segunda-feira, 23 de maio de 2011

Adriano Benayon


A oligarquia financeira contra Strauss-Kahn ou...
Conspiração não é teoria, é prato de todo dia

A arbitrária prisão de Strauss-Kahn, sem que tenha havido reação de monta da opinião pública mundial, é exemplo emblemático da tirania imperial anglo-americana. Há dois fatores principais a explicar a aceitação ou a indiferença diante de fato de tal gravidade: a desinformação e a covardia. Os conduzidos pela mídia metem-se a dar opiniões. Aventam várias pretensas explicações, como: o homem teria enlouquecido; era viciado em sexo; os homens não sabem conter a libido etc. Não pensam nas razões lógicas:
2) liderava as pesquisas para a eleição presidencial da França, muito à frente de Sarkozy, instrumento da oligarquia anglo-americana.
A muito poucos ocorre que Strauss-Kahn pode estar sendo submetido injustamente a terríveis humilhações, sofrendo danos morais e materiais, tendo sua reputação destruída, sem ter cometido falta alguma. Linchado publicamente, porque desagradou os concentradores mundiais.
O que também contribui para que tantos descartem o óbvio e o lógico, em favor de julgamentos apriorísticos? Antipatia em relação aos que alcançaram altas posições, quando apanhados em supostos delitos. Chega a haver a exploração demagógica desse sentimento, por parte do sistema de poder - que vive só de injustiças e hipocritamente faz o povo acreditar que nos EUA figurões são punidos, e que o caso indicaria mais uma virtude do sistema de governo desse país.
Entretanto, os membros e servidores mais altos da oligarquia, regiamente pagos fizeram mil fraudes nos bancos, nas agências reguladoras, no FED e no Tesouro dos EUA e não foram punidos, mesmo tendo causado a brutal depressão que dura desde 2008. Essa se traduz na duplicação do número de desempregados, na supressão de benefícios sociais e em mais de dez milhões de pessoas perdendo suas casas para os bancos.
A falsa crença na democracia estadunidense - formada através da lavagem cerebral gigantesca por parte dos formadores de opinião - ignora, por completo, a realidade ali implantada, a saber, o estado policial a serviço da oligarquia.
Vamos aos fatos. Nenhum de nós é Deus para saber – hoje, ou mesmo daqui a meses – se aconteceu o suposto atentado sexual atribuído ao diretor-geral do FMI. Quem quer que afirme ter isso realmente ocorrido não tem base alguma.
Não houve flagrante, o que já basta para demonstrar o absurdo da prisão “preventiva”. Além disso, como apontaram observadores, não é comum uma camareira de um hotel de luxo entrar num apartamento "pensando que estava vazio". Ademais, passaram-se três horas entre o alegado atentado e a comunicação à polícia. Depois de o advogado de Strauss-Kahn ter informado que este deixara o hotel antes do horário alegado, é que a polícia o retificou para uma hora a mais.
O jornal London Evening Standard mencionou, em 18.05.2011, que Strauss-Kahn falara, duas semanas antes, com jornalistas do Libération, de Paris, sobre a possibilidade ser montada contra ele uma armação, em que ofereceriam, para acusá-lo, 500 mil a 1 milhão de euros a uma mulher estuprada num estacionamento, por exemplo.
Ora, como a pretensa vítima não fez queixa imediata? Por que, se Strauss-Kahn estava no hotel, não foi confrontado com a tal camareira e com eventuais testemunhas?
De fato, os EUA tornaram-se um estado policial e, já antes disso, os serviços secretos do País organizaram o assassinato do presidente John Kennedy, em 1963, o de Robert Kennedy, sagrado candidato na Convenção de seu partido (1968), e o do Papa João Paulo I (1978). Procederam, ainda, à implosão das torres gêmeas (2001), quando os aviões com islâmicos foram apenas ingrediente para fomentar o terror no seio da população e “justificar” as agressões ao Afeganistão e ao Iraque.
Ao lado do uso campeante de drogas, da prostituição disseminada, por exemplo, em toda Nova York, combinam-se, há muito tempo, nos EUA, resquícios do puritanismo com um feminismo agressivo e fascista, de tal modo que se tornou corriqueiro mulheres simularem atentados sexuais para obter consideráveis vantagens pecuniárias.
Um conhecido – insuspeito até por não ser crítico consistente do imperialismo anglo-americano - narrou-me fato, vivido em Nova York, quando trabalhou na ONU. Estava com seu diretor, num prédio, aguardando o elevador, quando este parou no andar, nele estando somente uma mulher e de boa aparência. Meu conhecido moveu-se para o elevador, quando seu chefe segurou-o pelo braço. Só depois que o elevador passou novamente, um tanto cheio, os dois o adentraram. Explicou-lhe o diretor: se a mulher resolvesse, ao saírem, atirar-se ao solo e gritar, poderia depois exigir quantia absurdamente alta para retirar queixa de tentativa de estupro.
Atribui-se a Strauss-Kahn ser chegado a conquistas, mas se ele, com 62 anos, até hoje nunca fora acusado de tentar estuprar alguém, é inverossímil que agora o tenha feito com uma camareira de hotel, ao que se diz, pouco atraente. Altamente situado e rico, Strauss-Kahn, não deveria encontrar muita dificuldade em ter amantes. Por fim, não é plausível que se expusesse a um incidente do tipo, mormente sabendo que poderosos interesses preparavam algo contra si.
Já se podem explicitar os motivos para destituir o chefe do FMI que estava transformando a instituição. Antes, relembre-se que só têm sido envolvidas em tais escândalos personalidades que agiram em favor, seja de seu país, seja de outros povos sugados pela oligarquia.
Julien Assange também foi acusado de crime sexual, por duas mulheres, na Europa. Não está preso, mas chegou a ser, na Inglaterra, cérebro do império. Assange não ocupa função pública, nem nacional nem internacional. É o fundador do Wikileaks. O que ele tem em comum com Strauss-Kahn? Ter contrariado a oligarquia financeira.
O mesmo que o ex-Procurador-Geral e ex-Governador do Estado de Nova York, Eliot Spitzer. Este se notabilizou por combater efetivamente as falcatruas dos financistas de sua cidade, grande centro da finança mundial, e se afastou após ter sido acusado de estar com prostitutas.
Vejam este trecho de artigo de Daniel Tencer, publicado em GLOBAL RESEARCH, 28.07.2008 (tradução minha):

