quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Festival de Brasília do Cinema Brasileiro

Candango polêmico
Tribuna da Imprensa

"FilmeFobia", incômodo trabalho de Kiko Goifman, sai vitorioso do Festival de Brasília
Daniel Schenker Wajnberg
O excelente "FilmeFobia", de Kiko Goifman, projeto que confronta atores e não-atores com (supostamente) suas próprias fobias, venceu a 41ª edição do Festival de Cinema de Brasília, levando os Candangos de melhor filme, ator (Jean-Claude Bernardet), direção de arte (Cris Bierrenbach), montagem (Vânia Debs) e prêmio da crítica.
O resultado foi recebido com aplausos e algumas vaias do público presente ao Cine Brasília, na noite da última terça-feira. Mas nada comparado à reação negativa causada por "Cleópatra", de Julio Bressane, ano passado.
O júri oficial - formado pelo jornalista Artur Xexéo, pelos cineastas Vladimir Carvalho, Carlos Reichenbach, Murilo Salles e Sergio Machado e pelas atrizes Sandra Corveloni e Maria Flor - contemplou todos os filmes em competição (ver abaixo.
"Tudo isso parece um sonho", que parte da "impossibilidade" de fazer um filme sobre um personagem histórico (Gal. Abreu e Lima) em relação ao qual não há imagens de arquivo, ganhou os Candangos de direção e roteiro. "À margem do lixo", de Evaldo Mocarzel, documentário sobre catadores de material reciclável em São Paulo, venceu no quesito fotografia, além do prêmio especial do júri e do prêmio do júri popular. "Fico muito satisfeito que um documentário árduo como este tenha conquistado o público de Brasília", disse Mocarzel. A produtora Assunção Hernandez complementou com contundência: "Esse filme vai chegar à população brasileira de qualquer jeito".
A solução encontrada pelo júri para distribuir os prêmios de atuação num festival marcado pela predominância de documentários foi juntar os Candangos de atriz e atriz coadjuvante e concedê-los ao elenco feminino de "Siri-Ará", de Rosenberg Cariry, que levou também o prêmio de ator coadjuvante para Everaldo Pontes.
Ele dedicou seu Candango a duas musas do cinema brasileiro, as atrizes Isabella, presente ao festival, e Helena Ignez. "O milagre de Santa Luzia", filme que une os muitos Brasis através da sanfona, levou o prêmio de trilha sonora e o Troféu Vagalume, dado pelos espectadores cegos. "Ñande Guarani", documentário que reivindica soluções comuns para os guaranis, espalhados por países da América do Sul, ficou com o de som.
A cerimônia de premiação, transmitida pela TV Brasil, foi marcada pela leitura de uma carta, a cargo do ator Murilo Grossi, reivindicando melhores condições para o cinema realizado em Brasília, que somou 51 produções só este ano. "A maior parte dos filmes foi feita com recursos próprios. Convidamos o governo e empresários do Distrito Federal para que nos ajudem a sair dessa situação vergonhosa".
Correndo por fora, "Se nada mais der certo", de José Eduardo Belmonte, longa vencedor da Première Brasil da última edição do Festival do Rio, ganhou os prêmios Saruê e da equipe do jornal Correio Brasiliense. "Esse trabalho fala sobre ver no outro alguém com quem se pode contar", disse Belmonte.
No terreno dos curtas-metragens em 35mm, dois trabalhos ganharam destaque: o interessante "Superbarroco", de Renata Pinheiro, no qual um personagem se reiventa através de objetos que encontra pelas ruas, e o arrojado "Cães", de Adler Paz e Moacyr Gramacho, escorado em refinado tratamento estético. "Na madrugada", de Duda Gorter, também foi lembrado através dos prêmios de melhor atriz para Ana Lucia Torre, em interpretação filigranada, e do Prêmio Vagalume.
Thiago Mendonça ganhou como melhor diretor por "Minami em Close-up", documentário que traça uma panorâmica da Boca do Lixo paulistana por meio de uma importante publicação ("Cinema em Close-up") editada por Minami Keizi. E a melhor fala da noite foi de Malu Valle, que ganhou o Candango de melhor atriz da mostra 16mm por "Alice". "Por que não podemos assistir com mais freqüência a curtas antes da exibição de longas?", perguntou, lançando, com elegância, uma questão que há muito tempo paira no ar.

