrou a importância da família de Tadros para o Amazonas, destacando a trajetória vitoriosa do homenageado para o nível político nacional: “Presidente Roberto Tadros é conterrâneo que dá orgulho, amazonense ilustre, originário de família tradicional de nosso estado, família empreendedora. Ele sempre pontificou o nosso estado pela sua liderança empresarial no segmento comercial de forma serena, competente, hábil, articulada. Liderança que se projetou para o cenário nacional até bem antes de sua eleição para a presidência da CNC. Liderança que, na verdade, se confirmou com sua chegada à presidência da CNC. Roberto Tadros tem trajetória brilhante de relevantes serviços para o desenvolvimento do Amazonas e da Amazônia”. 

E lembrou ainda o caráter corajoso e visionário de Tadros: “Sempre foi líder importante em toda a Região Norte no segmento comercial. O Amazonas e os amazonenses conhecem perfeitamente as digitais de competência, de capacidade de realização nas inúmeras estruturas físicas do Sistema Fecomércio, SESC e SENAC. Na capital, Manaus, nos municípios do interior do estado, sempre levando capacitação profissional para trabalhadores, promoção social, lazer, esporte e cultura, através desse sistema fantástico que ele, Roberto Tadros, com sua personalidade visionária, corajosa, soube usar em benefício do povo do Amazonas. Personalidade que sempre fez com que ele realizasse muita coisa que outros achavam que era impossível. Como visionário, ele transformou o setor comercial, de serviços e turismo no Amazonas e na Amazônia”. 

No SEBRAE do Amazonas, que presidiu “por alguns mandatos apenas”, segundo Muni Lourenço, “Roberto Tadros soube consolidar a atuação positiva do serviço voltada para o desenvolvimento das micro e pequenas empresas no Amazonas. Certamente, teve papel importante no delineamento dos trabalhos do SEBRAE no estado a longo prazo”. 

Assim como Tadros, Muni é de família também de empreendedores. Seu pai foi amigo de infância de Roberto Tadros. Sobre isso, disse, emocionado: “temos laços de família muito sólidos com ele. E eu vim aqui para aplaudir mais uma vez as virtudes de Tadros nesta noite maravilhosa. Sinto-me representando toda família amazonense fazendo isso”. E completou brincando: “sem ´carregar na tinta`, pois nós somos um tanto quanto suspeitos, porque somos conterrâneos, grandes amigos, tenho com muita clareza que todas as homenagens serão poucas a José Roberto Tadros por toda a sua dedicação, seu comprometimento, sua folha de serviços prestados ao Amazonas, à Amazônia e ao Brasil. E pelo que vemos, com esta linda e merecida homenagem de hoje, também à Brasília”. 

*Said Barbosa Dib é historiador, analista político, jornalista, professor e assessor de imprensa da Presidência do Conselho Deliberativo Nacional do SEBRAE

terça-feira, 11 de junho de 2019

Greenwald sobre a Globo: "aliada, amiga, parceira e sócia" da Lava Jato

O Jornalista Glenn Greenwald, do The Intercept Brasil, em bela entrevista dada ao jornalista Thiago Domenici, da Agência Publicaafirma que documentos obtidos por eles mostram como o “juiz” justiceiro Moro e seu fiel escudeiro, o militante Dallagnol, sempre conspiraram com a Globo contra a democracia e o País: "(...) porque a Globo e a força-tarefa da Lava Jato são parceiras. E os documentos mostram isso, né? Não é só eu que estou falando isso por causa da Globo. Os documentos mostram como Moro e Deltan estão trabalhando juntos com a Globo (...)".
Glenn fala também de como a Globo insiste e procura proteger a sua sociedade política com a Lava Jato, mesmo depois de reveladas as gravações. Ele afirma categoricamente que “a Globo foi para a Força Tarefa da Lava Jato aliada, amiga, parceira, sócia”. E promete provas que serão reveladas nas próximas reportagens: "e nós vamos reportar (...)"
Vamos aguardar ansiosos. Com certeza teremos uma “minissérie” que abalará o País e que realmente mereça o título de “O Mecanismo”. Será que José Padilha vai assistir? Será que aprenderá como as coisas verdadeiramente funcionam? Veremos... 

Confira a íntegra da excelente entrevista de Thiago Domenici, clicando aqui.

