terça-feira, 20 de setembro de 2011

Confirmado: Dilma aumentará a dívida interna, à custa do sacrifício do povo brasileiro, para ajudar países ricos a pagarem dívidas com especuladores

Por Auditoria Cidadã da Dívida

O jornal Estado de São Paulo mostra que o Brasil irá financiar o FMI, para que este possa emprestar recursos a países europeus em crise. Tais empréstimos do Fundo são condicionados a políticas nefastas, conforme noticiado hoje pelo mesmo jornal: “FMI pede 100 mil demissões na Grécia”. Para emprestar mais uma parcela de US$ 8 bilhões à Grécia, o FMI exige um “corte adicional de 20 mil funcionários públicos, além dos 80 mil que estavam para ser cortados até 2015. Essa seria apenas a primeira de 15 novas exigências do FMI. Outras ações incluiriam o corte de aposentadorias e salários, além do fechamento de serviços públicos.” O Brasil poderá destinar US$ 10 bilhões das reservas internacionais para “ajudar” países europeus. É importante relembrar que estes dólares são obtidos à custa de mais dívida interna, que paga os juros mais altos do mundo, à custa do povo. Enquanto isso, o rendimento que o país receberá aplicando este dinheiro no FMI ou em títulos da dívida européia será muito menor. Em suma: o povo brasileiro pagará caro para financiar o FMI, e todo este esforço ainda servirá para sacrificar ainda mais o povo europeu. Ao mesmo tempo em que destina US$ 10 bilhões para esta finalidade nefasta, o governo nega recursos às áreas sociais urgentes, e se recusa a reajustar o salário de servidores públicos ou aumentar os recursos da saúde. Nesta semana, deve ser votada na Câmara dos Deputados a regulamentação da Emenda Constitucional 29, que poderia aumentar o orçamento da saúde, conforme mostra a Folha Online (Estados deixaram de aplicar R$ 2 bi na saúde, diz governo). Porém, a base do governo condiciona este aumento à criação de uma nova CPMF, um tributo injusto, que é repassado para os preços dos produtos e pago principalmente pelos mais pobres. Além do mais, conforme comentado em edição anterior deste boletim, esta nova CPMF – assim como a primeira - pode ser utilizada mais uma vez para a obtenção das metas de superávit primário, e não para financiar a saúde. Agravando a situação, o texto que deve ser aprovado esta semana na Câmara permite que os estados excluam as receitas destinadas ao FUNDEB (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica) da base de cálculo dos 12% mínimos para a área da saúde (Com alta de imposto, governo compensou extinção da CPMF). Em bom português: ao invés de aumentar os recursos da saúde, esta tão aguardada regulamentação da Emenda 29 pode reduzi-los em cerca de R$ 6 bilhões! Enquanto isso, o setor financeiro – que fica com metade do orçamento federal - assiste de camarote a esta falsa discussão, que nem chega perto de tocar a verdadeira causa da falta de recursos para a saúde: o endividamento público.

2 comentários:

  1. Tenho acompanhado o seu blog a algum tempo e gostaria de parabenizá-lo pela forma como você consegue deixar claro o que se passa no nosso país. Se possível gostaria de sua opinião sobre o que Bill Still tem mostrado insistentemente como solução para a economia mundial. Link: http://youtu.be/CrSWpmtm0kY

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  2. Sim, Danilo, embora não acompanhe regularmente, Max Keiser parece pessoa que conhece as entranhas do negócio todo. É pessoa de dentro do sistemão financeiro global. Apesar do jeito falastrão, sabe o que fala e com quem se meter, dentro das suas conveniências. Mas tem análises talvez por demais superficiais (exigência talvez das mídias que utiliza), embora em grande parte verdadeiras. Por exemplo, suas recomendações em se investir em ativos como ouro e metais preciosos em geral, como forma do investidor fugir do cassino de derivativos, da falácia do dólar e coisa e tal. Já as idéias e propostas de Bill Still, também parecem captar a essência da coisa toda, principalmente quando identifica o domínio dos bancos privados sobre a Reserva Federal norte-americana como causa estrutural do problema todo: o domínio do sistema financeiro internacional cada vez maior sobre os estados soberanos. Não conhecia o trabalho. Fui pesquisar depois de você dar um toque. Obrigado pela dica. Apenas tinha visto um filme com a mesma temática, o Zeitgeist, que, apesar de um início pouco realista, também tocou na ferida de forma bem didática. Confesso que, quanto às propostas de Bill, sobre a solução do problema, com o que chama de Lei de Reforma Monetária, não tenho muitas informações a respeito. Teria que pesquisar mais. Taí uma boa dica que você me dá. Mas, não sei se você cohece, comece a ler os professores brasileiros da UnB, Bautista Vidal (engenheiro como você) e Adriano Benayon. Procure os seus livros, sabem muito sobre a coisa toda. Obrigado por participar. Continue nos acompanhando e mandando dicas. Um forte abraço, Said

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