“O FED (Reserva Federal) – o órgão quase autônomo que controla a oferta de moeda dos EUA – é um “esquema tipo Ponzi”, que criou bolhas após bolhas na economia dos EUA e precisa tornar-se responsável por suas ações, diz Eliot Spitzer ...
Segundo Ratigan, o FED trocou maus créditos bancários por US$ 13,9 trilhões em dinheiro, que deu aos bancos em apuros. Spítzer construiu reputação como ‘o xerife de Wall Street’, por ter, quando procurador-geral, perseguido seriamente os crimes empresariais, e depois renunciou ao cargo de governador do Estado por causa de revelações de que pagou prostitutas. Spitzer pareceu concordar com Ratigan em que o resgate daqueles bancos representa o maior roubo e a maior ocultação de crime de todos os tempos.”
A desmoralização Spitzer, Assange e agora a de Dominique Strauss-Kahn (DSK) são de grande interesse do sistema de poder tirânico da oligarquia. Desde 1945/46, quando o FMI começou a operar, nenhum de seus diretores foi vítima de escândalo desse tipo. Por que agora DSK o foi? Antes dele todos se tinham mantido dentro da rígida ortodoxia, de o FMI agir inflexivelmente com os países com dívidas infladas por regras e procedimentos fraudulentos.
Ao ser preso, de forma humilhante, dentro do avião em que seguiria para Paris, DSK ia a reunião sobre a gravíssima crise dos países europeus mais afetados pelos desmandos financeiros dos grandes bancos, que levaram esses países a elevadíssimas dívidas públicas.
Fontes bem informadas junto a serviços de inteligência dos EUA indicaram que os maiores banqueiros da Europa estariam por trás da trama contra DSK, pois este se mostrou contrário a impor privatizações e políticas que arrasariam ainda mais as economias dos países endividados, prejudicando-os com danos ainda maiores ao emprego e à produção.
Recomendo aos fluentes em inglês acessar o site “Global Research” e ler o artigo de Paul C. Roberts, de 18.05.2011, “The Strauss-Kahn Frame-up: The American Police State Strides Forward”. Roberts é excelente economista e ocupou alta posição na administração de Ronald Reagan.
Roberts cita, nesse artigo, recentes declarações de Joseph Stiglitz, prêmio Nobel, ex-diretor do Banco Mundial e notável critico dos desmandos que levaram ao colapso financeiro em 2007-2008, bem como declarações do próprio DSK, as quais implicavam sentença de morte para este último, porquanto desnudam a perversidade do sistema financeiro dominante, verdadeira bomba de nêutrons sobre as estruturas produtivas dos países.
Concluindo, a brutal e injustificável prisão de Strauss-Kahn constitui marco decisivo na questão de se a oligarquia anglo-americana continuará desfrutando de seu poder tirânico sem objeção efetiva de quem quer que seja. O processo na “Justiça” norte-americana é do gênero prenunciado, há mais de cem anos, por Franz Kafka, na obra “Das Prozess”, e uma reedição dos processos da tirania nazista.
Os franceses, inclusive de outros partidos que não o de DSK, deveriam insurgir-se contra a absurda detenção do diretor-presidente de uma instituição financeira internacional, o FMI, que tem todo direito a imunidades semelhantes às diplomáticas, e só está nos EUA, por ter essa instituição sede ali.
Aliás, todos os países deveriam retirar seus diplomatas e funcionários da ONU em Nova York, por falta de garantias para estes exercerem livremente suas atividades. Os latino-americanos, além disso, teriam de retirar seus diplomatas também da OEA, sediada em Washington, DC.
Deveria haver intensa campanha na França, por parte dos verdadeiros socialistas e dos reais amantes da liberdade, para exigir a liberação de Strauss-Kahn e para insistir em que ele seja candidato, capaz que é de derrotar Sarkozy. A exposição do golpe - e de quem lucra se esse golpe policialesco tiver êxito – contribuiria para a vitória eleitoral de DSK.
Vejamos se há gente dotada de coragem e de decência ou se vai prevalecer a covardia, somada aos interesses dos rivais e de grupos que não desejam DSK à frente da França.
Em tempo: Strauss-Kahn foi liberado, sob pagamento da fiança no valor de US$ 1,6 milhão, pouco depois de ter renunciado ao cargo de diretor-geral do FMI. Antes, havia sido rejeitado o pedido nesse sentido. Não terá sido a renúncia ao cargo, a condição para poder responder ao processo em liberdade?
 

1) Strauss-Kahn foi envolvido em complô, porque incomodava os banqueiros ávidos em sugar, ainda mais, os povos da Europa, esmagados por dívidas suscitadas por esses banqueiros;
Adriano Benayon do Amaral é diplomata de carreira, Consultor Legislativo da Câmara dos Deputados e, depois, do Senado Federal, na Área de Economia, aprovado em 1º lugar em ambos concursos. Doutor em Economia pela Universidade de Hamburgo e Advogado, OAB-DF nº 10.613, formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foi Professor da Universidade de Brasília e do Instituto Rio Branco, do Ministério das Relações Exteriores. Autor de ”Globalização versus Desenvolvimento”

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Kátia Abreu mostra que ONG Imazon divulga dados inverídicos sobre desmatamento na Amazônia

Em discurso nesta terça-feira (17), a senadora Kátia Abreu (DEM-TO) acusou o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) de divulgar dados inverídicos sobre a evolução do desmatamento na região amazônica.
- Este instituto ambientalista divulgou informações tendenciosas e, na minha avaliação, inverídicas a respeito do aumento do desmatamento na Amazônia do Brasil - afirmou.
De acordo com a senadora, o Imazon é uma entidade não governamental financiada por recursos internacionais, principalmente de empresas europeias, e também por recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
- O BNDES que financia a expansão do desenvolvimento do Brasil. O BNDES que financia as indústrias, que financia comércio, que financia a produção, também está financiando o Imazon para causar terrorismo na população brasileira - disse.
Kátia Abreu informou que dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) desmentem as alegações do Imazon sobre o aumento do desmatamento na Amazônia. De acordo com a senadora, em 2005 o Brasil assumiu compromisso de reduzir a área desmatada para no máximo 5,8 mil quilômetros até 2020 e, faltando ainda quase dez anos, já alcançou 6,5 mil quilômetros.
- Os números estão desmentindo o Imazon. Não é verdade que o desmatamento no Brasil está sendo ampliado - afirmou. 

Agronegócio 

A senadora defendeu o setor de agronegócio brasileiro como essencial para o equilíbrio do país. Segundo ela, o agronegócio gera um terço dos empregos no Brasil e corresponde a 40% das exportações brasileiras, além de ser o único setor superavitário na balança comercial nacional.
- Nós precisamos, sim, preservar a natureza; precisamos, sim, cuidar da biodiversidade; precisamos cuidar da riqueza dos nossos biomas; mas não podemos abrir mão do produto nobre deste país. O que sustenta a economia nacional chama-se agronegócio - declarou.
Em apartes, os senadores João Pedro (PT-AM), Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), Ivo Cassol (PP-RO), Waldemir Moka (PMDB-MS) e Paulo Davim (PT-RN) comentaram o pronunciamento da colega e reconheceram a importância do debate sobre o assunto.

Da Redação / Agência Senado


Veja parte do discurso


Japão: do catastrofismo à realidade

Por Geraldo Luís Lino e Lorenzo Carrasco

Se ainda fosse preciso alguma demonstração, os desdobramentos do terremoto e da tsunami que atingiram de forma devastadora o Nordeste do Japão, na tarde da sexta-feira 11 de março, constituem evidências cabais do abismo existente entre a realidade refletida em uma catástrofe natural e a visão predominante nos meios de comunicação e grande parte das sociedades e lideranças políticas do Ocidente, imbuídos de uma ideologia do catastrofismo e um inerente pessimismo cultural.
Essa inclinação está explícita na ênfase extremamente exagerada no acidente na usina nuclear de Fukushima Daiichi, que passou a preencher páginas e páginas dos jornais e dominar o noticiário televisivo, ofuscando o impacto humano da devastação causada pelo terremoto e a tsunami, com centenas de milhares de pessoas desalojadas, milhões sem energia, as buscas às milhares de desaparecidas, a escassez de alimentos e combustível e todos os dramas que acompanham as grandes tragédias.
Uma vez mais, a principal lição a se extrair da tragédia é a importância da resiliência da sociedade - a preparação para enfrentar fenômenos inevitáveis em um planeta geologicamente ativo (condição sem a qual não haveria vida como a conhecemos). Tal preparo será tanto maior quanto as sociedades combinarem os avanços do conhecimento científico e tecnológico com uma economia saudável, que permita mobilizar rapidamente recursos humanos e econômicos, para a resposta imediata às emergências e a reconstrução posterior. Evidentemente, essas tarefas serão bastante facilitadas se a população afetada não estiver predisposta a um pessimismo cultural como o prevalecente nas sociedades ocidentais.
Em grande medida, a sóbria reação geral da população japonesa aos acontecimentos, que tem causado admiração fora do país, é uma demonstração de como a Humanidade pode e deve enfrentar catástrofes naturais. Por isso, à parte os aspectos culturais inerentes aos japoneses, outro ensinamento da catástrofe é a necessidade de uma confiança permanente no progresso científico-tecnológico e socioeconômico, que permita deixar para trás o pessimismo cultural motivado pela perda de perspectiva de um futuro positivo - um dos principais sintomas da crise civilizatória em curso.
Essa visão de um otimismo humanista tem sido combatida permanentemente nas últimas quatro décadas, pela difusão de uma combinação de paradigmas ideológicos, que colocou o ser humano e suas perspectivas de desenvolvimento e progresso à mercê de tendências aparentemente fora do seu controle - desprezando-se a natureza criativa do ser humano e erigindo autênticas idolatrias do "mercado" e do "meio ambiente". Daí resultou um distorcido amálgama de crenças que, de forma crescente, tem subordinado as políticas públicas da maioria dos países a um processo descontrolado de financeirização da economia mundial e ao ativismo paralisante do movimento ambientalista internacional.

