sábado, 9 de agosto de 2008

Observatório do Said Dib

Destaques dos jornais de hoje. Se você for assinante do Clipping da RADIOBRAS, clique nos links logo abaixo das matérias para lê-las. Nos finais de semana e feriados isto será necessário. Durante a semana, não.
Sábado,09 de agosto de 2008

No Rio, campanha eleitoral só pela TV
Pedro do Coutto
Tribuna da Imprensa

Os tristes acontecimentos verificados na semana passada, quando organizações criminosas impediram candidatos de percorrer comunidades, como ocorreu com Fernando Gabeira, Teresa Bergher, Chico Alencar e Alessandro Molon, acentuam uma realidade cada vez mais visível e sensível na cidade do Rio de Janeiro: campanha eleitoral plena só pela televisão, a partir do dia 19, quando começa o horário de propaganda gratuita. Antes é praticamente impossível, como "O Globo" publicou em sua edição de domingo passado. Não foi a primeira vez que a liberdade de ir e vir, embora garantida pela Constituição Federal, não se realiza na prática. O episódio foi apenas o mais recente de uma série de outros. O governo Sergio Cabral infelizmente não domina, como deveria, o território carioca. As provas estão aí. Um desastre absoluto para todos nós, uma vergonha para o País. Com tal situação absurda, o espaço ilegal prossegue seu sinistro avanço. Os candidatos bloqueados, prudentemente, acharam melhor não insistir. Sentindo-se pessoalmente ameaçados, Gabeira decidiu por não colocar em risco a ele próprio e aos que o acompanhavam no exercício democrático. Alencar e Molon decidiram pelo mesmo caminho.
No Rio, campanha eleitoral só pela TV

Abertura espetacular

ORLANDO DUARTE
Tribuna da Imprensa

Estive em dez Olimpíadas. Em Moscou, no ano de 1980, acompanhei uma das mais belas cerimônias de abertura de todos os tempos. Mas nenhuma supera o que foi feito em Pequim. Somente um país com tanta gente e disciplina pode fazer isso, com uma cenografia fora de série, o jogo de luzes, a pintura, homens transformados em luzes ambulantes, imagens encantadoras, e com uma originalidade contagiante. A China não é só PIB, manufatura e superpopulação. Claro que há problemas, como em todos os países do mundo. Mas o país não precisa mostrar que é uma potência, pois isso já está provado. Ficou explícito, inclusive, na cerimônia, com a arte, música, dança, ópera, a China moderna integrada ao mundo, a globalização, a riqueza do país. As festas puras, como esta cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, têm que ser exaltadas e, de uma vez por todas, as guerras têm que ser esquecidas, pois isso, sim, pode manchar um espetáculo e destruir um país. Os chineses se dedicaram e produziram a mais linda apresentação de todos os tempos em uma Olimpíada. Pequim está de parabéns, pois emocionou o mundo.
Abertura espetacular

Congresso pode acabar com inquérito policial
Tribuna da Imprensa

Em meio à crise das algemas, os delegados da Polícia Federal estão assombrados com outro embate: o futuro do inquérito policial, seu principal meio de investigação. Agora, se revelam preocupados com movimentações no Congresso que, segundo sua avaliação, têm a finalidade de acabar com o instrumento de que dispõem para intimar e indiciar suspeitos. O que mais os incomoda é o voto em separado do deputado Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ) ao projeto de lei 4209/01, que altera dispositivos do Código do Processo Penal. Em seu parecer, Biscaia é categórico: "O PT defende a extinção do inquérito policial e outras modificações que se opõem ao projeto de lei em comento, como, por exemplo, o fim do indiciamento."
Congresso pode acabar com inquérito policial
Resgate atroz
Edson Khair
Tribuna da Imprensa


A atual discussão no seio do próprio governo Lula sobre as atrocidades cometidas pela ditadura militar está na ordem do dia. Já foi dito (Sartre ou Camus?) que ao expulsarmos o passado pela porta da frente ele volta pela janela da cozinha. Assim, impossível desconhecê-lo. O ministro Tarso Genro é a favor de investigações e punições para agentes do poder que tenham cometido crimes contra a humanidade, como o de tortura. Já o ministro civil da Defesa, Nelson Jobim, fascinado e habituado a vestir fardas, afirma que a lei de anistia abrangeu a torturadores e torturados. No Brasil, a nossa tradição histórica é jogar embaixo do tapete toda a barbárie cometida por governos de exceção ou não. Assim, para ficarmos apenas no finado e recente século XX, tivemos os casos de conhecidas ou desconhecidas barbaridades cometidas por governantes. Artur Bernardes, na República Velha, foi o introdutor dos campos de concentração no Brasil. Sim, refiro-me à Clevelândia, local florestal onde confinou até a morte seus adversários políticos. Tratava-se de um presidente civil. No Estado Novo (1937-1945) Getúlio Vargas e seus generais e coronéis; Gaspar Dutra, Góes Monteiro, Felinto Müller e seus comparsas levaram a repressão a níveis nazistas.
Opinião

