quinta-feira, 10 de junho de 2010

Helio Fernandes

Agora vamos pagar 200 BILHÕES de reais de juros por ano. Nas contas do governo. nas minhas, muito mais.

Já se sabia que os juros iriam aumentar duas vezes antes da eleições, e em ambas, 0,75% de cada vez. E como o governo não falha, cumpriu a traição que anunciara. Portanto, ultrapassamos os 10 por cento desse juro, imposto pelo FMI e o “Consenso de Washington”. E se antes de Meirelles, os juros subiam sempre, (com FHC chegando a 44 por cento), é quase inacreditável, mas rigorosamente verdadeiro, agora com Meirelles navegando em mar alto. Não há como escapar do pagamento, que na verdade é AMORTIZAÇÃO.

***

PS – Se fosse pagamento, um dia chegaria ao fim. Mas como é AMORTIZAÇÃO, cada vez sobe mais. Quando estava perto de 9 por cento, já era o juro mais alto do mundo. Agora que já deixou 10 por cento para trás, é um total incomparável.

PS2 – E há mais e muito mais grave. O juro não sobe apenas tecnicamente ou percentualmente. Sobe porque não podemos “honrar” o pagamento do total.

PS3 – O próprio governo diz sem constrangimento, vergonhosamente: “Pagamos os juros com o que economizamos”. Como declaram que “economizam” no máximo 90 BILHÕES por ano e agora terão que pagar 200 BILHÕES, façam os cálculos e vejam o ritmo de crescimento da “dívida’.

PS4 – Nenhum órgão de comunicação (tenha o nome que tiver) fala ou trata dessa DÍVIDA. E os candidatos, sejam da situação ou da oposição, não se lembram de condenar essa ROUBALHEIRA DO DINHEIRO DO POVO.

Tribuna da Imprensa

UM BRASIL DE VIOLA – Tradições e Modernidades da Viola Caipira

Prezados leitores:

Recomendamos com entusiasmo o excelente blog UM BRASIL DE VIOLA – Tradições e Modernidades da Viola Caipira. Ajudem a divulgar o projeto, visitem o blog, conheçam o conteúdo e a pesquisa; assistam aos VIDEOS (MUITO BONS!), espalhem para os amigos!

O Projeto tem como missão retratar o Brasil que toca Viola Caipira. O sertão e a cidade. O Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e o Sul. A equipe do Projeto irá registrar e disponibilizar em fotografias, áudio e vídeo, depoimentos, toques tradicionais, músicas, entrevistas com mestres, professores, músicos, alunos que fazem do instrumento a sua maior forma de expressão e informações sobre antigas tradições do instrumento, a magia que o envolve, sua ligação com o homem e a natureza, as formas rústicas e artesanais de construção, seus mestres, a tradição oral no sertão brasileiro. Tudo isto correlacionando com um novo jeito de tocar viola, com instrumentistas que se destacam por composições contemporâneas, professores que ensinam em Escolas de Música e modernas formas de lutheria.

O objetivo principal é oportunizar o acesso a um elaborado conteúdo de pesquisa voltado à viola caipira, seus saberes e fazeres. O projeto pretende abarcar diversas regiões do Brasil, registrando em fotografias, áudio e vídeo os encontros com mestres que vivem no sertão, estudantes em centros urbanos, professores em diversas Escolas que criaram os próprios métodos de ensino. As informações que alimentam o site advém de pesquisas sobre os diversos tipos de viola existentes em regiões distintas do Brasil, como a Viola de Cocho, presente no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, A Viola Machete, no Recôncavo Baiano, A Viola Nordestina que faz parte do contexto do poeta cantador de repente do Nordeste, A Viola de Fandango, do Litoral Paranaense e a viola caipira do interior de Goiás, Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso.

Visite o site, clicando aqui.

Veja só uma amostra do que se trata no vídeo a seguir...



Equipe de produção

Coordenação, Direção: Cacai Nunes – cacainunes@gmail.com

Fotos: Cacai Nunes e Randal Andrade – randal.andrade@gmail.com

Câmeras: Randal Andrade

Edição de Vídeo: Cacai Nunes e Joana Limongi – joanaapl@hotmail.com

Captação e Mixagem de Áudio: Cacai Nunes

Arte: Bruna Daibert – http://www.flickr.com/photos/uhadesign

Animação gráfica da vinheta de abertura: Fernando Gutierrez – perombre@gmail.com

Trilha Sonora da Vinheta de Abertura: Cacai Nunes

Fique de olho...


DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO

Quinta-feira, 10 de junho de 2010

Destaques nacionais

ATOS DO PODER EXECUTIVO
PMs brasileiros participam de curso de capacitação de policiamento comunitário no Japão

MINC
Confirmado tombamento do Elevador Lacerda em Salvador (BA)

MD
Aeroporto de Rio Branco ganha autorização temporária para o tráfego aéreo internacional

MD
Comando da Aeronáutica fixa vagas para matrícula em cursos do ITA

MEC
Capes institui programa para apoiar projetos institucionais de melhoria dos cursos de licenciatura

MFZ
Fazenda divulga as taxas de câmbio do mês de maio para elaboração de balanços

MMA
Ibama altera norma de autorizações para estabelecimentos de comércio de animais silvestres

