

A volta ao mundo roseano
Um ano antes de concluir a Faculdade de Medicina (1930), o mineiro João Guimarães Rosa cedeu à sedução que a literatura exerce naqueles que serão grandes escritores, e publicou "O mistério de Highmore Hall", na revista "O Cruzeiro". O conto marcava a estréia literária do futuro médico.
Já diplomata, o fascínio pelo contar histórias cresceu e evoluiu para criar palavras. "Sagarana", livro de contos publicado em 1946, mostra o hibridismo na junção de "saga" (lenda, fábula) e "rana" (à maneira de; à espécie de). Em uma tradução livre, o título significa "Uma espécie de saga". A obra colocou Rosa em um patamar de destaque entre os escritores brasileiros pela linguagem inovadora do regionalismo e riqueza simbológica. Em 1956, o escritor lança "Grande sertão: Veredas", seu único romance. Considerado um dos mais importantes textos da literatura brasileira, a leitura e interpretação do livro constituem um constante desafio para quem se habilita a lê-lo. O universo de Guimarães Rosa é marcado pela experimentação e recriação da linguagem. O autor tinha a tarefa de captar a realidade através de invenções semânticas e sintáticas. Apesar do falecimento em 1967, o mundo roseano convida cada vez mais leitores a dar voltas no infinito da língua.
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Kathrin Holzermayr Rosenfield nasceu na Áustria, fez doutorado sobre literatura, história e filosofia em Paris (com J. Le Goff) e em Salzburg, Áustria. Ela vive no Brasil desde 1984. É pesquisadora do CNPq, e leciona na UFRGS, nos PPG Letras e PPG Filosofia. Criou o Núcleo Filosofia-Literatura-Arte em 2000 e dirige esse centro de pesquisa que desenvolve as relações entre pesquisa acadêmica, criação artística e comunicação com a sociedade, promovendo eventos científicos e espetáculos como Antígona (2004-5) e Hamlet (2006-7). Entre outros livros, publicou na editora Galilée, Paris, Antigone - De Sophocle à Hölderlin, e uma nova edição brasileira da tragédia Antígona de Sófocles (trad. Lawrence F. Pereira, notas Kathrin H. Rosenfield), Rio de Janeiro, Topbooks, 2006. Desenveredando Rosa. Ensaios sobre a obra de J. G. Rosa, Rio de Janeiro, Topbooks, 2006 (450 pp.) e Estética, Zahar, Rio de Janeiro (Passo a Passo), 2006. Neste momento, ela está lançando Grande Sertão Veredas – Roteiro de leitura, Topbooks 2008 e prepara um novo livro sobre a tragédia de Sófocles Édipo Rei.

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Cícero Sandroni lamenta perda de Zélia Gattai
O Presidente da Academia Brasileira de Letras, Cícero Sandroni, declarou hoje que a morte de Zélia Gattai “priva a Academia e o Brasil de um exemplo notável de escritora que, independentemente do autor que foi Jorge Amado, soube construir seu admirável caminho. Militante exemplar de causas sociais, Zélia foi também figura de mulher que, a par da atividade intelectual, organizou uma vida em família de rara harmonia. A Academia chora a perda de uma notável e querida colega”
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ABL recebe com entusiasmo aprovação do Acordo Ortográfico em Portugal
Em sessão plenária no dia 16/5, a Assembléia do Parlamento de Portugal aprovou o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Nos próximos dias, o texto -já com as novas normas irá à publicação no Diário da República (Diário Oficial) e depois para a sanção do presidente da República. A notícia alegrou a Academia Brasileira de Letras. Desde os anos 70, por iniciativa do filólogo Antonio Houaiss, a Casa já trabalha nesse Acordo. O acadêmico Cícero Sandroni, presidente da instituição, destacou a importância da aprovação para a Língua Portuguesa:
- A Academia encara essa aprovação como um marco histórico. Inscreve-se, finalmente, a Língua Portuguesa no rol daquelas que conseguiram beneficiar-se há mais tempo da unificação de seu sistema de grafar, numa demonstração de consciência da política do idioma e de maturidade na defesa, difusão e ilustração da língua da Lusofonia.
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