Adriano Benayon

Política externa e poder

Muitos brasileiros têm especial interesse pela política externa. Temos longa tradição diplomática, que remonta aos portugueses. Estes tentavam suprir a falta de poder militar com habilidade nas negociações. Mas só foi possível conseguir resultados em função de algum poder nacional próprio e de divergências ou conflitos entre potências mais poderosas.


2. Há a história de uma diplomacia, em geral, vitoriosa, na época do Império e início da Velha República, liderada pelo Barão do Rio Branco, na fixação dos limites, através de pleitos jurídicos submetidos a arbitragem. Mas isso só prevaleceu em relação a vizinhos cujo poder nacional e militar não superava o do Brasil, e quando não contrariava os interesses da Inglaterra. Ademais, os litígios fronteiriços com o Paraguai só foram resolvidos após a derrota desse país na Guerra da Tríplice Aliança.

3. Na questão com a Guiana Inglesa, os britânicos fizeram que o laudo do Rei da Itália os favorecesse. Assim, o Brasil perdeu a região do Pirara, e os britânicos lograram acesso à Bacia Amazônica. Depois, com Collor e Jarbas Passarinho, arrancaram a demarcação da região atribuída a índios “ianomâmis”.

4. Com ONGS, financiadas pelas potências oligárquicas, dando as cartas, os brasileiros vêm sendo alijados dessas áreas dotadas de colossais jazidas de minerais raros, estratégicos e preciosos. FHC cedeu mais espaços àquelas potências, e estas obtiveram, com Lula, a demarcação da Reserva Raposa do Sol, em Roraima.

5. Portanto, a questão para a qual a estratégia de segurança e defesa nacional deve atentar não são tanto eventuais conflitos regionais, mas, sim, a pressão que as potências hegemônicas extracontinentais exercem sobre o Brasil para controlar os recursos naturais e a economia do País.

6. Isso elas vêm conseguindo de há muito, especialmente desde 1954, apossando-se da indústria e dos demais setores. Além disso, a partir de 1988, ditas potências têm dados passos sucessivos para retirar do Brasil até mesmo a soberania sobre os riquíssimos territórios “indígenas” e de “resevas ambientais”, onde instalam o poder de “agências de cooperação”, de organizações internacionais - que também controlam – e das ONGs.

7. Já não são frequentes, como no Século XIX e na 1ª metade do XX, os conflitos regionais, embora aconteçam, não raro, “guerras por procuração”, em que países vizinhos guerreiam entre si, cada um representando interesses de uma potência mundial.

8. Desde os anos 70 do Século XX, as guerras mais frequentes não deveriam ser assim qualificadas, tratando-se, na realidade, de intervenções militares de potências superarmadas contra nações praticamente indefesas, que tenham impedido, reduzido ou dificultado a entrega de seus recursos, notadamente o petróleo, nas condições desejadas por aquelas potências.

9. Exemplos são as intervenções contra o Iraque, em 1990/1991, e a perpetrada contra o Afeganistão, iniciada em 2001, e contra o Iraque, em 2003. Agora, os ataques de EUA, Reino Unido e França sobre a Líbia.

10. É evidente, portanto, que o Brasil está em situação muito difícil, da qual precisa sair, pois é o país que tem em seu território os recursos naturais de todo tipo, os mais valiosos do Planeta, e estes vão para o exterior em quantidades cada vez maiores, enquanto os problemas se avolumam: desindustrialização; desnacionalização; aumento do número de pobres; serviços públicos em constante deterioração; impostos elevados; os juros mais altos do mundo; inflação em alta; câmbio supervalorizado; serviço da dívida em R$ 400 bilhões por ano; infra-estrutura, educação e cultura destroçadas.

11. Como sair dessa situação sem contrariar a oligarquia financeira anglo-americana, que busca o governo mundial? Sendo claro que ela não vai gostar de perder o controle da fonte quase inesgotável de recursos naturais que é o Brasil, a mais urgente das prioridades do País é reindustrializar-se e ganhar crescente domínio sobre as tecnologias utilizadas na produção.

12. Sem isso, não existe defesa nacional, e, sem esta, um país não tem como assegurar seus direitos, nem em casa, nem nas relações internacionais. Spinoza, grande filósofo do Século XVII, está mais atual que nunca: o direito decorre do poder.

13. Na guerra das Malvinas, os mísseis Exocet, importados da França tornaram-se inócuos, porque a França cedeu à Inglaterra os códigos dessas armas.

14. Outra lição: estava-se em 1982, e o governo militar argentino havia feito muitas concessões e prestado serviços à política imperial dos EUA na América Central. Acreditava, assim, que os EUA ajudariam ou ficariam neutros na guerra contra a Inglaterra. Nada disso: a oligarquia britânica e a norte-americana são associadas, e seus países, membros da OTAN. Assim, os EUA forneceram informações de satélites e outras a seus parceiros imperiais.

15. Essa lição é corroborada pelo caso do Iraque, que, apoiado potências ocidentais, e mais a Rússia, movera guerra contra o Irã, que durou de 1980 a 1988. Nem assim, o Irã foi derrotado.

16. Depois, o Iraque caiu na cilada anglo-americana, convidado a invadir o Coveite, pretexto para o massacre da guerra do Golfo, em 1990, quando torrentes de mísseis e bombas com pontas de urânio destruíram os armamentos e cidades iraquianas, imolando centenas de milhares de militares e civis, além de causar letal contaminação nuclear.

17. Depois, Sadam tomou algumas iniciativas positivas para seu país, que desagradaram a oligarquia anglo-americana. Fortemente pressionado, voltou a fazer concessões, abandonando o programa nuclear e abrindo as instalações às inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica. Mas o Iraque sofreu nova e brutal agressão, invadido, em 2003, após novos ataques destruidores.

18. A Líbia tem em comum com o Iraque o fato de possuir estupendas jazidas de petróleo leve. Além disso, o governo de Gadáfi foi um dos raros a investir em infra-estrutura produtiva e no bem-estar coletivo a maior parte das receitas de exportação, desde os anos 60, quando esse líder de um país atrasado e tribal derrubou a monarquia vinculada a potências estrangeiras.

19. Entretanto, Gadáfi resolveu melhorar sua imagem no Ocidente e fez concessões a interesses imperiais, além de ter renunciado a desenvolver seu programa nuclear, o que não livrou a Líbia dos brutais ataques armados que lhe estão sendo infligidos.

20. Como no caso do Iraque, isso provavelmente estimulou esses ataques. Moral da oligarquia anglo-americana: “Você se desarmou? Então, melhor. Assim, nossas forças atacarão com mais facilidade.”

21. Inútil, portanto, se não contraproducente, tentar conciliar-se com o Império. Ninguém se engane: habilidade diplomática, discursos e boa conversa não poupam país algum da dominação estrangeira e de sofrer brutais intervenções armadas, se não tem capacidade militar dissuasória.

22. Entre os golpes militares telecomandados, recorde-se a queda do Presidente Vargas, o último a ter tido êxitos significativos protegendo os interesses nacionais. Em 1952, ele não eliminou na origem as traições de João Neves da Fontoura, Ministro das Relações Exteriores, e do General Pedro Aurélio de Góis Monteiro, Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas.

23. Esses negociaram acordo militar com os EUA, lesivo ao País e denunciado pelo governo de Geisel em 1977. Esse acordo fez o Brasil adquirir material militar sucatado nos EUA, pagar por ele preços altíssimos e ficar importando peças e sobressalentes. Ademais, retardou o desenvolvimento e a fabricação desse material no Brasil.

24. A negociação foi feita sem conhecimento do Ministro da Guerra, Estillac Leal, que, ao dela saber, se demitiu, não tendo sido sustentado por Vargas. Nesse momento, o presidente começou a cavar sua sepultura, por não ter tomado as medidas que se impunham: desautorizar a assinatura do acordo e demitir os que se comportaram como agentes do Império.