Longas
Filme - "FilmeFobia"
Prêmio Especial do Júri - "À margem do lixo"
Prêmio Júri Popular - "À margem do lixo"
Direção - Geraldo Sarno ("Tudo isso parece um sonho")
Ator - Jean-Claude Bernardet ("FilmeFobia")
Ator coadjuvante - Everaldo Pontes ("Siri-Ará")
Atriz e atriz coadjuvante - Elenco feminino de "Siri-Ará"
Roteiro - Geraldo Sarno e Werner Salles ("Tudo isso parece um sonho")
Fotografia - Gustavo Hadba e André Lavenère ("À margem do lixo")
Direção de arte - Cris Bierrenbach ("FilmeFobia")
Trilha sonora - "O milagre de Santa Luzia"
Som - Fernando Cavalcante ("Ñande Guarani")
Montagem - Vânia Debs ("FilmeFobia")
Prêmio da crítica - "FilmeFobia"
Prêmio Vagalume - "O milagre de Santa Luzia"
Prêmio Conterrâneos - "Ñande Guarani"
Prêmio Saruê - "Se nada mais der certo"
Prêmio Correio Brasiliense - "Se nada mais der certo"

Curtas
Filme - "Superbarroco"
Prêmio Júri Popular - "Brasília (Título provisório)"
Direção - Thiago Mendonça ("Minami em close-up")
Ator - Hilton Cobra ("Cães")
Atriz - Ana Lucia Torre ("Na madrugada")
Roteiro - Clarissa Cardoso ("Ana Beatriz")
Fotografia - Pedro Semanovischi ("Cães")
Montagem - Ivan Morales Jr. ("Arquitetura do corpo")
Prêmio da crítica - "Cães"
Prêmio Aquisição Canal Brasil - "Superbarroco"
Prêmio Vagalume - "Na madrugada"
* O repórter viajou a convite da organização do festival

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Programa de Demissão "Voluntária" de FHC


Sarney dá apoio aos servidores prejudicados pelo PDV

Os servidores públicos federais que aderiram aos programas de Demissão Voluntária (PDV) de 1996 e 1999 e que tentam voltar ao trabalho ganharam um reforço de peso. Foram recebidos nesta quarta-feira, 26, pelo senador José Sarney (PMDB-AP). Rejane Ávila Cavalcante Bezerra e Sueli Severina do Nascimento Silva, coordenadoras do Movimento Nacional Unificado pela Readmissão/reintegração dos “Pedevistas” (MURP) se reuniram com o senador para pedir que o ex-presidente interceda junto ao Presidente Lula para que a solução do problema venha do Executivo federal. Isto porque, segundo as representantes, a Justiça não tem sido muito favorável aos ex-servidores que aderiram ao PDV em ações em que eles pedem o retorno à repartição pública. Já existe, inclusive, entendimento pacificado que não teria havido coação e que a adesão aos programas teria sido voluntária. Por isso, a solução seria “eminentemente político. Dependeria de uma decisão do Presidente”. Segundo elas, o advogado trabalhista, Ulisses Borges de Resende, defende a aprovação de uma lei de anistia, pois o Governo Federal tem se empenhado para readmitir os servidores demitidos no governo Collor. Resende afirma ser necessário o mesmo empenho em relação aos pedevistas. Para Rejane Ávila "essas pessoas concordaram com o programa de forma viciada. Vários servidores, inclusive, assinaram sob coação e ameaça de demissão. É necessário corrigir essa injustiça." A promessa do governo FHC era que haveria a indenização para saída do servidor, garantindo-lhe a reinserção no mercado de trabalho e também o preparando para a abertura de seu próprio negócio ou ainda garantindo sua requalificação e aperfeiçoamento profissional. O Ministério do Trabalho, o CODEFAT, o SEBRAE e o Banco do Brasil seriam os órgãos governamentais responsáveis para a efetivação do contrato que seria então celebrado entre Servidor Público Federal e o Governo Federal. Mas, segundo as representantes, “nada foi feito e há oito anos as representantes do MURP tentam uma ajuda com deputados, senadores e até mesmo com o Presidente Lula.


