terça-feira, 26 de outubro de 2010

Na Mira do Belmiro

Inadimplência de mão dupla

A inadimplência do consumidor registrou a quinta alta consecutiva em setembro, segundo dados da Serasa, divulgados na última sexta-feira. Esta é a pior notícia para o conjunto da economia, pois revela um elo puído, a rigor, o mais importante, para a dinâmica da produção e consumo. Aparentemente o calote é pequeno, considerando a alta de 1,6% no mês na comparação com o mês anterior. Na comparação do mês passado, porém, com o mesmo período de 2009, houve elevação de 15,3%, resultado alarmante levando em conta que o país passava pelo auge da crise financeira global. Na modalidade cartões de crédito e financeiras a inadimplência registra alta de 7,2%. Os esforços da campanha do SPC, Serviço de Proteção ao Crédito, em Manaus, cumprem exatamente essa obstinação para evitar o pior, numa perspectiva pouco favorável na quadra natalina. Com o desfecho da temporada eleitoral, começa a emergir o contraponto do ufanismo econ�?mico, que projeta a valorização do real como bravata do crescimento extraordinário. Mais do que representar um crescimento diferenciado na galeria dos emergentes, a entrada de dinheiro no país se explica pela emissão exagerada de dólares pelos EUA, para espantar a crise, e pelo fato do Brasil ter uma das taxas de juros mais altas do planeta, para custear o aumento nos gastos públicos e a artificialidade do crédito fácil que gera tanto calote no vaivém da flutuação financeira. Os investidores captam recursos no exterior com taxas muito baixas para aplicar em reais na Bovespa. Uma ciranda financeira que o país apóia, implode a indústria e compromete as exportações. Com dólar a R$ 1,68, o preço do 'Big Mac' nos Mc Donald's do Brasil é um dos mais caros do mundo. Neste "índice", criado pela revista britânica "The Economist" em 1986, para medir o poder de compra em diferentes países, o sanduíche brasileiro ultrapassou em preço o hambúrguer vendido nas lanchonetes norte-americanas. Trazendo a comparação para o cotidiano, o cidadão comum, inadimplente e desorientado, indagaria aflito: que vantagem Maria leva com o artificialismo da moeda forte e um custo de vida pelos olhos da cara? A objetividade da inquietação popular se sustenta pelos custos operacionais locais de uma economia que não faz investimentos substantivos de infraestrutura de crescimento há mais de quatro décadas. Pagamos os serviços de infraestrutura – transportes, energia e comunicação - mais caros e mais precários do país, raiz decisiva da inadimplência geral. Uma inadimplência que é um sucedâneo direto de dívidas não honradas por parte da União com a população local, portanto, de mão-dupla, perversa e injusta e que é preciso alertar, sacudir e brecar.

Zoom-zoom

Colapso logístico – o acidente no Porto Chibatão merece uma investigação apurada das verdadeiras causas do evento e, mais do que isso, ser transformado em pauta para uma discussão mais abrangente das dificuldades, desafios e demandas logísticas do modelo econômico e industrial da ZFM. Temos insistido nessa tecla, acreditando na importância estratégica do planejamento de médio e longo prazo.

ZFM - Ciclo da Borracha – as omissões do governo federal em relação às demandas de infraestrutura da economia local, repetem um filme de terror representado pela falência do Ciclo da Borracha. Há cem anos, deixamos escapar a pujança do látex exatamente pela omissão federal em instalar uma infraestrutura de beneficiamento da borracha.

Porto e portos – O porto histórico de Manaus tem mais de cem anos e a solidez de sua engenharia e estrutura revela o rigor e a determinação britânica de implantar as bases duradouras do progresso. Por isso os ingleses agregaram 60% de valor a sua economia com a exploração do látex.

Manaus 431 anos – Com avanços, retrocessos e enormes desafios, Manaus celebra mais um aniversario neste fim de semana. Está na hora de parar pra acertar. Trânsito caótico, infraestrutura inadequada, saneamento precário, educação e saúde deficientes e moradia precária. São muitos problemas e muita labuta pra poder enfrentar. Mas vale a pena!!!

Belmiro Gonçalves Vianez Filho é empresário e membro do Conselho Superior da Associação Comercial do Amazonas.
belmirofilho@belmiros.com.br

Um comentário:

  1. Hostilio Caio Pereira da Costa26 de outubro de 2010 18:12

    JOSÉ SERRA QUIS ACABAR COM A FERROVIA NORTE-SUL
    O brasileiro precisa saber que José Serra sempre foi contra a ferrovia Norte-Sul. Foi assim quando ele foi deputado, senador, ministro. Serra votou e agiu sistematicamente contra os interesses da região Centro-Oeste, Norte e Nordeste, e contra qualquer estado, sempre que havia conflitos de interesses com São Paulo.
    Na votação do orçamento de 1988, quando cada estado puxa a brasa para o seu lado, o então deputado José Serra apresentou pedido de destaque para acabar com a ferrovia Norte-Sul. Felizmente sofreu uma derrota (a fonte a revista demo-tucana “Veja”, de 14/12/1988, pág. 122).
    A ferrovia é um dos eixos de desenvolvimento dos estados do maranhão, Goiás, Tocantins, Pará, Mato Grosso, e o presidente Lula (que até já foi crítico da borá, quando não tinha em mãos informações e estudos que teve, quando estava no governo), a incluiu como obra do PAC, para garantir verbas orçamentárias.
    Agora, como candidato à presidência, José Serra criticou o presidente Lula por ter priorizado o término da Ferrovia Norte-Sul no final do governo. “É mania eleitoreira, daria para fazer a ferrovia com um pé nas costas”. O tucano relembra que a obra teve início no governo de José Sarney, em 1985.
    Contudo, Serra se esquiva quando é questionado pelo fato do governo FHC, dois mandatos, não ter feito nada para que a ferrovia tivesse êxito. Agora, Serra quer criticar o governo Lula por não ter ainda concluído a ferrovia pode ser considerado como hipocrisia.

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