quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

José Sarney

Um mundo complicado

Quando a União Soviética desmoronou, o Secretário da Defesa dos Estados Unidos, em depoimento no Congresso americano, fez uma longa dissertação sobre o futuro da humanidade e qual devia ser a estratégia americana em face do novo quadro mundial. Falou numa perspectiva de distensão mundial e nos desafios que tínhamos à frente. Relacionou alguns problemas, a começar pelo problema nuclear, passando pelos vetores transportadores de armas atômicas, pelas armas químicas, os conflitos regionais, as doenças desconhecidas, o crime organizado, o narcotráfico e o terrorismo. Evidentemente não se esgotavam nestes tópicos nossas ameaças. Desenhava um novo mapa mundial de poder incorporando a Rússia e China. Agora, com os acontecimentos do Rio de Janeiro, no morro do Alemão, temos o exemplo do que pode acontecer nas grandes metrópoles, em que se misturam o tráfico, as drogas, as quadrilhas organizadas, a vendas de armas e o desafio à ordem pública. No item das armas nucleares temos as ameaças da Coréia do Norte e do Irã, duas nações marcadas ainda pela ideologia, quer política, quer religiosa. Os conflitos regionais estão longe de serem resolvidos. O Afeganistão, envolvendo o Paquistão, enfrenta uma mistura de guerra convencional e guerra de guerrilha. Palestinos e judeus mantêm o crônico enfrentamento sem perspectivas de solução e, para dizer que ainda há uma esperança, fala-se na criação do Estado palestino e numa solução para Gaza. O Iraque, depois de uma guerra louca, em que Bush (ele conta em suas memórias) mandou invadir aquele país para satisfação do pai, que tinha sido ameaçado por Saddam Hussein, mantém-se num estado de conflitos internos permanentes. Agora, com a crise econômica que começou nos Estados Unidos e se estende pela Europa, derrubando economias de diversos países, como Grécia, Irlanda, Portugal, Itália e Espanha, propõe-se uma nova maneira de enfrentar os problemas da paz mundial e o que seria impossível há duas décadas passa a ser um projeto em andamento. Esse caminho parte de armar a OTAN para o século XXI, numa aliança ampla que incluiria a Rússia, com estratégia de defesa mútua, tendo como base um guarda-chuva de foguetes antimísseis. O conceito será de que todos agirão em conjunto e que o ataque a um membro da nova OTAN será um ataque a todos, como novos sócios recrutados num espaço euro-atlântico. Estes problemas foram longamente discutidos em Lisboa, na comemoração do aniversário da OTAN. Assim, pouco a pouco se localizam os problemas detectados em 1989 e o mundo procura meios de delimitá-los, separando-os por pacotes, cada um deles mais explosivo. A nova estratégia de agir em conjunto já é um avanço, pois, em vez da bipolarização, teremos outra fórmula de dissuasão nuclear. Certamente que essas idéias estão surgindo diante de uma Europa cheia de problemas e de uma China potência naval e um colosso em expansão que traz a ameaça de uma guerra econômica. Mas essa é outra história.

José Sarney foi governador, deputado e senador pelo Maranhão, presidente da República, senador do Amapá por três mandatos consecutivos, presidente do Senado Federal por três vezes. Tudo isso, sempre eleito. São 55 anos de vida pública. É também acadêmico da Academia Brasileira de Letras (desde 1981) e da Academia das Ciências de Lisboa.

Um comentário:

  1. hostilio Caio pereira da costa1 de dezembro de 2010 17:47

    O QUE É CLERO NA DEFINIÇÃO POLÍTICA
    A definição de alto e baixo clero varia de casa para casa. No Senado, em tese, não deveria existir tal classificação afinal são apenas 81 parlamentares, da nata da política no Brasil, porque já foram governadores, prefeitos e ate Presidentes, mas não é bem assim. Existem senadores que sua visibilidade, participação e nas decisões da Casa, os colocam no alto clero, enquanto que os do baixo clero se restringem somente ao seu estado e se coloca a disposições dos lideres.