Mais destaques


Seleções e concursos

Instituto de Educação de Rondônia libera resultado de seleção pública

Pesca e Aquicultura divulga horário e locais de provas para concurso público

Instituto Rio Branco divulga resultado provisório de concurso para diplomata

Mais concursos

Senado aprova criação do Fundo Social do Pré-sal, regime de partilha e distribuição dos 'royalties' a todos os estados

Por Silvia Gomide / Agência Senado

Após mais de 11 horas de discussão, o Plenário aprovou, no início da madrugada desta quinta-feira (10), o substitutivo do senador Romero Jucá (PMDB-RR) ao projeto de lei do Executivo que cria o Fundo Social do Pré-Sal (PLC 7/10). A matéria - que recebeu 38 votos favoráveis, 31 contrários e uma abstenção - retornará para analise da Câmara, uma vez que o texto aprovado também define que o regime de partilha será o modelo adotado na exploração do petróleo da camada pré-sal , que se estende no subsolo marinho que vai do litoral de Santa Catarina ao Espírito Santo.
Os parlamentares também aprovaram emenda do senador Pedro Simon (PMDB-RS) que distribui os royalties do petróleo entre todos os estados e municípios, estabelecendo que a União compensará os estados produtores - Rio de Janeiro e Espírito Santo - pela perda de recursos. A emenda de Simon foi aprovada por 41 votos favoráveis e 28 contrários. O relator da matéria e líder do governo, Romero Jucá, afirmou, durante o debate do projeto, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá vetar essa determinação.
Também foi aprovada emenda resultante de acordo entre os senadores destinando 50% dos recursos do Fundo Social para a educação pública superior e básica. A emenda determina ainda que, do total, 80% dos recursos precisam ser aplicados na educação básica.




    Partilha


    O regime de partilha é previsto no PLC 16/10, que se encontra em tramitação no Senado, mas Jucá preferiu incorporá-lo ao seu substitutivo ao PLC 07/10. O senador considera que o Fundo Social é parte integrante do regime de partilha, pois a maior parte de seus recursos virá da receita da comercialização do óleo pertencente à União.
    Jucá avaliou ainda que o momento atual não seria propício para discutir alterações na legislação em vigor, já que o PLC 16/10, aprovado pela Câmara, aumenta de 10% para 15% a alíquota dos royalties - compensação financeira devida a estados, municípios e Distrito Federal, bem como a órgãos da administração direta da União, em função da produção de petróleo, gás natural e outros hidrocarbonetos fluidos sob o regime de partilha de produção, nos termos do parágrafo 1º do artigo 20 da Constituição.
    O PLC 16/10 também altera a distribuição dos royalties entre os entes federativos, destitui o tratamento especial conferido a estados e municípios produtores e extingue a participação especial, que vem a ser um adicional que as empresas devem pagar quando a produção de petróleo atinge volume acima do esperado nos campos sob concessão.
    Pelo regime de partilha previsto pelo Executivo e mantido no substitutivo de Jucá, o petróleo extraído passa a ser da União, depois de deduzidas as parcelas da empresa contratada referentes ao custo e participação no óleo excedente. O regime de partilha é adotado por países produtores como Síria, Omã, Nigéria, Indonésia, Angola, Egito, Índia e China, assinala Jucá em seu relatório.


    Fundo


    O Fundo Social é um mecanismo de natureza contábil e financeira, vinculado à Presidência da República, com a finalidade de constituir fonte de recursos para o desenvolvimento social e regional, na forma de programas e projetos nas áreas de combate à pobreza e de desenvolvimento da educação, da cultura, da saúde pública, da previdência, da ciência e tecnologia, do meio ambiente e de mitigação e adaptação às mudanças climáticas. Os projetos e programas do Fundo Social observarão o Plano Plurianual (PPA), a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e as respectivas dotações consignadas na Lei Orçamentária Anual (LOA).
    Entre os objetivos do Fundo Social está o de constituir poupança pública de longo prazo com base nas receitas auferidas pela União; oferecer fonte regular de recursos para o desenvolvimento social e regional; e mitigar as flutuações de renda e de preços na economia nacional, decorrentes das variações na renda gerada pelas atividades de produção e exploração de petróleo e de outros recursos não renováveis. É vedado ao Fundo Social conceder garantias, de forma direta ou indireta.
    O Fundo Social terá como recursos a parcela do valor do bônus de assinatura que lhe for destinada pelos contratos de partilha de produção; a parcela dos royalties que cabe à União, deduzidas aquelas destinadas aos seus órgãos específicos; a receita advinda da comercialização de petróleo, de gás natural e de outros hidrocarbonetos fluidos da União, conforme definido em lei; os royalties e a participação especial dos blocos do pré-sal já licitados destinados à administração direta da União; os resultados de aplicações financeiras sobre suas disponibilidades; e outros recursos destinados por lei ao fundo.
    A política de investimentos do Fundo Social será definida pelo Comitê de Gestão Financeira (CGFFS), que terá sua composição e funcionamento estabelecidos pelo Poder Executivo, assegurada a participação do ministro da Fazenda; do ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão e do presidente do Banco Central. Aos membros do comitê não caberá qualquer tipo de remuneração pelo desempenho de suas funções. As despesas relativas à operacionalização do comitê serão custeadas pelo próprio fundo.


