"Risco sistêmico" e lambança bancária


Um ano de trabalho, US$ 54 milhões


Ferrari de US$ 250 mil: em falta

Vi uma explicação no programa de economia de Neil Cavuto, que se orgulha, na notória Fox News, de ser tendencioso - como fora Henry Luce - a favor de Deus, do capitalismo e do Partido Republicano (não necessariamente nessa ordem). Daquela vez nem parecia tanto. Botou a boca no trombone: "Ao embolsar a grana, os executivos impedem que ela chegue aos acionistas e investidores", disse. A explicação então era que eles tinham elevado o faturamento. Só que isso fora feito levianamente, com os empréstimos sem colateral que inflavam a bolha. O executivo devia servir ao cliente, mas fazia o contrário - tirava dos que confiaram nele e botava no próprio bolso. Spitzer descobriu memorandos internos escancarando o desprezo deles pelo investidor. Os clientes eram ridicularizados. E o combustível em Wall Street, como se sabe, é cocaína. Assim, quando é maior o lucro de bancos e corretoras os executivos se apressam a botar a mão da mufunfa. Em 2006 o ranking foi assim: 1. Goldman Sachs; 2. Morgan Stanley; 3. Blackstone Group; 4. Lehman Brothers; 5. JP Morgan; 6. Citigroup Investment; 7. Merrill Lynch; 8. Lazard; 9. Credit Suisse; 10. JP Morgan Chase; 11. UBS; 12. Citigroup; 13. Deutsche Bank; 14. Bear Stearns. Hoje sabemos o que houve com o Bear Stearns. O "New York Times" publicou - apropriadamente, no dia de Natal - uma sugestiva reportagem sobre o caso dos "bônus" dos executivos. O título foi: "Tanto dinheiro e tão poucas Ferraris". Explicava que não houve Ferrari 599 GTB Fiorano (US$ 250 mil cada) em número suficiente na revendedora de Greenwich (Connecticut) para atender as encomendas dos executivos de Wall Street.
Apartamentos de US$ 20 milhões

Contou ainda que uma aeromoça vendia vôo fretado em frente à sede da Goldman Sachs. Preço: US$ 30 mil. "É como se fosse seu jato particular", explicou ela a um executivo que se mostrava interessado. Ao mesmo tempo, um corretor de imóveis, de olho na gorda comissão, lamentou não ter conseguido encontrar em Manhattan duas propriedades de US$ 20 milhões encomendadas por altos executivos. Ao mesmo tempo, financistas já instalados em multimilionários apartamentos e "town houses", estavam então comprando apartamentos de US$ 5 milhões para os filhos. E mais: casas de férias, em geral compradas e vendidas na primavera, foram muito procuradas em pleno inverno, inclusive em resorts privados (como o Yellowstone Club, perto do Parque Nacional de Yellowstone, em Montana). Em apenas três semanas, dizia o "Times", uma imobiliária tinha vendido seus quatro últimos apartamentos de Greenwich Village. A venda final foi um de dois quartos e dois banheiros, com uns 200 metros quadrados. Preço: US$ 7 milhões. Uma agente imobiliária contou: "Os executivos sabem que, ou compram agora, imediatamente, ou vai aparecer outro executivo, dar mais dinheiro e ficar com o imóvel". Era esse o clima às vésperas da bolha hipotecária explodir.

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