A ordem e a prosperidade

É bem verdade que o varejo brasileiro formal representa apenas 15,5% do PIB, enquanto nos Estados Unidos representa 28,2%; na Espanha 33,4%, na União Européia toda a média é de 30,8%; e no Japão, 26,7%. Para ampliar esta participação, que depende sobretudo de políticas públicas e reformas tributárias, o varejo precisa fortalecer sua mobilização, oxigenar suas entidades, dar vez, voz, transparência e autoridade ao conjunto de seus integrantes, especialmente os micro e pequenos empreendedores, que respondem por mais de 80% dos resultados alcançados. Compartilhando deveres e direitos intramuros, poderemos exigir do poder público contrapartidas justas, acolhidas efetivas aos nossos pleitos e demandas, debater usos e frutos de nossas contribuições. Na crise recen te, ficamos à reboque de outros setores e fomos discriminados nas operações de respaldo político-fiscal.
Trazendo a prosa para a economia local, nunca é demais insistir em ajustes fiscais no relacionamento comercial da capital com interior, desburocratizar e conferir fluidez e racionalidade a quem investe no beiradão, tendo em vista incentivar a atividade comercial como mecanismo de interiorização e diversificação da economia. Temos memória de grandes avanços conquistados pelas Câmaras Setoriais, instâncias fluidas e efetivas para aproximar demandas, interatividade sadia e ganhos reais para o conjunto do mercado e promoção do interesse geral. É justo e oportuno abrir espaço de participação e repartição de responsabilidades e vantagens para o varejo, um parceiro que propicia ganhos e avanços nessa missão coletiva que tem a ordem por base e a prosperidade por fi m, como sugere o pavilhão nacional.
Zoom-zoom
· A sedução da maçã – Empreendedores nordestinos do setor primário começam a colher os primeiros frutos adocicados de seu investimento – cultura tropical de maçãs - no vale do Rio São Francisco, cuja transposição em curso vai consolidar a revolução agrícola que já começou. A maçã do Nordeste vai dar o que falar.
· Uvas e vinho – A produção de uvas e vinho de qualidade no Nordeste, por mais incrível que possa parecer, é um fato irreversível, da maior relevância econômica, cultural e agroindustrial para todo o país. Acredite: 99% da uva de mesa exportada pelo país é do Nordeste e em breve, o maior produtor nacional de vinho.
· Pesquisa e inovação – esse desempenho não se deu por geração espontânea nem do dia pra noite. Foram anos e anos de investimento em pesquisa. Uma revolução desenhada e ensaiada nos laboratórios da Embrapa e universidades nordestinas. É gratificante e provocador remontar essa história.
· E a várzea amazônica? – Mais fértil que as margens do Nilo, que viu e fez crescer a civilização hebraica e egípcia, as margens dos rios amazônicos, especialmente das águas barrentas, permanecem à espera de iniciativas semelhantes, sem os gastos extraordinários da transposição, apenas os da vontade política.
Belmiro Gonçalves Vianez Filho é empresário e membro do Conselho Superior da Associação Comercial do Amazonas. belmirofilho@belmiros.com.br
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