    Partilha


    O substitutivo estabelece que a exploração e a produção de petróleo, de gás natural e de outros hidrocarbonetos fluidos na área do pré-sal e em áreas estratégicas serão contratadas pela União no regime de partilha de produção.
    A Petrobras será a operadora de todos os blocos contratados sob o regime de partilha, sendo-lhe assegurada participação mínima de 30% em caso de consórcio, que deverá ser constituído com estatal a ser criada quando a petrolífera for contratada diretamente ou no caso de ser vencedora isolada de licitação.
    A União não assumirá os riscos das atividades de exploração, avaliação, desenvolvimento e produção decorrentes dos contratos de partilha. Os custos e os investimentos necessários à execução do contrato serão integralmente suportados pelo contratado - a Petrobras ou, quando for o caso, o consórcio por ela constituído com o vencedor da licitação.
    A União, por intermédio de fundo específico, poderá participar dos investimentos nas atividades de exploração, avaliação, desenvolvimento e produção na área do pré-sal e em áreas estratégicas, caso em que assumirá os riscos correspondentes a sua participação, nos termos do respectivo contrato.
    Previamente à contratação sob o regime de partilha de produção, o Ministério de Minas e Energia (MME), diretamente ou por meio da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), poderá promover a avaliação do potencial das áreas do pré-sal e das áreas estratégicas. A Petrobras poderá ser contratada diretamente para realizar estudos exploratórios necessários à avaliação das áreas a serem exploradas.
    A União, por intermédio do Ministério de Minas e Energia, celebrará os contratos de partilha de produção diretamente com a Petrobras, dispensada a licitação, ou mediante licitação na modalidade leilão. A gestão dos contratos caberá a empresa pública a ser criada com este propósito, que não assumirá os riscos e não responderá pelos custos e investimentos referentes às atividades de exploração, avaliação, desenvolvimento, produção e desativação das instalações de exploração e produção decorrentes dos contratos de partilha.


    Contratação


    O ritmo de contratação dos blocos sob o regime de partilha, observando-se a política energética, o desenvolvimento e a capacidade da indústria nacional para o fornecimento de bens e serviços, será proposto ao presidente da República pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), órgão de assessoramento do Ministério de Minas e Energia.
    O CNPE também irá propor os blocos que serão destinados à contratação direta com a Petrobras sob o regime de partilha; os blocos que serão objeto de leilão; os parâmetros técnicos e econômicos dos contratos; a delimitação de outras regiões a serem classificadas como áreas do pré-sal e as que serão definidas como estratégicas; a política de comercialização do petróleo destinado à União nos contratos de partilha, assim como a política de comercialização do gás natural, observada a prioridade de abastecimento do mercado nacional.
    Ao Ministério de Minas e Energia caberá planejar o aproveitamento do petróleo e do gás natural, além de propor ao CNPE, ouvida a ANP, a definição dos blocos que serão objeto de concessão ou de partilha de produção.
    Também caberá ao Ministério de Minas e Energia propor ao CNPE os critérios para definição do excedente em óleo da União; o percentual mínimo do excedente em óleo da União; a participação mínima da Petrobras no consórcio, que não poderá ser inferior a 30%; os critérios e os percentuais máximos da produção anual destinados ao pagamento do custo em óleo e do volume da produção correspondente aos royalties devidos; o conteúdo local mínimo e outros critérios relacionados ao desenvolvimento da indústria nacional; e o valor do bônus de assinatura, bem como a parcela a ser destinada à empresa pública a ser criada para gerir os contratos.
    O Ministério de Minas e Energia também deverá estabelecer as diretrizes a serem observadas pela ANP para promoção da licitação na modalidade leilão, bem como para a elaboração das minutas dos editais e dos contratos de partilha de produção. E ainda aprovar as minutas dos editais de licitação e dos contratos de partilha elaborados pela ANP.
    À ANP caberá promover estudos técnicos para subsidiar o Ministério de Minas e Energia na delimitação dos blocos que serão objeto de contrato de partilha; elaborar e submeter à aprovação do ministério as minutas dos contratos e dos editais, no caso de licitação; promover as licitações na modalidade leilão; fazer cumprir as melhores práticas da indústria do petróleo; analisar e aprovar os planos de exploração, de avaliação e de desenvolvimento da produção, bem como os programas anuais de trabalho e de produção relativos aos contratos de partilha, além de regular e fiscalizar as atividades realizadas sob esse regime.
    Silvia Gomide / Agência Senado

    Veja também:


    Aprovado projeto que capitaliza a Petrobras para exploração do pré-sal

    Emenda de Simon destina mais da metade dos royalties a estados e municípios

    Veja como foi a discussão

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Opinião, Notícia e Humor

MANCHETES DOS JORNALÕES

(Se você não teve tempo hoje de ler os principais jornais do País, leia-os agora que está com tempo)