25. Estillac Leal era líder da corrente nacionalista do Exército e fez muita falta a Vargas, pois os serviços secretos estrangeiros já estavam montando a conspiração que levou à sua derrubada em 1954.

Adriano Benayon do Amaral é diplomata de carreira, Consultor Legislativo da Câmara dos Deputados e, depois, do Senado Federal, na Área de Economia, aprovado em 1º lugar em ambos concursos. Doutor em Economia pela Universidade de Hamburgo e Advogado, OAB-DF nº 10.613, formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Foi Professor da Universidade de Brasília e do Instituto Rio Branco, do Ministério das Relações Exteriores. Autor de ”Globalização versus Desenvolvimento”

segunda-feira, 16 de maio de 2011

General Heleno adverte a Nação sobre o descuido com a Soberania Nacional


As palavras e ações do general Heleno, um autêntico patriota, honram o Brasil e servem de exemplo para os homens de bem, felizmente ainda a esmagadora maioria de brasileiros.


sexta-feira, 6 de maio de 2011

Novo esforço de celebridades globais para legalizar drogas

Por Silvia Palacios

Um trio de ex-presidentes neoliberais da América Latina continua em campanha pela legalização do consumo de maconha, agora, amealhando o apoio de banqueiros, empresários e outros notáveis globais. Os efeitos nocivos e amplamente demonstrados da droga para a saúde humana parecem pouco importar-lhes, a julgar pela sequência de argumentos absurdos invocados em sua campanha para conquistar os palcos internacionais. Segundo reportagens publicadas nos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo, em 24 de janeiro, em Genebra, Suíça, teve lugar a primeira sessão de trabalho da Comissão Global sobre Drogas, encabeçada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Nos últimos anos, FHC se juntou aos ex-presidentes Ernesto Zedillo (México) e César Gaviria (Colômbia), para correr o mundo com o mesmo propósito. A nova comissão é integrada por: Javier Solana, ex-secretário geral da OTAN; a ex-presidente da Suíça, Ruth Dreifuss; George Shultz, ex-secretário do Tesouro dos EUA (governo Reagan); seu amigo banqueiro John Whitehead, estreitamente ligado à família Rockefeller e presidente da fundação que construiu o memorial do World Trade Center, em Nova York; o excêntrico empresário irlandês Richard Branson, fundador do Grupo Virgin, notório por sua empresa de aviação e investimentos na África (que, segundo ele, o transformaram em defensor do meio ambiente); e os que certamente serão os cronistas da causa, os escritores Carlos Fuentes e Mario Vargas Llosa, este recém laureado com o Prêmio Nobel de Literatura. Todos são pesos pesados integrantes ou freqüentadores dos círculos de poder político e econômico anglo-americanos, recrutados para levantar uma bandeira que parecia perdida, devido à rejeição que sempre desperta entre o público e os meios institucionais ainda sensatos do mundo. Aparentemente, uma das causas que reinjetou ânimo na campanha foi o apoio recebido pela Emenda 19 da Califórnia, nas eleições estadunidenses de novembro de 2010, apesar da sua derrota por uma pequena margem de votos. A emenda propunha a legalização do consumo de drogas, tendo sido amplamente patrocinada pelo megaespeculador George Soros, um veterano na causa. O principal argumento dos membros da Comissão Global é o de que a guerra contra os cartéis da droga estaria perdida. Apesar dos bilhões de dólares investidos pelos governos, sobretudo o estadunidense, a produção e o consumo de drogas continuam aumentando (embora não digam que uma das principais causas do fenômeno é a deterioração socioconômica acarretada pela "globalização" financeira, que tem devastado as economias reais em todo o mundo e deixado milhões de jovens adultos sem perspectivas de trabalho produtivo decente, muitos dos quais passam a recorrer às drogas como válvula de escape). Ademais, recorrem a pretextos como o aumento da população carcerária e a defesa dos "direitos humanos". Porém, esses pseudopaladinos dos direitos humanos sem aspas nada mencionam sobre a dimensão das narcofinanças, que superam os 500 bilhões de dólares anuais e são devidamente "lavadas" em um sistema financeiro desregulado, graças aos benefícios da "globalização" financeira. As implicações da legalização do consumo abrem uma série de interrogantes quase surreais, pois seria um passo para legalizar os lucros do negócio. O que exigiriam os envolvidos? Entrariam em um acordo de cavalheiros com os barões das drogas, para que estes abram mão dos seus sangrentos negócios? E quem passaria a controlá-lo: o Estado ou grupos privados? Se essa nova "guerra do ópio global" não está sendo vencida, é porque não se investe sobre os interesses financeiros que se beneficiam dela. Além disto, seria preciso reconhecer que a raiz do problema está fincada em um sistema econômico e financeiro falido, que tem obstaculizado o genuíno desenvolvimento socioeconômico de um grande número de países, inclusive os que têm sido devastados pela guerra das drogas, como o México e o Afeganistão. O primeiro, subordinado às regras da "globalização" financeira, tem uma população jovem desesperada e sem perspectiva de emprego, que se encontra constantemente assediada por todo tipo de tráfico, inclusive humano. O segundo, submerso em uma guerra geopolítica do poder anglo-americano, voltou a ser o maior produtor de ópio e heroína, responsável por quase 90% da produção mundial. Para complicar, o consumo de drogas tem sido alimentado por uma cultura de gratificação imediata impregnada de hedonismo, difundida pelos meios de comunicação de massas, por sua vez, concentrados nas mãos de um punhado de magnatas ligados ao poder anglo-americano. Este ataque sistemático aos valores morais tem criado um vazio espiritual na população, especialmente entre os jovens - vazio que, certamente, não é preenchido pelos romances de Fuentes ou de Vargas Llosa.

Irlanda institui "Auditoria Cidadã da Dívida"

Notícia do Portal “Bussiness World” mostra que movimentos sociais da Irlanda lançaram hoje a Auditoria Cidadã da Dívida naquele país. Conforme mostra a notícia, a auditoria focará “a dívida dos bancos privados transferida ao setor público” e “visa apoiar a população para o real entendimento dos níveis da dívida irlandesa e suas implicações”.

O governo irlandês fechou recentemente um acordo com o FMI, para pagar as questionáveis dívidas anteriores, decorrentes do salvamento de bancos falidos e das altas taxas de juros. Esta iniciativa de auditoria mostra que cresce a resistência dos trabalhadores europeus contra os pacotes de cortes de gastos sociais e retirada de direitos. Conforme comentado na semana passada por este boletim, na Islândia a maioria da população votou contra o pagamento da dívida externa, em referendo ocorrido no início de abril.

Já no Brasil, o Senado Federal aprovou hoje a Medida Provisória (MP) 513, que prevê a emissão de mais títulos da dívida interna para serem entregues ao chamado “Fundo Soberano”, para que este Fundo compre ativos no exterior, tais como dólares ou títulos do Tesouro dos EUA. Em suma: mais uma vez, o país aumentará a sua dívida interna – que paga os juros mais altos do mundo – para investir em papéis no exterior, que rendem juros baixíssimos. Outro risco desta MP é permitir que o Fundo Soberano adquira “papéis podres” de bancos falidos na crise global.

O Jornal Estado de São Paulo divulga o lançamento do projeto “Brasil sem Miséria” pelo governo federal, que visa retirar da miséria 16,3 milhões de brasileiros que ganham até R$ 70 mensais. Porém, ainda não foram anunciadas as medidas que serão implementadas para atingir este objetivo, além de outros como a expansão de serviços públicos (como educação) e inclusão produtiva.

Portanto, caso tais 16,3 milhões de brasileiros passarem a ganhar R$ 71 por mês, a principal meta do governo Dilma estaria cumprida, o que representa um objetivo bastante rebaixado, frente às potencialidades e riquezas de um país como o Brasil, hoje transferidas aos rentistas por meio da dívida pública.