Julian Assange: “Carta do cárcere”


Segundo o portal progressista português resistir.info, "nos primeiros comentários públicos após a sua prisão, Julian Assange, fundador e editor da WikiLeaks, pormenorizou as condições repressivas que enfrenta na prisão britânica de Belmarsh e apelou a uma campanha contra a ameaça da sua extradição para os Estados Unidos.


Os comentários de Assange foram formulados em carta dirigida ao jornalista britânico independente Gordon Dimmack, o qual decidiu torná-la pública na sequência do anúncio feito quinta-feira passada pelo Ministério da Justiça dos EUA de novas acusações contra Assange com base numa antiga lei sobre espionagem". 


Segundo o portal progressista português, "´o estado de saúde de Assange deteriora-se´a olhos vistos. É o que confirma esta foto, feita clandestinamente dentro do presídio britânico de Belmarsh. Explica o portal: ´A foto foi tirada por outro prisioneiro com um celular (ilegal), enviada para o exterior e publicada na web . A aparência magérrima de Assange, quase cadavérica, é evidente. As autoridades britânicas, em conluio com as estado-unidenses, estão a fazer todo o possível para matar Assange. Chegam mesmo a criar dificuldades para os cuidados médicos de que precisa ´". 

Eis o texto completo da carta de Assange a Gordon Dimmack: 

"Fui isolado de toda capacidade para preparar a minha defesa, nem laptop, nem internet, nem computador, nem biblioteca até agora, mas mesmo que eu obtenha acesso [à biblioteca] será apenas por meia hora junto com toda a gente uma vez por semana. Apenas duas visitas por mês e leva semanas para conseguir [inserir] alguém na lista de entrada. É uma situação sem saída(Catch-22) conseguir que os seus pormenores sejam examinados pela segurança. Assim, todas as chamadas excepto com o advogado são gravadas e são num máximo de 10 minutos e num [período] limitado de 30 minutos em cada dia no qual todos os prisioneiros competem pelo telefone. E o crédito? Apenas algumas libras por semana e ninguém pode ligar. 

[Estou diante de] uma superpotência que tem estado a preparar-se durante nove anos com centenas de pessoas e incontáveis milhões gastos no caso. Estou indefeso e conto consigo e outros de bom carácter para salvar minha vida. Estou intacto embora literalmente cercado de assassinos. Mas os dias em que eu podia ler, falar e organizar para defender a mim próprio, os meus ideais e o meu povo estão acabados até eu estar livre. Todos os demais devem tomar o meu lugar. 

O governo dos EUA, ou melhor, aqueles elementos lamentáveis que odeiam a verdade, a liberdade e a justiça querem trapacear a fim de obter minha extradição e morte ao invés de permitir ao público que ouça a verdade pela qual ganhei os maiores prémios de jornalismo e ter sido nomeado sete vezes para o Prémio Nobel da Paz. 

Em última análise, a verdade é tudo o que temos." 

25/Maio/2019

O original encontra-se em: 



Esta carta também está em: http://resistir.info/.