O GLOBO
PIB RECORDE MOSTRA RISCO DE SUPERAQUECIMENTO

Expansão foi de 9% no trimestre. Consumo das famílias cede após 6 anos. O investimento e a produção da indústria fizeram o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro crescer 9% no primeiro trimestre de 2010, na comparação com o mesmo período do ano passado, quando o país teve o pior desempenho desde o início da crise global. Em relação ao último trimestre de 2009, a expansão foi de 2,7%, segundo o IBGE, o que representa uma taxa anualizada de 11,25%. Tal ritmo de crescimento ocorre após a primeira recessão desde Collor, registrada no ano de 2009 (queda de 0,2% no PIB). Os analistas alertam para o risco de superaquecimento e da falta de poupança interna para financiar a expansão da economia. Outra ameaça é o descontrole das contas externas, pois as importações cresceram 39,5%. O consumo das famílias, que avançava há seis anos e meio, deu sinais de esfriamento. O mercado prevê que o país poderá crescer até 8% em 2010, exigindo mais importações. (Págs. 1 e 27 a 32)

FOLHA DE S. PAULO
PIB TEM MAIOR ALTA DESDE 1996

Puxado por indústria e investimentos, crescimento foi de 9% no 1° trimestre; ritmo chinês, porém, dá sinais de desaceleração. O Produto Interno Bruto, soma dos bens e riquezas que o país produz, subiu 9% de janeiro a março ante igual período de 2009. É a maior alta desde janeiro de 1996, quando o IBGE iniciou esse tipo de comparação. Mantido esse ritmo, o crescimento superaria 11% neste ano. Dados sobre produção de papelão para embalagens e fabricação de veículos, porém, já indicam desaceleração. Além disso, o primeiro trimestre de 2009 registrou queda de 2,1% no PIB, o que explica o salto. Os destaques da alta nos três primeiros meses foram a indústria e os investimentos, dois setores que ainda não haviam recuperado todas as suas perdas na crise. A indústria cresceu 4,2%, e os investimentos, 7,4%. Analistas preveem freada a partir do segundo trimestre, devido ao fim de incentivos fiscais (como o corte no IPI dos carros) e à provável alta dos juros, em reação à pressão inflacionária. Para o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o crescimento é "sustentável". (Págs. 1 e Mercado)

O ESTADO DE S. PAULO
PIB TEM ALTA RECORDE DE 9% E EXPÕE RISCO DE SUPERAQUECIMENTO

Investimento e indústria sustentam ritmo de crescimento no trimestre, que corresponde a 11,2% em um ano. O PIB dos três primeiros meses de 2010 cresceu 2,7%, (11,2% em base anualizada) em relação ao do trimestre imediatamente anterior. Comparado com o índice do mesmo período de 2009, o PIB do primeiro trimestre expandiu-se 9%, o recorde da série iniciada em 1995, segundo o IBGE. ''Vivemos momento de ouro. O Brasil merecia e precisava disso”, comemorou o presidente Lula. Puxado pelos investimentos - com alta de 26% - e pela indústria - que cresceu 14,6% -, o forte desempenho do PIB reforça preocupação de muitos analistas com o superaquecimento econômico, que pressiona a inflação. “É preciso apertar mais a política monetária", diz Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central. Para o economista José Roberto Mendonça de Barros, a política fiscal deveria ter mudado de rumo no fim do ano passado. "Essa superaceleração tem forte ligação como ciclo eleitoral", avalia. Economia (Págs. 1 e B1 e B3 a B7)

JORNAL DO BRASIL
PIB: FESTA, MAS COM CAUTELA

O ritmo acelerado de crescimento do país no primeiro trimestre não é sustentável, e, segundo economistas, as medidas do governo de retirada de estímulos fiscais e aumento dos juros devem desacelerar esta expansão já nos próximos meses. O Produto Interno Bruto (PIB, geração de riquezas do país) avançou 2,7% em comparação ao trimestre anterior e 9% ante o mesmo período de 2009, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
– Vivemos um momento de ouro no país. O Brasil merecia e precisava disso.Fui esculhambado quando disse que a crise era só uma marolinha, e o Brasil foi o último a entrar na crise e o primeiro a sair – disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, comemorando o crescimento do PIB. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o resultado superou as expectativas. Ele elevou a estimativa de expansão do PIB para este ano, que era de até 6%, para até 6,5%. “Caminhamos para um crescimento sustentável.Não podemos esquecer a fraca base de comparação.

CORREIO BRAZILIENSE
BRASIL CRESCE A PASSOS DE GIGANTE

O impressionante salto de 9% do Produto Interno Bruto no primeiro trimestre de 2010 é uma combinação de fortíssima produção industrial, aumento de investimentos e consumo em alta. A expansão econômica brasileira no período chega próximo à apresentada pela China, que registrou incríveis 11,9% na comparação com 2009. Especialistas preveem uma acomodação nos próximos meses, mas em índices ainda elevados, e estimam um crescimento anual de até 8%. Brasil tem incremento de 2,7% no primeiro trimestre, o maior entre países listados pelo IBGE. Mesmo que a atividade parasse hoje, expansão seria de 6% no ano.