Frente parlamentar em defesa dos “pedevistas”

No dia 12 de novembro foi criada na Câmara uma frente parlamentar que vai estudar formas de viabilizar o retorno das 25 mil pessoas que aderiram ao Plano de Demissão Voluntária (PDV) com o apoio de 182 deputados e 13 senadores. Mas Rejane explicou ao senador Sarney que já teve a oportunidade de falar com Lula pessoalmente e que o presidente se mostrou muito sensível à causa, mas que a burocracia em Brasília estaria dificultando as coisas: “Falamos com o presidente. Ele nos ouviu rapidamente e disse que procurássemos ´o Luis Dulci`, o Ministro-Chefe da Secretaria Geral da Presidência da República. Mas o problema é que não conseguimos ser recebidos por ele até agora. Por isso estamos aqui para falar com Sarney. Em outras oportunidades ele sempre nos recebeu e nos ajudou. Quando era Presidente do Senado, nos ouviu e viabilizou nosso encontro com várias autoridades em Brasília”. Sarney, tão logo soube do teor do pedido, mandou sua assessoria manter contato com o ministro Dulci.Sarney manifestou, ainda, todo seu apoio à causa e disse que deixaria seu gabinete inteiramente a disposição do movimento. Depois comentou: “A onda dita modernizadora dos Anos 90, com toda aquela história de privatização e enxugamento a qualquer custo da máquina pública, provocou distorções e injustiças que causam problemas até hoje. Uma delas é a situação dos pedevistas, que, em grande parte, foram ludibriados. Muitos sofreram pressões, tudo em nome da redução do tamanho do Estado. Na maioria dos casos foram forçados a se demitirem, justamente quando a economia andava a passos lentos. Muito do que foi prometido não foi cumprido. Mas falarei com Lula e com Dulci a respeito”.Segundo Sueli Severina , outra coordenadora que esteve com Sarney, “os pedevistas estão bastante mobilizados. Calculamos que somos 25 mil pessoas das administrações direta e indireta aderiram ao PDV. Só no Amapá são mais de mil.” “O presidente da frente parlamentar que nos apóia é o deputado federal Chico Lopes (PCdoB-CE). Temos tido também todo o apoio do deputado Bala Rocha (PDT-AP). Agora, com o peso político do presidente Sarney, teremos mais força para solucionarmos de vez a questão”, comemorou.

Entrevista com Pasquale Cipro Neto

Jornalista que não lê é como médico que não põe a mão no paciente
Por Victor Barone, no "Observatório da Imprensa"

O professor Pasquale Cipro Neto esteve em Campo Grande (MS) na terça-feira (19/11) proferindo palestra sobre as novas regras na gramática da língua portuguesa que entram em vigor no ano que vem. Pasquale tem um forte envolvimento com o jornalismo. É consultor de língua portuguesa do Departamento de Jornalismo da Rede Globo, em São Paulo, desde 1996, e colunista dos jornais Folha de S.Paulo e Diário do Grande ABC, entre outros. Também assinou o anexo gramatical do Manual de Redação da Folha, onde trabalha há dezoito anos no Programa de Qualidade e na Editoria de Treinamento. Após a palestra – realizada na Câmara Municipal – tive a oportunidade de conversar rapidamente com ele sobre alguns temas relacionados ao Jornalismo.
O senhor tem um envolvimento forte com o jornalismo, convive com profissionais da área diariamente. Diante disso, como os jornalistas estão tratando a língua portuguesa?
Pasquale Cipro Neto – Com altos e baixos. A coisa depende muito do veículo e, dentro dos próprios veículos, também existem altos e baixos. O jornalista tem uma particularidade que não pode ser desprezada nesta análise, que é o tempo. O jornal é feito de agora para daqui a pouco e isso complica muito a vida do jornalista, que precisa redigir depressa, sob pressão, e isso condiciona, tem que ser levado em conta. De modo geral, diria que há altos e baixos, existem textos bons e textos ruins, muito pobres e textos bem feitos, redondos.

Uma cobrança, e não um faz-de-conta

Mas, de forma geral, focando o uso da língua portuguesa pelos que começam agora na profissão, que análise pode ser feita?
P.C.N. –
A coisa está mais para baixo do que para cima. Existe uma pobreza muito grande, não só de expressividade como também de conhecimento. O pessoal não lê. Jornalista que não lê é como médico que não põe a mão no paciente, como dentista que tem medo do barulho da broca.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

domingo, 23 de novembro de 2008

Pronto! Não resisti. Eis o Blog em funcionamento. Leia o que acho sobre Obama...