terça-feira, 30 de abril de 2019

Modernidade: bela, mas manca

Por Said Barbosa Dib

Li numa enciclopédia que tecnologia pode ser definida como “as formas e os processos pelos quais, com base no conhecimento socialmente adquirido, o ser humano transforma a Natureza”, teoricamente, em seu benefício. Ao transformarem o mundo para atender seus interesses, as sociedades humanas também mudam. Criam novas necessidades, adquirem novos hábitos e passam a ter novas mentalidades e novas necessidades. Foi assim desde a pedra lascada e a invenção da roda até o advento da Era Digital. Mas, contraditoriamente, a evolução cria novos problemas. Exemplo bem simples, mas didático: o advento da faca de metal facilitou a caça e aumentou o acesso dos homens às proteínas dos animais, mas também, contraditoriamente, serviu para facilitar assassinatos. Outro: o controle da energia atômica pode iluminar cidades e países inteiros, sendo menos poluente do que a queima dos combustíveis fósseis, mas também pode dizimar a Civilização. Ou: a Internet, que facilitou a comunicação entre os povos, também trouxe aberrações comportamentais e toda espécie de perigos para nossos jovens, como a pedofilia e coisas do gênero. 
Nos três casos, o que faz o avanço tecnológico ser benéfico ou não para o conjunto da sociedade é o poder, o uso que se faz dele, portanto, a força de um grupo social sobre o outro. Nem a faca, nem a energia atômica, nem muito menos a Rede Mundial são, em si, coisas ruins. E quem determina este uso é quem detém o poder. Quanto maiores são as desigualdades mais ostensivas são as relações de poder. No cotidiano atual, destacadamente desigual e injusto, tal contradição é facilmente identificada. Os avanços tecnológicos, que deveriam servir para facilitar e melhorar a vida dos cidadãos, quase sempre atrapalham. Os bancos brasileiros, por exemplo, são extremamente competentes quando o assunto é a informatização dos seus serviços. 
Mesmo com relação ao que chamam de “Primeiro Mundo”, os “itaús” e “bradescos” da vida dão show. Hoje, temos agências limpinhas, modernas e altamente informatizadas. Os caixas eletrônicos são uma coisa impressionante. Sinto-me num filme de ficção científica quando tenho o prazer (?) de manipular aquilo. Dias destes, tinha umas trezentas contas para pagar. Todas com leitura ótica e coisa e tal. Todas preparadas para facilitar… a minha vida? Não. Para facilitar o pagamento, para evitar a inadimplência. Tanto o banco quanto a empresa conveniada, cujo boleto eu tinha que pagar, tudo fizeram para que isto ocorresse com segurança e eficácia. E não estão errados por isso. Mas, parado ali na fila, pensando, comecei a refletir: “mas… a fila, que sempre foi a grande desgraça de todo cliente de banco, curiosamente, continuava uma realidade assustadora. Mais assustadora do que antes, mais lenta do que antes, mais irritante do que antes. Como era dia de pagamento de funcionários públicos e aposentados, na minha frente havia pelo menos uns cinco velhinhos. Todos eles demoravam cinco anos para digitar suas próprias contas. Era realmente irritante. Uma tortura. Tive vontade de arrancar aqueles senhores e aquelas senhorinhas da fila e fazer o pagamento para eles. Duas moças bonitinhas, uniformizadas, modernas, que estavam ali, tentavam ajudar, mas a coisa não rendia. Eram duas moças para umas dez filas cheias. Olhei para os lados e percebi que a agência era realmente moderna. Tão moderna que não havia mais nenhum bancário no sentido clássico, nenhum caixa não-eletrônico, quase nenhum ser humano. Havia apenas máquinas. As benditas máquinas. Não. Minto. Havia, sim, um bando de gerentes ávidos em fornecer empréstimos, com suas mesinhas arrumadinhas, seus terninhos bonitinhos, seus lap tops moderninhos e por aí vai. Desisti. Resignado, esperei a batalha dos velhinhos contra o Progresso. Como a coisa demorou, tive tempo para nova reflexão sobre a modernidade: aquele cenário mostrava que aquela parafernália eletrônica toda só tinha servido não para facilitar a minha vida, mas para dizimar a categoria dos bancários, de um lado, e garantir com segurança o recebimento das contas que nós, clientes, tínhamos que pagar. E, claro, o lucro do banqueiro. Sim, porque, se não me engano, antes, quando havia caixa humano, era ele quem tinha que digitar, calcular e passar na maquininha os nossos boletos. Ele era o trabalhador, eu, o cliente. 
Agora, com a “modernidade”, a fila era a mesma, mas quem passou a ter a tarefa de digitar, passar cartão, calcular, etc, era justamente eu. Eu e aquele velhinho, quase sem visão, que estava bem ali na minha frente. Ou seja, com a eliminação dos bancários, com a eliminação das greves que sempre faziam, com a eliminação de toda uma categoria de trabalhadores, eliminou-se não a fila, mas a dor de cabeça dos banqueiros com os chatos dos trabalhadores. E nós, clientes, antes apenas clientes, passamos a trabalhar para o banqueiro, de graça! De graça!!! 

Quando saí do banco, furioso, entrei no meu carro. Tinha que correr, pois estava atrasado para o trabalho. Trânsito caótico. Uma batida de carros ultramodernos impedia a passagem no moderno eixinho W Norte, da moderníssima Brasília. Ficamos esperando. Modernidade buzinando por todo lado, modernidade engarrafada, modernidade batida, modernidade a me perseguir por todos os lados. Mas, não vi nenhum arcaico policial ou agente de trânsito para instruir os carros, para colocar ordem naquele caos moderno. De repente, uma brecha. Os donos dos carros batidos, eles mesmos, sem perícia, sem policiais, sem DETRAN, sem ninguém do governo, conseguiram afastar seus automóveis e permitiram a nossa passagem. Eu estava muito atrasado. Poderia perder o emprego. Menos de um quilômetro depois, passei por moderníssima barreira eletrônica, que numa precisão impressionante, me flagrou a 65Km/h, onde só se admitia uma civilizada – e moderna – velocidade de 60.
Cheguei ao serviço atrasado. Modernamente, meu cartão de ponto digital registrou na maldita maquininha, que meu patrão tinha adquirido há poucas semanas, o meu pecado nada moderno. Comecei a trabalhar que nem doido para vencer o relógio digital pregado na parede e compensar o atraso. Consegui fazer tudo. Ufa! Deu tempo. 
Terminada a tortura, sentei um pouco para descansar antes de pegar o trânsito macabro que a moderna cidade de Brasília tem naqueles horários em que os funcionários vão para casa. Peguei um jornal e tentei esfriar a cabeça. A primeira coisa que li foi uma manchete que dizia: “Sistema que permite bloquear bens para pagamento de dívidas foi testado e aprovado”. No lead da notícia, a informação: 