    Já na Câmara Federal, com seus 523 deputados, existe mais baixo que alto clero. Os de primeiro mandato vão direto para o baixo clero. A situação tende a melhorar a partir do segundo ou terceiro mandato, casos façam a fazer parte do grupo que comanda as ações da Casa.

    Para entrar no médio clero, em primeiro mandato, os parlamentares devem ter pedigree político (parentes de ex-caciques políticos), ou ainda que tenham tido significativa votação, dependendo da sua atuação.

    Existem senadores e deputados federais que extrapolam a classificação de alto clero, chegam a ser classificados como ícones ou estrelas de primeira grandeza na política nacional. Por isso, a imprensa sempre está em seus encalços para entrevistá-los e, assim, saber quais são as verdades dos bastidores políticos.

    Veja os senadores tidos como ícones:
    José Sarney (PMDB-AP) – Presidente do Senado, ex-Presidente da República
    Arthur Virgilio (PSDB-AM) – líder do partido na Casa
    Agripino Maia (DEM-RN) – líder do partido na Casa
    Fernando Collor (PTB)-AL) – ex-Presidente da República
    Marcos Maciel (DEM-PE) – ex-vice Presidente da República
    Renan Calheiros (PMDB-AL) – ex-presidente do Senado, líder do partido.
    Romero Jucar (PMDB-RO) – líder do governo na Casa

    Senadores do alto clero
    Marconi Pirillo (PSDB-GO)
    Aloisio Mercadante (PT-SP)
    Eduardo Suplicy (PT-SP)
    Edison Lobão (PMDB-Ma)
    Tasso Jereissati (PSDB-CE)
    Pedro Simon (PMDB-RS)
    Osmar Dias (PSDB-PR)
    Heráclito Fortes (DEM-PI)
    Mão Santa (PSC-PI)
    Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE)
    Marina Silva (PV-AC)
    Garibaldi Alves (PMDB-RN)

    Deputados Federais do Alto Clero
    Michel Temer (PMDB-SP) – Presidente da Casa e vice-presidente eleito
    Inocêncio Oliveira (PR-PE)
    Antonio Carlos Magalhães Neto ( ) Neto de ACM
    Rodrigo Maia (DEM-RJ), filho de César Maia ex-prefeito do Rio de Janeiro
    Ciro Gomes(PSB-CE), ex-governador do Ceará
    Gabeira (PV-RJ)
    Luiza Erundina (PSB-SP) – Ex-prefeita de São Paulo
    Miro Texeira (PDT-RJ)
    Ronaldo Caiado (DEM-GO)
    Sandro Mabel (PR-GO)
    Simão Sessim (PP-RJ)
    Vicentinho (PT-SP) sindicalista
    Jaime Martins (PR) Ops, ia esquecendo, ele é presidente de uma das mais importantes comissões, "Viação e Transportes"
    Pedro Novaes (PMDB-MA)
    Gastão Vieira (PMDB-MA)
    Vaccarezza (PT-SP) – líder do governo na Casa
    José Carlos Aleluia (PSDB-BA)

    Como se vê, a maioria esmagadora dos ícones e do alto clero no Congresso Nacional é formada por nordestinos e nortistas, coisa que deixa os paulistanos, principalmente os jornalões, revoltados e preconceituosos.

    Veja o que disse Lula em Estreito (MA), que deixou os paulistanos ainda mais revoltados com o Nordeste: "... Nós não queremos tirar nada do Sudeste, nós queremos que São Paulo continue crescendo, que o Rio de Janeiro continue crescendo, que o Sul continue crescendo, mas nós achamos que o século XXI é a vez do Nordeste e do Norte deste país começar a crescer".

    Diante desse depoimento do presidente Lula, observa-se a importância desses ícones e dos de alto clero nordestinos e nortistas para que as regiões fossem vistas pelo governo federal.

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