
“Os cinco vice-reinados e as cinco capitanias do império espanhol se dividem em 25 países. As treze colônias norte-americanas se unem e formam a nação mais poderosa da Terra. DIVIDE E VENCERÁS; UNE E REINARÁS”. (Simón Bolívar)
Mapuche
‘Mapu’ significa terra e ‘che’, pessoa, assim sendo, os mapuche são pessoas da terra numa referência às pessoas que pertencem e integram um território. A coroa de Espanha, após ter enfrentado uma heróica resistência Mapuche de 106 anos, conhecida como Guerra de Arauco, em 6 de janeiro de 1641, assinou o tratado de Killín, através do qual a Espanha reconhecia a autonomia territorial Mapuche. A primeira e única nação indígena do continente, cuja soberania e autonomia foi reconhecida juridicamente, um feito extraordinário na história dos povos indígenas Sul-Americanos. Nos dois séculos que se seguiram, o rio Bio Bio foi considerado como fronteira natural e, os territórios situados ao sul deste como território Mapuche.
No período de 1860 a 1885, os governos argentino e chileno realizaram uma operação militar conjunta denominada, ‘Pacificación de la Araucanía’ pelos chilenos e ‘Conquista del Desierto’ pelos argentinos, que teve como resultado o confisco e ocupação do território dos mapuche por colonos e a deportação das ‘pessoas da terra’ para uma série de ‘reduções’ e ‘reservas’ onde grande parte foi confinada.
Os Mapuche ocupam, atualmente, a região centro-sul do Chile e sudoeste da Argentina com uma população, na sua maioria, urbana, embora mantenham estreitos vínculos com as comunidades de origem.
No Chile, têm presença significativa nas províncias de Bío-Bío, Arauco, Malleco, Cautín, Valdivia, Osorno, Llanquihue e Chiloé. Em conseqüência da ocupação por colonos europeus de suas reservas, a maioria reside nos grandes centros urbanos de Santiago, Concepción, Valparaíso, Temuco e Valdivia. Na Argentina, residem nas províncias de Buenos Aires, La Pampa
, Neuquén, Río Negro e Chubut e, de acordo com os últimos censos, a população mapuche na Argentina gira em torno 250 mil e no Chile por volta de 1 milhão.
‘Nação Originária Mapuche’
"Com a criação das repúblicas do Chile e da Argentina, passamos a ser um povo separado em dois países. Não somos mais considerados uma nação". (Elba Guillermina Soto Veloso)

Políticas agrárias
No início dos anos 70, as reivindicações do movimento mapuche encontraram eco nas diretrizes da Reforma Agrária realizada pelo governo de Salvador Allende (1970-1973), mas, no final dessa década, a ditadura que derrubou esse presidente socialista truncou o processo.
Um decreto, de Pinochet, permitiu a divisão das terras comunitárias para incorporá-las ao mercado e estabeleceu que “uma vez liquidado o conceito de comunidade, deixariam de ser terras indígenas, e indígenas seus habitantes”. Após a ditadura, houve uma aproximação entre o governo de Patricio Aylwin (1990-1994) e o povo mapuche, sendo promulgada, em 1993, a Lei indígena em vigor e criada a ‘Corporação Nacional de Desenvolvimento Indígena’ (CONADI). A lei reconhecia a sociedade mapuche ‘como pluriétnica e multicultural’ e fazia “com que toda sua institucionalidade política, econômica e social em matéria de saúde e educação seja o reflexo da realidade multicultural subjacente na base social”, como afirmou o diretor nacional da CONADI, Aroldo Cayún.
Movimento Mapuche

Em resposta à política agrária de Augusto Pinochet, nasceu o movimento mapuche, na década de 80 do século passado, com o objetivo de defender as terras comunitárias. Em 1990, é criado o ‘Conselho de Todas as Terras’ que vem promovendo, desde então, diversas manifestações contra empresas florestais e de energia. O movimento se tornou cada vez mais violento, com ocupações de terrenos, manifestações contra a construção da hidrelétrica de Ralco e provocando incêndios nas plantações de empresas florestais e, talvez, graças a isso, os fundos estatais de compras de terras para as comunidades aumentaram significativamente desde então.
Atualmente, o movimento já não reivindica terras, mas territórios. O que os coloca em confronto direto com as multinacionais da mineração, da energia e do papel. A ‘Coordenação Arauco Malleco’, assegura que “nos encontramos em uma conjuntura histórica de extinção ou continuidade cultural, social e territorial, ou seja, entre a vida ou a morte de nosso mundo mapuche”.
O cacique Mapuche Aucán Huilcamán proclamou no ‘Consejo de todas las Tierras’: “Queremos proclamar e reafirmar o direito à livre determinação indígena em todas suas manifestações: política, jurídica, institucional e econômica”. Os mapuche dizem que sua luta, hoje, não é pela simples demarcação de terras, mas pelo direito de autogestão a elas e que ambicionam governá-las de acordo com suas tradições, à parte das leis dos Estados Nacionais, embora digam que querem continuar pertencendo a eles.
Mapuche não é um chileno
“Mas no país ainda prevalece o discurso da unidade na igualdade: que o indígena é mais um chileno. É importante que o mapuche seja identificado como outro e não como igual. Essa alteridade – uma relação em que mapuche e chilenos reconheçam a diversidade – é fundamental para tornar a interlocução possível”, comenta Elba Soto autora de ‘Sonhos e lutas dos mapuche do Chile’.
Conclusão
Os movimentos separatistas ganham força hoje "quando as diferenças econômicas e sociais mais se aprofundam e as mudanças vêm sendo feitas sem preocupações com o social e o cultural, e as forças centrífugas, em momentos de crise aguda, suplantem as forças centrípetas, e se leve o país à dissolução". (As raízes do Separatismo no Brasil, Manuel Correia de Andrade).

Coronel de Engenharia Hiram Reis e Silva, professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA)
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