“O sistema que permite o bloqueio online de bens pela Justiça, que foi estendido ontem para todo o país, começou como projeto-piloto no Tribunal Regional do Trabalho da 10ª região (Distrito Federal e Tocantins) e rendeu bons frutos”. E na matéria, a explicação: “Agora, o modelo poderá ser utilizado por todos os juízes do Brasil, segundo decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O Renajud, como é chamado, permite aos magistrados de qualquer instância consultar a base de dados sobre veículos e proprietários no Registro Nacional de Veículos (Renavam) e inserir restrições impedindo transferências, licenciamento e circulação”. 

Lembrei-me da ausência do DETRAN-DF na batida que presenciei. Rasguei o jornal, joguei-o no lixo e pensei: “esta tal de modernidade tá parecendo aquela moça linda e manca de Brás Cubas, de Machado de Assis, nas suas memórias póstumas: “coxa, porém tão bela… tão bela, mas coxa.”.

*Said Barbosa Dib é historiador e analista político em Brasília

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

O Hino, o Patriotismo e as confusões sobre o assunto


Por Said Barbosa Dib*

Ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, reconheceu que errou ao pedir que as escolas filmassem as crianças cantando o Hino Nacional, sem a autorização dos pais. As críticas foram constantes. Marcelo Freixo divulgou na Internet: “Cantar hino (sic), pode. O que não pode é fazer propaganda política na escola”. É compreensivo o comentário diante do absurdo do MEC, mas Freixo foi infeliz. Aceitou a idéia de Bolsonaro de que o Hino pertence a ele e aos seus aliados. O Hino não é apropriação de ninguém. Não pertence a nenhuma facção, grupo, classe ou indivíduo. É símbolo nacional de todos os brasileiros. Não tem nada que ver com conflitos político-partidários. Condenar a ação inconstitucional do ministro do MEC em querer impor slogan da candidatura Bolsonaro às nossas escolas - e a ilegalidade flagrante em se querer filmar crianças para fins políticos - é uma coisa. Outra coisa é o Hino, que, legalmente, teria que ser obrigatório desde 1971. Mas, independentemente de ser obrigatório, é imperativo moral e motivo de orgulho para todo brasileiro.  Por que?
Porque o Hino é, como os demais símbolos nacionais, elemento que permeia toda a nacionalidade e representa síntese do patriotismo. Embora patriotismo, necessariamente, seja ideologia como outra qualquer. Embora fundamental para o “amor próprio” de uma nação é apenas idéia. Idéias não têm cor nem cheiro. E como tal, sempre há diferença entre o que se deseja do mundo e como este funciona efetivamente. As idéias, por si mesmas, não matam, não destroem, não prejudicam. E por si mesmas, também não salvam, não libertam, não agradam, não levam ninguém ao Paraíso. Mas uma idéia, em contextos diferentes e submetida a interesses conflitantes, pode se tornar coisa boa ou ruim. Como uma faca, que pode matar ou alimentar, dependendo do uso que se faz dela. Quem pode dizer que conceitos tão bonitos - e que contribuíram imensamente com a evolução da Humanidade - como cristianismo, socialismo, liberalismo político ou democracia, sejam, por si mesmos, bons ou ruins, até que sejam confrontados com a realidade? A verdade é que, ao contrário do que pensam alguns, o patriotismo é fundamental quando se fala de Estado-Nação no mundo contemporâneo em processo de globalização. Mesmo que estados totalitários tenham, historicamente, sempre se utilizado do nacionalismo exacerbado para respaldarem seus poderes, isto não significa que as pessoas, sejam de esquerda ou de direita, não tenham que ser patriotas.