Este efeito estatístico também pode ser observado no estudo divulgado ontem pela Fundação Getúlio Vargas, segundo o qual o percentual de pobres no Brasil caiu 50% de 2002 a 2010, conforme mostra outra reportagem do jornal Estado de São Paulo. Porém, cabe comentar que, para tanto, foi considerada uma linha de pobreza de R$ 151 mensais, ou seja, quem ganha R$ 152 por mês já não é considerado pobre, embora não tenha aumentado significativamente sua renda.

Desta forma, não é de se espantar que a renda média mensal recebida pelos trabalhadores brasileiros em 2009 (R$ 1.111) ainda estava abaixo da renda média apurada em 1995 (R$ 1.113), conforme mostra a PNAD/IBGE (pág 271).

Do site Auditoria Cidadã da Dívida

Independent audit of Irish debt underway

Launch of an Independent Citizens Audit into Ireland’s National Debt

Action From Ireland – 4/5/2011

Irish national debt audit to determine real picture

DILMA QUER TIRAR 16 MILHÕES DA MISÉRIA

Porcentual de pobres cai mais de 50%
Autor(es): Mônica Ciarelli
O Estado de S. Paulo - 04/05/2011

Argemiro Ferreira

Fraude e falsificação, receita dos bancos nos EUA

Os gigantes da ganância

Já se teme até um novo choque imobiliário. Nos diferentes estados dos EUA, cada vez mais famílias norte-americanos enfrentam o risco de retomada de suas casas pelos bancos (entre eles, os gigantes Bank of America, Citibank, HSBC, Wells Fargo, Deutsche Bank, US Bank) por falta de pagamento de hipotecas. No domingo passado o jornalista Scott Pelley (foto abaixo, à direita) expôs no “60 Minutes” da rede CBS a questão crucial que passou a retardar a onda de retomadas em massa de casas.

Para comprá-las as pessoas tinham sido obrigadas pelos bancos a apresentar papelada rigorosamente em dia. Os bancos, no entanto, não cuidaram de sua própria papelada. Por causa do descuido são agora dezenas de milhares os casos de bancos e financeiras incapazes de localizar os documentos que provem estarem legalmente habilatados a retomar imóveis dos inadimplentes.

Ficou difícil saber quem é de fato dono de cada casa. A culpa pelo pesadelo, segundo Pelley, é a invenção em Wall Street, ainda sob a fúria desregulamentadora, dos investimentos garantidos por hipotecas – ou, na língua deles,mortgage-backed securities. Os mesmos “investimentos exóticos” que desencadearam o colapso financeiro nos EUA e continuam a criar problemas.

Também ouvida domingo passado, no final de “60 Minutes”, a própria presidente da reguladora bancária FDIC (Federal Deposit Insurance Corporation), Sheila Bair, foi enfática. Chamou a situação atual de “pervasive” – expressão que qualifica a influência nociva e perversa disseminada largamente pelos bancos.

Já atolados na lambança de fraudes e ilegalidade, os bancos ainda tropeçaram nos detalhes escabrosos devassados na reportagem da CBS. As revelações devem-se a personagem singular, Lynn E. Szymoniak. Enquanto tentava salvar a própria casa, ela fez descobertas. Wall Street usava computadores modernos para produzir a desastrosa securitização garantida por hipotecas, segundo Szymoniac, mas esqueceu de preservar documentos em papel, talvez temendo que retardassem o ritmo frenético de seus lucros.

Ao levar Szymoniac (foto acima) ao tribunal como inadimplente, o banco credor dela teve de alegar perda dos papéis. Mais de um ano depois, misteriosamente, disse tê-los reencontrado. Não sabia que a moça, além de advogada, era investigadora de fraudes e especialista em documentos forjados (até treinara agentes do FBI). No exame dos papéis afinal apresentados pelo banco, Szymoniak achou primeiro uma discrepância de data: a compra da hipoteca pelo banco (17/10/2008) era posterior ao início do processo de retomada pelo banco (julho de 2008). Ou seja, quando o banco começou a ação de retomada não era dono da hipoteca.

Parecia sem sentido mas o que veio depois foi ainda mais estranho. Numa pesquisa online em 10 mil hipotecas, Szymoniak passou a devassar a orgia de fraudes bancárias. Havia milhares de documentos forjados. Grande número deles levava a assinatura de uma certa Linda Green como vice-presidente do banco. Green, que nunca na vida trabalhara em banco, assinava ao mesmo tempo como vice-presidente de 20 bancos.

Para Szymoniak as fraudes só podiam ser intencionais: na prática, ao encurtar caminhos e empacotar hipotecas em securities, Wall Street recorria a atalhos. Securities eram negociados e passavam de mão em mão, de investidor a investidor. E com a inadimplência de compradores, os bancos precisavam, para retomar os imóveis, exibir documentos que provassem a propriedade. “Mostre a prova de que é dono” passou a ser a resposta automática ao ataque dos bancos.

Leia mais no excelente Argemiro Ferreira...

Na folha da CIA?

Por Leandro Fortes

Ao pedir demissão do cargo de secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, em 19 de abril, o delegado federal Daniel Lorenz alegou não suportar “interferências políticas” na sua pasta. Lorenz estava havia apenas quatro meses no cargo. Fora indicado ao governador Agnelo Queiroz, do PT, pelo ex-diretor-geral da Polícia Federal Luiz Fernando Corrêa. O governador petista não se mexeu, é fato, para impedir que o trabalho de Lorenz, ex-chefe do Serviço Antiterrorismo (Santer) e ex-diretor de Inteligência da PF, fosse atrapalhado pelo histórico conflito corporativo das polícias Civil e Militar de Brasília, nem pelas bancadas policiais que se digladiam na Câmara Distrital. Deixou o secretário cair de podre, mas tinha um motivo para tanto. Lorenz não sabia, mas logo depois de indicado para o cargo, aliados petistas e da base do governo federal no Congresso Nacional fizeram chegar a Queiroz uma série de informações sobre as ligações do delegado com a CIA e com o ex-governador José Roberto Arruda, defenestrado do cargo, em 2009, por ter se metido no maior esquema de corrupção já documentado na história do Brasil. Queiroz foi avisado tardiamente que em 2008, também por indicação de Corrêa, Arruda havia tentado se blindar de investigações federais ao nomear o delegado federal Valmir Lemos, atual superintendente da PF no Rio de Janeiro, para a secretaria. À época, o ex-governador estava apavorado por conta da Operação Satiagraha, de julho daquele ano, na qual imaginava ter sido filmado e grampeado em conversas com Durval Barbosa, o delator do esquema de corrupção brasiliense apanhado na Operação Caixa de Pandora, realizada a partir de uma investigação do Ministério Público Federal, um ano depois. Mesmo sob suspeita, Arruda caiu nas graças de Corrêa ao dar posse a um subordinado do ex-diretor-geral. Eleito Queiroz, o ex-diretor da federal correu para emplacar Lorenz. Ao saber das relações anteriores de Corrêa, o governador petista ficou desconfiado.Mas a gota d’água foi a publicação, em 6 de abril, de uma “reportagem” na revista Veja sobre uma suposta rede de terrorismo na região de Foz do Iguaçu, no Paraná. Lorenz é o principal -suspeito de ter vazado os documentos da PF relativos a uma investigação na região, de 2009, tocada pela Divisão de Inteligência, então chefiada por ele. Suspeita-se que Lorenz também tenha sido a fonte que vazou à Folha de S.Paulo a existência de uma investigação contra o banqueiro Daniel Dantas. O vazamento obrigou o delegado Protógenes Queiroz a apressar o que viria a ser a Satiagraha. O secretário deixou a pasta na semana seguinte à publicação da “reportagem” da Veja.Em 17 de abril, dois dias antes de Lorenz pedir demissão, cerca de mil pessoas fizeram uma manifestação em Foz do Iguaçu, na sede da Sociedade Beneficente Islâmica, em repúdio ao texto da semanal da Editora Abril. O ato contou com a presença das principais lideranças islâmicas da região, entre elas o xeque sunita Mohsin Al-Husseini e o xeque xiita Mohamed Khalil. Ambos condenaram a tentativa de demonização da comunidade árabe no Brasil e nos países vizinhos e apontaram a CIA como a principal fomentadora desse movimento, sobretudo na mídia brasileira. A comunidade árabe afirma que a CIA reservou 1 bilhão de dólares para financiar o sistema de difamação da religião islâmica desde os atentados de 11 de setembro de 2001. Para o Brasil, de acordo com levantamento feito pela Federação Árabe-Palestina, apenas em 2011, a verba prevista para a mídia local, vinda dos cofres da agência de inteligência dos Estados Unidos, seria de 120 milhões de dólares.Teoria conspiratória? (...)
Confira na matéria completa na “Carta Capital”...

