Para encobrir o crime, a “Folha” procurou questionar a metodologia para coagir o Vox a adaptar os resultados aos do DatafolhaA pesquisa do Instituto Vox Populi, divulgada no sábado, sobre as intenções de voto na eleição para presidente da República, mostra um crescimento de quatro pontos de Dilma Rousseff – que atingiu 31% na preferência dos entrevistados – e estagnação de Serra, com os mesmos 34% da última pesquisa desse instituto, realizada em janeiro. Os dois candidatos estão empatados, uma vez que a margem de erro da pesquisa é de 4,4 pontos percentuais (+ ou – 2,2 p.p.).
Tal como em quase todas as outras pesquisas, verifica-se o crescimento de Dilma, a estagnação de Serra e situação atual de empate. A única exceção é a pesquisa do Datafolha divulgada uma semana antes da presente pesquisa do Vox Populi (ver HP, 31/03/2010).
Os resultados do Datafolha pareciam – do mesmo modo que um animal com rabo, patas e juba de leão parece um leão - uma espécie de anomalia ou aberração numérica. Em relação à pesquisa anterior do próprio Datafolha, Serra crescera, em um único mês, 10 pontos na região Sul, 4 pontos nacionalmente – e sobretudo entre os mais pobres – sem nenhuma alteração do quadro ou acontecimento que pudesse explicar tal resultado. Pelo contrário, na mesma pesquisa, no resultado espontâneo (sem mostrar nomes de candidatos), Dilma estava à frente de Serra e continuava a aumentar a diferença, enquanto o presidente Lula batia todos os recordes de popularidade.
Era um resultado tão fora da curva que o diretor do Datafolha apelara à diminuição das chuvas sobre São Paulo para explicá-lo – e foi tão pouco convincente que provocara a estranheza até de um dos jornalistas mais identificados com a direção do proprietário do instituto, o jornal oposicionista “Folha de S. Paulo”. Logo no dia seguinte, o jornalista Clóvis Rossi, na própria “Folha”, considerou a pesquisa “um denso mistério” e apontou a escassez de “lógica” no resultado.
Já a pesquisa atual, do Vox Populi, traz um resultado que já seria de esperar. Nada de anormal em relação às outras, inclusive em relação às pesquisas do Datafolha anteriores a essa última. Um resultado quase rotineiro, até mesmo porque mostra algo fácil de sentir e constatar: o crescimento de Dilma e a crescente dificuldade de Serra não apenas no conjunto do país, onde isso é óbvio, mas também em São Paulo – onde, aliás, mesmo antes que os paulistas conhecessem a operosa administração Serra, com seus buracos, desabamentos, inundações e privatizações desastrosas, Lula derrotou-o duas vezes em 2002 por diferenças nunca abaixo de 2 milhões de votos (9,1 milhões contra 5,6 milhões no primeiro turno e 11,2 milhões contra 9 milhões no segundo turno).
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