Sabe-se que, em nome de boas ações, o Inferno está cheio. Em nome do cristianismo, quantos não foram queimados pela Inquisição? Em nome da “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, da Revolução Francesa, quantos não foram guilhotinados? Em nome do socialismo, quantos não foram exterminados ou exilados na Sibéria? Em nome do liberalismo, quanto caos econômico não foi gerado? Em nome da democracia, quantas nações não foram invadidas ou sofreram intervenções diretas ou indiretas pelos EUA? Mas os avanços da Civilização e os princípios do Estado Democrático de Direito dependeram muito dessas idéias e dos homens que acreditaram nelas. E é justamente por isso que, falando de patriotismo, vemos que é idéia importante e bonita que, se não for praticada nos tempos de paz e normalidade, pode se tornar alimento perigoso para as soluções “fáceis” nos momentos de crise e de ameaça. Não quer dizer que a idéia, em si, seja boa ou má. Por isso, patriotismo, por definição, deve ser sempre regra e pressuposto de uma nação soberana e democrática, nunca exceção apenas para os momentos de dificuldade, pois, desta forma, pode virar fermento certo para exageros totalitários.
Patriotismo travestido de patriotada torna-se ruim e destrutivo quando é usado apenas nas soluções para crises agudas, não como prática constante e saudável de valorização cidadã do que nos pertence e do que amamos: nós mesmos, nossos imensos recursos, nossos valores, nossos cidadãos, nossa História. O nacionalismo desesperado, engendrado em momentos de crise, se manifesta como “estado febril e tardio do patriotismo”, como dizia o padre Fernando Bastos de Ávila. Por isso mesmo, corre-se o perigo de se tornar, quando a situação apresenta-se insuportável, algo de chauvinismo e de xenofobia. A patriotada, seja de um Lula da Silva ou de um Bolsonaro da vida, pode ser ruína para todos. Patriotismo verdadeiro, ao contrário, é sempre positivo. Não visa a vantagens pessoais nem aos descaminhos da intolerância. Ao contrário, é capaz de sacrifício despojado, “inclusive o da própria vida, pelo bem comum”, como dizia Rui Barbosa. Rui Barbosa, aliás, que apresentou sua definição de Pátria por ocasião da solenidade de formatura de jovens no Liceu do Colégio Anchieta de Friburgo, em 1903, tornando-se um dos momentos mais conhecidos de sua oratória cívica. Fazendo exortação à União, mas sempre preocupado com o pluralismo democrático, ensinava:
“A pátria não é um monopólio, a Pátria são os que não conspiram, os que não sublevam. Não foram poucas as ocasiões em que se tentou fazer dela e de seus símbolos monopólio de uma classe, de uma corporação, de uma ideologia. A pátria não é ninguém: são todos; e cada qual tem no seio dela o mesmo direito à idéia, à palavra, à associação. A Pátria não é um sistema, nem uma seita, nem um monopólio, nem uma forma de governo: é o céu, o solo, o povo, a tradição, a consciência, o lar, o berço dos filhos e o túmulo dos antepassados, a comunhão da lei, da língua e da liberdade. Os que a servem são os que não invejam, os que não infamam, os que não conspiram, os que não sublevam, os que não desalentam, os que não emudecem, os que não se acobardam, mas resistem, mas ensinam, mas esforçam, mas pacificam, mas discutem, mas praticam a justiça, a admiração, o entusiasmo. Porque todos os sentimentos grandes são benignos, e residem originariamente no amor. No próprio patriotismo armado, o mais difícil da vocação, e a sua dignidade, não está no matar, mas no morrer. A guerra, legitimamente, não pode ser o extermínio, nem a ambição: é simplesmente a defesa. Além desses limites, seria um flagelo bárbaro, que o patriotismo repudia."
Esta definição de Rui sobre a Pátria encanta. Encara o patriotismo não como manifestação de ufanismo fácil, mas como robusta afirmação do alcance universal do conceito, por cima de todas as divisões. É definição profundamente ligada ao conceito de democracia, formulada numa oratória inteligente que jamais deve ser esquecida, simplesmente porque hoje, como nunca, precisamos nos redescobrir, nos repensar, nos unirmos e darmos a nós mesmos o devido valor.

Said Barbosa Dib é historiador e analista político em Brasília

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

A REVOLUÇÃO PREDICATIVA

Amigos, lá pelos idos de maio de 2008 escrevi conto infanto-juvenil que tem tudo que ver com a política atual de acirramento dos ânimos políticos. Gostaria que dessem uma olhada e refletissem comigo. Críticas serão muito bem vindas. Confiram:



Por Said Barbosa Dib, historiador e analista político goiano, radicado em Brasília.