Parceria necessária
Mauro Braga e Redação
Tribuna da Imprensa

Os problemas que afligem a população do Rio no âmbito da competência municipal afloram nos discursos políticos. A campanha está nas ruas e no momento todos os candidatos sabem muito bem pontuar as demandas da cidade. Com tantas soluções que requerem mais competência no direcionamento da verba pública, paira no ar a dúvida sobre os motivos pelos quais a atual gestão deixou tanto a desejar. Ontem, em mais um encontro do reitor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Ricardo Vieiralves, da série promovida com os candidatos à prefeitura, foi apresentada ao prefeitável Marcelo Crivella (PRB) várias sugestões de parcerias entre o governo municipal e a universidade, entre as quais através do Hospital Pedro Ernesto.
Parceria necessária

O santo é de barro :: Paulo Nogueira Batista Jr.
O Globo

Na coluna de sábado retrasado, fiz o meu protesto contra a pancada na taxa de juro. Comentei que a ata da reunião em que o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) explicaria o aumento de 0,75 ponto percentual na taxa Selic, a ser divulgada na semana seguinte, deveria explicar com especial cuidado as razões que levaram a essa decisão radical e, para muitos, inesperada. Nesse meio tempo, a ata do Copom foi divulgada. As explicações foram convincentes? Bem, esses assuntos sempre são controvertidos, e não só no Brasil. Não há forma tecnicamente inequívoca de avaliar as decisões de um banco central. Feita a ressalva, parece razoavelmente claro que o Copom errou na mão. Não vou insistir no fato algo embaraçoso, e já bastante comentado na imprensa, de que a inflação começou a ceder logo depois da decisão do Copom, em razão da queda de preços de alimentos. Muitos observaram que esse fato reforçava o argumento de que a elevação da Selic em 0,75 ponto percentual não era a rigor necessária. O que eu queria destacar é que dados apresentados na própria ata do Copom sugerem que houve exagero.
O santo é de barro :: Paulo Nogueira Batista Jr.

Restrição a algemas irrita delegados

O Globo

Delegados da Polícia Federal reagiram à decisão do Supremo Tribunal Federal que restringe o uso de algemas no país. Alguns especialistas, porém, elogiaram a mudança. A decisão do STF anulou uma condenação por homicídio porque o réu foi a júri algemado. A ex-mulher da vítima pediu justiça.

Delegados da PF criticam decisão do STF de restringir o uso de algemas
POLÊMICA JURÍDICA: "Parece que estamos voltando aos tempos de Lombroso" Policial diz que restrições favorecem investigados em crimes financeiros Bernardo Mello Franco BRASÍLIA. A decisão do Supremo Tribunal Federal de restringir o uso de algemas em todo o país provocou irritação entre delegados da Polícia Federal. A nova regra, que entrará em vigor na próxima semana com a edição de uma súmula vinculante, foi interpretada pelos policiais como uma regalia para beneficiar investigados por crimes de colarinho branco. A insatisfação foi externada ontem pelo presidente da Associação Nacional de Delegados da PF, Sandro Torres Avelar. Para ele, a restrição do uso de algemas vai favorecer os alvos de operações contra crimes financeiros. - Qual será o critério? Pode algemar o bancário e não o banqueiro? Essa decisão vai na contramão do que a sociedade espera da polícia e do Judiciário - protestou.
Restrição a algemas irrita delegados

Panorama Político
Ilimar Franco
O Globo
Reparação à UNE

O governo Lula decidiu reconstruir a sede da UNE na Praia do Flamengo. O ministro Luiz Dulci explica que "há um reconhecimento de que o Estado tem responsabilidade na destruição da sede da entidade". O presidente enviará um projeto ao Congresso criando uma comissão para calcular o valor da reparação. O custo do prédio de 13 andares e de um centro cultural, projetados por Oscar Niemeyer, está estimado em R$30 milhões. Anistia: Planalto quer baixar a bola A avaliação no Palácio do Planalto é que foi "morna" a manifestação dos militares anteontem contra a posição dos ministros Tarso Genro (Justiça) e Paulo Vannuchi (Direitos Humanos), que defendem que a tortura é um crime imprescritível. Apesar da presença de militares da ativa, e não só da reserva, assessores do presidente Lula disseram que não foi divulgado nenhum documento de repúdio nem a lista de membros do governo com "passado terrorista", na ótica dos militares. O ministro Nelson Jobim (Defesa) atuou como bombeiro, afirmando que o Executivo não quer rever a Lei de Anistia nem propor punição aos torturadores. A oposição não vai retomar a radicalização. Mas vai ter que bater, o presidente Lula está forte demais" - Luiz Dulci, secretário-geral da Presidência
Panorama Político :: Ilimar Franco