quinta-feira, 28 de abril de 2011

“Veja” é condenada por comparar Joaquim Roriz ao “poderoso chefão”

A revista Veja e o jornalista Diego Escosteguy foram condenados a indenizar em R$ 100 mil o ex-governador do Distrito Federal Joaquim Roriz, por comparar o político ao personagem mafioso Vito Corleone, o “poderoso chefão”, do cinema, em edição publicada em dezembro de 2009. A decisão foi da 14ª Vara Cível de Brasília. A defesa de Roriz, acusado de envolvimento no pagamento de propinas, pedia R$ 300 mil à Editora Abril, por danos morais. No entanto, a juíza Marília de Avila e Silva Sampaio estipulou o valor em R$ 100 mil. Para a magistrada, a revista passou dos limites da liberdade de expressão. "Já a manchete da reportagem consigna que quem ensinou Arruda a roubar foi o autor [Roriz]", afirmou a juíza, que ressaltou o fato de a revista comparar a equipe do governo à máfia italiana. Em sua defesa, a Veja disse que Roriz foi exagerado na interpretação da matéria. A editora também alegou que as denúncias da revista foram investigadas pela Polícia Federal, o que resultou na prisão do ex-governador José Roberto Arruda.
Do site Comunique-se, com informações são do TJ-DF.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Matéria histórica sobre Sarney é sabotada por assessor do próprio senador


Clique na imagem para ampliar

Embora "alguém" tenha feito de tudo para evitar a realização desta matéria (e fez...), imbuído de preconceito inexplicável contra este blog (e seus leitores...amapaenses), conseguimos esta foto, que divulga relevante (e muito bem feita) matéria do excelente grupo “A Gazeta” sobre os 81 anos do senador Sarney. Trabalho bonito e bem feito. Esta foto foi inexplicavelmente abortada por energúmeno assessor, que, quando perguntado sobre a necessidade de divulgação da matéria, simplesmente menosprezou a cidadania amapaense, dizendo que os fatos eram “repetitivos" e que os mesmos teriam sido "ostensivamente divulgados pelos ‘veículos conhecidos’”... Coisa de debilóide preguiçoso que "rema para trás" e não tem consideração com o povo amapaense. Mas, graças a Deus, Sarney ama seus concidadãos. Quando soube, foi enfático: "publique-se". Por isso, depois de tudo, podemos agora destacar o excelente trabalho realizado pela revista "Personalidades", do grupo "A Gazeta", do Amapá.

Ps.: Esclarecendo: quando pedi para a assessoria do gabinete do senador que fosse feita uma cópia por scanner da página principal da revista, foi negado, simplesmente negado. A preguiça era enorme. Tive que sair do gabinete e ir para casa para usar meu próprio scanner. É isso.

Said Barbosa Dib
Segue sinopse da notícia...

Sarney é tema da primeira edição da "Revista Personalidades"

Senador completa 81 anos e continua como uma das mais importantes lideranças do Brasil. O jornal A Gazeta, em parceria com a Target Comunicação, publica a primeira edição da Revista Personalidades, enfocando a trajetória de vida do senador José Sarney, que neste dia 24 de abril completa 81 anos, ainda como uma das mais importantes lideranças políticas do Brasil. Com cem páginas, a revista está sendo distribuída gratuitamente aos leitores de A Gazeta, nesta edição, e simultaneamente em vários Estados do Brasil. São mais de 50 anos de carreira política, sendo 35 no Senado Federal, do qual Sarney é presidente pela quarta vez. Nem mesmo Rui Barbosa, patrono da Casa, teve tanto tempo de mandato. A chegada de Sarney à Presidência da República, em 1985, é resultado de um dos momentos mais dramáticos da história brasileira, em conseqüência da morte de Tancredo Neves, principal estrategista do movimento que levaria o Brasil de volta à democracia, depois de longos 21 anos de ditadura militar. Como presidente, Sarney herdou a responsabilidade de conduzir o processo de redemocratização. E cumpriu a missão. Iniciou, também, o enfrentamento do fantasma da instabilidade econômica e da inflação descontrolada. Com o Plano Cruzado, alcançou picos de alta popularidade, mobilizando a população para a defesa da estabilidade dos preços, com os chamados "fiscais do Sarney". Depois, com o fracasso das medidas econômicas, experimentou o dissabor da insatisfação popular. Deixou a Presidência em meio a ataques de seu sucessor, Fernando Collor, mas em pouco tempo voltou à cena política, com mandato de senador pelo Amapá, para se manter como um dos políticos mais influentes do País. Ao mesmo tempo que vivia intensamente a vida política, Sarney também encontrava tempo para outra de suas grandes paixões: a literatura. Poesias, contos, romances, ensaios e crônicas compõem sua extensa obra literária, reconhecida nacional e internacionalmente, através da qual alcançou uma das posições de que mais se orgulha: membro da Academia Brasileira de Letras. Sarney viveu a história brasileira como assistente, participante e protagonista.

Veja a matéria:

http://www.jornalagazeta-ap.com/index/politica.html#Sarney é tema da primeira edição da Revista Personalidades

Fonte: A Gazeta
Autor: Redação

Mostra Curto Encontro


Estão abertas as inscrições para a Mostra Curto Encontro, que será realizada de 25 a 31 de julho, em 13 cidades baianas simultaneamente. Serão selecionados vídeos de qualquer parte do país e produzidos em qualquer ano e sobre qualquer tema/categoria que tenham de 5 a 20 minutos. Os realizadores poderão inscrever quantos vídeos quiserem, concorrendo a prêmios em dinheiro, troféu e exibição na TVE. As inscrições são gratuitas e online. A Mostra conta com o patrocínio dos Correios e o apoio da FUNCEB, DIMAS e IRDEB que promoverão, além da exibição, debates e oficinas. Mais informações e inscrições no site www.tabuleiroproducoes.com.br

Realização: Tabuleiro Produções

Inscrições: 15 de abril a 15 de maio

Mostra: de 25 a 31 de julho, em 13 cidades baianas

Informações: curtoencontro@tabuleiroproducoes.com.br

(71)30185012

terça-feira, 19 de abril de 2011

“Brasil opera as maiores taxas de juros do mundo”, constata Dilma





Já Mantega, em sua campanha para derrubar o crescimento, diz que o que está ruim está bom

Tudo sempre pode ser pior. Não há situação, por ruim que seja, que não possa dar lugar a outra ainda mais desagradável, ou mais desgraçada, ou mais difícil. Assim é na vida – e, naturalmente, na economia, que é parte da vida.

Mas nem por isso - porque as coisas podem, ou poderiam, ser ainda piores - é lícito passar aquilo que é ruim por bom, o que é retrocesso por avanço, o que é neoliberal por desenvolvimentista, o que é caduco por moderno, o que é reacionário como se fosse progressista.

Nós – isto é, o país – queremos avançar. O que ganhamos, então, ao pintar de rosa o que não é rosa, exceto, precisamente, colaborar para que a situação seja pior?

No entanto, o ministro Mantega - em sua campanha para manietar o crescimento, cortar gastos necessários à população, estiolar salários, reduzir o financiamento dos investimentos de empresas, e, de resto, contemplar inteiramente as hienas vorazes da especulação, sobretudo as externas - tem angariado alguns apoios devido a essa lógica ilógica, objetivamente muito perversa e subjetivamente muito infeliz para suas vítimas.

TESE

Compreende-se, a situação não é fácil – embora, desde o malfadado governo Fernando Henrique, nunca tenha sido melhor do que ao fim do governo Lula. O problema de Mantega é, sucintamente, o de retroceder, em vez de avançar, por medo ou por subserviência ideológica, o que talvez seja a mesma coisa.