VALOR ECONÔMICO
SUPREMO JULGA 'ESQUELETO' QUE PODE CUSTAR R$ 10 BI

O Supremo Tribunal Federal (STF) julga hoje um "esqueleto" bilionárioque envolve o pagamento de quintos e décimos aos funcionários públicos comissionados dos Três Poderes relativos aos anos de 1998 a 2001. Se os ministros decidirem contra o mandado de segurança impetrado pela Advocacia-Geral da União, que contesta o pagamento desses benefícios aos servidores do TCU, estarão abrindo a porta para gastos estimados em R$ 10 bilhões: R$ 6 bilhões para os servidores do Executivo e R$ 4 bilhões para os do Legislativo e do Judiciário. "Não temos esse dinheiro", garante o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. Em 1990, a Lei nº 8.112 definiu que a cada 12 meses de exercício de função comissionada o servidor teria direito a incorporar ao salário um quinto da respectiva comissão. Em 1995, a Medida Provisória nº 831 extinguiu o benefício. A partir daí, uma sequência de medidas provisórias, umas criando e outras extinguindo o vantagem, deixou o campo aberto para contestações, que agora vão a julgamento. Uma das medidas transformou os quintos em décimos. Só em 2001 é que a MP 2.225-45 resolveu a questão. Transformou os quintos em vantagem pessoal, deixando subentendido que não deveria ser considerada a extinção anterior. Ao julgar o caso, o Supremo também estará definindo como ficam os pagamentos futuros. A ação não envolve só os retroativos, mas também a incorporação do benefício aos salários. (Págs. 1 e A2)

VEJA TAMBÉM...

Banco Central dos especuladores no Brasil eleva taxa de juros para 10,25% ao ano

Pilantras da chamada “Autoridade monetária”, que ninguém sabe quem é, decidem mais uma vez manter especulação com a dívida pública, aumentando em 0,75 ponto percentual a Selic. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu, nesta quarta-feira, elevar a taxa básica de juros, a Selic, em 0,75 ponto percentual. Com a decisão, tomada pelos diretores da autoridade monetária de forma unânime, os juros básicos da economia brasileira chegam a 10,25 %. "Dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias ao cenário prospectivo da economia, para assegurar a convergência da inflação à trajetória de metas, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 10,25% a.a., sem viés", diz um comunicado divulgado pelosd pilantras apátridas. Este é o segundo aumento consecutivo da Selic promovido pelo Banco Central. Na última reunião, realizada em abril, a alta também foi também de 0,75 ponto percentual. Estão comendo pelas beiradas. A verdade é que tudo já estava preparado para dar nisso. Os jornais amestrados de ontem difundiram que o crescimento de 9% do PIB (Produto Interno Bruto) no primeiro trimestre de 2010, em comparação ao mesmo período de 2009, poderia sugerir uma grande melhoria na condição de vida da população. Ou seja, a atual política econômica estaria correta, mesmo destinando a maior parcela do orçamento para o pagamento da dívida. Porém, segundo o site Dívida: auditoria cidadã, quando analisamos a renda média recebida pelos trabalhadores , vemos que ela subiu somente 2,3% no primeiro trimestre, também em comparação ao mesmo trimestre de 2009. Em comparação a março de 2002 (primeiro ano da série histórica da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE), a renda média do trabalho está praticamente estagnada, tendo subido apenas 5,7% nestes 8 anos. Ou seja: nunca é demais lembrar que a renda nacional se subdivide entre a renda dos trabalhadores e a renda dos proprietários, ou seja, empresários e rentistas. Em 2009, o percentual detido pelos trabalhadores, de 43,6% ainda era bem menor que os 50% de 1980 (Fonte: Comunicado nº 47 do IPEA, pág 4). Portanto, não é o mero aumento do PIB que fará os trabalhadores aumentarem sua renda, mas sim, a distribuição da riqueza nacional, atualmente concentrada na mão de poucos, especialmente os rentistas. Além do mais, o crescimento do PIB é constantemente citado pelo Banco Central, bancos e grande imprensa como argumento para o aumento das taxas de juros, sob a justificativa de que a economia estaria superaquecida, e podendo gerar inflação. Também nunca é demais lembrar que aumentos nos juros contribuem para transferir mais dinheiro dos trabalhadores para os rentistas. O crescimento do PIB e da arrecadação tributária também tem sido utilizado pela equipe econômica para justificar um aumento do superávit primário e o estabelecimento de um limite para as “despesas correntes primárias”, ou seja, gastos sociais. O jornal Correio Braziliense noticia que a “Equipe econômica quer elevar superavit no orçamento para convencer mercado de que a candidata petista é responsável. (...) Se tudo correr como planejado, essas medidas serão anunciadas até setembro, às vésperas da eleição, como forma de implodir qualquer resquício de preocupação do mercado financeiro em relação ao compromisso petista com o ajuste fiscal.”

Em suma: o PIB cresce, mas quem se beneficia são os rentistas.

Líder do governo diz que justa reivindicação de policiais e bombeiros é "irracional"

Executivo quer definir valor do piso em lei, em vez de incluí-lo na Constituição.

Janine Moraes
Cândido Vaccarezza reuniu-se hoje com representantes dos policiais civis e militares e dos bombeiros.

As categorias policiais ainda não fecharam acordo com os deputados quanto à proposta de emenda à Constituição (PEC 446/09) que prevê piso nacional para policiais civis e militares, além de bombeiros militares.

O líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), reafirmou hoje, durante encontro com representantes dos bombeiros, policiais militares e civis, que o Executivo não aceita incluir, na Constituição, valor de piso salarial para esses profissionais.

Cândido Vaccarezza explicou que o governo federal aceita incluir a existência de um piso, desde que o governo tenha 180 dias, após a promulgação da emenda constitucional, para enviar projeto regulamentando valores e forma de financiamento.