Nhenhenhém

Jorge Bastos Moreno
O Globo

Brasil: "um museu de grandes novidades" A tese de Tarso Genro sobre torturadores não passa de café requentado. Por isso é de se estranhar a estranheza dos que só agora reagem a ela. Escreveu-me o ministro: "Os poderes da República em geral são conservadores, porque a lógica jurídica e política da sua estabilidade é a conservação. Não é um defeito, o ato de conservar está contido na previsibilidade que o sistema de direitos deve oferecer aos seus cidadãos. No entanto, a República deve se abrir para experiências novas ou mesmo revisar sua história, para adquirir vitalidade na prática da cidadania. Devemos abrir escotilhas, para a passagem de ar e de luz.
Nhenhenhém :: Jorge Bastos Moreno

Merval Pereira
O Globo

Eleição é sobre Obama NOVA YORK. A dança dos números das incontáveis pesquisas eleitorais feitas no ritmo diário aqui nos Estados Unidos não muda a tendência de vitória do candidato democrata Barack Obama. Desde as primárias, a campanha americana gira em torno dele, e há quem veja na eleição de novembro um plebiscito sobre suas qualidades e incapacidades, muito mais do que uma disputa entre ele e McCain. Isto é, se Obama vier a perder, terá sido por não ter convencido a maioria do eleitorado de que é capacitado para dirigir o país. Para um dos mais famosos marqueteiros americanos, Dick Morris, que tem um viés republicano, o que impede Obama de fazer uma dianteira consistente sobre McCain é menos o fato de ser o primeiro candidato negro a presidente e mais a sua inexperiência administrativa.
Merval Pereira

Fingimento
O Globo

NÃO É de hoje a dificuldade do MEC de enquadrar cursos superiores mal-avaliados. Chama, porém, a atenção que entre essas faculdades existam algumas do sistema ProUni, criado pelo atual governo para alunos carentes. A SUSPEITA é que o ProUni esteja servindo de escudo para esses cursos. Será uma lástima, por enganar os próprios beneficiários do programa: finge-se que se incentiva a ascensão social e finge-se que se ensina. Como nas cotas raciais, em que também o mérito acadêmico fica relegado a segundo plano.
Fingimento

Lobão não obtém consenso em torno de Jirau

O Globo

Mônica Tavares e Gerson Camarotti BRASÍLIA. O prazo dado pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, para que os consórcios que disputam a usina de Jirau chegassem a um entendimento e evitassem uma briga na Justiça acabou ontem, mas os grupos mantêm o enfrentamento. O governo, que ameaçou anular as licitações do Rio Madeira e assumir as obras de Jirau e Santo Antônio, não ajudou no processo. Ao contrário do que Lobão prometeu segunda-feira, nenhuma reunião conjunta com os consórcios Madeira Energia (capitaneado pela Odebrecht) e Energia Sustentável (liderado pela Suez) foi convocada. Lobão, no entanto, afirmou que manteve encontros com as empresas separadamente e que ainda acredita que em uma solução negociada.
Lobão não obtém consenso em torno de Jirau

Petrobras leva Esso no Chile por US$400 milhões
O Globo

Negócio inclui rede de 230 postos no país. Com 16% do mercado de combustíveis chileno, estatal já é 3ª do setor Ramona Ordoñez A Petrobras anunciou ontem ter fechado com a Exxon Mobil a operação de compra da rede de postos de combustíveis da Esso no Chile. O negócio foi feito poucos meses depois de a estatal ter perdido a disputa da Esso no Brasil para a Cosan, maior produtora de açúcar e álcool do país. O diretor da Área Internacional da Petrobras, Jorge Luiz Zelada, disse que o negócio foi fechado por US$400 milhões, que serão pagos com recursos próprios. Com a aquisição dos 230 postos da Esso, a Petrobras inicia suas atividades no Chile como a terceira maior distribuidora de combustíveis do país. A empresa passa a deter cerca de 16% do mercado, superada apenas pela Companhia de Petróleo do Chile (Copec), que é líder, com 62%, e pela Shell, com 22%. Zelada informou que a Petrobras pretende investir na nova rede de distribuição no Chile cerca de US$90 milhões até 2012.
Petrobras leva Esso no Chile por US$400 milhões