Naturalmente, não são os porta-vozes dos monopólios financeiros que sustentam a esdrúxula tese de que é preciso apoiar Mantega para que não venha coisa pior (por exemplo, o Palocci...). Para eles, quanto pior para o país e o povo, melhor.

Mas eles estão satisfeitos com Mantega. Apenas, esses porta-vozes não precisaram ser espertos para descobrir, há muito, que o melhor método para Mantega fazer o que eles (ou seus patrões) querem é a chibata – ou, melhor, a mera ameaça da chibata, com um ou outro cascudo de vez em quando.

Não poderiam chegar à conclusão diferente quando, já há oito anos, o então ministro do Planejamento declarou, sobre a “autonomia” do BC:

“Havendo autonomia há uma perda de comando, uma diminuição do grau de ingerência do Executivo sobre o Banco Central e, portanto, sobre a política monetária. A vantagem é que ela dá ao mercado uma garantia de que a inflação tende a ser mais baixa, pois não poderá acontecer uma situação de o presidente da República pegar o telefone, ligar para o Banco Central e dizer ‘eu tenho eleição no ano que vem, abaixa aí as taxas de juros; não importa que tenha mais inflação; eu quero crescimento já, quero aumento de emprego’.” (cf. entrevista de Mantega à Teoria e Debate, nº 53, maio/2003).

Há mais da mesma coisa nessa entrevista de Mantega. O que o “mercado” pode ter contra um sujeito com essa cabeça?

Em suma, qual é o conteúdo do trecho que transcrevemos?

Os presidentes da República, eleitos pelo povo, são uns irresponsáveis que não se preocupam com a inflação nem com o país – exceto algumas teteias do capachismo, como Fernando Henrique, os presidentes querem juros mais baixos, crescimento e emprego para se elegerem (ou elegerem seus correligionários), e não porque é melhor para o país e o povo.

Já o “mercado” (e Mantega estava se referindo especificamente ao mercado financeiro), não foi eleito por ninguém, mas é composto por gente muito responsável, por exemplo, os executivos do Bear Stearns, do Lehman Brothers, do Goldman Sachs ou do JP Morgan Chase, para não falar do Daniel Dantas, do Cacciola e do Madoff. E não estamos citando exceções.

Possuído pela sofreguidão de se oferecer, nem passou pela cabeça do ministro que, inadvertidamente, sua declaração era uma ode à ditadura, ao desrespeito completo à democracia. Se os presidentes não podem ter uma política econômica, se é o “mercado”, os bancos e demais monopólios financeiros, que determinam os limites – e não somente os limites, mas a própria política, ao tornar o BC, e a política monetária, seu latifúndio - de que vale o voto do povo?

Pois Mantega já era assim há oito anos. Em época tão precoce do governo Lula, já não restara nada do co-autor de “Acumulação Monopolista e Crise no Brasil”, livro que não era genial, mas essencialmente correto. Não por acaso, declarou à “Veja”, quando Dilma já era candidata, que qualquer um que fosse eleito não faria diferença do ponto de vista econômico. Ou seja, tanto fazia Dilma ou Serra.

Não é, em absoluto, verdade que haja uma conspiração para derrubar Mantega. Há pressão para mantê-lo onde está, do jeito que está. Quanto aos problemas reais, são os que ele mesmo armou ou não conseguiu resolver por inapetência, hoje expressa agudamente pelo câmbio mais deletério desde que Gustavo Franco e seu protetor decretaram que um real valia um dólar para baratear importações, devastar a indústria e o emprego - e afundar o país num pântano especulativo.

Não é surpreendente, portanto, que as supostas soluções de Mantega, a começar pela ideia ridícula de que a mola mestra do desenvolvimento é o “investimento direto estrangeiro”, isto é, a desnacionalização da economia, sejam hoje as mesmas do finado Franco – e só não tiveram as mesmas consequências porque Mantega não tem Fernando Henrique, ou coisa que o valha, para respaldá-lo. Nisso, ele, realmente, deu azar, ao ter Lula e Dilma como chefes.

RAZÃO

Corretamente, a presidenta Dilma, em sua entrevista coletiva na China, frisou que “sabemos perfeitamente o porquê [do problema cambial], todos nós sabemos. Vai desde a política de quantitative easing [as superemissões de dólares dos EUA] e de ajuste dos países desenvolvidos até o fato de que o Brasil ainda opera com taxas de juros mais elevadas do que o resto do mundo”.

Exatamente. Desses fatores ou causas, podemos interferir no último. Aliás, devemos - ou a economia do país se transformará em reserva de caça para dólares vadios e seus donos.

Não há razão para tanto medo de que, se acontecer algo com Mantega, venha alguém pior. Tenhamos confiança na presidenta. Mas... e se viesse? Por que essa perspectiva nos faria apoiar o que é hoje o maior obstáculo à continuação das mudanças iniciadas no governo anterior - a submissão de Mantega a bancos e multinacionais, em suma, aos monopólios financeiros externos? Diríamos mesmo que, diante desse desarvoramento, o Palocci até que se assemelha a um modelo de discrição e pudor.

Menos ainda há razão para achar que a política de Mantega é mais do que um misto de neoliberalismo repetido e acoelhada inação, ou que esta última é algo muito original. Inexiste perigo maior de “algo pior” que essa eterna promessa de mediocridade.

Quanto a pintar a realidade com uma cor que não lhe é própria, pode ser que alguns artistas pensem que isso ajuda a presidenta. Mas não ajuda – e Dilma, é bastante razoável supor, sabe disso, pois não foi passando uma demão de tinta sobre a realidade que ela conseguiu triunfar em alguns dos momentos mais difíceis que uma brasileira (ou um brasileiro) já enfrentou.

CARLOS LOPES, diretor de redação do jornal Hora do Povo

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sexta-feira, 8 de abril de 2011

Said Barbosa Dib


Sérgio Cabral, com rosto nitidamente abalado na coletiva depois do massacre, mostrou a perplexidade e a indignação naturais de qualquer ser humano normal diante de ato tão bárbaro. Fez questão de destacar o heroísmo do sargento Márcio Alves que, segundo confessou o próprio Cabral, “há quatro quadras do colégio, participando de uma blitz de trânsito”, foi procurado por crianças que “choravam muito e pediam socorro”. Segundo depoimento do bravo Márcio Alves, ele, então, “correu para o colégio e, na porta, ouviu tiros”. Sozinho, o sargento entrou na escola e se deparou com a besta no corredor. Fardado, Alves efetuou “disparos de pistola em direção ao tórax do atirador e pediu para ele que largasse as armas”. “Ele caiu na escada, consegui impedir que chegasse ao terceiro andar, e se suicidou com um tiro na cabeça”, esclareceu o sargento. Observação: o sargento realmente é um herói. Não teve tempo de salvar os 12 jovens já ceifados e os vinte e tantos feridos, mas evitou que a tragédia fosse muito maior. Não conseguiu não por falta de coragem e determinação pessoal, mas porque havia quatro longas quadras de distância entre o colégio e a polícia. E isto por pura sorte, pois se a blitz não estivesse ali preocupada em multar as vans, simplesmente a chacina teria sido muito maior. Isto porque, feridas e apavoradas, algumas crianças (também heróicas) tiveram que correr as quatro quadras, se esvaindo em sangue, até conseguirem a ajuda do herói policial. E este, teve ainda que correr as mesmas quatro quadras de volta para chegar ao local dos crimes. Quer dizer: não se pode evitar totalmente a subjetividade de uma mente doentia que resolve provocar uma carnificina, mas se houvesse a presença objetiva e constante de uma guarda escolar, em um bairro sabidamente complicado em termos de segurança, talvez o meliante tivesse tido menos sucesso em sua ignomínia. E aí, Cabral, não há discurso ou choro que explique a ausência do Estado na proteção das nossas crianças. É omissão mesmo. E culpa e negligência. A Dilma, como mulher, mãe, avó, como ser humano, enfim, chorou. E acredito na honestidade de sua compaixão. Mas... como presidente.... Não sei. Talvez tenha pensado, com um sentimento de culpa terrível, no quanto sonega em investimentos necessários em segurança, saúde e educação para a população, apenas para pagar a agiotagem dos juros junto aos banqueiros...

sábado, 2 de abril de 2011

Helio Fernandes

Conversa com o comentarista Ricardo Câmara, que mostra importantes detalhes sobre os bastidores da PRIVATIZAÇÃO-DOAÇÃO da Vale.