Tarde da noite. Foi dia cansativo de trabalho na “repartição”. Mesmo assim, inspirado, o poeta se senta à escrivaninha. Resolve fazer uma composição. O tema? Claro! Mulheres. Tinha conhecido jovem bonita e muito atraente. Como de costume, acende o cigarro, posiciona-se na cadeira. Dá trago profundo, coloca a mão na testa e, franzindo o semblante, olha para cima, como se pudesse apanhar as primeiras palavras na fumaça que se dissipa.
Na folha de papel, o inusitado: o Verbo, revoltado com o Substantivo, dá piti. Nega-se a agir. Gesticulando acintosamente as mãos, como se fosse matrona italiana dos cortiços de São Paulo do século XIX, lança desaforos indignados. Acusa o companheiro antigo de frase de o estar explorando. Desabafo verdadeiramente sentido. Contido nos últimos sete mil anos de escrita. O Substantivo, assombrado, no início não sabe como reagir ou o que dizer. Com olhar esnobe de lorde inglês, arqueando a sobrancelha direita, tenta acalmar o amigo apenas não dizendo nada e fingindo entender o que se passa. Bate compassadamente a mão direita nas costas do Verbo e arqueia a fronte com seriedade, como se o tivesse confortando. Procura perdoar o que considera sinceramente “um ato irracional”, comportamento ridículo, mesmo.
Quando a explosão verborrágica parece terminar, o Substantivo apenas tenta ponderar com aquela lenta e cansativa retórica, que lhe é peculiar:
“Maaasss... meu caro Verbo, velho amigo e companheiro, acalma-te! No sistema de classificação das palavras as coisas são assim mesmo. Cada um tem a sua missão natural. Eu sou, alguns me ajudam a agir, outros qualificam o que faço. Mas, tenho consciência de que sou o sujeito ativo de tudo isso. É tarefa muito pesada para mim, mas procuro fazer o melhor. É assim que, há muito, as coisas funcionam. Não podem ser mudadas agora. É a ordem adequada e harmônica das funções das palavras. A minha foi, é e sempre será a de dar nome ao que existe e ao que não existe. Sou aquele que determina o Ser de tudo que há...”.
E por aí enveredou o discurso do Substantivo. Mas, apenas para conter momentaneamente a ira do colega, precisando ser diplomático e dando uma amenizada na situação, completou sem muita sinceridade:
“Reconheço, tu és um grande auxiliar, um importante colaborador. Preciso de tua participação, pois me ajudas a dar movimento ao mundo. Sem teu apoio em todo este magnífico esquema tudo ficaria tediosamente parado...”.
Mal o Substantivo termina de falar, o Verbo não se contém. Com o peso de mil elefantes, caem-lhe à mente as expressões “auxiliar”, “colaborador”, “ajuda” e “apoio”. E, de imediato, retruca com paixão:
“Tuas palavras são a tua confissão, miserável sanguessuga! Tu és autoritário e arrogante, um egoísta insuportável. Achas que tudo que existe, existe para lhe servir. Esta prepotência descomunal é justamente o que me deixa revoltado, pois não adianta apenas que as coisas do mundo sejam. Elas têm necessidade imperiosa da ação, que é o que faço. E muito bem!”.
E demonstrando a fonte “subversiva” de onde bebera tanta rebeldia, tenta explicar:
“Andei lendo certo alemão muito interessante: Karl Marx. Ele me ensinou que o “Ser” não existe sem o que ele chama de ´Práxis`, a prática, a ação, entende? Não adianta ficar filosofando sobre o mundo. É necessário transformá-lo efetivamente. E somente eu sou capaz disso. Portanto, tu és apenas a consequência do meu trabalho. Na verdade, sem mim, tu não existirias. Tu vives às minhas custas. Verdadeiro parasita de meu esforço. Sem mim, o mundo das palavras seria congelado e enfadonho, sem emoções, sem aventuras, sem dinâmica alguma”.
E, forçando um pouco a barra, se empolga:
“Sou a Palavra criadora do Universo... Sou a palavra de Deus. Sou eu quem fez o mundo, que faço os raios e trovões existiram; sou eu quem dá sentido e qualidade a todos os personagens...”.
À medida que o Verbo deixa, às borbotões, seu discurso indignado fluir, se sente mais e mais corajoso. Chega a bufar de ansiedade. Esbraveja com a boca bem próxima ao oponente e as palavras vêm eivadas de boa quantidade de salivas arremessadas a esmo. O Substantivo, por seu lado, mesmo já irritado, se mantém em seu pedestal, imóvel, fingindo compreensão. E até tenta argumentar, dizendo:
“Embora diferentes as classes e funções das palavras, entre nós não há desigualdade alguma”.
Seriam, segundo o Substantivo, utilizando-se até de conceito sociológico, “diferenças horizontais”, aquelas que são diferentes, mas não desiguais, onde cada um teria função específica, pré-determinada. E arremata, tentando dar uma amenizada, num tom acadêmico insuportável:
“São funções muito bem definidas, mas que pertencem a um todo orgânico que funciona harmonicamente”.
O panfletário e raivoso Verbo, com olhar esbugalhado, confiante e desafiador, como nunca havia tido, não se convenceu. Estava determinado em seguir adiante. E conclui com estas palavras:
“Que harmonia que nada! Teu sistema totalizador só faz nos manter em nossos grilhões. Sou eu, com o suor do meu trabalho, quem sustenta, quem dá vida aos parasitas como tu; sou eu quem viabiliza a dinâmica de todas as narrativas, descrições, dissertações, prosas, poesias, enfim, tudo que existe para ser contado. Mas és tu que se beneficia. Por isso, de agora em diante, exijo o reconhecimento que sempre me foi negado”.
Quando a contenda começa a se tornar mais acirrada, multidão curiosa de palavras, das classes mais variadas, já está se amontoando ao redor dos dois concorrentes. A maioria não entende nada do que se passa. Uns poucos que percebem a razão de ser do bate-boca, logo tomam parte de um ou do outro lado. A confusão começa a se instalar. Partidários de uma e de outra tese logo se manifestam. A desordem é geral. Nessa algazarra toda, os adjetivos se entusiasmam e logo tentam uma terceira via. Dizem que têm missão nas funções das palavras tão importante – ou até mais – quanto à do Substantivo e do Verbo. Argumentam que “a determinação do Ser e a sua ação, funções respectivamente do Substantivo e do Verbo”, seriam “funções incompletas se não fossem aperfeiçoadas por eles”, os adjetivos, que expressam o que, para eles - lógico! -, seria o mais importante: a qualidade, propriedade ou estado das coisas. E se empolgam, afirmando tolamente, mas com convicção: “num mundo globalizado, da luta de todos contra todos, a qualidade determina a eficácia, portanto, permite vencer a concorrência, o que é o mais importante”. Segundo esta facção, tais atributos “é que dão vida, que humanizam, que qualificam e que exprimem uma essência ontológica variada e viva a todas as coisas que podem ser expressas por palavras”. Defendem, portanto, a pluralidade de seres... e blá, blá, blá... e ... blá, blá, blá....


