
A esfinge do levante egípcio
Ainda são muito incertas as consequências do levante de massas que convulsiona o Egito e pode levar à derrubada do regime autoritário de Hosni Mubarak. A principal razão para isto é que as forças de oposição - que hoje se escoram na grande insatisfação popular para abalar a estrutura de poder vigente - são muito dispersas e diversificadas. É mais fácil galvanizar uma efêmera aliança negativa entre elas (para derrubar o atual governo) do que erigir coalizões capazes de conduzir adiante projetos de poder mais consistentes. E, para quem, otimista, vê na atual movimentação um desabrochar da democracia num país árabe, um alerta: a mais estruturada das organizações políticas de oposição não é laica, mas religiosa: a Irmandade Islâmica.
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Nas democracias vigentes em sociedades mais secularizadas, tais quais as latino-americanas, essa presença das forças armadas como garantidoras de certos limites para o funcionamento do sistema político é sempre vista como tutela, algo a se lamentar. É assim no Brasil, em que a Constituição de 1988 confere aos militares a função de garantir "os poderes constitucionais" e a "lei e a ordem" internas; foi assim também no Chile pós-Pinochet. Entretanto, nas sociedades islâmicas, muito pouco secularizadas, paradoxalmente a tutela militar parece ser a única forma de assegurar ao menos a secularização do Estado e, consequentemente, algum grau de democracia.
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O Egito à beira do sangue
Há uma semana parte dos meios de comunicação ocidentais fazem eco das manifestações e da repressão que agitam as grandes cidades egípcias. Traçam um paralelo com as que derrubaram de Zine el-Abidine Ben Ali na Tunísia e evocam um vendaval de revolta no mundo árabe. Segundo eles, este movimento podia estender-se à Líbia e à Síria. Devia favorecer aos democratas laicos e não aos islamitas, prosseguem eles, porque a influência dos religiosos foi subestimada pela administração Bush e o "regime dos molllah" no Irã é um dissuasor. Assim se concretizariam os votos de Barack Obama na Universidade do Cairo: a democracia reinará no Próximo Oriente. Esta análise é falsa segundo todas as perspectivas.
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