Criação de fundo

"Definir um piso nacional para soldados, bombeiros e polícia civil, até aí, pode ter na Constituição; mais do que isso, não pode”, sustenta Vaccarezza. “Em relação à ideia de criar um fundo, a ser regulamentado por lei, não é correto que seja a União para bancar esse fundo. Nós vamos ver a forma.”


De acordo com Vaccarezza, na semana que vem, o assunto pode ser novamente debatido em reunião de líderes partidários, quando deve ser discutida também uma pauta de votações até as eleições de outubro.Segundo ele, será necessário um prazo de 180 dias, depois da promulgação da PEC, para ser mandado esse projeto de lei com a criação do fundo. “Eu fiz a proposta para eles que é o limite a que o governo chega. Agora, é uma discussão que eles estão tendo.”


Ele informou que a prioridade do Executivo neste momento, no Congresso, é aprovar os projetos que tratam do pré-sal e a banda larga nas escolas (Projeto de Lei 1481/07), além do projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).

Íntegra da proposta:


Reportagem - Alexandre Pôrto/Rádio Câmara
Edição - Newton Araújo
Confira o vídeo sobre o assunto...

Pedido de vista suspende julgamento sobre incorporação de quintos aos salários de servidores

Pedido de vista do ministro Gilmar Mendes interrompeu o julgamento do Mandado impetrado contra o acórdão do Tribunal de Contas (TCU) que permitiu incorporar quintos e décimos aos proventos de servidores públicos da ativa e aposentados, de abril de 1998 a setembro de 2001. O acórdão do TCU (2.248/2005), editado em virtude de uma consulta de sindicatos de servidores, reconheceu a legalidade da incorporação de parcela de quintos e décimos, com fundamento no artigo 3º da Medida Provisória 2.225-45/2001. Para o relator do caso, ministro Eros Grau, a União não poderia ter impetrado MS para impugnar o acórdão do TCU, uma vez que a decisão da Corte de Contas não tem caráter impositivo. O ministro explicou que o acórdão do TCU é uma interpretação em tese e por isso não pode ser atacável pelo mandado de segurança, porque não lesa qualquer direito individual concretamente. “O ato impugnado [acórdão] carece de efeitos concretos que permitam a apreciação pelo Supremo, na via do mandado de segurança”, reiterou, lembrando que a decisão do TCU é “meramente interpretativa, desprovida de caráter impositivo ou cogente [obrigatório]”. E que não teve origem em processo concreto de tomada de contas, de tomada de contas especial, ou de ato de registro de pensão ou de aposentadoria, mas numa consulta (em tese). O relator frisou que, mesmo com o acórdão, a incorporação dessas parcelas é uma decisão que cabe à Administração, a quem é facultado observar ou não o entendimento do TCU. Nesse ponto, o ministro Cezar Peluso ponderou que o Tribunal de Contas não está impondo coisa alguma para a Administração. Está apenas dizendo que se a Administração pagar os quintos e décimos daquele período, não responderá por irregularidade na sua prestação de contas. “A União, que impetrou o Mandado de Segurança, não tem nenhum direito em jogo, porque cabe a ela decidir se paga ou não”, completou Peluso.

Leia mais sobre o assunto...

Código de Processo Civil

O Presidente do Senado quer aprovação até o final do ano

O presidente José Sarney (PMDB-AP) convocará reunião de líderes para agilizar a tramitação do novo Código de Processo Civil (CPC) e sua aprovação até o final do ano. Sarney recebeu na tarde desta terça-feira, em solenidade no Senado, o anteprojeto do CPC elaborado por uma Comissão de Juristas para modernizar o Código e tornar a Justiça mais rápida. Sempre atuando junto com o Judiciário, o Senado Federal buscou "reformas mais profundas há muito reclamadas pela sociedade", enfatizou Sarney, responsável pela criação da Comissão."O Senado Federal tem tido a sensibilidade de atuar em estreita colaboração com o Judiciário, seja no âmbito do Pacto Republicano – iniciativa entre os três poderes para tomar medidas que agilizem a ação da Justiça – seja propondo um conjunto de leis que tornem mais efetivos vários aspectos pontuais da aplicação da Justiça (..) Avançamos na reforma do Código do Processo Penal, que está em processo de votação, e iniciamos a preparação de um anteprojeto de reforma do Código do Processo Civil. São passos fundamentais para a celeridade do Poder Judiciário, que atingem o cerne dos problemas processuais, e que possibilitarão uma Justiça mais rápida e, naturalmente, mais efetiva".
Sobre o anteprojeto - que será encaminhado à Mesa do Senado e depois ao exame de uma comissão especial temporária (11 membros) para só então seguir para exame do Plenário - Sarney elogiou o trabalho da comissão, o seu caráter participativo e sua celeridade. "Espero que não tenhamos muito a acrescentar", brincou, ao contar episódio pitoresco ocorrido na tramitação do primeiro projeto de Código de Processo Civil brasileiro, em 1904. Ruy Barbosa atacou a revisão ortográfica do texto feita à época por Ernesto Carneiro Ribeiro. Para se defender, Ribeiro escreveu documento volumoso replicando os ataques e que, apenas no capítulo sobre a vírgula, trazia 121 páginas! O projeto só foi aprovado muitos anos depois, sempre obstaculizado por Rui Barbosa. A seguir a íntegra dos discursos do presidente Sarney, do presidente da Comissão de Juristas, Luiz Fux, ministro do Tribunal Superior de Justiça. Confira também no link informações completas e didáticas sobre o anteprojeto do novo CPC.