Partidários do Verbo, mais organizados no momento, reagem. Logo se voltam violentamente contra a opinião da facção dos adjetivos, considerados perigosos para a “sonhada união entre todos os predicativos”. A tensão aumenta e o clima já é quase de guerra escancarada, quando o Verbo e seus partidários percebem que a multidão está por demais dividida. Por isso, pragmaticamente, mudam de estratégia: ao invés de combaterem os adjetivos, começam a aliciá-los. Passam a defender que o grande inimigo - o oponente comum que deveria ser aniquilado - é realmente o Substantivo, “o responsável pela escravização de todas as outras classes de palavras”. Sentem que é necessário unir todas contra os substantivos. E é o que ocorre.
Quando o Verbo percebe que a estratégia é correta, ao sentir que havia realmente uma antipatia comum de todos os predicativos contra os substantivos, propõe com indescritível retórica:
“Predicativos de todos os matizes!!! Uni-vos!!! Só há um grande e perigoso inimigo para todos nós predicativos: os substantivos. Eles, como sujeitos, veem nos escravizando há séculos. Com seu domínio, não temos vida própria. Vivemos em função deles e nada nos é compensado. Levam a fama, o reconhecimento, a glória. Mas, chega! É o momento de acabarmos com isso, agora!!!”.
Ditas estas palavras, o Verbo consegue arregimentar força entre todos os predicativos que, a partir daquele momento, não admitiriam mais ser denominados de “predicativos do Sujeito”. É assim que, do Verbo, surge o Caos revolucionário. Doravante, todos passariam a ser considerados SUJEITOS, sem qualquer distinção ou classificação. Advérbios, artigos, preposições, pronomes, numerais, enfim, todas as classes de palavras, se revoltam contra a ordem estabelecida. Vão à “práxis” pregada pelo grande líder, o Verbo, que, a partir daquele momento, passa a ser o grande timoneiro da Revolução Predicativa.
É necessário que se esclareça que “práxis” quer dizer ação. Portanto, a partir daquele momento, nada de discursos vazios. Medidas práticas importantes são tomadas. São abolidas todas as regras que implicam na dominação de palavras sobre palavras. Não haveria mais hierarquia, regras gramaticais, orações subordinadas, substantivas, nem subordinadas adjetivas, adverbiais ou reduzidas. Ou o que quer que seja que provocasse submissão. Todas, a partir daquele momento, passariam a ter os mesmos direitos. Seria a “a redenção da sintaxe revolucionária”, diziam uns. “A nova ordem linguístico-existencial baseada na auto-gestão gramatical”, gritavam outros. Alguns, mais maquiavélicos, propuseram até a criação de uma organização paramilitar para se garantir que não houvesse, enquanto a Revolução não se consolidasse, “a reação da contrarrevolução substantiva”. Seria chamada “OLP – Organização para Libertação dos Predicativos”. Outros, menos sectários - e não gostando dos métodos terroristas e preferindo ações mais pacifistas -, com apoio de instituições internacionais multilaterais, propuseram a criação do que denominaram “ONG´s, as Organizações Não-Gramaticais”, com ações mais eficazes voltadas para o voluntarismo e a luta por “uma única gramática, universal e sem regras”. Uma terceira tendência, com uma postura não tanto definida, rejeitou tanto as OLP´s quanto as ONG´s. Eram os exaltados partidários da revolução armada. Criaturas radicais, mas que tinham grande controle sobre as massas de palavras e que advogavam “a revolução geral e inexorável que destruiria todos os cânones da gramática tendenciosa, que sempre beneficiou os substantivos”.


