Michael Liebig

A linha oficial proclamada pelo governo alemão é, "devemos manter o curso", mesmo que, oficiosamente, não se negue mais que a situação afegã está piorando. Não obstante, um debate real sobre a mobilização no Afeganistão ainda é bloqueado com argumentos de que "não podemos abandonar o povo afegão" ou "devemos manter-nos fiéis às obrigações com a nossa aliança". Uma exceção tem sido Helmut Schäfer, que ocupou o Ministério das Relações Exteriores no período 1987-98. Em uma conferência sobre a política exterior dos EUA, realizada em 14 de maio último, em Mainz, Schäfer afirmou que a ação militar ocidental no Afeganistão encontra-se num beco sem saída. Se a proteção dos direitos das mulheres afegãs significa matar mais e mais mulheres e crianças com bombardeios aéreos, devemos parar e colocar em questão toda a estratégia. Chegou a hora de se pensar seriamente em uma saída "decente" do Afeganistão, disse ele.
Tal avaliação é compartilhada na Alemanha por aqueles que conhecem o Afeganistão não somente dos relatórios oficiais e de curtas visitas estritamente organizadas e pesadamente protegidas ao país. Um deles é o coronel (ret.) Jürgen Hübschen, atual assessor de segurança de uma ONG humanitária ativa no Afeganistão, que divulgou as impressões de sua última visita ao país no sítio Solon-Line. Ou o Dr. Reinhard Erös, diretor da ONG humanitária Ajudem as Crianças no Afeganistão, que conhece bem o país e seu povo, inclusive os que têm vínculos com os talibãs. O Dr. Erös goza de grande confiança dos afegãos porque, ainda na década de 1980, como oficial médico do Bundeswehr, ele lançou uma iniciativa pessoal para levar assistência humanitária ao país. Em uma entrevista à rádio Deutschlandfunk, em 27 de maio, ele afirmou: "A questão não é se nos retiraremos, mas quando o faremos. Não podemos permanecer por lá pelos próximos 100 anos. Então, de qualquer maneira, devemos sair."
Questionado sobre quais teriam que ser as pré-condições para a retirada das tropas estrangeiras, Erös afirmou:
Não vejo razão pela qual nós, no Ocidente ou na Europa, devemos apropriar-nos do direito de definir para os afegãos como o país deles deveria parecer. Nós devemos dar àqueles afegãos que até agora dificilmente têm tido oportunidades de se expressar por si próprios a oportunidade de falar - e esta é a população afegã. No Afeganistão, o cidadão comum não está muito próximo das elites, as elites políticas e econômicas. Os 5% das elites que governam o país são uma coisa, e existe a massa da população que luta a cada dia apenas para ganhar o suficiente para sobreviver... Mas esse "resto", esses mais de 90%, eles determinam se o país se desenvolve numa ou noutra direção. Com eles, devemos falar e trabalhar.

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