Obama: o “Mundo sorri”?
Por Said Barbosa Dib*

O Mundo sorri...” Esta foi a romântica manchete do “Correio Braziliense” ao anunciar a eleição de Barack Obama . A “Gazeta Mercantil” comemorou: ``A mudança chegou à América”´. A “Folha de S. Paulo” não deixou por menos e vaticinou: “Vitória histórica de Obama afasta conservadores e derrota racismo”. Até a gloriosa “Tribuna da Imprensa” foi contaminada pelo otimismo hilário: “Obama começa a mudar a história dos EUA”. “O Globo” teve a vantagem de ser menos empolgado: “Mundo celebra a nova cara dos EUA”. Só não entendi o “celebra”. Me considero pertencente ao “mundo” e não celebrei coisa alguma. Surpreendentemente, o “Estadão” não caiu na ladainha e se ateve à informação útil: “Obama começa a escolher equipe para enfrentar a crise”. Mas, a melhor manchete do dia seguinte foi mesmo do JB, que falou do que interessa para nós, brasileiros, denunciando a eterna fuga de capitais: “US$ 4,6 bi saem do país no mês”.

A repercussão

No Congresso, pronunciamentos apressados e oportunistas de parlamentares, quase sempre do “baixo clero”, loucos por holofotes, falando do que não entendem. Até o presidente do Senado, Garibaldi Alves, chegou a tirar uma lasquinha, dizendo que ficou até “às 4h30 para acompanhar a eleição”. Nas páginas internas dos jornalões, dezenas de matérias, charges, colunas e artigos repercutiram e analisaram o fato de forma quase surrealista, não poupando adjetivos apoteóticos. O único que não caiu totalmente na avalanche de sandices, dos que li, foi o senador Sarney que, no seu artigo de sexta-feira na “Folha”, intitulado “Um menino do Havaí”, advertiu: “Os Estados Unidos não vão mudar. Continuarão com seus problemas, suas contradições, sua crise, suas guerras”. Mas, logo depois, como também é um político e tem suas obrigações como um ex-presidente, acabou rasgando a seda, falando da inteligência do eleito, da importância das instituições democráticas dos EUA e coisa e tal. Dias depois, com uma ingenuidade de dar dó, Eduardo Suplicy, entrando de gaiato num outro artigo em que Sarney criticava o discurso da vitória de Obama, da Tribuna do Senado demonstrou todo seu otimismo. Afirmou que a negritude e o partido do presidente eleito são “garantias de que os EUA se preocuparão em ajudar a resolver os problemas da América Latina”. Foi até caridoso com Obama, pois se prontificou “em dialogar e dar sugestões” a respeito do que o eleito pode fazer e colaborar “para que, desde o Alasca até a Patagônia, tenhamos, um dia, a implementação de medidas sociais...” e blá,blá,blá.... Não se sabe se o “Supla”, com a afirmação, pretende convidar Obama para uma reunião com diretórios do PT ou se está querendo substituir o presidente Lula por Obama no estabelecimento de políticas públicas nacionais, assumindo-se de vez nossa condição de colônia.

A desmistificação

A verdade nesta lambança toda é que não é muito inteligente se afirmar que a ascendência africana de Obama, necessariamente, o fará se preocupar mais com os países pobres do mundo. E é duplamente pouco inteligente pensar que um membro do Partido Democrata na presidência da maior potência bélica do mundo, necessariamente, seja bom para a paz mundial. Obama não é uma bela flor isolada que nasceu no estrume da sociedade racista ianque. Ele é o próprio estrume, faz parte do sistema, se embrenhou em suas entranhas, estudou, cresceu e se destacou nele. Sabe de seus limites e, por ser homem preparado, se desenvolveu alimentado justamente pela fertilidade criadora da sujeira da excludente, belicista e racista sociedade norte-americana. Assim como Lula, teve - e tem - que fazer concessões. Mesmo que, por hipótese, na intimidade não concorde com o que predomina ali, sabe que terá que demonstrar ser mais conservador que muitos “falcões”, senão, dança. Neste sentido é um verdadeiro Michel Jackson da política. Se não se mutilou para ficar com a pele branca e o nariz afilado, com certeza “embranqueceu” sua visão de mundo e seus métodos. E sabe que terá que provar isso. Mas não será difícil, pois é do Partido Democrata, que sempre teve presidentes belicosos, como Truman, Kennedy, Johnson, Carter e Clinton. Partido que sempre deu de dez a zero no Republicano quando o assunto é a intervenção em assuntos de outros países, sendo unha e carne com o que o presidente republicano, Dwight D. Eisenhower, chamava criticamente de “complexo industrial-militar”.


