terça-feira, 6 de julho de 2010

Geraldo Luís Lino

Luminares do Establishment apontam limites do poder oligárquico

A singularidade histórica do momento atual, em que uma nova dinâmica "civilizatória" começa a se impor aos esgotados esquemas hegemônicos que resultaram na crise econômico-financeira e estratégico-política global, já é admitida abertamente por ideólogos da velha ordem, inclusive por alguns dos seus luminares. Um deles é Zbigniew Brzezinski, ex-conselheiro de Segurança Nacional dos EUA (Governo Carter) e um dos formuladores da estratégia anglo-americana do "arco de crises", colocada em prática no final da década de 1970 com o intuito de desestabilizar a antiga URSS com a carta do fundamentalismo islâmico. Ligado aos círculos democratas do Establishment estadunidense e, segundo várias fontes, com acesso ao governo de Barack Obama, não obstante, Brzezinski foi uma das principais inspirações dos ultrabelicistas "neoconservadores" que dominaram a maior parte do governo do republicano George W. Bush e deflagraram a presente "guerra ao terror" - que está exaurindo tanto o poderio militar como as finanças públicas da superpotência estadunidense. Nos últimos anos, Brzezinski tem reiterado que os EUA terão que reorientar o seu papel no cenário internacional, principalmente, em face do que chama um "despertar político global". Em outubro de 2005, juntamente com Francis Fukuyama e outros ideólogos da hegemonia estadunidense, foi um dos fundadores da revista The American Interest, destinada a atuar como um fórum para tais discussões.
No primeiro número da revista (Outono de 2005), Brzezinski escreveu um artigo intitulado "O dilema do último soberano", no qual afirmou que grande parte desse "despertar" está ocorrendo nos países em desenvolvimento:
É uma população agudamente consciente das injustiças sociais, em um nível inusitado e, freqüentemente, ressentida por sua percebida falta de dignidade política. O acesso quase universal ao rádio, à televisão e, crescentemente, à Internet, está criando uma comunidade de percepções e inveja compartilhadas, que pode ser galvanizada e canalizada por políticas demagógicas ou paixões religiosas. Essas energias transcendem as fronteiras nacionais e representam um desafio, tanto para os Estados existentes, como para a hierarquia global existente, em cujo topo se encontram os EUA.
Para enfrentar tal dilema, disse ele, a democracia não basta:
A promoção da democracia é, na melhor das hipóteses, uma resposta parcial ao grande e difícil desafio diante de nós... A busca por dignidade política, especialmente por intermédio da autodeterminação nacional e transformações sociais, é parte do pulso de autoafirmação dos subprivilegiados do mundo... A democracia para alguns sem justiça social para os muitos era possível na era aristocrática, mas não mais na era do despertar político em massa... Portanto, a promoção da democracia deve estar diretamente vinculada aos esforços para a eliminação da pobreza extrema e uma diminuição gradual das desigualdades globais.
Em uma recente conferência em Montreal, Canadá, promovida pelo influente Conselho de Relações Exteriores (CFR) de Nova York, Brzezinski voltou ao assunto, advertindo que, "pela primeira vez em toda a história humana, a Humanidade está politicamente desperta - esta é uma realidade totalmente nova - não tem sido assim durante a maior parte da história humana".
Segundo ele, em todo o mundo, pessoas comuns estão "conscientes das iniquidades, desigualdades, falta de respeito e exploração globais". Este fato, acrescentou, combinado com um crescente fraturamento entre as elites globais, "tornam esse contexto muito mais difícil para qualquer grande potência, inclusive, atualmente, a principal potência mundial, os EUA (Prison Planet.com, 19/05/2010)".
Outra interessante manifestação da mesma tendência foi o artigo do historiador inglês Simon Schama, colunista do jornal Financial Times, que, em sua coluna de 22 de maio último, afirmou que o mundo se encontra "no limiar de uma nova era de raiva", acarretada pelas consequências socioeconômicas da crise global. Um trecho em especial transmite uma mensagem clara e direta sobre a gravidade da situação aos senhores do olimpo financeiro, que o diário londrino representa em primeiro lugar:
(...) O epíteto depreciativo que a Revolução Francesa deu aos financistas que foram responsabilizados pelo desastre foi "ricos egoístas". Os nossos próprios plutocratas podem não estar se encaminhando para as carroças [que transportavam os condenados à guilhotina - n.e.], mas o fato de que a catástrofe financeira, com os seus efeitos sobre a economia "real", se deu por meio de obscuras transações desenhadas para não fazer nada além de produzir lucros de curto prazo, agrava um sentido de traição social. A essa altura, o controle de danos significa pelourinho para os perpetradores: chamá-los a prestar contas e extrair declarações de contrição. Eis porque o impacto psicológico da regulamentação financeira é quase tão crítico como os seus aspectos profiláticos institucionais. Aqueles que fazem lobby contrário colocam em risco os seus próprios interesses de longo prazo. Caso os governos falhem em restabelecer a integridade da supervisão pública, emergirão suspeitas de que, apesar de todo o discurso sobre novos começos, os acusados e o novo regime são farinha do mesmo saco. Ambos correm o risco de ser tosquiados pela ira popular ou sobrepujados por tribunas de indignação mais perigosas.
Entretanto, apesar da candidez de suas observações, esses luminares oligárquicos não apresentam qualquer proposta para promover a necessária mudança de rumo, especialmente no tocante a uma imprescindível reforma do sistema financeiro internacional, sem a qual qualquer esforço de retomada do desenvolvimento socioeconômico em escala global se torna inviável - e, como eles mesmos anteveem, o mundo poderá experimentar tempos literalmente explosivos.

Geraldo Luís Lino é geólogo, especializado na aplicação de estudos geológicos a projetos de engenharia civil e avaliações de impactos ambientais. É fundador e diretor do Movimento de Solidariedade Ibero-americana (MSIa) e co-autor dos livros Máfia Verde 2: ambientalismo, novo colonialismo (2005) e A hora das hidrovias: estradas para o futuro do Brasil (2008), ambos publicados pela Capax Dei Editora.

Não deixe de conferir o vídeo a seguir com entrevista esclarecedora de Geraldo Luís Lino sobre vários temas, mas principalmente sobre a fraude do “aquecimento global”. Muito esclarecedor e importante para que as novas gerações fiquem mais espertas diante das pilantragens dos ambientalistas-malthusianos. Confiram, confiram o que foi dito, pensem, critiquem, com a mente aberta. E...claro! Reajam.

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