Lei não evita algemas
Clóvis Rossi
Folha de SP

Brasileiro tem a infeliz mania de achar que a solução de todo problema passa por um regulamento, um édito, uma lei ou algo parecido. É o caso do uso das algemas. Não tem a mais leve lógica e praticidade supor que o Supremo Tribunal Federal (ou qualquer outro tribunal) possa regulamentar um assunto cujo encaminhamento correto só depende da cultura dos agentes envolvidos.Ou os agentes públicos têm a plena noção de que não podem cometer abusos (no uso de algemas, em ricos e em pobres, ou em qualquer outro abuso) ou não haverá solução. Olhemos a vida como ela é.
Clóvis Rossi


Vaivém das commodities
MAURO ZAFALON -
mzafalon@folhasp.com.br
Folha de SP

EXPORTAÇÕES
As exportações brasileiras de milho podem chegar a 13,5 milhões de toneladas na safra 2008/9. Há espaço e demanda no mercado internacional, mas é preciso saber a que preços o Brasil conseguirá exportar esse grão, segundo Leonardo Sologuren, da Consultoria Céleres.
SAFRA AVANÇA
O avanço da safra e o tradicional aperto no caixa das usinas no início de mês fizeram o álcool manter tendência de queda em SP. O anidro, sem impostos, recuou para R$ 0,8585 por litro nas usinas (-1%). O hidratado recuou para R$ 0,6941 (-0,5%), segundo o Cepea.FATURAMENTO MAIOR O faturamento das padarias brasileiras deve crescer 9% em 2008, atingindo vendas próximas de R$ 43,2 bilhões. Já o consumo per capita de pães cresce 2%, somando 34 quilos por habitante.
Vaivém das commodities

A Olimpíada é a vida - melhorada

Folha de SP
Moacyr Scliar
VOU, SIM , assistir à Olimpíada (pela tevê, naturalmente). Vou torcer por nossos atletas. Vou vibrar e sei que, em alguns momentos, vou me emocionar. Por quê? De onde tiro essa certeza, que é a de milhões de pessoas em todo o mundo?No meu caso, a resposta está num nome, hoje pouco lembrado: Abebe Bikila. Etíope, ex-pastor de ovelhas e depois militar, foi o primeiro atleta a vencer duas maratonas olímpicas e é considerado por muitos o maior maratonista de todos os tempos.Bom, vocês dirão, grandes atletas existem, isso não chega a ser novidade. Mas Bikila era diferente. Esse homenzinho pequeno, magro, franzino, nascido em um dos países mais pobres do mundo, assombrou o público na maratona de 1960, em Roma, porque correu pelas ruas da cidade eterna descalço. Isso mesmo, descalço. E, descalço, ele chegou quatro minutos antes do segundo colocado; descalço, declarou que poderia correr mais dez quilômetros sem problemas.
Moacyr Scliar: A Olimpíada é a vida - melhorada

Rubem Alves: Não vou ver as competições...

ENSINOU NO Departamento de Educação Física da Unicamp um professor português que tinha uma tese curiosíssima sobre o atletismo. Ele dizia que o atletismo faz mal à saúde. Para provar seu ponto, perguntava: "Você conhece um atleta longevo? Quem vive muito são aquelas velhinhas sedentárias que tomam chá com bolo no fim da tarde". Florence Griffith Joyner, corpo fantástico, só músculos, a mulher mais rápida do mundo, deteve por dez anos os recordes mundiais dos 100 m dos 200 m. Dedicou toda a sua vida ao atletismo. Era o símbolo máximo da beleza olímpica. Um infarto a matou. Os animais não competem. Não têm interesse em saber qual é o melhor. Se eles pulam e correm, o fazem pelo puro prazer de pular e correr. Minha cachorra Luna, é só soltá-la num campo aberto para que se transforme numa flecha. E eu fico a contemplá-la, assombrado pela performance do seu corpo que nunca fez atletismo. Por que ela corre? Não é para pegar um coelho. Se corresse para pegar um coelho, sua corrida teria um objetivo prático, racional. Nem corre para provar que é mais rápida que outro cachorro. Se fosse esse o caso, estaria sendo movida pela mais pura motivação olímpica. Numa Olimpíada, nenhum atleta executa sua atividade pelo prazer de executá-la. Cada atleta executa a sua coisa para provar-se o melhor de todos. O prêmio que o atleta recebe por sua performance não é algo que acontece com o seu corpo, como é o caso da minha cadela que corre pelo prazer de correr. O seu prêmio é algo abstrato, fora do corpo, medido por números. O atleta só fica feliz quando a fita métrica ou o relógio dizem que a sua marca foi a melhor.
Rubem Alves: Não vou ver as competições...

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