A História

Senão, vejamos: no século XX, os democratas presidiram cinco dos seis maiores gastos orçamentários com armamentos. Foram duas grandes guerras mundiais (na Segunda lançaram a Bomba Atômica), a Guerra da Coréia, a Guerra do Vietnã e a recente destruição de um país soberano: a Iugoslávia. A exceção ficou por conta apenas dos gastos da Guerra Fria durante o governo do republicano Ronald Reagan, na década de 80. Mas Reagan gastou mais com armas de dissuasão contra a URSS - como o milionário projeto “Guerra nas Estrelas”-, não com guerras efetivas. Estas existiram, mas foram infinitamente menos dispendiosas do que as guerras dos democratas. Afinal, a invasão de países “gigantes’, como Granada e Panamá, não são assim muito caras, não é mesmo? Mas, o sucessor dele, o democrata Bill Clinton, logo retomaria a linha belicista e imperialista dos democratas. Foi o responsável pela destruição da Iugoslávia, utilizando-se de bombardeio sistemático de civis com armas radioativas sem o aval da ONU. Bombardeou, também com armamento radioativo, populações civis na Somália, na parte turca do Curdistão, assim como no Iraque e no Afeganistão, muito antes do “11 de Setembro”. Depois da destruição da “Torres Gêmeas”, já no governo Bush Jr., tanto no Congresso quanto no Senado, republicanos e democratas vêm votando recursos orçamentários suficientes para a ocupação do Afeganistão. Embora a maioria do Partido Democrata no Congresso tenha votado contra a guerra no Iraque (81 a favor e 126 contra), nada foi feito para impedir a aprovação dos sucessivos orçamentos de guerra. Por outro lado, somente um único senador democrata não votou a favor do texto original do Ato Patriótico, a lei de exceção de George W. Bush. A maioria dos senadores democratas também votou por sua renovação em 2006.

O perigo

Ao contrário do que o otimismo do senador Suplicy sugere, portanto, Obama pode ser um perigo para a humanidade, não por decisão própria, mas pelo Sistema ao qual pertence. Perigo agravado pelo fato de ter origem africana, pois poderá querer provar que tem capacidade, como qualquer falcão branco, não só de manter a tradição belicista democrata, mas de ampliá-la, mostrando-se durão no jogo imperialista da grande potência. É como aquela história da feminista que, lutando para combater o machismo, ao invés de melhorar o mundo com a sensibilidade e a sapiência femininas, acaba masculinizando-se, copiando o que há de pior nos homens. Obama tem um exemplo histórico entre os presidentes democratas. Harry Truman teve o peso de suceder o gigante Roosevelt, herói da Segunda Guerra. Enfrentou grande desconfiança. Era visto como um liberal sincero, um homem bom, humilde e simplório do povo, quase um pacifista. Para provar ao Sistema que era durão, que estava à altura do antecessor, acabou arruinando duas cidades japonesas com a bomba atômica e dando início ao endurecimento da Guerra Fria com a “Doutrina Truman”. Foi também dele a decisão de criar as bases do que viria a ser a caça às bruxas conhecida como “macartismo”. Truman tinha lançado um “Programa de Lealdade”, visando afastar americanos “esquerdistas” das posições influentes. Era o início, nos EUA, de um tipo de expurgo ideológico que até então fora monopólio dos soviéticos. Foi este programa do democrata que permitiu que o senador republicano, Joseph McCarthy, através do “Subcomitê Permanente de Investigações”, fizesse o que fez como verdadeiro inquisidor. É isto que a História nos diz. Agora, é esperar para ver o que acontece. Que eu esteja errado e que o mundo realmente sorria com Obama. É o desejo de todos...