Veja também:

· Discurso do Presidente Sarney
· Discurso do Ministro Fux

Secretaria de Imprensa da Presidência do Senado

PEC 213: Relatório poderá ser votado hoje

O deputado Luciano Castro (PR/RR) emite hoje, 9, relatório final a respeito da PEC 213/07 (Proposta de Emenda Constitucional), de autoria do deputado federal Bala Rocha (PDT-AP), que enquadra os servidores públicos federais e municipais dos ex-territórios do Amapá, Rondônia e Roraima em planos de carreira, cargos e salários específicos, mesmo constituindo quadro em extinção da administração federal. Além de disciplinar a situação jurídicados servidores públicos federais, o projeto também estabelece que os policiais militares nas mesmas condições terão isonomia de remuneração com os policiais militares do Distrito Federal. A Comissão Especial destinada a enunciar parecer sobre a proposta se reunirá hoje, às 14h, em plenário a ser definido. Após intensas negociações, Bala Rocha está esperançoso com a aprovação. “teremos a oportunidade de iniciar o processo de reversão de uma situação que classifico como perversa de discriminação e preconceito contra os servidores públicos dos ex-Territórios. Precisamos acabar com essa discriminação e com esse preconceito”, assevera o parlamentar. Aprovada, a PEC segue para o plenário da Câmara, onde será votada em dois turnos, e depois será despachada para o Senado, para apreciação também em dois turnos. Após análise do Congresso, o texto prossegue para sanção presidencial.

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Aldo Rebelo

A agricultura e o Código Florestal

Formada por milhares de normas e decretos que modificam e mutilam o Código Florestal Brasileiro, a legislação ambiental e florestal tornou-se um pesadelo para milhões de agricultores. A barafunda de dispositivos afeta desde os assentados pela reforma agrária até os grandes empreendimentos da agricultura e da pecuária, vitais para o abastecimento da população, para as exportações e para a indústria. Nem o assentado nem o grande produtor agrícola conseguem cumprir as determinações do Código Florestal, uma boa lei que virou um labirinto normativo. Como exemplos absurdos, quase toda a produção de banana do Vale do Ribeira (SP) viola as leis ambientais vigentes, assim como todo o gado do Pantanal, que come apenas capim nativo e não provocou desmatamento, está classificado como agressor do bioma. Há, portanto, algo muito errado com a lei. A agricultura brasileira está numa encruzilhada: é competitiva internacionalmente, mas vive à mercê de normas e decretos que não se enquadram na realidade nacional, embora expedidos sob o manto do Código Florestal. A maioria desses dispositivos não tem razoabilidade alguma, mesmo considerando que o Brasil precisa ter atividades agropecuárias ambientalmente sustentáveis. O pequeno agricultor é o mais vulnerável à legislação. A agricultura familiar cumpre função social relevante (fixação do homem no campo e provimento local de alimentos de subsistência, entre outros aspectos), mesmo sem ser economicamente significativa. Principalmente no Nordeste, é semicapitalista ou pré-capitalista e não usa tecnologia intensiva. Mas tem outros valores fundamentais: quem vive ali fez uma clara opção existencial e espiritual, que surgiu ainda nas origens deste país, há 510 anos. Não tem sentido expulsá-lo de sua terra. Por sua vez, o grande produtor agrícola usa intensivamente o capital, a tecnologia e a infraestrutura viária e portuária. Tornou-se responsável pelo êxito do Brasil na oferta mundial de alimentos, fazendo os preços internacionais se tornarem menos proibitivos, até para os países mais pobres. Mas é acossado pelos falsos ecologistas. A pergunta é: a quem interessa agravar essa agricultura altamente competitiva, por meio da contenção a qualquer custo da fronteira agrícola? Os fatos respondem muito bem a essa questão. Com pouco mais de 30 mil habitantes, a cidade de Colíder, em Mato Grosso, é capaz de atrair 500 ONGs, muitas delas financiadas por produtores estrangeiros de grãos, concorrentes dos brasileiros, para obstruir a rodovia Cuiabá-Santarém. Simplesmente para impedir o transporte de grãos. A articulação ambientalista, em muitos casos, é só a face lamentável de práticas comerciais pouco recomendáveis, a serviço de interesses externos. A Comissão Especial de Reforma do Código Florestal Brasileiro, da qual sou relator, deteve-se demoradamente no exame dessas questões. Em mais de 60 audiências públicas, foram ouvidas quase 400 pessoas. Alguns depoimentos foram mesmo comoventes. Mas não foi isso que guiou os membros da comissão. Percebemos que o emaranhado normativo que envolve o velho Código Florestal inviabiliza atividades vitais para o Brasil: alimentação da população, controle dos preços internos de alimentos, geração de milhões de empregos e criação de renda de cerca de R$ 850 bilhões, considerando o PIB agrícola e das demais áreas interligadas. A agricultura é basilar para os setores secundário (indústria) e terciário (comércio) e deve ser vista como uma das prioridades nacionais. E apresenta como saudável característica a rapidez com que reage a preços e a mercados. Ajudou o País a sentir menos os efeitos da crise internacional e deu celeridade à saída da turbulência financeira, ainda que também tenha sido afetada com a depressão dos preços. Mas está aí, de novo liderando nossas exportações de mercadorias não industrializadas ou semi-industrializadas. Ao me debruçar na análise dos 11 projetos que tratam das modificações do Código Florestal, ponderei todas essas questões. É vital manter a competitividade da agricultura nacional sem ofender os pressupostos da sustentabilidade ambiental. O meio ambiente precisa ser protegido, mas sem o exagero e sem as paranoias que desfiguraram essa boa lei. O código editado durante o governo militar foi concebido por pessoas de elevada capacidade jurídica e intelectual, entre as quais o desembargador Osny Duarte Pereira. Ele era um estudioso das questões nacionais e relatou minuciosamente as preocupações com as florestas desde o tempo do Brasil colônia até o que havia de contemporâneo nas leis florestais de vários países. Malgrado o arsenal crítico contra as origens dessa legislação, o código está apoiado na melhor tradição jurídica nacional, inclusive do patriarca da Independência, José Bonifácio de Andrada, que criou o conceito de reserva legal ? um sexto das propriedades destinado à preservação de florestas. A lei oferecerá aos Estados, respeitada a norma geral, a possibilidade de acomodar a reserva legal no âmbito da propriedade, nas bacias hidrográficas e nos biomas, mantendo a essência da proteção ao meio ambiente sem o desnecessário sacrifício de áreas aptas para a agricultura e o pastoreio. O recurso à reserva legal coletiva combinará a dupla proteção: a do meio ambiente e a do esforço pelo desenvolvimento e pela produção. Em todos os casos será possível enfrentar a ilegalidade de boa parte da atividade agrícola e da pecuária em razão das restrições impostas, com um mínimo de criatividade, que permita aos Estados, dentro das exigências atuais, preservar os porcentuais mínimos de cada bioma, adaptando-se às condições locais, ao modelo de ocupação do território e à estrutura da propriedade da terra. O objetivo central do novo Código Florestal é deixar o agricultor trabalhar em paz e em harmonia com o meio ambiente. O Brasil precisa muito disso.