Ricardo Câmara:


“Prezado Jornalista Hélio Fernandes. Bendito retorno; O assunto privatização da Vale deve estar sempre em pauta, pois o povo brasileiro deve tomar conhecimento do prejuízo das 9.688 bilhões de toneladas de ferro que foi omisso no edital da venda.Em 1995, segundo um laudo da Coordenação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe), esta entregou um relatório à SEC-Securites and Exchange Commission, instituição norte-americana responsável pela mercado de ações, informando as reais condições de reservas minerais. Só no Sistema Sul, em Minas Gerais,apresentava um total de 7.918 bilhões de toneladas em ferro, sendo que no edital vendas item 6.5.1), registrava apenas no Sistema Sul, 1,4 bilhões de toneladas, quer dizer, uma cruel diferença de 6.518 bilhões de toneladas a menos.Ainda de acordo com as informações da Coppe, havia um critério para avaliação mineral, isto é, in situ (dentro da mina) e mine gate (na boca da mina) que logo depois, a cargo da Mineral Resources Development Inc. (MRDI), outra empresa americana, contratada pela Merril Lynch e Bradesco S/A para somente avaliar as reservas minerais in situ (dentro da mina) como aconteceu com o ferro, valendo também adotar o mesmo critério para o manganês (cotado em US$ 0,5/ton), desprezando a mine gate (boca da mina), que à época estava cotado em US$ 20,00/tonelada. E assim sucessivamente, ao ouro, à bauxita, dentre outros minerais que não foram avaliados, idem o setor floresta, celulose e papel; o direito de lavras; transferência ilegal dos minerais nucleares etc. Embora a grande mídia divulgue uma escala favorável ao lucro da empresa privada (Vale), isso não tira da mente do povo brasileiro o direito que lhe pertence, a reestatização da Vale”.

Comentário de Helio Fernandes:

Meus parabéns, Ricardo, elogios que não cabem no blog inteiro. Tudo o que eu pudesse dizer não seria suficiente para resumir os serviços que você prestou à comunidade. O máximo e o mínimo que poderíamos fazer seria isto; recomendar que todo o teu texto fosse distribuído em massa, principalmente para estudantes. Da escola pública até as universidades, fossem de que setor fossem. Não apenas estudantes de Direito ou matérias afins, todos devem ou deveriam saber como roubam nossas riquezas. Médicos, engenheiros, dentistas, arquitetos, têm a obrigação e o direito de saberem por que o Brasil continua no estágio em que está.
Tribuna da Imprensa

Urânio empobrecido, forma estranha de proteger civis líbios


Matéria da Editoria:
Internacional

30/03/2011

Nas primeiras 24 horas de bombardeios a Libia, os aliados gastaram 100 milhões de libras esterlinas em munição dotada de ponta de urânio empobrecido. Trata-se de um resíduo do processo de enriquecimento de urânio que é utilizado nas armas e reatores nucleares, sendo uma substância muito valorizada no exército por sua capacidade para atravessar veículos blindados e edifícios. Esse urânio empobrecido pode causar danos renais, câncer de pulmão, câncer ósseo, problemas de pele, transtornos neurocognitivos, danos genéticos em bebês e síndromes de imunodeficiência, entre outras doenças. O artigo é de David Wilson.

David Wilson – Stop the War Coalition

Data: 27/03/2011


“Os mísseis que levam pontas dotadas de urânio empobrecido se ajustam à perfeição à descrição de uma bomba suja...Eu diria que é a arma perfeita para assassinar um monte de gente”.
Marion Falk, especialista em física e química (aposentada), Laboratório Lawrence Livermore, Califórnia (EUA).

Nas primeiras vinte e quatro horas do ataque contra a Líbia, os B-2 dos EUA lançaram 45 bombas de 2 mil libras de peso cada uma (um pouco menos de uma tonelada). Estas enormes bombas, junto com os mísseis de cruzeiro lançados desde aviões e navios britânicos e franceses, continham ogivas de urânio empobrecido.

O DU (urânio empobrecido, na sigla em inglês) é um resíduo do processo de enriquecimento de urânio que é utilizado nas armas e reatores nucleares. Trata-se de uma substância muito pesada, 1,7 vezes mais densa que o chumbo, muito valorizada no exército por sua capacidade para atravessar veículos blindados e edifícios. Quando uma arma que leva uma ponta de urânio empobrecido golpeia um objeto sólido, como uma parte de um tanque, penetra através dele e depois explode formando uma nuvem quente de vapor. Esse vapor se transforma em um pó que desce ao solo e que é não só venenoso, mas também radioativo.

Um míssil com urânio empobrecido quando impacta algo sólido queima a 10.000°C. Quando alcança um objetivo, 30% dele fragmentam-se em pequenos projéteis. Os 70% restantes se evaporam em três óxidos altamente tóxicos, incluído o óxido de urânio. Este pó negro permanece suspenso no ar, e dependendo do vento e das condições atmosféricas pode viajar a grandes distâncias. Se vocês pensam que Iraque e Líbia estão muito distantes, lembrem-se que a radiação de Chernobyl chegou até Gales.

É muito fácil inalar partículas de menos de 5 micra de diâmetro, que podem permanecer nos pulmões ou em outros órgãos durante anos. Esse urânio empobrecido inalado pode causar danos renais, câncer de pulmão, câncer ósseo, problemas de pele, transtornos neurocognitivos, danos genéticos, síndromes de imunodeficiência e estranhas enfermidades renais e intestinais. As mulheres grávidas expostas ao urânio empobrecido podem dar à luz a bebês com deformações genéticas. Uma vez que o pó se vaporiza, não cabe esperar que o problema desapareça. Como emissor de partículas alfa, o DU tem uma vida média de 4,5 milhões de anos.

No ataque da operação “choque e pavor” contra o Iraque foram lançadas, somente sobre Bagdá, 1.500 bombas e mísseis. Seymour Hersh afirmou que só o terceiro comando de aviação dos Marines dos EUA lançou mais de “quinhentas mil toneladas de munição”. E tudo isso carregava pontas de urânio empobrecido.

A Al Jazeera informou que as forças invasoras estadunidenses dispararam 200 toneladas de material radioativo contra edifícios, casas, ruas e jardins de Bagdá. Um jornalista do Christian Science Monitor levou um contador Geiger até zonas da cidade que sofreram uma dura chuva de artilharia das tropas dos EUA. Encontrou níveis de radiação entre 1.000 e 1.900 vezes acima do normal em zonas residenciais. Com uma população de 26 milhões de habitantes, isso significa que os EUA lançaram uma bomba de uma tonelada para cada 52 cidadãos iraquianos, ou seja, uns 20 quilos de explosivos por pessoa.

William Hague, Secretário de Estado de Assuntos Exteriores britânico, disse que estávamos indo a Líbia “para proteger os civis e as zonas habitadas por civis”. Vocês não têm que olhar muito longe para ver a quem e o que está se “protegendo”.

Nas primeiras 24 horas, os aliados gastaram 100 milhões de libras esterlinas em munição dotada de ponta de urânio empobrecido. Um informe sobre controle de armamento realizado na União Europeia afirmava que seus estados membros concederam, em 2009, licenças para a venda de armas e sistemas de armamento a Líbia no valor de 333.357 milhões de euros. A Inglaterra concedeu licenças às indústrias bélicas para a venda de armas a Líbia no valor de 24,7 milhões de euros e o coronel Kadafi pagou também para que a SAS (sigla em inglês do Serviço Especial Aéreo) para treinar sua 32ª Brigada.

Eu aposto que nos próximos 4,5 milhões de anos, William Hague não irá de férias ao Norte da África.

Tradução: Katarina Peixoto