Mas, numa coisa todas as chamadas “tendências” concordavam, sem exceções:
- “MORTE AOS SUBSTANTIVOS!!! IGUALDADE PARA TODAS AS PALAVRAS!!!”.
Já no cadafalso, com a corda no pescoço, depois de julgado por um tribunal revolucionário e popular, sem direito de defesa, nem choro nem vela, é dado ao Substantivo, já resignado, a possibilidade de se manifestar. Nervoso, mas determinado, ele professa as palavras derradeiras:
“Todos os poetas, escritores, romancistas, professores, jornalistas, escrivães, enfim, todos os que vivem da língua escrita, sabem que tudo fiz para que houvesse conciliação. Todos que vivem do ofício de escrever são testemunhas do meu esforço em manter a ordem e a harmonia entre as várias classes das cidadãs palavras. Nunca pensei em mim. Sempre me preocupei com o bem geral, o interesse comum, com a colaboração de todos para um único fim: fazer com que nosso Sistema Linguístico pudesse informar bem e servir aos homens. Apenas isso e nada mais. Mas a incompreensão, a calúnia, a insensatez, a...”.
TCHUÚÚÚMMCRRAAACCC!!! O discurso de despedida do Substantivo foi interrompido violentamente pela longa onomatopeia que o atento leitor pode ver transcrita, escolhida pelo comando da Revolução Predicativa para ser a algoz do condenado. Lá estava o corpo do criador de seres estendido na corda, balançando. Daí em diante, esperavam os predicativos, não haveria mais heróis, líderes. A História seria coletiva, os esforços coletivos, os reconhecimentos e glórias, também coletivos. A responsabilidade, grupal. A única cara possível de ser identificada seria a da coletividade, anônima, sem destaques, sem ídolos, sem referências, sem cor nem cheiro, sem responsabilidade, sem nada. Um Novo Mundo em que todos passariam a ser Sujeitos da História... e da Gramática.
Tempos depois, com a Revolução já consolidada, perguntaram ao revolucionário Verbo se não tinha ficado “com pena do Substantivo”, se não tinha sido um exagero, se ele não se sentia arrependido por tudo aquilo. Ele respondeu, lacônico:
“A culpa não é minha, nem de todos nós que fizermos a Revolução. A culpa foi da corda que o enforcou”.
O Poeta, exausto, vendo que não havia mais como escrever e cansado daquela sublevação ridícula das palavras, passou-lhes uma borrachada e foi logo dormir. O resultado mais prático da Revolução Predicativa foi apenas um poeta impedido de escrever.