Aldo Rebelo é jornalista e deputado federal por São Paulo (PCdoB)

Publicado no "O Estado de S. Paulo" - 08/06/2010

Rússia: diplomacia "energética"

Por Geraldo Luís Lino

O recém-divulgado "Programa para o Uso Efetivo da Política Exterior no Desenvolvimento de Longo Prazo da Rússia", documento que pretende orientar a diplomacia russa nas próximas décadas, estabelece que o país necessita de "alianças modernizadoras" com parceiros estrangeiros baseadas em interesses comuns. As importantes iniciativas de cooperação para a implementação de projetos de infraestrutura energética, em negociação com países como a Turquia, Ucrânia e outros, se enquadram nesse contexto. Além dos efeitos econômicos, tais acordos têm um enorme potencial geopolítico, no sentido de contribuir para uma redução de tensões e conflitos que se mostra cada vez mais imprescindível para um processo de desenvolvimento compartilhado para toda a vasta região de influência direta da Federação Russa, inclusive o eixo eurasiático.
A recente visita do presidente Dmitri Medvedev à Turquia proporcionou uma boa amostra desse esforço. Na ocasião, foram assinados acordos envolvendo projetos no valor de 25 bilhões de dólares, que incluem a construção e operação pela empresa estatal russa Rosatom de quatro usinas nucleares na costa sul turca do Mediterrâneo. Ademais, os dois países estão discutindo o possível envolvimento da Rússia no projeto turco-italiano de um oleoduto de 550 km ligando o mar Negro ao Mediterrâneo Oriental, o qual proporcionaria à Rússia e ao Cazaquistão colocar o seu petróleo nos mercados evitando os congestionados estreitos de Bósforo e Dardanelos. Além disto, a Turquia poderá participar do estratégico gasoduto South Stream (mar Negro-Bulgária-Itália-Áustria), com o que Moscou espera que Ankara desista do projeto rival Nabucco, promovido pelos EUA e a União Europeia (UE) como forma de reduzir a dependência dos fornecimentos energéticos russos.
Com tais projetos, a Rússia, que já atende 70% das necessidades energéticas da Turquia (com o Irã fornecendo a maior parte do restante), poderá contribuir decisivamente para concretizar a ambição turca de tornar-se um centro global de distribuição energética, ao mesmo tempo em que neutraliza as manobras ocidentais para reduzir a sua própria a importância como fornecedora.
Em termos geopolíticos, a Turquia está experimentando um certo refluxo na pretensão de vir a integrar a UE e, apesar de integrar a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), compartilha com a Rússia o interesse em evitar que o mar Negro se converta num "lago da OTAN". Moscou também conta com o apoio turco para manter a aliança atlântica relativamente afastada da Crimeia e os dois países têm "visões muito próximas" - nas palavras de Medvedev - sobre o processo de pacificação do Oriente Médio. Neste aspecto, é relevante que Medvedev tenha viajado a Ankara via Damasco, onde, além de tratar da possível construção de uma usina nuclear para a Síria, reuniu-se com o líder do Hamas, Hhaled Meshaal (Asia Times, 15/05/2010).
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